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Sporting Olympics - Rio 2016 - Tóquio 2020

Pedro Ferreira

  • 22 Anos Trampolins
  • Data de nascimento 17 março 1997 170 cm | 62 kg
  • País Portugal

Está aqui

Biografia
Pedro Ribeiro Ferreira

Que gosta de andar pelos ares não é novidade – ou não fosse ele uma das promessas dos trampolins em Portugal e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2014. A novidade é que até nas escolhas académicas optou por um curso que ensina a construir instrumentos de voar. Quando chegou ao Sporting, em Setembro de 2015 com 18 anos, tinha acabado de entrar (com média de 18) no Instituto Superior Técnico para estudar Engenharia Aeroespacial. E por isso trocou Vila do Conde e o Ginásio Vilacondense por Lisboa e pelo Sporting – enriquecendo o leque de atletas de seniores elite ‘leoninos’ que buscam uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Mas voltemos um pouco atrás no tempo e subamos para Norte no mapa. Pedro era muito novo – tão novo que nem se lembra – quando entrou para a classe geral de ginástica do Ginásio Vilaconsense. Andar por aquelas bandas era-lhe tão natural como a sede, já que o pai era ali treinador de ginástica acrobática e a mãe professora de step. Das aulas de iniciação de ginástica saltou para os trampolins aos oito anos, depois de experimentar uma aula da disciplina. “As aulas do meu pai eram ao mesmo tempo dos treinos dos trampolins. Como andava por ali resolvi experimentar e dei-me logo bem”, explica Pedro. “Hoje já não imagino a minha vida sem os trampolins, parece que a cada dia é a coisa que mais gosto de fazer”.

Estreou-se nas provas internacionais aos 12 anos, no Mundial por Grupos de Idades, na Rússia, conquistando um 17.º lugar em trampolim individual e um 10.º em duplo mini-trampolim – um resultado “muito bom para a primeira participação internacional”, diz. Mas marcante marcante foi o Campeonato da Europa de 2014, realizado em Guimarães. “Em termos de sensação, foi a melhor prova da minha vida. Tinha acabado de vir de um Mundial, em Novembro, e tinha-me preparado imenso, mas cheguei à prova e falhei: fui à protecção, não consegui terminar a série. E isso aconteceu porque estava muito nervoso. Quando terminei essa competição, disse a mim mesmo que nunca mais ia ficar nervoso e passei um ano praticamente sem falhar”, diz. Em Guimarães, também não falhou, antes pelo contrário. Tinha de ficar entre os cinco primeiros para alcançar o apuramento para os Jogos Olímpicos da Juventude – a sua prioridade na época – mas terminou em terceiro, conseguindo o bronze perante a família e amigos, na bancada. “Nunca tinha competido assim com tanto apoio”, sublinha Pedro.

Guimarães deu-lhe o passaporte para Nanjing (China), onde se realizou a segunda edição dos Jogos Olímpicos da Juventude em Agosto de 2014. “Foi a melhor experiência da minha vida”, diz, convicto. “Não se compara a nenhuma competição, porque é uma mistura de todas as modalidades. Para quem gosta de desporto, como eu, é marcante acordar de manhã, olhar pela varanda e ver outras pessoas a treinar outros desportos”, conta Pedro, que chegou à China dia 11 de Agosto para só competir a 22. Os restantes 11 dias foram passados em treinos diários de uma hora e meia – “era mais para gerir a competição, porque o trabalho já estava feito antes”. E muita tensão. “Treinávamos ao lado dos chineses e foi a primeira vez que vi chineses a treinar. Foi impressionante. Estava a tentar competir com miúdos de 11, 12 anos e eles treinam imenso, é outra realidade. Só fazem aquilo, são completamente profissionais a fazer aquilo, não há distracções, não há nada. E têm condições que é impossível encontrar em Portugal”, lembra. Ver os rivais a treinar fazia disparar os níveis de ansiedade. Até porque as comparações são inevitáveis. “Era complicado gerir o stress, porque se via algum melhor que eu era difícil não ir abaixo. A semana de treinos foi stressante, mas na prova estive muito calmo, acho que nunca estive tão tranquilo numa competição e foi isso que fez a diferença”, conta Pedro, que ao observar os colegas nos treinos imaginou-se no top 5, mas acabou por ficar no top 3, conquistando a medalha de bronze olímpica só atrás do neozelandês Dylan Schmidr e do chinês Changxin Liu. “Toda a gente sonha com uma medalha, mas antes de ir para lá não acreditava muito que fosse possível. Tinha passado o Verão todo a treinar, não tinha tido férias, mas sabia que ia competir com os melhores”.

Mais do que qualquer adversário, numa prova de trampolins o principal rival de um atleta é ele próprio. Controlar os nervos é vital para uma modalidade em que um ano de trabalho se joga em 20 segundos. “É um desporto um pouco ingrato e temos de ter consciência que vamos falhar mais provas do que as que vamos acertar. O insucesso está sempre ao virar da esquina mas não nos podemos deixar ir abaixo”, sublinha Pedro, que passou por um momento de puro estrelato na China. “Nunca tinha estado numa prova com o pavilhão cheio. À saída, como era um dos medalhados, demorei 20 minutos porque estava rodeado de pessoas a querer tirar fotografias. Isto nunca me tinha acontecido na vida, um atleta de trampolins não tem estas sensações”.

Estar no Rio de Janeiro, em 2016, é uma meta para Pedro, que se estreou como sénior em 2014, na Taça do Mundo de Loulé – que lhe deu a entrada no Projecto Olímpico. Uma meta mas não uma pressão. “Se não for vou ficar triste, mas tenho noção que tenho ainda muito tempo”, considera o atleta que pratica trampolim sincronizado ao lado de Diogo Abreu – com quem conquistou uma medalha de prata no Test Event para os Jogos Europeus, em Baku (Azerbaijão) e outra de bronze na Taça do Mundo em São Petersburgo.

Encaixar os treinos, que se distribuem por seis dias da semana – normalmente só descansa ao domingo – e que, por duas vezes, são bi-diários, é o grande desafio. Até porque o perfeccionismo norteia-o também nos estudos. É possível que tenha de abdicar de mais tempo seu. Mas, mesmo subtraindo todas os sacrifícios, a soma final é sempre positiva. “Foi a vida que escolhi e não a trocava por nada. Porque é muito mais o que ganho do que aquilo que perco”.

Clubes anteriores
2011 Ginásio Clube Vilacondense
2015 Sporting CP
Prémios

- 3.º lugar nos Jogos Olímpicos da Juventude

- 3.º lugar no Campeonato da Europa de Juniores

- Semi-finalista no Campeonato do Mundo Seniores (2014)

- 3.º lugar na Taça do Mundo em Trampolim Sincronizado

- 3.º lugar em Duplo Mini e 5.º lugar em Trampolim Individual no Campeonato do Mundo por idades (2011)

- 1.º lugar na Loulé Cup Juniores (2014)

- 1.º lugar na Taça de Portugal Absolutos (2012 e 2014) e 2.º lugar (2013 e 2015)

- Vice-campeão Nacional Seniores Elite (2015)

- 1.º lugar do ranking nacional (2015)