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Um país sem memória está irremediavelmente perdido

Ninguém pode alterar a história do futebol em Portugal, pois tudo se encontra documentado nos arquivos da Federação Portuguesa de Futebol e nos jornais da época. Concordar ou não com as decisões tomadas (quase há 100 anos) está no pleno direito de cada um. Alterar a história é que não.

Assim sendo, cabe ao órgão responsável para gerir o destino do futebol em Portugal – a Federação Portuguesa de Futebol – repor a verdade histórica e honrar todos os atletas (e clubes) que lutaram pela conquista da prova máxima entre 1922 e 1938: o Campeonato de Portugal. Porque a alternativa será dizer a grandes nomes da primeira geração do futebol português que não foram campeões nacionais – título esse ganho em campo com muito suor e com o aplauso dos adversários. Caso estes jogadores estivessem vivos, alguém da Federação Portuguesa de Futebol teria coragem para olhos nos olhos explicar esta vergonha? Como iriam reagir, por exemplo, Pinga (FC Porto), Francisco Stromp (Sporting), Pepe (Belenenses), Jorge Tavares (Benfica), Tamanqueiro (Olhanense), Domingos Vasconcelos (Marítimo) ou Carlos Alves (Carcavelinhos)?

O objectivo deste trabalho de investigação é bastante claro: transmitir à geração actual (e futura) a verdadeira história do futebol no nosso país. Em 2021, Portugal celebra 100 anos de campeonatos nacionais. A lógica seria 100 anos – 100 campeões. Mas há quem defenda que deverão ser apenas 87. É urgente repor a verdade dos factos, em defesa da verdade desportiva.

Veja, de seguida, o vídeo onde se explica de uma forma simples toda esta questão relativa aos Campeonatos de Portugal que não prestigia a Federação da actual selecção campeã da Europa, nem homenageia os seus primeiros heróis (na foto) dos Jogos Olímpicos de Amesterdão em 1928 onde Portugal atingiu brilhantemente os quartos-de-final.

CRONOLOGIA DO FUTEBOL NACIONAL (1914-2014)

1914
FUNDAÇÃO DA UNIÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL
ACTUAL FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL
A 31 de Março de 1914 foi fundada a União Portuguesa de Futebol pelas três únicas associações então existentes no país (Associação de Futebol de Lisboa: 1910, Associação de Futebol de Portalegre: 1911 e Associação de Futebol do Porto: 1912) sendo este o primeiro organismo de cúpula do futebol a nível nacional.

Só mais tarde, e por deliberação no Congresso de 28 de Maio de 1926, a União Portuguesa de Futebol passou a designar-se Federação Portuguesa de Futebol. Mas para que isso ficasse devidamente legalizado, houve a necessidade de reformular os Estatutos o que apenas viria a suceder a 3 de Dezembro de 1938 (altura em que o Campeonato de Portugal já não era disputado). Até essa data, a Federação Portuguesa de Futebol regeu-se pelos Estatutos originais de 1914 – as linhas mestras do nosso futebol – onde destacamos os seguintes artigos:

ARTIGO 1º A União Portuguesa de Futebol é uma federação que dirigirá o futebol no território da República Portuguesa.

ARTIGO 3º A União Portuguesa de Futebol tem por fim: propagar, estimular e regulamentar em Portugal a prática do futebol; promover a formação de Associações regionais que se destinem ao progresso e regulamentação do futebol; e, organizar o Campeonato de Portugal

Estava assim, garantido o essencial para o futebol se conseguir desenvolver não só em Lisboa e no Porto, mas em todo o País. A realização do primeiro Campeonato de Portugal (claramente determinado no número 6 do artigo 3º) só viria, porém, a concretizar-se na época 1921/1922, não sendo estranho aos sucessivos adiamentos o conturbado período da I Guerra Mundial (1914 – 1918) em pleno coração da Europa.
1922
1ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR FC PORTO
Na época 1921/1922 realizou-se o primeiro campeonato nacional de futebol (organizado pela União Portuguesa de Futebol) designado de Campeonato de Portugal, sendo que hoje em dia a Federação Portuguesa de Futebol no seu site oficial refere que ‘os vencedores desta competição eram considerados os campeões da modalidade em Portugal’.

A acta nº1 da União Portuguesa de Futebol, de 9 de Abril de 1922, no momento da discussão do projecto do regulamento do Campeonato de Portugal fala da ‘(…) necessidade de criar um troféu, prémio ou taça, para ser conferido ao Campeão de Portugal’. O próprio regulamento do Campeonato de Portugal de Football referia que a prova seria aberta a todos os clubes portugueses que estivessem regularmente filiados e que tivessem disputado as provas oficiais das associações respectivas. A prova seria dividida em duas partes: fase de qualificação (os vários campeonatos regionais) e a fase final (o Campeonato de Portugal). Em 1921 existiam apenas quatro associações distritais (Lisboa, Portalegre, Porto e Funchal), mas apenas duas delas estavam em pleno funcionamento e institucionalmente credibilizadas, como era o caso de Lisboa e Porto. Desta forma, na primeira época do Campeonato de Portugal defrontaram-se FC Porto e Sporting na final, no entanto, para lá chegar tiveram de vencer os seus campeonatos regionais. O FC Porto venceu o regional da cidade invicta com 5 vitórias em 5 jogos numa competição a uma só volta com 40 golos marcados e apenas um golo sofrido. Por sua vez, o Sporting venceu o regional de Lisboa com 5 vitórias e 1 derrota em 6 jornadas, com um total de 15 golos marcados e 2 golos sofridos. Os leões somaram 10 pontos ao longo desta competição lisboeta, sendo que o segundo classificado (o Benfica) fez apenas 6 pontos fruto de 3 vitórias e 3 derrotas.

A final da primeira edição do Campeonato de Portugal, por força dos regulamentos, foi disputada à melhor de três jogos:

1ª MÃO (4 JUNHO 1922)
FC Porto vs Sporting (2-1)
Campo da Constituição, no Porto

2ª MÃO (11 JUNHO 1922)
Sporting vs FC Porto (2-0)
Campo Grande, em Lisboa

FINALÍSSIMA (18 JUNHO 1922) – APÓS PROLONGAMENTO
FC Porto vs Sporting (3-1)
Campo do Bessa, no Porto


O jornal ‘Sporting’ (principal jornal desportivo do Porto em que o nome alude à prática do desporto e que nada tem a ver com o Sporting Clube de Portugal) dedicou a primeira página da edição de 24 de Junho de 1922 à vitória do Futebol Clube do Porto no Campeonato de Portugal, referindo o nome dos 11 jogadores que ficarão para sempre na história do futebol nacional: António Lino Moreira, Júlio dos Santos Cardoso, Artur Augusto, José da Mota Fonseca, António Alberto Velez Carneiro, Floriano Pereira, João de Brito, José Balbino da Silva, José Tavares Bastos, Alexandre Cal e João Cézar Nunes.

A revista desportiva ‘Football’ na sua edição de 24 de Junho de 1922 escreveu ‘O Football Club do Porto é, desde domingo passado, o campeão de Portugal desta época. Coube a este Club, representante do Norte, a honra de gravar na sua história desportiva, a primeira inscrição de vencedor da prova mais importante do nosso país’.

O jornal ‘Caça e Sports’ de Junho de 1922 escreveu: ‘(…) é tremenda a responsabilidade do vencedor ao poder usar o título de Campeão do seu País. Campeão de Portugal! Representante do nosso football. E com as nossas saudações sinceras de portugueses ao grupo Campeão de Portugal, fazemos sinceros votos para que para o ano, possa, senão conseguir de novo para o Norte o desejado título de Campeão, figurar ao menos dignamente na sua disputa, perdendo, se tiver de perder, mas inclinando-se somente perante quem seja realmente mais forte, e que mereça assim a sucessão no grande título nacional’.

No livro ‘Almanaque do FC Porto’ o autor Rui Miguel Tovar escreveu: ‘No primeiro grande ano desportivo em Portugal, com a estreia da Selecção Nacional e a criação de um Campeonato Nacional, o FC Porto dá cartas’. Por sua vez, no livro ‘100 anos de História: 1893-1993’ do Futebol Clube do Porto da autoria de Álvaro Magalhães e Manuel Dias no capítulo das primeiras grandes vitórias o texto é bastante claro: ‘Seguiu-se a gloriosa jornada do primeiro Campeonato de Portugal, primeira competição organizada a nível nacional e que seria uma espécie de antepassado do actual Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão’. Por reconhecer a importância desta sua primeira conquista nacional, o FC Porto vende a réplica deste equipamento nas suas lojas oficiais ao lado de outras réplicas marcantes na história do Clube, como são por exemplo, os equipamentos das épocas onde se sagrou campeão europeu (1987 e 2004).

Por último, e a mero título de curiosidade, em Outubro de 1922 - após a primeira conquista nacional - a Câmara Municipal do Porto deu autorização para o Futebol Clube do Porto utilizar o brasão da cidade e, de acordo com um desenho do jogador Augusto Ferreira (Simplício) o emblema adquiriu o formato actual: nele estão o escudo nacional, a padroeira do Porto (Nossa Senhora da Vandoma), o colar da Ordem da Torre e Espada atribuído à ‘Invicta’, o coração do Rei D. Pedro IV (oferecido ao Porto pela sua bravura na defesa da liberdade), uma coroa de duque e um dragão, elemento das armas de antigos reis de Portugal.
1923
2ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR SPORTING CP
No segundo ano de competição do Campeonato de Portugal, o Sporting Clube de Portugal foi o vencedor mas para conquistar o título máximo teve de realizar ao longo da época 11 jogos (9 vitórias e 2 empates) não conhecendo o sabor da derrota, tendo marcado 28 golos e sofrido apenas 6. Os leões terminaram o regional de Lisboa com 4 pontos de avanço sobre segundo classificado (o Benfica) sendo que ainda tiveram, por força do regulamento, de vencer na final de Lisboa a equipa do Casa Pia – vencedor da II Divisão.

Após esta qualificação (via campeonato regional de Lisboa) o Sporting Clube de Portugal derrotou nas meias-finais por 3-0 o FC Porto (campeão em título) e na final, disputada em Faro, a Académica de Coimbra também por 3-0 com golos de Francisco Stromp e Joaquim Ferreira (2).

Nesta segunda edição do Campeonato de Portugal já participaram equipas de 6 distritos: Braga + Porto + Coimbra + Lisboa + Faro + Funchal. Os 11 jogadores que ficarão para sempre na história do Sporting Clube de Portugal são: Cipriano dos Santos, Joaquim Ferreira, Jorge Vieira, José Leandro, Filipe dos Santos, Henrique Portela, Torres Pereira, Jaime Gonçalves, Francisco Stromp, João Francisco e Carlos Fernandes.

