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Os anos de quarenta e cinquenta foram fabulosos para o Sporting. Dez títulos de Campeão Nacional de futebol conquistados nesses 20 anos, aos quais se juntaram quatro Taças de Portugal que figuram no quadro de honra do Clube. De 1946-47 a 1953-54 o Sporting venceu sete dos oito campeonatos em disputa, juntando um tricampeonato e um tetracampeonato – ficando a época de 1949-50 de permeio. Foram os anos dos ‘Cinco Violinos’, de grandes e históricas equipas que conquistaram enorme fama nacional e internacional. A própria designação ‘Cinco Violinos’ foi atribuída pelo jornalista e treinador Tavares da Silva a uma linha avançada formada por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. Eles e os seus companheiros formavam uma orquestra a jogar, tal o espírito colectivo e a eficácia em campo. Nesses anos, em 1946-47, o Sporting chegou aos 123 golos (quase cinco por jogo!) num campeonato que tinha então 26 jornadas, tendo Peyroteo marcado 43 golos em 19 encontros (média de 2,26 golos por jogo), recordes impossíveis de serem batidos.
Esses tempos foram de tal maneira impressionantes aquém e além-fronteiras que, apesar de não ser então campeão nacional em título, o Sporting foi convidado para participar na primeira edição da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1955-56. Foi pena que a UEFA não tivesse lançado a competição alguns anos mais cedo... Para a História fica ainda o facto de o Sporting ter inaugurado a Taça dos Campeões num jogo com o Partizan de Belgrado (3-3), no Estádio Nacional. João Martins marcou o primeiro golo desta histórica e hoje milionária competição.
O tetracampeonato do Sporting, o primeiro do futebol português, arrancou em 1950-51 com os seguintes jogadores: Mário Wilson, Juca, Jesus Correia, Manuel Passos, Juvenal, Vasques, Galileu, Veríssimo, Travassos, Martins, Tormenta, Carlos Gomes, Leandro, Caldeira, Barros, Canário, José Travassos, César Nascimento, Anacleto, Manuel Marques, Pacheco Nobre, Mateus e Pacheco. O treinador era o britânico Randolph Galloway, que tinha como adjunto Fernando Vaz.
Em 1955, José Travassos foi o primeiro futebolista português a ser convocado para uma Selecção da Europa. Jogou em Belfast perante a equipa da Grã-Bretanha e mereceu referências muito elogiosas da imprensa internacional, assim conquistando para sempre o cognome de ‘Zé da Europa’.
No atletismo, o Sporting começou em 1941 a sua inigualável colheita de Campeonatos Nacionais em pista, que hoje prossegue galopante: 12 entre 1940 e 1960. Em corta-mato, ou crosse, foram dez as vitórias colectivas no mesmo período.
De notar que em 1945 o Sporting fundou as primeiras escolas de natação em Portugal: ‘um país de marinheiros’ mas onde mal se nadava. O Sporting já fora pioneiro ao abrir um posto náutico no início dos anos vinte, daí as vitórias em pólo aquático nos primeiros anos da modalidade.
Em 1941 começou a era dos títulos em andebol, com a vitória no Campeonato Regional na variante de Onze, a que existia ao tempo, jogada em campos de futebol. A série de vitórias nacionais no andebol de sete foi inaugurada em 1951-52, sendo o Sporting nesta modalidade (como em muitas outras) a Maior Potência Desportiva Nacional.
Na década de cinquenta, além dos títulos nas modalidades de maior divulgação há a registar os conquistados em bilhar, esgrima, tiro, ténis de mesa, badminton, automobilismo, os dois primeiros campeonatos nacionais de voleibol (53-54 e 55-56), o primeiro campeonato nacional de basquetebol, em 1956.
Em 1956, a 10 de Junho, o Sporting inaugurou o Estádio José Alvalade, um feito que assinalou a grande vitalidade, a dinâmica e a capacidade de mobilização do Clube e dos seus dedicados associados, que se desdobraram em iniciativas e sacrifícios para que tal obra gigantesca fosse possível. O Sporting tinha regressado às origens, ao Stadium ou Estádio do Lumiar em 1937. Este foi o cenário dos recitais dos ‘Cinco Violinos’, que rapidamente se tornou pequeno para a extraordinária envergadura do Clube à medida que se aproximava dos seus primeiros 50 anos de vida. A necessidade de um novo estádio tornou-se premente logo no início da década de cinquenta e acabou por ser uma realidade em 1956, assentando sobre a área do antigo Stadium. Foi baptizado com o nome do fundador José Alvalade que teve sempre como preocupação a qualidade das instalações do Clube. Aliás a designação já fora adoptada anteriormente, a partir de 1947, ao remodelado Estádio do Lumiar. O sócio nº 1 do Sporting ao tempo da inauguração do grandioso Estádio era Francisco Gavazzo, um dos fundadores e um dos jovens veraneantes de Belas em 1902.
Mais tarde, em 1983, por acção da presidência de João Rocha, concretizou-se outra das ambições Sportinguistas em termos de instalações – o ‘fecho’ do Estádio através da construção da denominada Bancada Nova, que substituiu o peão herdado do recinto anterior. A 6 de Junho de 1960, o Sporting foi declarado Instituição de Utilidade Pública.
Manuel Faria, fundista de grande prestígio, antecessor de Manuel de Oliveira, Carlos Lopes, Fernando Mamede e dos irmãos Castro, venceu as famosas corridas de São Silvestre de São Paulo em 1957 e 1958, até então os maiores feitos do atletismo português juntamente com o quarto lugar do saltador em comprimento Álvaro Dias no Campeonato da Europa. |  |