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Foto José Lorvão, Museu Sporting - Centro de Documentação

Os três Leões que tocaram o topo do Mundo

Por Sporting CP
11 Jun, 2026

Ricardo Rocha, Anderson Polga e Marcos Acuña representam a restrita galeria de campeões mundiais ligados ao Sporting CP

Entre os muitos nomes que marcaram a história do Sporting Clube de Portugal nos relvados, apenas três alcançaram o sonho maior de qualquer futebolista: o de se sagrar Campeão do Mundo. E se Ricardo Rocha e Marcos Acuña percorreram o caminho até ao topo do futebol depois das passagens por Alvalade, Anderson Polga ocupa um lugar (ainda mais) marcante nesta galeria restrita: afinal, o brasileiro foi o único que chegou ao Clube já com o mais cobiçado dos títulos no currículo.

Quando se mudou para Portugal, no Verão de 2003, o defesa trazia consigo na bagagem uma distinção que poucos futebolistas podem ostentar. Pouco mais de um ano antes, aos 23 anos, integrara a mítica selecção brasileira que conquistou o Campeonato do Mundo de 2002, disputado na Coreia do Sul e no Japão. Num grupo recheado de estrelas como Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Nazário, Anderson Polga foi orientado por Luiz Felipe Scolari, outro nome bem conhecido dos portugueses, e titular em dois encontros da fase de grupos - frente à China (4-0) e à Costa Rica (5-2) - contribuiu para uma campanha invicta que culminou com o pentacampeonato frente à Alemanha (2-0). É, até hoje, o último título mundial conquistado pela mais vitoriosa selecção. 

Baptizado pelos jornais portugueses como o primeiro Campeão do Mundo a actuar em Portugal, Anderson Polga assumiu desde cedo o peso do estatuto, em declarações aos jornalistas à chegada a Lisboa. "Depois de ser campeão, a responsabilidade aumentou", disse. E dela não fugiu. Numa temporada em que os Leões estreavam casa nova, o camisola 4 entraria desde logo para a história do Sporting CP. Ausente do jogo de inauguração do Estádio José Alvalade, foi titular na primeira partida oficial disputada no reduto Leonino, uma vitória por 4-0 diante do CF "Os Belenenses" na segunda jornada da temporada 2003/2004.

Seria apenas o início de uma das mais consistentes carreiras a verde e branco protagonizadas por um futebolista de outras geografias, legado que os números e as estatísticas corroboram. Só em 2023 deixou de ser o estrangeiro com mais jogos ao serviço do Clube - nessa altura, o central entregou, de forma simbólica, o lugar no topo da lista a outro defensor sul-americano, Sebastian Coates. Ao longo de nove temporadas, Anderson Polga somou 342 jogos, apontou quatro golos, conquistou duas Taças de Portugal e duas Supertaças, fez parte do plantel que chegou à final da Taça UEFA em 2004/2005 e foi capitão de equipa na sua temporada de despedida. Em 2011, meses antes desse adeus, seria distinguido com o Prémio Stromp na categoria Especial Carreira, reconhecimento reservado, também ele, a um grupo muito restrito de atletas.



Antes de Anderson Polga, porém, já outro brasileiro com passagem por Alvalade conhecera a glória máxima do futebol. Em 1989, aos 26 anos, Ricardo Rocha chegou ao Sporting CP proveniente do Guarani FC. O defesa cumpriu apenas uma temporada de Leão ao peito, na qual somou 12 jogos, mas prosseguiu uma carreira sólida no Brasil e acabaria por se afirmar também em Espanha, ao serviço do Real Madrid CF. Em 1994, integrou a selecção brasileira orientada por Carlos Alberto Parreira que conquistou o Campeonato do Mundo nos Estados Unidos e devolveu o título ao Brasil 24 anos depois. Utilizado na partida frente à Rússia na fase de grupos (2-0), fez parte do escrete que derrotou a Itália numa emocionante final decidida apenas nas grandes penalidades e tornou-se, assim, o primeiro Campeão do Mundo com passagem pelo Sporting CP.

Quase três décadas mais tarde, Marcos Acuña completaria esta tríade. Formado no Ferro Carril Oeste e lançado para o futebol de maior dimensão pelo Racing Club, o internacional argentino chegou ao Sporting CP em 2017, depois de conquistar o campeonato argentino e de se estrear pela selecção principal das pampas. Em Alvalade, rapidamente se afirmou pela sua entrega em campo: somou três temporadas de Leão ao peito, nas quais fez 135 jogos, marcou nove golos e venceu uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga. 

A transferência para o Sevilla FC, em 2020, abriu-lhe caminho a uma nova etapa na carreira e consolidou o seu estatuto internacional. Dois anos depois, no Catar, "El Huevo" fez parte da selecção argentina orientada por Lionel Scaloni que conquistou o terceiro Campeonato do Mundo da sua história. Utilizado em seis encontros da prova, incluindo a final, o lateral-esquerdo, único destes três campeões mundiais com ligação ao Sporting CP ainda em actividade, ergueu o troféu ao lado de Lionel Messi. 

Ricardo Rocha, Anderson Polga e Marcos Acuña viveram o mais alto momento das respectivas carreiras em tempos diferentes e em circunstâncias distintas, mas acabaram por inscrever nome e apelido numa galeria especial a que tantos almejam chegar. Presentes no imaginário dos adeptos que contam as horas para o arranque do Campeonato do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, podem servir também de inspiração aos oito Leões que, a partir desta quinta-feira, iniciarão a caminhada em busca do maior dos sonhos.