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PARTE 2

'Não é verdade que o Sporting não saiba jogar em contra-ataque'

Pedro Miguel
24 anos
– Como pensa colmatar uma deficiência gritante na equipa do Sporting, que é a fragilidade no futebol aéreo?
O Sporting sofreu alguns golos de bola parada, mas isso não esteve só relacionado com o jogo aéreo. Está relacionado com a concentração e depende muito das características e da estatura dos jogadores. É evidente que sofremos vários golos de bola parada, mas nem sempre aconteceu na primeira bola. Isto é, ganhávamos o primeiro duelo, mas depois, numa segunda bola, sofríamos o golo. A equipa tem algumas dificuldades em determinadas situações, mas não digo que seja frágil no jogo aéreo.

José Antunes Quatorze
Sócio n.º 25 238
Assinante do jornal Sporting n.º 2032 
– Porque é que Sporting não sabe jogar em contra-ataque?
Não é verdade que o Sporting não saiba jogar em contra-ataque. O que as equipas devem é, dentro do seu modelo de jogo, treinar todas as situações e nós fazemo-lo. O que o Sporting não faz com tanta frequência é utilizar o contra-ataque, primeiro, porque a sua forma de jogar não leva a que esse seja o mecanismo mais usado, depois,  porque a própria estratégia dos adversários também não permite que o Sporting use o seu contra-ataque, porque o usam eles em função da qualidade da nossa equipa. Depois, também, porque as características dos jogadores do Sporting, que são escolhidos para jogar de uma determinada forma, não levam a que seja predominante o uso do contra-ataque. O Sporting usa o contra-ataque em vários momentos do jogo. O que temos de saber é quando o usar, em que momento do jogo o podemos usar e em que momentos do jogo é que o nosso adversário nos permite usá-lo. Mas, que não é o que predomina no futebol do Sporting. Não é. Que não o saibam usar, não estou de acordo.

Diogo Oliveira
19 anos
– Seria possível implementar no Sporting uma táctica 4x3x2x1 (tipo AC Milan)?
As tácticas são possíveis de implementar, mas não se pode implementar uma hoje e outra amanhã. A equipa tem uma organização e dentro dela está um sistema de jogo. Se o plantel for formado para jogar dessa forma, não há qualquer tipo de problema. O que não podemos é utilizar uma táctica em função de outra equipa a usar. É uma táctica como outra qualquer, que pode ser formada e trabalhada. Mas, neste momento, não é aquilo que mais serve os interesses do Sporting e daí não a utilizarmos.

 

Andreia Martins Ferreira
Sócia n.º 83 435
– Sendo o Sporting considerado por muitos a maior escola de extremos do Mundo e jogando na formação em 4x3x3, porque joga a equipa principal em 4x4x2, sem extremos no plantel?
É uma situação que não vem de agora. Estou há oito anos no Sporting e a equipa jogou várias vezes em 4x4x2. Antes assumir o cargo de treinador da equipa principal, nas duas épocas anteriores, a equipa já jogava em 4x4x2. No ano da conquista do título de 2001/02, enquanto tivemos Jardel e Niculae, jogámos em 4x4x2, não tanto em losango. Quando usávamos o 4x4x2 mais clássico, utilizávamos Viana ou Barbosa, sendo diferente de utilizar Quaresma, o único extremo que tínhamos no plantel. Por isso, não é uma situação de só agora. Neste momento, o que está mais focalizado é o facto de jogarmos com mais gente no jogo interior e, naquela altura, jogávamos com jogadores como Viana, Quaresma, Sá Pinto e João Pinto, que jogavam algumas vezes nos corredores. Mas é preciso ter consciência de que não eram extremos. Isso faz com que as pessoas pensem que, naquela altura, havia extremos e isso, na realidade, não acontecia. Não acho que tenha de existir uma relação entre aquilo que se faz na formação e aquilo que se faz no futebol profissional. Na formação, há um processo muito mais estanque, em que os jogadores saltam patamares e trabalham quase sempre juntos durante vários anos. No futebol profissional, nem sempre é assim. Ou seja, a variabilidade de jogadores ao longo das épocas é muito maior e, às vezes, leva a que tenha de se mudar mais ao nível do futebol profissional do que no futebol de formação.
 
Nuno Pinheiro
35 anos
Sócio n.º 38 261
– Sabendo que Rochemback pode jogar em todas as posições do meio-campo, talvez um pouco menos eficaz na posição 6, como pensa encaixar o Miguel Veloso, o João Moutinho, o Rochemback, o Izmailov e o Romagnoli?
No nosso sistema, utilizar os cinco é difícil, porque só jogamos com quatro. Os cinco jogadores podem encaixar-se, jogando o Miguel noutra posição. Jogando em 4x3x2x1, também se podem encaixar, mas, em losango, não se pode fazê-lo. Uma equipa como a do Sporting tem de ter soluções para jogar, dentro do mesmo sistema, com vários jogadores. Uma época com tantas competições permite que todos os jogadores possam jogar, não só pelas opções que o treinador toma, como pelas lesões e castigos que existem durante a temporada.


'Tenho uma grande convicção naquilo que treino e naquilo que decido'

César Neves
Sócio n.º 27 002
– Ao longo das duas épocas completas ao serviço do Sporting, principalmente nos momentos menos bons, as suas opções foram sendo questionadas por jornalistas, adeptos, sócios e cronistas. Que impacto têm em si, no seu trabalho, nos seus métodos e planos de treino/jogo, as opiniões e leituras suscitadas por estas forças extraclube, mas parte integrante do futebol? Ouve-as? Filtra o que têm de aproveitável, moldando-as ao seu conhecimento? Ou não são parte integrante do seu trabalho, confiando exclusivamente nas suas capacidades?
Lidar com a imprensa faz parte da nossa função, quer dos jogadores, quer do treinador. Leio, ouço, vejo, filtro o que tenho de filtrar, aproveito o que tenho para aproveitar, mas não interfere nem com a forma de treinar, nem com a forma como a equipa vai jogar, nem nas escolhas dos jogadores e das substituições. Tenho uma grande convicção naquilo que treino e naquilo que decido.

Bernardo Matias
16 anos
– O Sporting é um Clube fácil de treinar? Isto é, é fácil gerir a pressão criada pela imprensa, gerir um plantel em que existem vários jogadores de bom nível para a mesma posição, observar e avaliar os jogadores das camadas jovens?
Não há nenhum clube fácil de treinar, porque tem de haver gosto e paixão por aquilo que se faz e para se pôr qualidade no trabalho. Não se pode esperar facilidades nessa tarefa. Em relação ao Sporting, existe, naturalmente, uma pressão maior porque é um Clube que tem de ganhar, é mais mediático e tem uma maior pressão exterior, através da comunicação social. Mas cada um lida com isso da melhor forma. Não tenho problemas em lidar com a imprensa, acho que faz parte, posso concordar ou não com aquilo que se faz e que são as críticas. Tenho esse direito, como a imprensa tem o direito de não concordar com aquilo que faço, mas como disse, não influencia o meu trabalho. O espaço para as outras tarefas tem de existir, ainda para mais num Clube que tem essa vertente. Ao treinador principal exige-se conhecimento daquilo que se passa, mais no escalão de juniores, não deixando de saber aquilo que se passa nos outros escalões.
Um treinador tem de dedicar algum do seu tempo para essa função, embor0 nem sempre ele exista, porque a outra parte exige muito tempo.




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