Recordamos, de seguida, o discurso emocionado de Francisco Stromp dias antes da final disputada em Faro: ‘Ganhámos o Campeonato de Lisboa sem contestação dos nossos adversários e, até, com aplausos de todos eles. É isto um dos mais saborosos frutos do nosso trabalho. Ainda não chegámos ao fim. Agora vamos disputar o Campeonato de Portugal. Pretendemos ganhá-lo da mesma forma, sem contestação. A nossa vitória no Campeonato de Lisboa não se deve ao valor individual dos componentes da nossa equipa. Deve-se principalmente à correção que todos soubemos manter em todos os jogos que fizemos, à assiduidade aos treinos que todos compreenderam serem necessários para vencer e à disciplina que me orgulho de ter sabido manter, não usando outros meios que não fossem a evocação da amizade que por todos tenho e aquela que todos temos pelo Sporting Clube de Portugal. Confio novamente na vontade de todos para poder triunfar. Continuaremos a trabalhar sem um desfalecimento. Precisamos de honrar o nosso título de Campeão de Lisboa, juntando-lhe o de Portugal, precisamos confirmar a contestação da derrota da época passada, precisamos de efectivar a última aspiração da vida desportiva do capitão da primeira equipa: entregar o título de Campeão de Portugal’.

Este foi o último título conquistado por Francisco Stromp que, desde muito cedo, se entregou por completo ao seu Sporting Clube de Portugal: em 1908, com apenas 16 anos, teve a sua estreia na equipa principal, pela qual disputou 107 jogos. Fez parte da conquista do primeiro Campeonato de Lisboa (1914/1915) e honrou a camisola verde-e-branca até 1924, conseguindo na sua penúltima época ajudar os leões a conquistarem o Campeonato de Portugal – o título máximo da época.

O jornal ‘Os Sports’ de 28 de Junho de 1923 escreveu: ‘Foi este o primeiro ano em que as províncias tomaram parte no grande campeonato, prestando-lhe um brilho invulgar; de esperar é, portanto, que para o ano a concorrência de clubes provincianos seja maior ainda, mercê da criação de novas associações regionais, para que ao Campeonato Nacional concorra Portugal inteiro. O Sporting Clube de Portugal após uma época brilhante traz para Lisboa o título máximo de Campeão de Portugal de Football’.

O boletim do ‘Sporting Clube de Portugal’ que teve o seu primeiro número publicado a 31 de Março de 1922 (e, que por isso é hoje o jornal de clubes mais antigo da Europa) dedicou várias páginas com todos os pormenores dos jogos e das viagens a esta conquista histórica: ‘Sporting Clube de Portugal campeão nacional de football de 1922/1923’.
1924
3ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR SC OLHANENSE
O Campeonato de Portugal alargava os seus horizontes época após época. Assim, em 1923/1924 já 9 distritos estavam representados na fase final: Viana do Castelo, Braga, Porto, Coimbra, Santarém, Portalegre, Setúbal, Faro e Funchal.

O Sporting Clube Olhanense após ter vencido o campeonato regional do Algarve (só com vitórias) conquistou o título mais importante da sua história – o Campeonato de Portugal – dando as maiores alegrias aos seus adeptos e ao povo olhanense, elevando o nome de Olhão em todo o País. No site oficial do Clube está escrito que ‘O divertimento e o desportivismo levam o clube à liderança e tornam-no, em 1924, Campeão de Portugal. O Sporting Clube Olhanense conquista o título máximo do campeonato nacional’.

Os 11 jogadores que ficarão para sempre na história do Sporting Clube Olhanense são: Carlos Martins, Américo Martins, João Sousa Graça ‘Falcate’, Fausto Peres, Raúl Figueiredo ‘Tamanqueiro’, Francisco Montenegro, Dâmaso da Encarnação ‘Cassiano’, José Belo, Joaquim Gralho, Delfim e Júlio Costa.

Na véspera do jogo decisivo, o jornal ‘O Sport de Lisboa’ escreveu: ‘Está oficialmente marcada para amanhã a disputa do desafio final do Campeonato de Portugal, em que tomam parte o FC Porto (campeão do norte) e o SC Olhanense (campeão do sul). Que os clubes em campo nos forneçam uma boa tarde de futebol como tem obrigação de ser a final do campeonato nacional e que vença o que melhor jogar’.

8 de Julho de 1924 é, portanto, um dia muito especial para o Sporting Clube Olhanense pois derrotou na final do Campeonato de Portugal o FC Porto por 4-2 (com golos de João Sousa Graça ‘Falcate’, Raúl Figueiredo ‘Tamanqueiro’, Joaquim Gralho e José Belo). Presença especial na bancada do Campo Grande foi o Presidente da República – o algarvio Manuel Teixeira Gomes – que fez questão de cumprimentar no final do jogo os atletas vencedores e entregar as medalhas de Campeão de Portugal.

Após a partida, Júlio Costa (capitão do Olhanense) exultava de alegria tendo dito: ‘Estou satisfeito com o resultado, como pode crer. Vencemos com inteira justiça. Desde a primeira jornada, com o sofrido triunfo diante do Vitória de Setúbal, que o grupo manifestou crença e fé em chegar longe na competição. Nesta final, a luta foi tão leal que, ainda que houvéssemos perdido, nos restava essa satisfação mínima’. Por sua vez, o capitão do FC Porto (Floriano Pereira) mostrou-se resignado com o sucesso obtido pelos rubro-negros numa assinalável demonstração de desportivismo: ‘O Olhanense foi melhor e por isso perdemos. Estou satisfeito porque os nossos adversários foram muito leais’

O jornal ‘Correio Olhanense’ escreveu na capa em grande destaque: ‘Um grande triunfo desportivo do Algarve. Sporting Club Olhanense ganha brilhantemente o honroso título de campeão nacional de foot-ball batendo o campeão do norte o FC Porto por 4 bolas a 2’. Por sua vez, o jornal ‘O Sport de Lisboa’ na sua edição de 12 de Julho escreveu: ‘Dentro dos grupos que conquistaram o direito de disputar o título máximo do futebol nacional, triunfou o melhor. (…) E se teimamos em não querer reconhecer no Olhanense o representante da melhor classe do futebol nacional, teremos que concordar que o grupo algarvio é dos poucos que, actualmente, sabem lutar e vencer, pondo a coragem e o ardor combativo onde porventura lhe falte a técnica’.

No livro ‘Honra e Glória 1912’ da comemoração do 1º Centenário do Sporting Clube Olhanense está escrito na página 44: ‘Na altura o Campeonato de Portugal era a única competição de âmbito nacional para a qual se apuravam os melhores das provas regionais, não fazendo sentido – como ainda muitas vezes sucede pela pena de vários autores – a menorização da prova, considerando-a a antecessora da Taça de Portugal e não um verdadeiro campeonato. Alegam os defensores de tal estatuto secundário do Campeonato de Portugal que um campeonato, dito como tal, não se disputa em eliminatórias. Como explicam, então, que o Campeão do Mundo e o Campeão da Europa sejam apurados em competições que durante várias edições se desenrolaram exclusivamente nesse formato, e ainda nos dias de hoje continuam a ter uma segunda fase a eliminar? O Campeonato da I Liga, aquando da sua criação, em 1934/1935, e já depois de 13 edições do Campeonato de Portugal, contava apenas com clubes de quatro associações (Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal) sendo uma prova fechada, sem dimensão nacional. Assim, desde a sua primeira edição até à última, em 1937/1938, o Campeonato de Portugal era, à época, a única competição verdadeiramente nacional existente no futebol português, pelo que se tratava da conquista maior a que um clube de futebol poderia aspirar. Como, honrosamente, sucedeu com o Sporting Clube Olhanense, numa campanha brilhante e marcada por clara superioridade sobre os demais competidores’.

Por último, e a título de curiosidade, a 22 de Outubro de 1924 - após esta conquista nacional – o Sporting Clube Olhanense recebeu um Louvor do Governo da Nação.
1926
5ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR CS MARÍTIMO
No site oficial do Club Sport Marítimo na parte da história encontramos o seguinte texto: ‘Confirmando as potencialidades evidenciadas pelas suas equipas ao longo dos tempos, o Marítimo vai alcançar, na época 1925/1926, aquele que ainda hoje é considerado o maior feito desportivo alguma vez interpretado por uma equipa madeirense – a conquista do título de campeão de Portugal de futebol. Campeão da Madeira pela quinta vez consecutiva, o clube caminha para a conquista do título máximo do futebol português. Essa confiança baseava-se na certeza de que a sua equipa de Honra seria capaz de fazer frente a qualquer formação continental. Dentro dos campos, em que se jogou essa conquista – do apuramento do Campeão da Madeira ao título de campeão nacional – o Marítimo sofreu para vencer’.

No jogo decisivo disputado no Porto, a 6 de Junho de 1926, o Club Sport Marítimo venceu o Belenenses por 2-0, com golos de José Fernandes e José Ramos. A título de curiosidade, informar que a equipa madeirense goleou na meia-final o FC Porto (campeão em título) por uns esclarecedores 7-1.

O jornal ‘Eco dos Sports’ escreveu: ‘O Club Sport Marítimo conseguiu, enfim, inscrever o seu nome no livro de ouro do football nacional. Tantas vezes que veio a Lisboa, disputar o Campeonato Nacional, ele foi manifestamente infeliz. Este ano, porém, a sua vontade de ferro e o seu entusiasmo sem limites leva ao cume da montanha que tão arduamente vinham tentando subir. Só agora conseguiram os simpáticos e correctos players madeirenses alcançar para a sua terra – a famosa Pérola do Atlântico – o título máximo do nosso futebol. Pois bem. Eco dos Sports saúda vivamente o novo Campeão de Portugal, certo de que ele saberá honrar o seu título – tanto como os seus dignos adversários o fariam, se tivessem tido a fortuna de alcançar a ambicionada glória. Saudamos, pois, o campeão da Madeira e o máximo representante do futebol português’.

A revista desportiva ‘Stadium’ traz a fotografia oficial dos novos campeões que ficam na história do futebol nacional, da região da Madeira e do Club Sport Marítimo. Os jogadores (em cima) são: Ângelo Ortega Fernandes, António Sousa, José Correia, Domingos Vasconcelos, Francisco Lopes, José de Sousa, José Ramos, António Alves, António Teixeira ‘Camarão’, Manuel Ramos e José Fernandes. Em baixo, os três elementos pertencem à Direcção.

