Pista Vecchio Mercato, em Sarzana (Itália)
Árbitros: Albert López e José Juan Melero (Espanha)
Ao intervalo: 1-2
Sarzana: Simone Corona, Ussama Luizi, Francesco Dolce, Luca Sterpini e Javier Amat (2). Jogaram ainda: F. Rossi, M. Pisteli, Di Donato e A. Perroni
Treinador: A. Cupisti
Exclusões: Luca Sterpini
SPORTING: Ângelo Girão, Tuco (1), André Centeno (2), João Pinto (1) e Luís Viana (1). Cacau, Tiago Losna (2), Poka (1) e Ricardo Figueira
Treinador: Nuno Lopes
Exclusões: Ricardo Figueira
O dia era de festa e, para todos aqueles menos conhecedores, prometia um ambiente escaldante: se a pista de mosaico do Vecchio Mercato já poderia ser um problema, se a formação do Sarzana, jogando em casa, já prometia ser um adversário complicado, o que dizer das bancadas onde tudo foi engalanado ao pormenor com ‘show’ de luzes e casa cheia? De facto, a primeira mão dos ‘quartos’ da Taça CERS em Itália tinha tudo para o Sporting sentir grandes dificuldades; ao invés, terminou com uma goleada e o próprio presidente do conjunto adversário, Maurizio Corona, a assumir após o jogo que os ‘leões’ eram “uma potência da modalidade”. “Foi um belo sonho... até aqui”, concluiu num tom resignado – depois do 8-2 fora, a equipa ‘verde e branca’ tem pé e meio na Final Four da competição europeia que já venceu em 2015.
O Sporting foi, no início da época, uma equipa do oito ao 80, que começou a temporada a ganhar a Supertaça ao Benfica mas que perdeu com o HC Braga entre outros deslizes; nesta altura, os ‘leões’ são um conjunto de oito... e 80: com a vitória alcançada em território transalpino, os comandados de Nuno Lopes somam já oito triunfos consecutivos entre Campeonato e CERS com um total de 80 golos marcados, o que diz bem do poder de fogo ‘verde e branco’. A isso deve ainda acrescentar-se um ponto importante: defensivamente, as exibições mostram uma equipa muito mais estável, arrumada e agressiva que, depois de não ter consentido golos em São João da Madeira na última jornada (ontem houve jogo com o HC Braga em Torres Vedras), sofreu agora apenas um tento de bola corrida e de forma atabalhoada com ressaltos à mistura. Este é... o Sporting.
Ainda assim, os ‘leões’ tiveram de deparar-se com uma dificuldade extra nesta deslocação a Sarzana: como se não bastasse as dimensões reduzidas da pista, a dupla de arbitragem espanhola conduziu o jogo com excesso de zelo, sancionando faltas ao mínimo toque que, naquele contexto, era quase impossível de evitar. “Como os contactos físicos eram iminentes, não utilizámos uma grande estratégia para segurar as faltas porque os livres directos iriam sempre aparecer para os dois lados e também aí fomos mais eficazes com marcadores diferentes”, admitiu Nuno Lopes, que explicou ainda ao Jornal Sporting a maior dificuldade que a equipa ‘leonina’ teve de superar: o esquema defensivo contrário. “Não foi nada fácil porque aquelas defesas em quadrado e losango eram feitas há 30 anos. Percebia-se que havia a intenção de perderem por poucos e, na primeira parte, tivemos alguns problemas em assentar o jogo. Estivemos um pouco parados e contra uma defesa assim é mais complicado. No segundo tempo, entrámos mais móveis, mais disponíveis e a conseguir abrir mais linhas de passe, o que fez com que o resultado se fosse avolumando. O quinto golo do Sporting é elucidativo disso mesmo, com a bola a circular rápido e bem até ao desvio final do Tiago Losna ao segundo poste. O ambiente era muito forte e houve jogo enquanto eles andaram encostados, mas disparando no resultado acabou. Podiam ter sido mais e houve até um livre directo do Cacau que bateu na parte de dentro do poste mas não foi sancionado, talvez por ter sido muito rápido. Foi uma grande exibição colectiva onde jogaram todos e com boas prestações individuais”, destacou em relação à partida, antes de comentar a actual fase: “A equipa cresceu muito, existe melhor percepção dos momentos de jogo e os jogadores conhecem-se melhor. As vitórias também têm ajudado, não só por estarmos mais perto dos lugares cimeiros do Campeonato, mas por termos conseguido colocar pé e meio na Final Four da Taça CERS. E há algo muito importante a sublinhar: todos os nossos objectivos estão intactos, além de termos ganho o primeiro troféu da temporada”.
Em relação ao jogo, que ainda esteve equilibrado até ao intervalo, três notas importantes: a qualidade de jogo no segundo tempo, com golos bonitos após combinações colectivas e transições 3x2; a exibição de Girão, que defendeu dois livres directos e um ‘penalty’; e a eficácia nas bolas paradas, com Luís Viana, Poka, João Pinto e Tuco a marcarem (e bem) de livre directo e grande penalidade.