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ESTOCOLMO – 6 a 22 de Julho de 1912

António Stromp (Atletismo) – 3.º lugar na Série 5 dos 100 metros

Medalha de ouro: Ralph Craig (EUA, 10.8)

António Stromp (Atletismo) – 3.º lugar na Série 18 dos 200 metros

Medalha de ouro: Ralph Craig (EUA, 21.7)

O gosto de viajar é comum a qualquer pessoa. Tão comum e, à mesma proporção, como o incómodo de fazer escalas, trocar de meios de transporte, carregar malas de um lado para o outro. Em 1912, e só num dia, António Stromp, o primeiro atleta a representar Portugal nos Jogos Olímpicos, foi obrigado a fazer três deslocações de comboio e duas de barco. A chegada a Estocolmo foi uma longa odisseia para a comitiva nacional, que arrancou no “Astúrias” até Southampton (a primeira paragem) e demorou uma semana até pisar solo sueco. Mas valeu a pena porque não há nada como a primeira vez. Uma primeira vez que, para não variar, colocou o Sporting como pioneiro no plano desportivo. A República tinha sido implantada há pouco tempo quando o Comité Olímpico Português decidiu avançar para a primeira participação naquele que, há um século atrás, já era o maior evento desportivo do Mundo. 

Com as aspirações do costume, com o problema de sempre – apesar da forte pressão pública e através da comunicação social da altura, o Governo não cedeu e recusou-se a avançar com qualquer subsídio para a missão nacional dos ‘sportsmen’. Era preciso encontrar soluções para reunir verbas mas nem as iniciativas para o efeito correram bem: a 22 de Junho, a gala de angariação de fundos preparada pelo Comité no Coliseu dos Recreios esteve quase vazia porque, nesse mesmo dia, os trabalhadores dos eléctricos de Lisboa fizeram greve. A lista de dez apurados acabou por ter de ser reduzida para seis, mais curta do que os dias que demoraram a ir de Portugal à Suécia, com (longas) passagens por Inglaterra e Dinamarca. E a estupefacção foi imensa quando, chegada a Estocolmo, toda a comitiva portuguesa percebeu que os adversários seguiam programas específicos de treino e de alimentação e tinham acompanhamento médico, uma coisa nunca antes vista.

Os Jogos de 1912 retomaram a verdadeira tradição olímpica: um calendário de competição mais curto; um estádio com capacidade para 30.000 espectadores para estar sempre cheio; uma organização mais discreta e menos dispendiosa. E, em paralelo com o desporto, houve outras provas culturais de pintura ou poesia. Para António Stromp, o problema mesmo foi… a cerimónia de abertura: desfilaram 2.504 atletas de 28 comités durante uma hora e meia ao sol, período após o qual se realizou a prova dos 100 metros. “Não fui mais longe por causa do calor”, explicou o atleta ‘leonino’ depois da corrida, a 6 de Julho de 1912.

Nesse mesmo ano, o velocista que também brilhava nos relvados como extremo direito (além de ser fundador do Clube, estreou-se com 15 anos na equipa de futebol do Sporting, tendo ainda ganho o primeiro título de sempre dos ‘leões’) conseguira pulverizar o recorde nacional, de 12 para 11,8 segundos, mas o resultado acabou por não ser considerado, ao contrário do que aconteceu nos Jogos Olímpicos. António Stromp demorou sete dias para chegar a Estocolmo mas, 102 anos depois, percebe-se que a viagem valeu a pena.

A figura dos Jogos de 1912: Jim Thorpe

Nascido no meio de uma tribo índia, Jim Thorpe tentou fugir ao destino de tantos outros limitados à vida de pobres agricultores e tornou-se no melhor... em tudo: no atletismo, no basebol, no basquetebol ou no futebol americano, era sempre a grande figura e daí aos Jogos de 1912 foi um pequeno passo. Decidiu estrear as novas provas de pentatlo e decatlo, captando desde logo a atenção do Rei Gustavo V, sempre alheio a todos aqueles que o tratavam de ‘Pele Vermelha’. Ganhou ambas as medalhas de ouro com técnicas de treino ousadas como levantar pesos com canecas de cerveja. No entanto, um ano depois, um jornalista conseguiu provar que Thorpe tinha jogado numa liga de basebol como semi-profissional, algo que muitos outros faziam mas com nomes falsos. Terá recebido, na altura, cerca de 15 dólares por jogo. Uma pechincha que se tornou demasiado grande para o castigo – retiraram-lhe as medalhas que os segundos classificados não aceitaram.

A história dos Jogos de 1912: George Patton

Se o nome lhe está a fazer soar alguma coisa... é esse mesmo: George Patton, um dos mais emblemáticos generais norte-americanos na II Guerra Mundial, ousou intrometer-se entre o domínio sueco naquele que era considerado o desporto militar mais completo, o pentatlo moderno. E ainda hoje permanece dúvida: será que terá mesmo ganho? Em termos oficiais, a resposta é não; ainda assim, reza a história que Patton nunca deixou de se queixar daquilo que teria sido um erro técnico na prova de tiro (a sua especialidade), por ter falhado um disparo que, segundo o próprio, passou por um buraco que já estava feito anteriormente mesmo no centro do alvo.

Os mais medalhados dos Jogos de 1912

Suécia: 65 medalhas (24 ouros, 24 pratas e 17 bronzes)

EUA: 63 medalhas (25 ouros, 19 pratas e 19 bronzes)

Grã-Bretanha: 41 medalhas (10 ouros, 15 pratas e 16 bronzes)