No livro ‘História do Club Sport Marítimo 1910-2000’ (edição Diário de Notícias da Madeira) é descrito o momento da chegada: ‘A caravana dos campeões chega ao Funchal a 10 de Junho. Vêm a bordo do vapor Lima. Um sem número de embarcações acompanham o vapor desde a sua aproximação. Este entusiasmo toca a todas as classes sociais. A Madeira, através do Marítimo, vencera! No cais, os primeiros lugares estão destinados às entidades oficiais. Seguem-se-lhes os dirigentes dos clubes madeirenses. Por fim, as bandas de música e o povo anónimo. (…) Conquistado o título máximo do futebol português, o Club Sport Marítimo encara o futuro com entusiasmo. Estava confirmada, dentro de campo, a capacidade e qualidade dos seus jogadores e do seu futebol. Havia agora que consolidar e dar continuidade às posições alcançadas em 16 anos de existência’.
1927
6ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR CF OS BELENENSES
Ano após ano, o Campeonato de Portugal chegava a mais distritos do país. Na 6ª edição a fase final do título máximo apresentava equipas de 13 regiões diferentes: Viana do Castelo (Vianense), Vila Real (Sporting), Braga (Estrela de Braga e Sporting de Braga), Porto (Progresso, Salgueiros, Boavista, FC Porto e Leixões), Aveiro (Espinho e Galitos), Coimbra (Académica e União Coimbra), Santarém (Leões de Santarém), Lisboa (Belenenses, Império, Sporting, Benfica, Carcavelinhos e Casa Pia), Setúbal (Barreirense e Vitória de Setúbal), Portalegre (Sport Portalegre), Beja (Luso e Despertar), Faro (Olhanense) e Funchal (Marítimo).

Para se sagrar campeão nacional, o Clube Futebol Os Belenenses realizou em 1926/1927 um total de 19 jogos (13 vitórias, 4 empates e 2 derrotas). Em termos de golos marcaram 57 e sofreram 27, sendo que na caminhada até à grande final golearam na primeira eliminatória os Leões de Santarém por 9-1 e nos quartos-de-final o Marítimo (campeão em título) por 8-1.

No site oficial do Clube Futebol Os Belenenses na parte episódios históricos descreve-se assim o momento da conquista do primeiro Campeonato de Portugal: ‘E ganhámos! Ganhámos com clareza: 3-0! O Belenenses atingira o topo, arrebatando o seu primeiro título nacional! A festa foi imensa entre as nossas gentes’. Por sua vez, no livro ‘Belenenses – O Primeiro Campeonato de Portugal (1926-1927)’ da autoria de José Barros Rodrigues faz-se referência a uma notícia do Diário de Notícias: ‘Teve ontem o seu remate final a prova maior do nosso football e com ele se encerrou, por esta época, o ciclo de jogos que fazem vibrar o público. A final do campeonato nacional foi assim a última jornada na história da temporada que, há apenas algumas horas, teve o seu último suspiro’.

O jornal ‘Os Sports’ de 13 de Junho de 1927 escreveu: ‘A energia indomável dos belenenses arrancou à técnica dos setubalenses a vitória na partida para o título máximo. No primeiro tempo, o Vitória dominou largamente. Na segunda parte, o Belenenses dominou e fizeram três golos sem resposta. O título alcançado pelo Belenenses é uma recompensa merecida pela época de autêntico apoio ao Football de Lisboa e de Portugal’.

Os 11 jogadores que ficarão para sempre na história do Clube Futebol Os Belenenses são: Assis, Azevedo e Marques; Joaquim de Almeida, Augusto Silva e César de Matos; Fernando António, Alfredo Ramos, Silva Marques, José Manuel Soares (Pepe) e José Luís. Só para perceber a importância destes nomes na história do futebol nacional, 7 dos 11 jogadores acima descritos foram internacional ‘A’ por Portugal: César de Matos, Augusto Silva, Pepe, Alfredo Ramos, José Luís, Silva Marques e Fernando António.
1928
7ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR CARCAVELINHOS FC
O ano de 1928 assinala a primeira grande alegria dada pela Selecção Nacional em competições internacionais, na medida em que Portugal participou nos Jogos Olímpicos de Amesterdão onde atingiu os quartos-de-final. Nesta foto histórica, mostramos os jogadores que actuaram no jogo inaugural e que venceram o Chile por 4-2. Em cima da esquerda para a direita: António Roquete (Casa Pia), Armando Martins (V. Setúbal), José Manuel Martins (Sporting CP), Vítor Silva (SL Benfica), Jorge Vieira (Sporting CP), Carlos Alves (Carcavelinhos) e Raúl Figueiredo (SL Benfica). Em baixo: César de Matos (Belenenses), Augusto Silva (Belenenses), José Manuel Soares ‘Pepe’ (Belenenses) e Valdemar Mota (FC Porto). Nenhum destes jogadores (que honraram a camisola da Selecção Nacional) tem, hoje em dia, os seus títulos do Campeonato de Portugal oficializados pela Federação Portuguesa de Futebol. Se algum deles estivesse vivo, haveria coragem para tamanha vergonha?

No plano nacional, o Campeonato de Portugal ganhava a cada ano que passava contornos verdadeiramente nacionais, sendo que na época 1927/1928 quando o Carcavelinhos FC venceu o título máximo (ao derrotar o Sporting Clube de Portugal por 3-1) a prova já incluía 26 clubes na fase final, metade dos quais apurados nos vários torneios de classificação (entenda-se os campeonatos regionais) e que representavam todas as regiões do país.

Na final disputada no Campo da Palhavã em Lisboa, a 31 de Julho de 1928, marcaram os golos para a equipa de Alcântara José Domingos (2) e Manuel Rodrigues. O guarda-redes leonino Cipriano dos Santos defendeu ainda um penalty cobrado por Carlos Alves que curiosamente é avô de uma grande figura da história do Sport Lisboa e Benfica (João Alves) que recentemente numa entrevista ao Expresso afirmou: ‘O meu avô foi um grande internacional português da década de 30. Esteve nos Jogos Olímpicos de Amesterdão onde Portugal fez o primeiro grande resultado desportivo da sua história. Foi considerado o melhor defesa do mundo nessas olimpíadas. O meu avô era do Carcavelinhos que na altura foi campeão nacional. O Carcavelinhos era uma das grandes equipas da época. Chamava-se Campeão de Portugal e não Campeonato Nacional como agora’.
1929
8ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR CF OS BELENENSES
O site oficial do Clube Futebol Os Belenenses está escrito: ‘O ano de 1929 é, certamente, um dos mais auspiciosos da história do Belenenses. Assim, o Belenenses realiza o seu primeiro jogo no estrangeiro. Passa a ser o clube com mais jogadores representados na Selecção Nacional de Futebol, o que manterá até 1935. Augusto Silva torna-se Capitão da Selecção Nacional. Ainda na mesma época, disputou-se o primeiro jogo nas míticas Salésias. Em termos de títulos, fizemos a ‘dobradinha de então’. Assim, começámos por ganhar o Campeonato de Lisboa, repetindo a vitória de 1926. O Belenenses, que teve o melhor ataque e a melhor defesa, foi vencedor indiscutível. Depois, ganhámos o Campeonato de Portugal’.

No regional lisboeta, a equipa do Belenenses ficou em primeiro lugar num campeonato com 14 jornadas onde obteve 11 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. Marcou 54 golos marcados e sofreu 19. Foi a melhor equipa de Lisboa e depois provou ser a melhor equipa nacional ao eliminar nos oitavos-de-final o Benfica (3-2), nos quartos-de-final o campeão em título Carcavelinhos (3-1) e nas meias-finais disputadas a duas mãos o Vitória de Setúbal (1-1 e 2-0).

O jornal ‘Os Sports’ de 14 de Junho de 1929 escreveu: ‘Pela terceira vez consecutiva serão dois clubes da AF Lisboa que disputarão entre si, a honra de figurar na lista do torneio máximo. Belenenses e União classificaram-se para esta importantíssima jornada e vão defrontar-se para o título mais cobiçado de quantos se disputam em Portugal’.

Na final disputada, a 16 de Junho de 1929, o Clube Futebol Os Belenenses venceu o União de Lisboa por 2-1 com dois golos do avançado José Luís, conquistando o segundo título nacional do seu palmarés.
1930
9ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR SL BENFICA
No livro ‘Almanaque do Benfica’ o autor Rui Miguel Tovar escreveu: ‘Facto histórico na vida do Benfica, com a conquista do primeiro título nacional (…) Lisboa veste-se de vermelho para celebrar a vitória sobre o Barreirense’.

No campeonato regional, o Sport Lisboa e Benfica ficou em segundo lugar (atrás do Belenenses) com um registo de 10 vitórias, 1 empate e 3 derrotas. No Campeonato de Portugal (época em que surgiram as decisões a duas mãos que levaram a competição máxima do futebol português a entender-se de Março a Junho) a equipa benfiquista realizou 9 jogos na fase final tendo ultrapassado os seguintes adversários: União Operário, Casa Pia, Carcavelinhos, União Lisboa e na final o Barreirense.

O jornal ‘Os Sports’ escreveu a 30 de Maio de 1930: ‘Para o Benfica a participação na final representa todo um passado que ressurge. Afastado há dez anos dos primeiros planos, o Benfica tem depois de amanhã uma grande probabilidade, a maior probabilidade, de ter o seu nome inscrito na lista dos vencedores das grandes competições. A circunstância de se tratar do título de campeão de Portugal poderá mesmo constituir para o Benfica motivo de orgulho ainda maior’.

No dia 1 de Junho, no Campo Grande, o Sport Lisboa e Benfica escreveu a sua primeira página de ouro nas competições nacionais ao vencer, após prolongamento, o Barreirense por 3-1 com golos de Dinis, João de Oliveira e Guedes. Os 11 jogadores que ficarão para sempre na história do Sport Lisboa e Benfica (mesmo que o próprio Clube não os pretenda reconhecer) são: Dyson, António Pinho, Jorge Teixeira, Aníbal José, João de Oliveira, Vítor Hugo, Dinis, Mário de Carvalho, Jorge Tavares, Guedes Gonçalves e Manuel de Oliveira.

Na página 29 e 30 do 2º volume da História do Sport Lisboa e Benfica 1904-1954 (obra editada aquando do cinquentenário por Mário Fernando de Oliveira e Carlos Rebelo da Silva e prefaciada por Ribeiro dos Reis) reproduz-se a ementa do banquete oficial de homenagem à equipa campeã de Portugal que se realizou no dia 6 de Julho na sede do Clube na Avenida Gomes Pereira, sendo escrito: ‘A nossa primeira entrada na final do campeonato permitiu-nos o primeiro triunfo. Assim se conquistou pela primeira vez o título de campeão de Portugal em futebol que já tardava como prémio da nossa dedicação ao jogo’.
1931
MORTE DE PEPE: O PRIMEIRO GRANDE JOGADOR PORTUGUÊS
PRIMEIRO BI-CAMPEONATO NACIONAL CONQUISTADO EM PORTUGAL
Em Dezembro de 1932 (um ano após a morte do primeiro menino de ouro do futebol português) foi inaugurado um mausoléu nas Salésias para perpetuar a memória de Pepe, o qual seria, posteriormente transferido para o Restelo por ocasião da inauguração do Estádio em 1956. É, desde essa altura que o FC Porto presta a sua homenagem à primeira grande lenda do futebol nacional, depositando uma coroa de flores na estátua do jogador antes da equipa entrar em campo.

O Sporting Clube de Portugal (com a presente luta pelo reconhecimento das 17 edições do Campeonato de Portugal) pretende responder à solicitação do jornal ‘Notícias Ilustrado’ de 1 de Novembro de 1931 que escreveu: ‘Morreu Pepe! Honremos a sua memória dignificando o football’.

