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A História da Fundação

Em 1902, por iniciativa de Francisco da Ponte e Horta Gavazzo e de seu irmão José Maria, foi fundado o Sport Clube de Belas, na sequência de umas férias de Verão passadas naquela localidade, em que Eduardo Ferreira Pinto Basto e seu irmão Fernando centralizaram as atenções dos rapazes em férias, jogando a bola no pátio da Quinta do Bonjardim, propriedade dos seus avós maternos, Marqueses de Borba. As actividades do Clube não foram muitas, assinalando-se somente um grande encontro de futebol travado com um grupo de rapazes de Sintra, e disputado em 26 Agosto de 1902 nos Seteais, na presença do Rei D. Carlos, da Rainha D. Amélia e do Príncipe D. Manuel, além de vários Dignatários da Corte. O grupo de Sintra, reforçado com alguns ingleses e ainda com João e Francisco Vieira, irmão do nosso Jorge Vieira, não conseguiu vencer, tendo-se jogado duas partidas com o intervalo de 25 minutos com dois êxitos do Sport Club de Belas que marcou três golos.

O entusiasmo foi enorme, a equipa sobrevalorizada, e isso os levou a convidar, de novo, o grupo de Sintra para outro encontro, que se veio a realizar a 14 de Setembro de 1902. Prepararam um festival desportivo e compraram valiosas medalhas que deviam ser disputadas por diversas modalidades: corridas de bicicletas, de sacos, pedestres e o jogo de futebol. Com faltas de alguns dos convocados e com o reforço que o grupo de Sintra apresentou dessa vez, o resultado foi estrondoso (14-0), e a fama de Francisco Gavazzo como guarda-redes, que o anterior encontro ainda mais vincara, foi-se por água abaixo e a verdade é que Francisco Gavazzo nunca mais quis jogar a guarda-redes!

Nesse inverno, os irmãos Pinto Basto e Carlos Villar fundariam o Foot ball Club Swifts, que a partir de Janeiro de 1905 se viria a chamar Club Internacional de Foot Ball; enquanto isso, nos princípios de 1904 já a maioria dos apaniguados do Spot Club de Belas, residentes da área do Campo Grande, centrou neste Bairro o convívio, ainda que sem actividade desportiva de Clube. A ideia foi-se ampliando, os seus componentes foram cimentando a amizade e, sem solução de continuidade, só com uma mudança de 'rótulo', todos se passaram para o Campo Grande Foot-Ball Club que se fundara nesse ano, numa das habituais reuniões da Pastelaria Bijou, da Avenida da Liberdade, sob a influência dos irmãos Gavazzo, José Alvalade, Alberto Lamarão, António Felix da Costa Junior, Carlos Bom de Souza Carneiro, Eduardo Mendonça, Fernando Barbosa, José Stromp, Frederico Kohn e Carlos e Fernando Motta Marques.


Alguns membros do Campo Grande F.C

 

O local exacto das conversas havidas para a concretização da fundação do Campo Grande Foot-Ball Club foi o quarto de Francisco Gavazzo, à data situado no belo Solar da Família Pinto da Cunha, ainda hoje existente no fim do Campo Grande, à esquina da Alameda das Linhas de Torres. O campo desportivo ficava na Quinta do Visconde de Alvalade, no Sítio das Mouras, junto à Assistência Nacional aos Tuberculosos, com serventia pelo nº 27 da Alameda das Linhas de Torres, à data, nº 12 da Alameda do Lumiar. Este campo situava-se nos terrenos que depois foram conhecidos como Lumiar-A, utilizado também pelo Grupo Desportivo 'Os 13' e pela CUF, anos mais tarde.

Este Campo Grande Foot-Ball Club tinha como sócios jovens das melhores famílias de Lisboa e funcionava, já, com algumas estruturas, pois tinha uma Direcção de que José Alvalade era o tesoureiro e Francisco Gavazzo o secretário, o qual substituído por seu irmão José, quando ele viveu em Paris. A quota mensal era de 300 reis, efectuavam-se Assembleias e as respectivas actas eram redigidas.

Como pormenor é de notar que o equipamento desportivo era o mesmo que tinham trazido do Sport Club de Belas (camisas de flanela branca, calções azuis e cinto e meias da mesma cor) mas, normalmente jogavam com qualquer camisa branca pois foram raros os encontros em que se equiparam a rigor. O Clube teve uma actividade interessante, não só no futebol como corridas e saltos (o Atletismo da época), ténis e, algumas vezes esgrima com a colaboração dos irmãos Martins, filhos do Mestre de Armas António Martins. Era, de facto, um Clube de elite cujas festas tinham requintada elegância pois reunia também os familiares dos sócios que, como se disse, pertenciam às melhores famílias lisboetas.

