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Karting

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História

Autódromo do Estoril, local com muito em comum para Ayrton Senna e Rodrigo Gallego. Foi lá que o brasileiro venceu pela primeira vez um Grande Prémio de Fórmula 1, em 1985, e que o português conquistou o primeiro título mundial em Fórmula 1 históricos no ano de 2004, assegurando o quinto lugar da classificação, suficiente para festejar o primeiro de quatro títulos mundiais ao serviço do Sporting (também venceu em 2006, 2007 e 2008); dois em Classe B (carros entre 1971 e 1985 sem efeito de fundo) e outros tantos em Classe D (carros entre 1971 e 1985 com fundo plano). Mudanças, ou caixa de velocidades, outro dado em comum entre os dois pilotos. A primeira vitória de Senna em ‘casa’ (Interlagos), na Fórmula 1, foi feita em grande parte na sexta velocidade, pois não tinha mais devido a uma avaria. Gallego também venceu no Estoril com a quarta e a quinta mudanças disponíveis, pelas mesmas razões do piloto tri-campeão do Mundo de Fórmula 1. Este título marcou o regresso às alegrias para uma modalidade tão querida e marcante no espólio ‘leonino’.

E foram as mudanças, as sociais, que ditaram o fim, no formato como era conhecida. Por isso é difícil entender como é que se faziam provas de ‘rally’ com provas de perícia pelo meio de um trajecto que ligava Lisboa à Ericeira, a Setúbal, a Évora ou a Beja. E pode-se dizer o mesmo sobre as actuações no interior do Estádio José Alvalade, onde chegaram a exibir-se os norte-americanos denominados de ‘pilotos do inferno’, que enchiam a bancada central de espectadores. Hoje em dia, dificilmente se perspectiva que tal se venha a suceder de novo. Automobilismo era o nome dado à secção que a partir de 1935 modificou o nome para motorismo, com a entrada do motociclismo no Clube de Alvalade, após curta tentativa dois anos antes. A vertente do volante começou no Sporting na época em que o Boletim ‘leonino’ servia, entre outras coisas, para informar os seus leitores das regras das modalidades, que é como quem diz, nos primórdios da Instituição. Apesar de algumas experiências iniciais anteriores, o arranque da modalidade dá-se em Abril de 1922. Nos anos 50 dá-se o ‘boom’ ‘verde e branco’, no que toca a grandes referências; Jorge Pais Lobo, Conde de Monte Real, Filipe Nogueira, Marquês da Fronteira e Abreu Valente nos carros, Albano Jacques e António Pinto nas motas, eram os nomes mais sonantes.

As provas consistiam em dois sistemas competitivos. Por um lado, o da regularidade, ou seja, o percurso longo; por outro, os de perícia, que incluíam categorias como a maneabilidade, o arranque e lançamento (75 metros seguidos de 25 metros lançado) ou o arranque, lançamento e travagem, onde o carro que menos metros andasse no momento de travar vencia. Em grande parte das provas, ambos os sistemas estavam incluídos. Por exemplo, no I Rally organizado pelo Sporting em 27 de Abril de 1958, o percurso ia de Lisboa a Setúbal, passando depois por Beja, Évora, Porto de Mós, Torres Vedras e Ericeira, terminando na capital portuguesa, num total aproximado de 17 horas consecutivas para cerca de 800 quilómetros. Em Alvalade, na partida, faziam-se as provas de maneabilidade, em Setúbal as perícias de arranque e lançamento e em Évora as provas de arranque, lançamento e travagem. Os eventos eram constantes – praticamente todas as semanas – e realizavam-se quer à luz do dia quer à noite.

De Lisboa a Monte Carlo num Ford 100 cv

E por falar em noite, mal tinha nascido um novo dia para o motorismo ‘leonino’ (decorria o ano de 1951) quando o primeiro teste de fogo surgiu... e foi passado com distinção por Jorge Monte Real, Fernando Mascarenhas e Manuel Palma, dono do automóvel, um Ford com mais de 100.000 quilómetros. O destino? Monte Carlo, Mónaco. Em estradas bem diferentes das de hoje, fizeram um total aproximado de 3.225 quilómetros. No total foram 372 os participantes, partindo de seis cidades europeias diferentes: Lisboa, Glasgow (Escócia), Oslo (Noruega), Palermo (Itália), Estocolmo (Suécia) e Monte Carlo, sendo que os últimos tiveram de dar uma volta ao centro do Velho Continente, passando por Genebra (Suíça), Estrasburgo (França), Luxemburgo, Amesterdão (Holanda), Bruxelas (Bélgica) e Paris (França), até chegar ao ponto de partida. Partindo da capital lusa, os ‘leões’ depararam-se com os primeiros contratempos ao quilómetro 20, com a quebra da correia da ventoinha. A temperatura do carro atingiu o máximo devido ao rebentamento da bomba de água e, ainda em Setúbal, os pilotos de Alvalade foram obrigados a parar para reparação da máquina. Até Badajoz demoraram hora e meia, com uma média de 100 quilómetros/hora e daqui até Madrid tudo parecia ir nos conformes, até surgir um nevão a 40 quilómetros da capital espanhola que, mais uma vez, dificultou a viagem. Ainda assim, e após passagens por Burgos, San Sebastián e Paris, os controlos de velocidade foram todos cumpridos, mas o pior estava para vir: os Alpes. Em Le Puy, a comitiva perdeu-se e só durante a noite, de lanterna na mão, foi avistada a tableta indicativa do Rally de Monte Carlo, onde, nesta 21ª edição, apenas 108 condutores chegaram sem penalizações. Os três pilotos ‘verde e brancos’ estavam incluídos e, logo à primeira, chegaram ao segundo lugar da classificação geral, um posto jamais atingido por qualquer outro piloto português. Tal feito muito se deve às provas de perícia no Mónaco, onde os ‘leões’ alcançaram o terceiro lugar na prova de arranque, lançamento e travagem e o segundo na prova de velocidade, quando o seu Ford não atingia mais do que 130 quilómetros/hora, ao passo que outros concorrentes conseguiam chegar a velocidades de 170 quilómetros/hora.

O último volante ‘leonino’

Nos anos 70 do século passado a secção pereceu em Alvalade. As marcas construtoras começaram a formar as suas próprias equipas e a vertente clubística quer do automobilismo quer do motociclismo desapareceu não só em Portugal mas no resto da Europa. O ‘verde e branco’ não mais voltou às estradas, ainda assim, deu um ar de sua graça nas pistas, com Rodrigo Gallego no Fórmula 1 históricos e Pedro Petiz na Superleague Formula, em 2009, competição destinada a Clubes de futebol. Em onze corridas, Petiz apenas terminou cinco, tendo sofrido quatro problemas técnicos e dois acidentes, ambos com o carro do FC Porto. Venceu a etapa de Monza (Itália) e ficou em segundo em Donington Park (Inglaterra), terminando na 12ª posição. Só o karting continua ‘vivo’, com Diogo Costa Pinto ao volante. Depois de décadas aquecidos de títulos, os motores estão agora praticamente desligados.