José Manuel Soares (mas conhecido por Pepe no mundo do futebol) faleceu com apenas 23 anos, tendo tido tempo suficiente para conquistar dois Campeonatos de Portugal pelo Clube Futebol Os Belenenses, representar Portugal nos Jogos Olímpicos de 1928 e ter ainda o recorde de golos marcados num só jogo oficial – 10 remates certeiros na vitória do Belenenses sobre o Bom Sucesso para o campeonato regional de Lisboa.

Por último, e a título de curiosidade, o Sport Lisboa e Benfica foi a primeira equipa a bisar na conquista do campeonato nacional ao vencer em 1930 e 1931. A reconquista do título máximo do futebol português relegou para segundo plano o 5º lugar no regional de Lisboa (atrás de Sporting, Belenenses, União Lisboa e Casa Pia). Na fase final do Campeonato de Portugal todos os clubes da Associação de Futebol de Lisboa - excepto o Benfica e o Casa Pia que se colocaram ao lado da Federação Portuguesa de Futebol – não compareceram aos seus jogos por motivo de um conflito institucional entre a Federação Portuguesa de Futebol e a Associação de Futebol de Lisboa. A equipa benfiquista até à final teve de eliminar as seguintes formações: Estrela de Portalegre; Olhanense (em 4 jogos); Lusitano de Évora e o Vitória de Setúbal. Na final disputada em Coimbra, no dia 28 de Junho, o Sport Lisboa e Benfica venceu o FC Porto por 3-0 com golos de Vítor Silva (2) e Dinis.
1933
12ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR CF OS BELENENSES
No site oficial do Clube Futebol Os Belenenses está escrito: ‘2 de Julho de 1933 é uma data que todos os belenenses que prezem a identidade e a grandeza do seu clube devem preservar no coração. Nela, ainda antes de completar 14 anos de existência, o Belenenses guindava-se à posição de primeira potência do futebol português. Não nos referimos apenas a essa época mas a tudo quanto tinha decorrido durante esses 14 anos da nossa existência. Para explicarmos esta afirmação, é necessário desmontar, antes de tudo, uma autêntica falácia. O Belenenses não foi uma vez Campeão de futebol no nosso país. Foi-o por 4 vezes’.

Mais adiante escrevem: ‘O Belenenses não era apenas o Campeão desse ano: era o mais poderoso clube de futebol em Portugal, no período de 14 anos que decorrera desde a sua fundação. De facto, em Campeonatos de Portugal, o Belenenses e o FC Porto lideravam com 3 troféus. O Benfica tinha 2, o Sporting (e o Marítimo, o Carcavelinhos e o Olhanense) 1. No mesmo período, o Belenenses vencera 4 Campeonatos de Lisboa, o Sporting, 5, o Benfica (e o Vitória de Setúbal) 2. A nossa superioridade sobre os rivais lisboetas era, pois, um facto numérico’.

Depois do segundo lugar no regional de Lisboa (atrás do Benfica) o Clube Futebol Os Belenenses teve de realizar 9 jogos no Campeonato de Portugal e ultrapassar os seguintes adversários: Lusitano de Évora, Carcavelinhos, Barreirense, Vitória de Setúbal e na final o Sporting Clube de Portugal que venceu por 3-1 com golos de Rodrigo Faroleiro (2) e José Luis.

A revista desportiva ‘Stadium’ de 5 de Julho de 1933 escreveu: ‘Viveram-se horas de grande expectativa no domingo, no Estádio do Lumiar. Vibrou-se intensamente, antes e durante o jogo. Lisboa ambicionava voltar a presenciar uma final do Campeonato Nacional’.
1934
DERROTA 9-0 EM ESPANHA LEVA À CRIAÇÃO DO CAMPEONATO ‘EXPERIMENTAL’ DA LIGA
SPORTING CP CONQUISTA O 2º CAMPEONATO DE PORTUGAL DO SEU PALMARÉS
A 11 de Março de 1934 uma pesada derrota por 9-0, no Estádio Chamartin em Madrid, para a fase de qualificação do Mundial de 1934 (que curiosamente foi ganho pela Itália em sistema de eliminatórias como se disputava o Campeonato de Portugal) alertou os portugueses para o atraso no seu futebol.

Em contrarrelógio ficou decidido a criação de um campeonato em ‘poule’ (todos contra todos). Não conhecendo o grau de interesse do público nem sabendo se as receitas davam para cobrir as despesas provocadas pelas deslocações e também devido à forte implantação dos campeonatos regionais, a Federação Portuguesa de Futebol resolveu promover a título experimental os Campeonatos das Ligas sem prejuízo dos campeonatos regionais nem do Campeonato de Portugal.

Assim sendo, na época desportiva 1934/1935, o futebol em Portugal passava a contar com três competições: os vários campeonatos regionais disputados entre Setembro e Dezembro; os campeonatos ‘experimentais’ das ligas realizados entre Janeiro e Março e, por fim, o Campeonato de Portugal disputado pelas melhores 15 equipas de todo o país entre Abril e Junho. Os campeonatos das ligas ficaram com o selo ‘experimental’ face à enorme quantidade de vezes que essa palavra surge nas actas da Federação entre 1934 e 1938 (anos em que se disputaram esta nova competição). Alguns exemplos apenas:

ACTA Nº37 (8 de Setembro de 1934) ‘Ribeiro dos Reis diz que tecnicamente tem razão quanto à passagem de clubes da II para a I Liga, mas trata-se duma experiência que se vai fazer e, por isso, são precisas todas as cautelas. É possível que a distribuição não esteja certa, mas trata-se duma experiência, como já foi dito’. ‘O Cândido de Oliveira é um descrente do Campeonato das Ligas, mas o Congresso não deve guiar-se por essa descrença. Vai fazer-se uma experiência, e se não der os resultados esperados, a todo o momento é tempo de arrepiar caminho. A AF do Porto não tem três clubes que possam igualar os de Lisboa? Não se trata só do interesse financeiro, mas do desportivo, porque das Ligas se parte para o Campeonato de Portugal. A AF de Braga aceita a criação de duas Ligas como experiência’.

ACTA Nº41 (19 de Setembro de 1936) ‘Cândido de Oliveira julga que ao fim de 3 anos de experiências não se deve votar a perpetuidade do princípio de que os campeonatos das ligas se hão-de subordinara mais ao critério financeiro do que ao desportivo’. ‘Fernando Ávila friza que há três anos quando se organizou pela primeira vez o campeonato das ligas, disse-se que era uma experiência. No 2º ano melhorou-se a prova devido à experiência Chegou-se agora ao terceiro ano, e uns dizem que o Algarve tem capacidade financeira e outros dizem que não. Pois faça-se a experiência (…). Muito se ponderou quanto ao campeonato da primeira Liga, se devia continuar com 8 clubes ou se devia aumentar. De discussão em discussão, a Comissão foi levada a concluir que ainda não é a altura de tentar a experiência que alguns congressistas reclamam, porque ainda não se concluiu à custa de quem será feita essa experiência. A questão do Algarve foi ponderada’.

ACTA Nº43 (10 de Dezembro de 1938) ‘Cândido de Oliveira diz que o Campeonato da Liga foi criado numa altura em que havia hesitações nos espíritos e escolheu-se uma fórmula para lhe assegurar êxito. Por isso, se recrutaram os clubes concorrentes pelo seu valor. Mas enfermou sempre essa fórmula dum vício de origem: ser uma prova dividida em duas Ligas, mas não tendo a inferior acesso à superior. Possivelmente não haveria prova semelhante no mundo. Este inconveniente foi sempre repetindo-se de ano para ano na certeza de que era um ponto necessário para manter a prova. Neste momento, porém, reconhece-se pela experiência de 4 anos decorridos, que há possibilidade de dar à prova um melhor critério desportivo e que coloque na I Divisão os melhores clubes. Não lhe parece lógico e certo alinear-se o clube vencedor da II Divisão, embora seja melhor que alguns da primeira. (…) A AF de Lisboa entende que depois de quatro anos de experiência se pode dar possibilidades às outras associações para se estabelecer um critério que todos dizem que é moral’.

No plano desportivo, o Sporting Clube de Portugal é o grande vencedor da época ao conquistar a segunda ‘dobradinha de então’: Campeonato de Lisboa (pela 8ª vez) e o Campeonato de Portugal (pela 2ª vez, após a primeira vitória em 1923). Para o título máximo, os leões na fase final tiveram de realizar 8 jogos - 6 vitórias e 2 empates - eliminando sucessivamente o Marinhense, Sporting de Espinho, Belenenses e Benfica. No jogo decisivo, a equipa de verde-e-branco venceu (após prolongamento) o Barreirense por 4-3 com todos os golos leoninos a serem apontados por Manuel Soeiro.
1935
14ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL: VENCEDOR SL BENFICA
1ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO ‘EXPERIMENTAL’ DA LIGA: VENCEDOR FC PORTO
O primeiro campeonato ‘experimental’ da Liga realizado em 1934/1935 foi ganho pelo FC Porto com mais 2 pontos que o segundo classificado (Sporting). Foi, precisamente a equipa verde-e-branca que eliminou o FC Porto nas meias-finais do Campeonato de Portugal – o título máximo da época – por uns esclarecedores 4-0.

Por seu lado, o Sport Lisboa e Benfica venceria o Campeonato de Portugal ao derrotar os leões no jogo decisivo por 2-1, com golos de Lucas e Valadas. Vejamos o que se escreveu nos jornais ao longo de toda a época:

O jornal ‘Os Sports’ de 18 de Janeiro de 1935 (antes do arranque do campeonato ‘experimental’ da liga) questionava: ‘Em Portugal, vamos ter a primeira edição esta época, mais como tentativa para favorecer o desenvolvimento do nosso football (…) trata-se, no entanto, duma tentativa que os próprios clubes aliás foram os primeiros a reconhecer legítima, oportuna e necessária. Que resultará destas experiências?’

No próprio dia do início da nova competição, a 20 de Janeiro de 1935, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol – Professor Cruz Filipe – escreveu a seguinte circular oficial a todas as Associações e Clubes e que foi transcrita nos jornais: ‘Inicia-se hoje o Campeonato das Ligas (…) mais um passo firme e necessário no progresso do football nacional. O esforço que todos vão desenvolver no máximo das suas possibilidades há-de contribuir para o apreço do público, verdadeiramente interessado pela prova que começa e à qual, por certo, deixará de prestar toda a cooperação, com o fim de favorecer a sua eficiência, permitindo-lhe um êxito que assegure os resultados que dela se esperam. Esta iniciativa, encaminhada com todo o cuidado, com o melhor estudo de técnicos e dirigentes e com a mais penhorante propaganda da imprensa, vai certamente permitir a demonstração dum torneio sério para que a sua finalidade possa ser briosamente atingida’.