A última festa do Campo Grande Fott-Ball Club teve lugar em 19 Março de 1906, com atraente programa, tendo figurado na assistência nomes sonantes da Sociedade, como o Marquês de Borba, Conde da Esperança, Visconde de Maiorca e o Visconde de Alvalade. Estiveram presentes cerca de 500 pessoas! Nesta altura da vida do Clube notava-se já uma divergência de opiniões quanto à localização da Sede pois que os de Lisboa queriam que ela ficasse na Baixa e os do Campo Grande, neste local.

Igualmente se notava disparidade de critérios quanto às finalidades do Clube que os primeiros desejaram primordialmente apontar para festas sociais e os do Campo Grande para as práticas desportivas. Esta situação de efervescência deflagrou logo a seguir pois que, em 12 Abril de 1906, José Alvalade organizou um piquenique à Quinta do Correio-Mor, em Loures. A lista elaborada pelo Visconde de Alvalade não incluía os nomes da facção de Lisboa e esse foi o pretexto para que, em 13 Abril, no 1º andar das Cocheiras dos Condes de Sabrosa, à Rotunda, se tivesse realizado uma efervescente Assembleia na qual José Gavazzo, em seu nome e de seu irmão, declarou demitir-se no que foi imitado por vários dos presentes. José Alvalade secundou esta atitude e proferiu as palavras que estão na origem do Sporting 'Eu vou ter com o meu avô e ele me dará dinheiro para fazer outro Clube'.

O Visconde de Alvalade disponibilizou dinheiro e terrenos, de tal modo que em Maio nasce o Sporting Clube de Portugal. Para concretizar o seu sonho, também os jovens fundadores (José Alvalade tinha, imagine-se, 21 anos) contribuíram com as quantias que podiam. A data da Assembleia Geral na qual se elegeu a primeira Direcção foi 8 Maio de 1906 e como nota curiosa deve-se dizer que o Clube não tinha ainda, nessa data, o seu nome definido! Foi nela que José Alvalade proferiu a frase que ficou célebre: ‘Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa’. A esta frase histórica, juntou a cor verde da esperança.

Esvaziou-se, assim, o Campo Grande Foot-Ball Club, que findaria pouco depois.

Os dissidentes do Campo Grande Foot-Ball Club que acompanharam José Gavazzo e José Alvalade para o lançamento desse novo Clube, ainda que continuidade, afinal, do Sport Club de Belas e do Campo Grande Foot-Ball Club, que se extinguiram, foram 17, completando assim os 19 futuros 'leões'.


Um mural dos Fundadores no Estádio José Alvalade

José Alfredo Holtreman Roquette (José Alvalade)
José Maria da Ponte e Horta Gavazzo
Frederico Seguro Ferreira
Alfredo Augusto das Neves Holtreman (Visconde de Alvalade)
Fernando Soares Cardoso Barbosa
José Stromp
Henrique d’ Almeida Leite Júnior
John Henrique Scarlett
Eduardo Francisco Quintela de Mendonça
Afonso Botelho
António Stromp
Augusto Barjona de Freitas
Augusto Carlos Cruz Seguro
Francisco da Ponte e Horta Gavazzo
Francisco Stromp
Sérgio Rolin Geraldes Barba
José Seguro Borges de Castro
José Cordeiro Ferreira Roquette
João Serrão de Moura

Só na Assembleia Geral de 1 Julho de 1906 ficou firmada a designação de Sporting Club de Portugal, embora José Alvalade preferisse Grande Sporting Club de Portugal.

Temos pois presente de que estas duas datas são históricas no Clube pois que se a fundação é de facto, em 8 Maio de 1906 a existência do Sporting Club de Portugal é de 1 Julho de 1906.

E assim se viveu até 1920, ano em que, numa Assembleia Geral para reforço dos Estatutos, António Nunes Soares Júnior propôs, e por maioria foi aprovado, que se considerasse como data da fundação 1 Julho de 1906, na rigorosa defesa da verdade.

A história tem vindo a dar razão a José Alvalade, e os dirigentes que se seguiram tudo têm feito para preservar não só esse seu desejo, mas sobretudo consegui-lo através dos princípios e valores constantes nos primeiros Estatutos do clube, em 1907.

O Sporting Clube de Portugal de hoje, mais de um século depois da sua fundação, honra as suas origens, sendo uma fortíssima potência desportiva nacional, a quem o país muito deve, não só na razão dos títulos internacionais conquistados, mas pelo seu ecletismo e excelência dos seus praticantes, sendo um clube conhecido e respeitado na Europa e no Mundo.