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Sporting Paralympics - Rio 2016 - Tóquio 2020

Luís Gonçalves

  • 31 Anos Atletismo
  • Data de nascimento 12 outubro 1987 |
  • País Portugal

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Biografia
Luís Gonçalves

Quando era criança, Luís Gonçalves brincava aos Jogos Olímpicos, na rua, com os amigos de Alagoa, a aldeia do concelho de Portalegre onde nasceu. “Não tínhamos giz, por isso pegávamos em tijolo e desenhávamos as marcas no chão, riscávamos uma distância que nem era medida e depois víamos quem ganhava”, explica. Não se lembra quantas vezes foi ‘campeão olímpico’ de brincadeira mas estava certamente longe de imaginar que os seus sonhos passariam ao mundo real alguns anos depois – foi medalha de prata de 400m nos Paralímpicos de Pequim, em 2008.

Nasceu com uma malformação genética rara chamada retinoesquisis,  mas isso não o impediu de ser uma criança “enérgica”, apesar da protecção dos pais, que lhe tentavam amparar os riscos. “Não parava quieto. Gostava muito de pegar nos meus ténis e nos meus calções e correr uma hora, uma hora e meia. Sempre tentei ser o mais normal possível e acompanhar os meus amigos em tudo. Nunca deixei de fazer nada, brinquei a tudo. Foi assim que me adaptei a ter noção do espaço e a aproveitar os meus sentidos ao máximo – e também a visão. Como nasci com este problema, já estou habituado. Para mim, isto é o ser normal, sempre vi o mundo assim e sempre tive que me desenrascar”, sublinha o atleta que, como todos os outros membros da equipa, é amblíope, ou seja, tem a acuidade visual muito reduzida.

Praticou natação, futsal, karaté, jiu jitsu e futebol – a propósito, o seu ídolo é o guarda-redes soviético Lev Yashin, conhecido por ‘aranha negra’. “Admiro-o muito pela filosofia de vida. Lutava muito por aquilo em que acreditava e isso via-se dentro de campo. As bolas podiam ser indefensáveis mas ele tentava sempre chegar lá, nunca desistia”, justifica. O atletismo chegou mais tarde, aos 18 anos, quando se mudou para Lisboa para tirar o curso de massagem auxiliar de fisioterapia.

“Quando cheguei, perguntei a um amigo onde podia fazer atletismo – porque aqui em Lisboa sabia que conseguia. Ele levou-me até ao Estádio Universitário e apresentou-me a um treinador da formação da ACAPO. Comecei por treinar três vezes por semana, por brincadeira, mas mostrei apetência pelo atletismo e foi uma bola de neve”, conta Luís, que foi medalha de ouro nos 200m e 400m do Mundial IPC de 2011 e no Mundial IBSA nas mesmas distâncias também em 2011, prata no Campeonato do Mundo IBSA de 2007 (400m) e no Mundial IPC de 2014, além do ouro no Europeu de 2009 (400m) e de ter sido o único atleta português a conquistar uma medalha – neste caso de prata – na Paralympic World Cup (200m), prova em que só se participa por convite.

Mas os Jogos de Pequim, em 2008, foram o cume da sua carreira. “Quando era novo no atletismo, os meus amigos e colegas de treino chamavam-me ‘passarinho’ porque era pequenino, novo ali. Recordo-me que na minha primeira prova nos Jogos, estava parado na porta da maratona com o meu treinador e disse-lhe: ‘O passarinho vai ganhar asas’. E ganhou. Isto num estádio conhecido por ser o ‘ninho de pássaro’”. Os Jogos de 2016 já estão, portanto, no horizonte de Luís, estudante do segundo ano de Naturopatia e massagista ao domicílio. “Ir aos Jogos é o ponto alto para qualquer atleta”.