Depois de entender o carácter ‘experimental’ da nova competição é importante perceber o espaço territorial das duas competições quando jogadas em simultâneo para que não tenhamos mínima dúvida da relevância de cada prova no panorama do futebol português. Ou seja, o Campeonato de Portugal era disputado por 15 clubes de todas as associações de futebol inscritas na Federação Portuguesa de Futebol enquanto o campeonato ‘experimental’ da 1ª Liga era disputado apenas por 8 clubes num sistema fechado de 4 Associações de Futebol (Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal) sendo uma disputa num verdadeiro compartimento estanque não permitindo, pura e simplesmente, o acesso de outras regiões do país.

Analisemos, também, o modelo competitivo onde é claro que o campeonato ‘experimental’ qualifica as equipas para a disputa do título máximo que se mantém no Campeonato de Portugal. Na página 101 da acta nº37 da Federação Portuguesa de Futebol (de 8 de Setembro de 1934) está escrito: ‘A AF do Porto não tem três clubes que possam igualar os de Lisboa? Não se trata só do interesse financeiro, mas do desportivo, porque das Ligas se parte para o Campeonato de Portugal’.

A revista desportiva ‘Stadium’ fez um balanço sobre a actuação das equipas que participaram na 1ª edição do campeonato ‘experimental’ da Liga sendo que o texto é bastante claro no que diz respeito ao título máximo em Portugal: ‘Em conclusão: O Porto é o primeiro vencedor do Campeonato da Liga, merecidamente, como há que reconhecer. Quem discordar, deve estar cego pelo clubismo faccioso, que originou alguns incidentes desnecessários. Formulamos votos para que o Campeonato Nacional decorra num ambiente mais ordeiro e desportivo e que o triunfo bafeje… ao melhor’.

O jornal ‘Diário de Lisboa’ na sua edição de 12 de Junho de 1935 escreveu: ‘O público desportivo tem os olhos postos no Campeonato de Portugal de football. A competição tem um interesse enorme. Quer dizer, o campeonato das ligas, não esgotou o entusiasmo da massa desportiva. Aproxima-se o fim da competição, pois estamos nas meias-finais. Apenas 3 domingos e conhecer-se-á o Campeão de Portugal, aquele que ostentará durante uma temporada inteira o melhor dos títulos portugueses’.

O jornal ‘Diário de Notícias’ de 1 de Julho de 1935 escreveu: ‘A circunstância de terem aparecido na final os dois mais populares e mais antigos clubes de football da capital, que há 28 anos mantêm entre si longa e apaixonada rivalidade, deu à partida de ontem uma importância muito especial, e favoreceu o brilhantismo que se podia desejar para fecho dum ciclo de jogos que, a começar no Campeonato de Lisboa, com passagem pelo torneio das Ligas até ao Campeonato Nacional, foi rodeado de extraordinário luzimento e elevado mérito desportivo’.

Na página 142 e 143 do 2º volume da História do Sport Lisboa e Benfica 1904-1954 (obra editada aquando do cinquentenário por Mário Fernando de Oliveira e Carlos Rebelo da Silva e prefaciada por Ribeiro dos Reis) reproduz-se a ementa do jantar oficial de homenagem ‘Ao team de foot-ball Campeão de Portugal’ com a seguinte declaração de encerramento da época desportiva de 1934/1935: ‘Assim fechou para nós uma temporada de futebol que foi de reconstituição oportuna e brilhante a preparar-se uma equipa que nos deu a jornada triunfal em que ganhámos mais um título de Campeão de Portugal’.
1937
16ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR FC PORTO
O jornal ‘Os Sports’ de 6 de Julho de 1937 escreveu: ‘Primeiro a sair Campeão de Portugal – o título máximo – e primeiro, também, a ganhar a prova segunda e terceira vez, o FC Porto desempatou ontem em Coimbra, a seu favor, o empate que existia entre ele, Belenenses, Benfica e Sporting, vencendo o último indicado por três bolas a duas. A vitória dos portuenses aceita-se como prémio à equipa que melhor exibição fez’. Dois meses exactamente antes (a 6 de Maio de 1937) o mesmo jornal ‘Os Sports’ referia-se à conquista do campeonato ‘experimental’ da Liga pelo SL Benfica como o ‘fecho de uma grande competição’.

A revista desportiva ‘Stadium’ de 7 de Julho de 1937 escreveu: ‘Conquistando pela 4ª vez o título máximo do Campeonato Nacional, o FC Porto realizou uma das mais notáveis exibições (…) Ganhou merecidamente o título’.

O jogo decisivo entre FC Porto e Sporting ocorreu a 4 de Julho, no Campo do Arnado em Coimbra, sendo que o FC Porto venceu os leões por 3-2 com golos de Lopes Carneiro, Carlos Nunes e Vianinha.
1938
17ª EDIÇÃO - E ÚLTIMA - DO CAMPEONATO DE PORTUGAL
VENCEDOR SPORTING CP
Após 4 épocas de ‘experiência’ e depois de reunidas as condições desportivas e financeiras (requisitos essenciais que levaram a promover a título experimental os campeonatos das ligas) a Federação Portuguesa de Futebol decidiu no final da época 1937/1938 acabar simultaneamente com os Campeonatos de Portugal e das Ligas para remodelar a orgânica das provas nacionais, estabelecendo como prova principal o Campeonato Nacional da 1ª Divisão e criando a Taça de Portugal (nova competição).

Um documento histórico da Federação Portuguesa de Futebol (Agosto de 1938) refere que: ‘Para pôr em prática toda esta realização há que acabar com os Campeonatos das 1ª e 2ª Ligas e substituir o Campeonato de Portugal das jornadas sucessivas eliminações, por um campeonato de maior rigor e regularidade pelo sistema de ‘poule’ (todos contra todos) em duas voltas’. O sistema adoptado, foi de facto, o mesmo dos anteriores campeonatos ‘experimentais’ das ligas, mas esta prova ainda no dizer dos legisladores ‘(…) restrita a 8 clubes de apenas 4 associações, não tinha dimensão nacional’.

A nível desportivo, o Sporting Clube de Portugal venceu a 17ª (e última) edição do Campeonato de Portugal, o quarto título do seu palmarés tendo igualado os títulos nacionais do Futebol Clube do Porto. Vejamos, de seguida, 4 exemplos da imprensa da época:

O jornal ‘Os Sports’ de 24 de Junho de 1938 escreveu ‘Encerrando a época de 1937/1938 vai disputar-se depois de amanhã a partida final do campeonato nacional. O derby de Lisboa feito derby de Portugal para a conquista dum título glorioso com a presença de 10 internacionais de 1938 no desafio’.

Por sua vez, o jornal ‘O Século’ de 27 de Junho de 1938 escreveu ‘O Sporting Clube de Portugal conquistou pela quarta vez o título de campeão nacional vencendo por 3-1 o Benfica, num jogo presenciado por 20 mil pessoas. O encontro não só bateu o recorde de assistência, como o de receita em jogos nacionais, pois totalizou 150 contos’.

A revista desportiva ‘Stadium’ de 29 de Junho de 1938 escreveu ‘Nos preliminares do XVIII Campeonato Nacional – a prova máxima do futebol português – os esquadrões saúdam a multidão antes de dar início à contenda aguerrida e voluntariosa em que iriam disputar palmo a palmo, a consagração duma vitória e o apogeu dum título’.

Por último, o jornal ‘Eco dos Sports’ de 5 de Julho de 1938 escreveu que ‘O onze do Sporting Clube de Portugal obteve com justiça a sua quarta vitória no campeonato nacional, terceira nos últimos seis anos. Terminado o encontro, tinha ganho de facto a melhor equipa, o Sporting, elevando-se por sua vez à altura da situação, averbou um triunfo glorioso sem a mais ligeira dúvida sobre a sua regularidade’.
1939
REORGANIZAÇÃO PROFUNDA DO FUTEBOL EM PORTUGAL
CAMPEONATO NACIONAL (VENCEDOR FC PORTO) E TAÇA DE PORTUGAL (VENCEDOR ACADÉMICA)
O jornalista Ricardo Ornellas no jornal ‘Os Sports’ (de 6 de Janeiro de 1939) fazia a seguinte leitura: ‘Da prova que depois de amanhã começa sai o 18º Campeão de Portugal cujo nome se inscreverá a seguir ao do Sporting Clube de Portugal na lista dos vencedores do torneio começa em 1922… ou apenas o 1º vencedor do Campeonato Nacional – prova nova’.

A questão nunca se colocou pondo em causa os campeonatos ‘experimentais’ da liga que foram importantes, tiveram a sua história, mas nunca foram considerados oficialmente nacionais. A resposta da Federação Portuguesa de Futebol foi: ‘São Campeões de Portugal todos os clubes que ganharam esta prova, propriamente dita, de 1921/1922 a 1937/1938 e serão Campeões Nacionais os clubes que vierem a ganhar a competição, organizada em novos moldes, a partir da época 1938/1939’.

A nível desportivo, o FC Porto venceu o Campeonato Nacional que era composto pelos seguintes 8 clubes: FC Porto, Sporting, Benfica, Belenenses, Académica de Coimbra, Barreirense, Académico do Porto e Casa Pia. Os dragões em 14 jornadas somaram 10 vitórias, 3 empates e 1 derrota, tendo o avançado José Monteiro (mais conhecido por Costuras) sido o melhor marcador do campeonato com um total de 18 golos.

Adicionalmente, a Académica de Coimbra no dia 26 de Junho de 1939 conquistou a primeira edição da Taça de Portugal, após vencer 4-3 o Benfica no Campo das Salésias com arbitragem de António Palhinhas. A revista desportiva ‘Stadium’ de 28 de Junho de 1939 fazia referência a esta conquista histórica: ‘Os aguerridos componentes da Associação Académica de Coimbra que vencera a Taça de Portugal – troféu que teve o seu primeiro ano de disputa. De pé, da esquerda para a direita: Carlos Faustino Silva, Abreu (suplente), Tibério Barreira Antunes, José Maria Antunes (capitão), Peseta (suplente), Octaviano de Oliveira, Alexandre Portugal, Albano Paulo (treinador) e César Marchado. De joelhos, pela mesma ordem: Manuel de Costa, Alberto Gomes, Arnaldo Carneiro, Conceição e Pimenta'.

O livro ‘A Académica’ conta um episódio curioso aquando da chegada da caravana da Académica à Câmara Municipal de Coimbra onde o Presidente camarário ao discursar proferiu as seguintes palavras: ‘Estamos aqui para receber estes briosos rapazes que acabam de vencer a 1ª Taça de Portugal, proeza com que ninguém contava (…) vaiais, assobios e protestos, sendo que depois corrige: Estamos aqui para receber estes briosos rapazes que acabam de vencer a 1ª Taça de Portugal, proeza com que todos já contávamos’. Um outro momento interessante surge na página 85 onde se faz referência ao jantar de celebração dos 40 anos da conquista da 1ª Taça de Portugal em futebol, realizado em 1979.
1944
INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO NACIONAL
TAÇA IMPÉRIO (A PRIMEIRA EDIÇÃO DA SUPERTAÇA EM PORTUGAL)
Situado no Vale do Jamor, o Estádio Nacional foi inaugurado a 10 de Junho de 1944 em clima de festa e com um teor marcadamente político, que contou com a presença do Presidente do Conselho Oliveira Salazar e uma grande multidão que assistiu aos desfiles, discursos e ao grande jogo entre o Sporting Clube de Portugal (campeão nacional em título) e o Sport Lisboa e Benfica (vencedor da Taça de Portugal dias antes diante do Estoril por uns esclarecedores 8-0).

