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Até já, Jornal Sporting!

Por Juvenal Carvalho
28 maio, 2026

Podia dizer que a derrota com o SCU Torreense não me provocou um enorme desconforto. Poderia até arranjar um sem número de palavras bonitas que amenizassem o meu estado de espírito sobre a tarde do Jamor no passado domingo. Mas tudo aquilo que aqui poderia escrever não seria verdadeiro, e não me deixaria ser eu. O que senti na realidade foi mesmo uma desilusão profunda. Uma sensação de tristeza indescritível que, sendo eu por formação desportiva, longe da euforia ou da depressão, não consigo, contudo, disfarçar um sentimento "estranho".  Não, não o esperava. Não, não foi dignificante. Mas também não, não sinto vergonha, jamais, como li escrito por amigos que muito considero, no calor da emoção. Nunca terei vergonha de ser do Sporting Clube de Portugal.  Nunca, mas mesmo nunca. 

E, sem refúgios, porque quem me conhece bem, o pode comprovar, se o dia 24 de Maio de 2026 foi o dia de uma das derrotas mais humilhantes do nosso futebol, com todo o respeito pelo nosso muito digno adversário, a quem endereço daqui os meus parabéns, pode parecer paradoxal, mas não é, que nesse mesmo dia tive uma enorme alegria. E essa alegria foi proporcionada pelo atletismo. Por ser o dia de mais um momento épico desta modalidade, com a conquista do título europeu de pista no sector masculino e com um brilhante segundo lugar no género feminino. 26 anos depois o Leão voltou a rugir na pista ao mais alto nível. Um orgulho incomensurável é o que sinto por uma modalidade que adoro desde muito jovem. Onde estiver, o sempiterno professor Mário Moniz Pereira estará seguramente muito feliz e também com a certeza de que o seu legado perdura no tempo e que estará para durar. Que foi dada continuidade ao seu fantástico trabalho. Os tempos hoje são novos. Mas são igualmente de um trabalho soberbo dos treinadores, atletas e todo o restante staff, deixando eu a todos, personalizado no professor Paulo Reis, o coordenador do atletismo, o meu obrigado por tudo aquilo que de excelente tem sido feito. E tem sido feito de forma sustentada. A começar pela formação que é o garante de um amanhã rampante, fazendo jus ao nosso símbolo. 

P.S – Esta é a minha última crónica neste formato do Jornal Sporting. Foram muitos caracteres escritos com a paixão a prevalecer. Escrevi por aqui sobre grandes conquistas e até alguns dissabores. Mas escrevi sempre com o coração e com amor ao "meu" Sporting Clube de Portugal. O Jornal entra numa fase de transformação, numa nova era. Uma nova vida, portanto. Obrigado, Jornal Sporting e até já!