Rui Borges: "Queremos dar outra imagem"
11 Mar, 2026
Técnico em conferência de imprensa após jogo em Bodø
Rui Borges esteve presente na sala de conferências de imprensa do Aspmyra Stadion, onde analisou as incidências da partida da equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal com o FK Bodø/Glimt, para a primeira mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League.
Impossível reverter a eliminatória?
"Claramente não. É um jogo menos conseguido da nossa parte, estivemos longe do que desejávamos. É um resultado pesado, mas acredito que todos nós, enquanto grupo, saímos um pouco frustrados pela incapacidade que tivemos e queremos dar outra imagem. Assumir a responsabilidade e fazer mais e melhor no próximo jogo. Não damos isto por acabado, como é lógico. Jogamos em nossa casa, é um resultado dilatado, como é certo, mas acredito que conseguiremos dar outra imagem."
Explicação para as dificuldades
"É responsabilidade do treinador e de mais ninguém. Tínhamos de ter tido outra atitude competitiva, fomos muito permissivos, podíamos ter tomado melhores decisões, mas deixámos o jogo ser o que o adversário queria. Tivemos dificuldade em ler marcações, criou-nos desconforto nos timings de pressão, num jogo que exigia muita disponibilidade física e não a tivemos. Tínhamos de a ter. Jogar bem não chega, principalmente nesta competição. Estão nos oitavos-de-final com muito mérito e hoje deram mais uma mostra disso. Mas a culpa é minha, assumo-a totalmente. Temos de fazer mais e melhor no próximo jogo e tenho a certeza de que o faremos."
Eliminatória fechada?
"[Exibição do adversário] Não me surpreendeu em nada. Estávamos pré-avisados para tudo o que aconteceu no jogo, mas não tivemos disponibilidade para correr e, quando essa parte competitiva não acontece, não adiantam táticas. É preciso percebermos se foi cansaço, relvado... por que é que não tivemos essa atitude, e temos de a ter. Tinha de existir. Deixámos o jogo entrar em transições e não queríamos, andámos o jogo todo a deixar o Bodø nesses processos. Que nos sirva de lição a todos, a mim principalmente, mas aos jogadores também. Sabiam qual era a energia necessária para ser competitivos perante esta grande equipa. A eliminatória está difícil, mas não está fechada."
Mensagem para os adeptos
"Percebo a frustração deles, é normal. Não estão mais frustrados do que nós, mas peço que estejam lá [no segundo jogo]. Precisamos da energia deles, de todos. (...) Desde que aqui estou tem sido importante e vai voltar a ser. Acredito mesmo que temos de dar, e iremos dar, outra imagem."
O sintético condicionou?
"Não pode servir de desculpa. Para uma equipa que gosta de ter bola, tecnicamente evoluída, acaba por condicionar. Mais do que essa parte, a parte competitiva e a disponibilidade física têm de lá estar. Há jogadores que não estão no seu máximo e temos de os ter lá, estando ou não na sua plenitude física, e o Luis Suárez é um exemplo, porque não temos outras soluções. Notou-se claramente que não estava com a mesma energia, porque tem alguns problemas físicos. Nós sabemos disso, quem está de fora não.
Mas se calhar não escolhi bem, digo eu. Vou defender sempre os jogadores, mas eles sabem que tínhamos de ter outra atitude competitiva. Não estou a dizer que faltou atitude, mas não chegava sermos iguais a nós próprios. Tínhamos de ser mais porque a outra equipa é fisicamente muito exigente. Não chega só a parte tática ou técnica neste patamar. Temos de ter mais exigência. O futebol é assim e nós não estivemos dentro dessa exigência.
É um jogo que não correu como desejávamos, fomos penalizados, mas também podíamos ter feito golo em dois ou três lances. Acredito muito, muito mesmo, que na próxima terça-feira faremos algo diferente."