Em disputa estavam duas taças: a Taça Império (instituída pela Federação Portuguesa de Futebol e que foi uma espécie de primeira Supertaça do futebol português) e a Taça Estádio (oferecida pelo Governo para comemorar a ocasião).

As equipas alinharam da seguinte forma: SPORTING CP: Azevedo, Álvaro Cardoso, Manecas, Canário, Octávio Barrosa, Eliseu, Adolfo Mourão, António Marques, Fernando Peyroteo, João Cruz e Albano Pereira. SL BENFICA: Martins, César Ferreira, Carvalho, Jacinto, Albino, Francisco Ferreira, Espírito Santos, Arsénio, Julinho, Jaime e Rogério.

Fernando Peyroteo entrou na história do Estádio Nacional ao marcar o primeiro golo da longa vida daquele histórico recinto. Os leões venceram, após prolongamento, o rival Benfica por 3-2 e levaram as duas históricas e irrepetíveis taças que podem ser vistas no Museu Sporting.

A Federação Portuguesa de Futebol ao reconhecer no seu site oficial as duas primeiras edições da Supertaça realizadas de forma oficiosa (1979 e 1980) não deverá esquecer-se de adicionar a competição de 1944 ganha pelo Sporting Clube de Portugal pois tratou-se efectivamente do mesmo modelo competitivo e com a entrega de uma taça oficial pela própria Federação Portuguesa de Futebol.
1947
NOVIDADE NO CAMPEONATO NACIONAL
ESTREIA DAS SUBIDAS E DESCIDAS DE DIVISÃO
Na época que assinala o nascimento dos ‘Cinco Violinos’ surge uma significativa alteração no futebol português na época 1946/1947. O Campeonato Nacional da 1ª Divisão passava a ser disputado por 14 equipas sem o sistema de apuramento pelos regionais, o que implicava o efeito de subidas e descidas, ainda hoje em vigor.

As primeiras equipas a descer de divisão em Portugal foram o Famalicão (com 17 pontos em 26 jornadas) e a Sanjoanense (5 pontos apenas), sendo que as primeiras equipas a subir de divisão foram o Lusitano de Vila Real de Santo António e o Sporting Clube de Braga.

Registo nesta época para um recorde praticamente impossível de igualar: o Sporting Clube de Portugal (campeão nacional) marcou 123 golos em 26 jornadas – uma média impressionante de 4.7 remates certeiros por encontro.

A título de curiosidade, a expressão ‘Cinco Violinos’ foi da autoria do jornalista (e mais tarde treinador) Tavares da Silva e que definia os cinco jogadores da linha avançada do Sporting Clube de Portugal que maravilharam os espectadores pela arte e harmonia com que jogavam em campo. Os ‘Cinco Violinos’ eram constituídos por Jesus Correia, Manuel Vasques, José Travassos, Albano Pereira e Fernando Peyroteo.
1949
PRIMEIRO TRI-CAMPEONATO NACIONAL CONQUISTADO EM PORTUGAL
SPORTING CP REALIZA O JOGO INAUGURAL DA TAÇA LATINA
O intenso domínio do Sporting Clube de Portugal fazia-se sentir cada vez mais, muito por força e qualidade dos ‘Cinco Violinos’. O Campeonato Nacional foi conquistado pela terceira vez consecutiva (feito inédito em Portugal) com Fernando Peyroteo a ser o melhor marcador com 40 golos em apenas 23 jogos disputados.

É precisamente em 1949 que foi criada a Taça Latina (que seria disputada até 1957) e que juntava os campeões nacionais de 4 países: Portugal, Espanha, França e Itália. No entanto, esta competição nunca foi reconhecida pela UEFA, sendo que o Sporting Clube de Portugal foi o primeiro clube português a disputar a prova vencendo o Torino (campeão italiano) por 3-1 nas meias-finais mas perdendo a final, na semana seguinte, diante do FC Barcelona (campeão espanhol) por 2-1.
1954
PRIMEIRO TETRA-CAMPEONATO NACIONAL CONQUISTADO EM PORTUGAL
O tão desejado tetra, acompanhado pela Taça de Portugal, coroa uma das melhores épocas de sempre do Sporting Clube de Portugal. No final do campeonato, os leões tinham 7 pontos de avanço sobre o FC Porto e 11 sobre o Sport Lisboa e Benfica. O avançado leonino João Martins foi o melhor marcador da prova, com um total de 31 remates certeiros.

Na Taça de Portugal, os leões tiveram também um percurso notável ao eliminar sucessivamente Benfica, FC Porto e Belenenses e vencendo na final o Vitória de Setúbal por 3-2 com golos de Fernando Mendonça (2) e João Martins.
1955
INÍCIO DAS COMPETIÇÕES EUROPEIAS ORGANIZADAS PELA UEFA
SPORTING CP REALIZA O JOGO INAUGURAL DA TAÇA DOS CLUBES CAMPEÕES EUROPEUS
O jornal L’Équipe lançou a ideia de uma prova continental e logo tratou de escolher os 16 estreantes: o Sporting Clube de Portugal era um deles apesar de não ter sido campeão nacional (em 1954/1955 o vencedor tinha sido o Sport Lisboa e Benfica com os mesmos pontos do Belenenses). No entanto, a história e o palmarés dos leões arrasavam a concorrência e foi com naturalidade que recebeu o convite da UEFA.

O jogo inaugural da Taça dos Clubes Campeões Europeus ficou 3-3 e disputou-se no Estádio Nacional, a 4 de Setembro de 1955, diante do Partizan de Belgrado. O avançado leonino João Martins ficará para sempre ligado a esta competição pois foi o autor do primeiro golo desta hoje (milionária) competição. A seguinte imagem histórica retrata precisamente esse golo histórico aos 14 minutos.

Desde 1955/1956 o Campeonato Nacional da 1ª Divisão começou a servir de qualificação para as competições europeias organizadas pela UEFA, sendo que até 2017/2018 tivemos 25 clubes portugueses a participar nas diferentes provas europeias (em parênteses o número de participações):

Académica (4), Beira-Mar (1), SL Benfica (57), Boavista (19), Belenenses (11), Estoril-Praia (2), Estrela da Amadora (1), Arouca (1), Barreirense (1), FC Porto (56), Farense (1), CUF Barreiro (1), Chaves (1), Leixões (4), Marítimo (9), Nacional (5), Paços de Ferreira (3), Portimonense (1), Rio Ave (2), Salgueiros (1), Sporting de Braga (19), Sporting Clube de Portugal (57), União de Leiria (2), Vitória de Guimarães (18) e Vitória de Setúbal (15).

Até aos dias de hoje, os clubes portugueses já venceram 10 provas internacionais:

FC PORTO (7) | Taça dos Clubes Campeões Europeus (1987), Supertaça Europeia (1987), Taça Intercontinental (1987), Taça UEFA (2003), Liga dos Campeões (2004), Taça Intercontinental (2004) e Liga Europa (2011)
SL BENFICA (2) | Taça dos Clubes Campeões Europeus (1961 e 1962)
SPORTING CP (1) | Taça dos Vencedores das Taças (1963)
1978
FUNDAÇÃO DA LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL
A 3 de Fevereiro de 1978 é fundada a Liga Portuguesa de Futebol Profissional com o objectivo de agrupar os clubes participantes nas principais competições nacionais numa associação patronal, susceptível de conciliar os seus interesses e aspirações, bem como de aumentar a capacidade interventiva dos clubes.
1979
NOVA COMPETIÇÃO EM PORTUGAL: SUPERTAÇA CÂNDIDO DE OLIVEIRA
A Supertaça nasceu em 1979 por iniciativa de dois clubes: FC Porto (campeão nacional) e Boavista (vencedor da Taça de Portugal). Clubes da mesma cidade, num momento de boas relações, resolveram entre si e com o acordo oficioso da Federação Portuguesa de Futebol organizar a prova, nos mesmos moldes seguidos noutros países – entre os vencedores das duas principais provas: campeonato e taça.

A ideia pegou – e, na época seguinte, em Lisboa – o Sporting (campeão nacional) e o Benfica (vencedor da Taça de Portugal) disputaram entre si, a Supertaça com uma pequena alteração: em vez de um jogo – como tinha sido um ano antes no Porto – haveria dois, nos campos de ambas as equipas.

Nos primeiros dois anos, portanto, a título oficioso, pois só a partir da 3ª edição – 1980/1981 – passou a ser oficial, integrando-se no calendário de provas da Federação Portuguesa de Futebol, ganhando então a designação de Supertaça Cândido de Oliveira, em homenagem ao jogador, treinador e jornalista português que deu muito de si ao futebol.
1987
INÍCIO DO CAMPEONATO NACIONAL COM 20 EQUIPAS
38 JORNADAS – A MAIS LONGA COMPETIÇÃO DISPUTADA ATÉ ENTÃO DISPUTADO EM PORTUGAL
O Campeonato Nacional de 1987/1988 foi o mais longo de sempre até então, sendo disputadas 38 jornadas que culminaram na consagração do Futebol Clube do Porto com o seguinte registo: 29 vitórias, 8 empates e apenas 1 derrota (em Alvalade). Além de um campeonato perfeito, os comandados de Tomislav Ivic venceram tudo o que havia para conquistar nessa temporada: Taça de Portugal, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental.

Mesmo tendo em Paulinho Cascavel o melhor marcador do campeonato nacional (com 23 golos), o Sporting Clube de Portugal terminou em 4º lugar atrás de um surpreendente Belenenses, enquanto o Benfica após perder o campeonato (ficou a 15 pontos do líder FC Porto) concentrou-se na Taça dos Clubes Campeões Europeus que culminaria na derrota de 25 de Maio de 1988, em Estugarda, diante do PSV no desempate por grandes penalidades.
1989
LANÇAMENTO DO LIVRO DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL
‘OS ANOS DE DIAMANTE NO 1º CENTENÁRIO DO FUTEBOL PORTUGUÊS’
Para comemorar o 75º aniversário da Federação Portuguesa de Futebol e o 1º centenário do futebol em território nacional, foi lançado um livro oficial da Federação Portuguesa de Futebol que para se perceber a sua importância basta enumerar os três textos de abertura: Presidente da FIFA (João Havelange), Presidente da UEFA (Jacques Georges) e o Presidente da FPF (Silva Resende).

