Destaques do Arsenal FC 0-0 Sporting CP
16 Abr, 2026
Os números da melhor caminhada de sempre na Champions League
O fim foi demasiado amargo, mas para trás ficou a mais bem-sucedida e entusiasmante caminhada do Sporting CP na era da UEFA Champions League (iniciada em 1992/1993). Só por uma vez os Leões tinham igualmente atingido os quartos-de-final da máxima prova europeia, então na Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1982/1983. Além disso, a participação verde e branca em 2025/2026 tornou-se desde já a melhor de sempre noutros capítulos: nunca o Sporting CP tinha conseguido fazer tantos jogos (12), marcar tantos golos (22), nem somar tantas vitórias (seis).
E no que aos triunfos diz respeito, o Estádio José Alvalade foi o melhor ‘trampolim’, porque foi onde os comandados de Rui Borges somaram uma série de cinco vitórias consecutivas - um registo que nenhum emblema nacional tinha atingido na Champions. A casa dos Leões foi palco de vitórias cabais contra FC Kairat (4-1) e Club Brugge KV (3-0) e outras tão emocionantes como preponderantes. Da reviravolta sobre o Olympique Marseille (2-1), passando pela noite em que o campeão europeu em título acabou vergado (2-1 PSG), até ao ‘milagre’ com o FK Bodø/Glimt (5-0) para conseguir a histórica passagem aos ‘quartos’. Esta goleada foi, também, a primeira vitória de sempre dos Leões na fase a eliminar e logo em grande, porque tornou-se, ainda, o resultado mais expressivo já conseguido na competição.
Antes disso, no entanto, já o Sporting CP fizera História como a primeira equipa portuguesa a terminar no top-8 – em sétimo, neste caso – da nova fase de liga. Uma façanha alcançada com mais uma reviravolta de contornos épicos e no último suspiro da última jornada (Athletic Club 2-3), desta feita fora de casa e num país, Espanha, onde nunca tinha vencido.
Números e feitos atingidos de forma colectiva, mas também com muitos nomes próprios. Ao longo desta caminhada, Gonçalo Inácio destacou-se como o jogador com mais jogos de Leão ao peito na Champions (31), depois de Matheus Reis também o ter conseguido (28), enquanto Francisco Trincão (26) e Hidemasa Morita entraram (23) para o top-5. Já em termos de golos, Trincão juntou-se a Viktor Gyökeres e Liedson como um dos melhores marcadores de sempre dos Leões na liga milionária, todos com seis, seguidos de perto pelos cinco de Luis Suárez – todos apontados nesta edição – e Pedro Gonçalves, ambos igualados com Nani.
O ponto final no trajecto chegou na passada quarta-feira, em Londres, num inglório nulo com o Arsenal FC, que levou a melhor graças à diferença mínima trazida de Alvalade (0-1). Foi a terceira deslocação consecutiva ao Emirates Stadium em que o Sporting CP sai com um empate, mas desta vez o sabor foi bem diferente ao de 2022/2023, quando o empate no tempo regulamentar (1-1) só se resolveu nos penáltis (3-5) e deu aos Leões um lugar nos ‘quartos’ da UEFA Europa League. A única derrota Leonina no reduto dos gunners continua a ser o 3-0 na Taça das Cidades com Feira de 1969/1970.
Curiosamente, a nível defensivo, esta visita a Londres foi o primeiro jogo fora desta edição da Champions em que o Sporting CP não sofreu qualquer golo e, por seu turno, o primeiro duelo europeu que o Arsenal FC não venceu no Emirates Stadium – continua sem derrotas nesta edição.
Neste jogo de despedida da Champions, tal como na primeira mão, a diferença foi mínima entre as duas equipas em termos estatísticos. Houve um remate enquadrado em cada baliza e registo igual em bolas no ferro, embora em golos esperados (xG) o Arsenal FC tivesse melhor desempenho (1,12-0,52). Caso praticamente inverso ao da primeira mão, onde o Sporting CP teve mais um remate à baliza que o adversário (5-4) e, segundo os números, foram também ocasiões mais claras (1,22-0,37 em xG). Uma eliminatória de detalhes e decidida, também, nessa ínfima margem.
O apuramento para as meias-finais da UEFA Champions League, que nunca estiveram tão perto, seria uma página inédita na História do Clube.