Henrique Parreirão escreveu na sua nota de autor: ‘Só possível a elaboração deste trabalho, rebuscando – desde a poeira do passado aos ventos que, ultimamente, sopram de feição – o que já veio publicado em jornais e revistas de todos os tempos. Essa, portanto, a nossa principal fonte na recolha de dados com o apoio dos arquivos federativos postos à nossa disposição’.

O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (Silva Resende) no seu texto de abertura escreveu: ‘Quanto ao livro, não me cabe o papel de prefaciador, mas deixo de reflectir nele perpassa, com minúcia que se homologa ao carinho, a já longa teoria dos homens e dos acontecimentos que protagonizaram aquilo que avulta no futebol como representação social. Resta agradecer ao autor, que assim exorna a sua brilhante carreira de jornalismo, o saber, a pesquisa e a devoção aqui postos; e ainda o espírito de serviço com que aceitou as ingratas condições de trabalho. O rio do tempo deixou nas alpondras dos que o passaram recordações imperecíveis. Mas a memória é uma faculdade sensível, sujeita ao desgastes da vida. Tem, pois, esta obra, além do mais, esse belo cunho evocativo, que redime, assim mesmo, a frieza dos números e o simples registo dos nomes e dos factos’.

Na página 116 do livro oficial da Federação Portuguesa de Futebol, justifica-se pormenorizadamente a regulamentação das novas provas – os Campeonatos Nacionais da I e II Divisão e a Taça de Portugal – dizendo-se a dada altura (através de um documento histórico e precioso da Agosto de 1938): ‘Para pôr em prática toda esta realização há que acabar com os campeonatos da 1ª e 2ª Liga e substituir o Campeonato de Portugal das jornadas em sucessivas eliminações, por um campeonato de maior rigor e regularidade pelo sistema de poule em duas voltas’. Era, portanto, bem clara a intenção dos legisladores em darem continuidade ao Campeonato de Portugal, como prova do nosso futebol, substituindo apenas, o processo dos jogos a eliminar, em vigor desde 1922, pelo maior rigor da ‘poule’ dos nacionais a partir de 1938/1939.
1995
PRIMEIRO CAMPEONATO ORGANIZADO PELA LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL
A VITÓRIA PASSA A ATRIBUIR 3 PONTOS E SÃO PERMITIDAS 3 SUBSTITUIÇÕES
Na época 1995/1996 foi organizado o primeiro campeonato pelo Organismo Autónomo (entidade considerada pela Federação Portuguesa de Futebol como autónoma da Liga com sede no mesmo local e suportada pela mesma estrutura administrativa) que foi posteriormente oficializado como fazendo parte da estrutura da Liga de Clubes. A Liga passou a ser responsável por regulamentar, organizar e gerir as competições de natureza profissional, exercer o poder disciplinar em primeiro grau de decisão e gerir o sector de arbitragem através de uma Comissão de Arbitragem.

No primeiro jogo do Campeonato Nacional, realizado a 20 de Agosto de 1995, o Marítimo fugiu à regra dos três que marcou este início de temporada. Face aos três pontos pela vitória agora consagrados na classificação e as três substituições permitidas pelo novo regulamento, os insulares quiseram ir mais além nos números e brindaram o União de Leiria com quatro golos sem resposta, em pleno Estádio Dr. Magalhães Pessoa, com todos os golos a serem apontados na 2ª parte: Jokanovic, Edmilson, Alex Bunbury e Margarido. O árbitro deste jogo histórico foi Jorge Coroado.

O FC Porto foi o vencedor do Campeonato Nacional de 1995/1996 com 11 pontos de avanço sobre o segundo classificado (Benfica).
2002
SPORTING CLUBE DE PORTUGAL CONQUISTA O 22º CAMPEONATO NACIONAL DO SEU PALMARÉS
LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL CONFIRMA ESTE FACTO
No anuário oficial da Liga Portuguesa de Futebol Profissional da época desportiva 2001/2002 é dito com enorme clareza que o Campeonato de Portugal é a prova que antecede o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, sendo esta a competição que atribuía assim o título máximo do futebol português.

Na página 31 podemos ler: ‘(…) desde que, em 1921/1922, sob a sua égide, se realizou o primeiro campeonato nacional, o futebol e o país evoluíram radicalmente’. Mais adiante, e quando se descrevem os vários clubes participantes, está escrito na página 171 quando se fala da Académica de Coimbra: ‘(…) por 13 vezes a briosa esteve presente no Campeonato de Portugal e chegou a ser finalista da prova que antecedeu o Campeonato Nacional da 1ª Divisão’. Por último, na página 251 está escrito: ‘O Nacional da Madeira teve duas presenças nos Campeonatos de Portugal, prova que antecedeu o Campeonato Nacional da 1ª Divisão’.
2005
3 JORNAIS DESPORTIVOS APRESENTAM 3 VISÕES DIFERENTES SOBRE O TÍTULO DO SL BENFICA
A FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL ‘FECHA OS OLHOS’ E NÃO ESCLARECE NADA NEM NINGUÉM
A 22 de Maio de 2005, o Benfica sagrou-se campeão nacional no Estádio do Bessa sendo que a imprensa desportiva no dia seguinte tinha três visões completamente diferentes sendo que na altura a Federação Portuguesa de Futebol não fez qualquer esclarecimento.

O jornal ‘O Jogo’ referia 31 títulos contando com os três campeonatos de Portugal conquistados (1930, 1931 e 1935). Por sua vez, o jornal ‘A Bola’ atribuiu os mesmos 31 títulos mas contava com os campeonatos ‘experimentais’ (1936, 1937 e 1938). Por último, o jornal ‘Record’ contabilizava apenas 28 títulos pois fazia a contagem somente a partir de 1938/1939.

Na página 51 do Jornal ‘Record’ de 24 de Maio de 2005, o jornalista Rui Cartaxana escreveu a seguinte crónica: ‘A contabilidade dos campeões nacionais de futebol não é, em Portugal, uma simples questão artimética, apesar de quase tudo se resumir a três clubes – os três grandes. Muito à portuguesa, é o reino da confusão. Cada jornal, senão cada jornalista, faz as contas à sua maneira e ninguém se entende (…) A tentação de somar os vencedores da Liga aos do Campeonato Nacional que se lhe seguiu é enganadora (o Benfica ficaria com 31 títulos, o FC Porto com 20 e o Sporting com 18) e não corresponde à verdade. De facto, havia na altura e desde 1921/1922 uma outra prova – o Campeonato de Portugal – disputado em eliminatórias, mas cujo vencedor a Federação de então reconhecia como sendo o campeão nacional. Esta prova, que nas últimas 4 épocas teve como vencedores Benfica (1934/1935), Sporting (1935/1936), FC Porto (1936/1937) e Sporting (1937/1938) é extinta nessa época e dá origem à actual Taça de Portugal, também ela disputada em eliminatórias. Ou seja, a Federação da altura misturou alhos com bugalhos e hoje dificilmente se poderão misturar com um mínimo de lógica provas tão diferentes’.
2007
SURGIMENTO DE UMA NOVA COMPETIÇÃO: TAÇA DA LIGA
A Taça da Liga é uma competição de futebol organizada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional e que inclui todos os clubes dos primeiros dois escalões do futebol profissional (com excepção das equipas ‘B’). Criada na época 2007/2008 por proposta do Sporting e Boavista foi aprovada por unanimidade por todos os clubes das ligas profissionais numa reunião no Porto, a 28 de Novembro de 2006.

Nas suas primeiras 10 edições, a Taça da Liga já sofreu diversas alterações no seu quadro competitivo sendo hoje em dia encontrado o vencedor através de uma final-four.

A título de curiosidade, em 10 edições já houve 4 troféus distintos para atribuir às equipas vencedoras que são até ao momento: Benfica (7 conquistas) e Vitória de Setúbal, Sporting de Braga e Moreirense (1 conquista para cada clube).
2008
SL BENFICA COLOCA 3 ESTRELAS JUNTO AO EMBLEMA DA CAMISOLA
CADA ESTRELA REPRESENTA DEZ TÍTULOS
Curioso o facto do Sport Lisboa e Benfica, no arranque da época 2008/2009, ter colocado (pela primeira vez) nas suas camisolas oficiais 3 estrelas junto ao emblema, simbolizando cada estrela uma dezena de títulos. Pela contabilidade que faz o Benfica (e a própria Federação Portuguesa de Futebol) o 30º título foi conquistado na época 1993/1994. Demoraram 15 anos a implementar o sistema das estrelas nos seus equipamentos oficiais?
2009
REPORTAGEM DO JORNAL A BOLA SOBRE O OLHANENSE:
‘O REGRESSO DE UM CAMPEÃO PROIBIDO’
A 3 de Junho de 2009 (para comemorar a subida do Sporting Clube Olhanense à principal divisão do futebol nacional), o jornal ‘A Bola’ publicou uma reportagem onde é escrito: ‘A favor de quem defende que o título do Olhanense é efectivamente de campeão nacional estão vários considerandos razoáveis. Em rigor, o carácter único da prova: o Campeonato de Portugal, perfeito ou grosseiro, era aquele, era o que havia; e ainda o facto de nele participarem clubes que espelhavam abrangência geográfica e que, na maioria, ainda existem e competem. Não foram fogachos de época, nem provas regionais, nem ajuntamentos desorganizados que, de certa forma, retirariam crédito à competição’.

Mais à frente ainda é escrito: ‘Em Portugal, oficialmente no quadro de honra da Federação Portuguesa de Futebol a questão surge simplificada pois todas as provas surgem separadas, com as épocas em que foram disputadas e respectivos vencedores. Mas na Alemanha, por exemplo, no site da federação contam-se, indiscriminadamente, os campeões desde 1903 numa prova que se discutia também através de representantes regionais e de eliminatórias e final. O aparecimento da Bundesliga alterou a matriz, contudo entendeu-se apenas que a prova mudou de formato’.

Por fim, e em forma de conclusão o jornalista Miguel Cardoso Pereira defende que ‘(…) se um adepto do Olhanense, do Marítimo ou do Carcavelinhos nos disser que é tão campeão como os outros, seria justo que lhe dissessem, por pouco que significou que, no mínimo, tem razão’.
2010
3 JORNAIS DESPORTIVOS JÁ COM A MESMA CONTABILIDADE DO TÍTULO DO SL BENFICA
‘O QUE PASSOU-SE´ENTRE 2005 E 2010?
Face à polémica de 2005 com o número de títulos ganhos pelo Sport Lisboa e Benfica (recordamos que os 3 jornais desportivos tinham 3 visões completamente distintas), o clube da Luz na comemoração do título nacional de 2009/2010 decorou o autocarro dos campeões (para além de todo o merchandising) com o número 32. No dia seguinte, todos os jornais desportivos escreveram 32 campeonatos com o jornal ‘Record’ e o jornal ‘O Jogo’ a mudarem a sua ‘contabilidade’ face ao que defendiam anteriormente.
2012
SPORTING vs ACADÉMICA: FINAL INÉDITA NO JAMOR
A revista oficial da Federação Portuguesa de Futebol apresenta dois momentos preciosos que devem ser recordados sobre a final inédita na Taça de Portugal do dia 20 de Maio de 2012.

Na página 3 na mensagem do Presidente Fernando Gomes encontramos: ‘Bem-vindos à 72ª edição da final da Taça de Portugal (…) Para a Académica, este será o regresso a um Estádio que bem conhece, mas do qual já estava afastada há 43 anos. O primeiro vencedor da competição disputa, agora, a sua quinta final, emprestando a este jogo uma mística muito própria’. Bundesliga alterou a matriz, contudo entendeu-se apenas que a prova mudou de formato’.

Na página 4 na mensagem do Presidente da Associação Académica de Coimbra (José Eduardo Simões) encontramos: ‘A Académica de Coimbra ostenta um título de grande peso histórico, pois venceu a 1ª Taça de Portugal num desafio disputado com o Benfica em 1939’.
2014
CENTENÁRIO DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL
Em plena celebração do 1º centenário da Federação Portuguesa de Futebol é publicado o livro ‘História do futebol português’ (edição Prime Books) onde o autor Ricardo Serrado escreveu na página 245: ‘A Taça de Portugal continua até aos dias de hoje a ser disputada com a mesma dinâmica do Campeonato de Portugal instituído em 1922. Em grande medida, o Campeonato de Portugal nunca foi, de facto, um campeonato. Foi, desde o início disputado nos moldes de uma taça. De 1938, altura em que a prova se chamava ainda Campeonato de Portugal, para 1939, altura em que se começou a designar Taça de Portugal, nada mudou. Desta forma, a prova Taça de Portugal existe desde 1922 até aos dias de hoje. Em 1939, passa a ter, simplesmente uma nova nomenclatura. É por isso, evidente, que a Taça de Portugal não nasce em 1939, nem tão pouco a Académica de Coimbra foi a primeira equipa a conquistá-la. A Taça de Portugal nasce em 1922 e o FC Porto foi o primeiro clube a vencê-la. Da mesma forma, deve incluir-se como vencedores da Taça de Portugal clubes como o Carcavelinhos, Olhanense e o Marítimo, assim como os chamados 3 grandes têm, em rigor, mais Taças de Portugal do que aquelas que são comummente apresentadas, tal como o Belenenses’.

Para perceber a importância que a própria Federação Portuguesa de Futebol deu a este livro, vejamos o que a própria revista oficial da Federação Portuguesa de Futebol escreveu no seu texto de apresentação ao jogo de 31 de Maio de 2015 entre o Sporting Clube de Portugal e o Sporting Clube de Braga: ‘Realiza-se este domingo, 31 de Maio, a 75ª edição da Taça de Portugal. Seria a 77ª não se desse o caso de a prova não se ter realizado, por questões organizativas, nas épocas de 1946/1947 e 1949/1950’.

MODELOS COMPETITIVOS DO CAMPEONATO DE PORTUGAL

  • ATÉ 1925/1926

    O Campeonato de Portugal era apenas disputado pelos vencedores dos 6 únicos campeonatos regionais existentes no país: Lisboa, Porto, Algarve, Braga, Coimbra e Funchal. Apenas com o Campeonato de Portugal, passou a realizar-se um campeonato de futebol de âmbito nacional entre os vencedores dos diferentes campeonatos regionais, sendo que os Estatutos originais de 1914 da União Portuguesa de Futebol (actual Federação Portuguesa de Futebol) reconheciam o Campeonato de Portugal como factor decisivo na criação de associações regionais que permitissem o desenvolvimento e o progresso do futebol em todas as regiões do país, tal como veio a suceder.

  • DE 1926/1927 a 1933/1934

    O Campeonato de Portugal apresentava já uma dimensão verdadeiramente nacional, reunindo 29 equipas na fase final para a disputa do título máximo: 14 eram apuradas nos vários torneios de classificação (entenda-se campeonatos regionais, disputados entre Outubro a Fevereiro). O regulamento era bastante claro: ‘Tomam parte nesta prova todos os clubes inscritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, Porto, Aveiro, Viseu e Guarda, Coimbra, Leiria, Castelo Branco e Portalegre, Santarém, Lisboa, Setúbal, Évora e Beja e Faro. Cada zona dá um vencedor, fornecendo, portanto, a prova preparatória 14 classificados’. Para a competição final (entenda-se o Campeonato de Portugal, disputado entre Março a Junho) o regulamento mais adiante referia: ‘(…) tomam parte os 14 clubes classificados na prova preparatória, os 14 clubes isentos da prova preparatória e um representante dos clubes insulares que só entra na altura dos quartos-de-final, sendo apurado em devido tempo entre os campeões dos Açores e da Madeira’. Os 14 clubes isentos eram, ainda no dizer dos legisladores: ‘(…) os 14 vencedores da primeira eliminatória da competição de honra do ano anterior’. O percurso da competição para encontrar o campeão nacional era o seguinte:

    1ª ELIMINATÓRIA | 28 clubes e passam 14
    2ª ELIMINATÓRIA | 14 clubes e passam 7
    QUARTOS-DE-FINAL | 7 clubes + representante das ilhas e passam 4
    MEIAS-FINAIS | 4 clubes e passam 2
    FINAL | Apuramento de campeão

  • DE 1934/1935 a 1937/1938

    Para além do Campeonato de Portugal que se disputou neste período, a Federação Portuguesa de Futebol promoveu a título experimental a disputa dos Campeonatos da Liga da 1ª e 2ª Divisões (quatro zonas) num sistema de todos contra todos a duas voltas. Esta nova prova, realizada a título experimental, em momento algum substituiu o Campeonato de Portugal, nem sequer se sobrepôs ao Campeonato de Portugal, bem pelo contrário, colocou os campeonatos ‘experimentais’ em plano de subalternação da prova principal, ao dizer no artigo 4º da sua própria regulamentação: ‘Ficarão apurados para o Campeonato de Portugal, os oito clubes da 1ª Liga, os vencedores das quatro zonas da 2ª Liga, os dois apurados nas eliminatórias entre os segundos classificados das mesmas quatro zonas e um representante dos clubes insulares’. O Campeonato de Portugal (que continuava a ser o título máximo do nosso país) congregava assim os 15 melhores clubes de todas as zonas do país. A mero título de comparação, é importante não esquecer que o campeonato ‘experimental’ da 1ª Liga era disputado num sistema fechado de 8 clubes de apenas 4 associações (4 clubes de Lisboa, 2 clubes do Porto, 1 clube de Coimbra e 1 clube de Setúbal).

    Face à introdução desta nova prova experimental no calendário desportivo, o Campeonato de Portugal viu-se obrigado a reduzir o número de jogos e, para isso, a solução encontrada foi acabar com a fase prévia de qualificação via campeonatos regionais, em vigor nos anos anteriores, passando os campeonatos ‘experimentais’ a servir de qualificação de todos os clubes para a prova máxima do futebol português. Assim regulou a Federação Portuguesa de Futebol e só por isso, os campeonatos ‘experimentais’ – prova subjacente do Campeonato de Portugal para a qualificação das equipas com direito a disputá-lo – nunca poderão ser equiparados ao Campeonato Nacional da 1ª Divisão iniciado em 1938/1939.

PALMARÉS REAL VS FICÇÃO

A REALIDADE DESDE 1922 36 30 22 4 1 1 1 1
 
Sport Lisboa Benfica

Futebol Clube do Porto

Sporting Clube de Portugal

Clube de Futebol Os Belenenses

Boavista Futebol Clube

Clube Sport Marítimo

Sporting Clube Olhanense

Carcavelinhos Football Club
A FICÇÃO DESDE 2005 36 Inclui 3 campeonatos "experimentais" 27Inclui 1 campeonato "experimental" 18 1 1 0 0 0

PERGUNTAS INCONVENIENTES

  • Em 2021 a Federação Portuguesa de Futebol não irá comemorar os 100 anos de Campeonatos Nacionais disputados em Portugal? Terá a FPF demorado 25 anos a organizar o primeiro Campeonato Nacional? Não houve Campeões Nacionais entre 1922 e 1938? Os campeonatos medem-se aos palmos? Os campeonatos com 38 jornadas valem mais do que aqueles que só tiveram 14?
  • Por que razão a Federação Portuguesa de Futebol não esclareceu publicamente o escândalo de 2005, em que os 3 jornais desportivos apresentaram 3 versões completamente diferentes sobre o título conquistado pelo SL Benfica? Por esta altura, o Presidente da FPF era Gilberto Madaíl: será que deu 3 campeonatos nacionais ao SL Benfica pela ‘porta do cavalo’?
  • Em 2012, o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (Fernando Gomes) confirmou publicamente que a primeira edição da Taça de Portugal realizou-se em 1939. Não quer tomar uma posição sobre as 17 edições do Campeonato de Portugal que toda a imprensa da época tratava como ‘título máximo’ e a própria FPF designa como a “competição que servia para apurar o Campeão Nacional da modalidade”?
  • Se o SL Benfica (pelas suas contas) venceu o 30º campeonato nacional em 1994 por que razão colocou as 3 estrelas nos equipamentos (simbolizando cada estrela uma dezena de títulos) apenas em 2008? E sabiam que o jornal ‘O Benfica’ de 22 de Maio de 1991 celebrava a conquista 26 do Campeonato Nacional?
  • Em 2021 o FC Porto não irá celebrar o centenário do seu primeiro Campeonato Nacional? Se podem ficar a 6 campeonatos de distância do SL Benfica porque aceitariam ficar a 9? O que pensam os Sócios e Adeptos desta reposição justa da história do futebol português?
  • Por que demorou tanto tempo a reagir o CF Os Belenenses podendo passar de 1 para 4 campeonatos nacionais, ocupando assim a posição legítima de 4º grande em Portugal?
  • Por que razão os outros clubes (Marítimo, Olhanense e hoje em dia Atlético) não se juntaram ao Sporting Clube de Portugal desde o primeiro momento?! Terão medo de honrar as páginas mais bonitas das suas histórias?
  • A UEFA não reconhece a Taça Latina por ter sido disputada pelos campeões de apenas 4 países (Portugal, Espanha, França e Itália). Qual a legitimidade para que, em Portugal, se reconheça um título nacional numa competição ‘experimental’ disputada num sistema fechado de apenas 4 associações (Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal)?
  • Deverá a FIFA retirar os dois títulos mundiais à Itália (1934 e 1938) por ambas as competições terem sido disputadas em sistema de eliminatórias, exactamente no mesmo modelo competitivo do Campeonato de Portugal?
  • Por que razão no momento em que cria a comissão de especialistas para emitir um parecer técnico sobre a questão dos títulos nacionais, a Federação Portuguesa de Futebol afirma “a sua firme convicção que o Sporting não tem razão”? Fará isto algum sentido? Qual o limite para esta vergonha?