Rui Borges: "Fazer tudo para vencer o CD Tondela"
28 Abr, 2026
Leões de Rui Borges acertam calendário esta quarta-feira, às 20h15
A olhar "com optimismo" para a recta final da temporada, apesar de todas as condicionantes. Assim se apresentou Rui Borges na conferência de imprensa de antevisão ao duelo com o CD Tondela, que se joga esta quarta-feira, às 20h15, no Estádio José Alvalade. Com bastante desgaste físico e emocional para gerir, os Leões sabem que é preciso "dar a vida" para somar mais três pontos no encontro em atraso da 26.ª jornada da Liga Portugal.
Duelo com o CD Tondela
"Temos de nos focar muito e fazer tudo para vencer o jogo, na nossa casa, perante uma equipa que está a precisar de pontos e que, apesar de tudo, com o seu novo treinador, tem sido bastante audaz na estratégia e tem tentado ganhar mais protagonismo no jogo. Pressiona bastante alto em muitos momentos do jogo, expõe-se e essa audácia é de relevar. É uma equipa que vai a dar vida pelos pontos, mas nós também temos de dar, porque precisamos deles. Precisamos de ganhar para igualar os pontos do segundo classificado.
Já não dependemos apenas de nós, mas temos de fazer a nossa parte. Um jogo difícil, uns a lutar por uns objectivos, uns por outros. Independentemente da qualidade individual e colectiva, nestes momentos há sempre uma atitude extra e nós temos de a ter, principalmente na parte mental, que ajuda tudo o resto: à parte física, à estratégia do jogo. A malta tem noção da responsabilidade e daquilo que temos de fazer: um bom jogo para levar de vencida o CD Tondela."
Onze titular na Vila das Aves
"Isto vau muito além de escolher onze para jogar. Escolher 'os melhores' é relativo. Frente ao AVS Futebol SAD era impossível, volto a dizer, impossível. Este treinador tem uma grande ligação com os jogadores, e ouve aquilo que eles dizem, que eles falam, que eles sentem. Nesta fase, nem há estratégia, quase, apenas deixá-los o mais frescos possível. Para este jogo, havia jogadores que não estavam capazes de dar o seu contributo a 100% durante 60, 70, 80 minutos, e após diálogo, as opções tiveram de ser estas.
Mas não foi por aí que não ganhámos. Fizemos muito, fizemos mais do que o suficiente para ganhar o jogo, a expectativa de golos foi alta, mas não marcámos. Não teve a ver com as opções do treinador. Os jogadores estão esgotados, por mais que queiram o corpo não responde da mesma forma. Ao longo dos últimos jogos, as opções foram por isso sempre tomadas em conjunto."
Desgaste mental também pesa?
"O desgaste é claramente físico, mas maioritariamente mental. O mental melhora ou piora o físico e, nesse campo, o nosso desgaste tem sido enormíssimo: a eliminação na UEFA Champions League, com o sentimento de que podíamos ter feito ainda mais história, é natural que mexa com os jogadores. Logo a seguir temos o jogo com o SL Benfica, onde num segundo estamos a ganhar e no segundo a seguir estamos a perder. Os sentimentos acabam por atingir os jogadores, por mais que digamos que não. Logo depois tivemos de ir ao Estádio do Dragão lutar por uma final, e a exigência dos jogos tem sido absurda. Não gosto de dizer sorte, tem a ver com os calendários aleatórios, mas não a tivemos: calharam-nos quatro jogos de exigência máxima consecutivos, que nos levaram a um limite mental e físico soberbo. Acabámos a pagar essa fatura, mas temos de saber viver com isso, porque é consequência de algo que queríamos: estar nas competições e lutar por elas até ao fim."
Renovação de contrato
"Volto a dizer, estou feliz, estou num grande Clube. Estas últimas semanas, infelizmente, tiraram-nos da luta do Tricampeonato, não há como fugir a isso, mesmo que matematicamente seja possível. Mas estivemos até ao final em todas as decisões e é isso que dita se um trabalho é bom.
Acima de tudo, há um sentimento de confiança diário desde sempre. O rumo está bem traçado e o trabalho de todos é muito bem feito. Queremos ganhar sempre, infelizmente não o vamos conseguir, mas aí a responsabilidade será sempre do treinador e jamais deixarei que a culpa recaia nos meus jogadores. Têm sido fantásticos, têm dado tudo e merecem todo o louvor."
Volume de lesões ao longo da temporada
"Normal não é, como é lógico. Agora, há coisas que nós não controlamos. Se tivéssemos tido 18 lesões musculares, ai sim teríamos de repensar todo o trabalho que está a ser feito, mas não foi isso que aconteceu. No início da temporada, tivemos jogos da Taça da Liga, da Taça de Portugal e do Campeonato onde conseguimos meter toda a gente a jogar, gerir algum esforço... mas no momento mais importante da época não o conseguimos fazer porque tínhamos jogadores importantíssimos de fora, como o Geovany Quenda, o Fotis Ioannidis e o Pedro Gonçalves, jogadores que dão mais soluções e que perdemos durante algum tempo.
É o que é, o futebol é isso. Não conseguimos controlar lesões traumáticas, aconteceu-nos de tudo e mais alguma coisa. As lesões musculares existem sempre, no Sporting CP e em qualquer equipa do mundo, se compararmos o número anda ‘ela por ela’. Agora, nesta fase, sabíamos que corríamos o risco de existirem mais lesões musculares, porque a sobrecarga foi enorme. Nesse aspecto, não tivemos mais lesões do que as outras equipas.
Agora, traumáticas sim, mas não as controlamos. Que nos condicionou a gestão da equipa, claro que sim, não há como fugir a isso. Volto a dizer, os rapazes deram tudo e não há como apontar-lhes o que seja."
Mercado de Janeiro
"O Sporting CP tem um plantel com 28 ou 29 jogadores, mais a equipa B. Se ao início adivinhássemos que iam estar dez jogadores de fora, com lesões que não controlamos… mas há coisas que não sabemos antecipadamente. Teríamos de ter um plantel com 50 jogadores. Se calhar é o que vai acontecer no futuro, é surreal a sobrecarga com os calendários.
Nós tínhamos o plantel equilibrado em todas as posições. Não era pelo mercado de Janeiro. Sabíamos que podíamos perder o Alisson [Santos], acrescentámos dois jogadores até numa perspectiva futura, e o Matheus [Reis] foi uma situação muito própria. Fomos tendo foi paragens mais longas, que ninguém espera. As lesões musculares, como disse, sabemos que as vamos ter aqui e ali, mas se há uma traumática que obriga a ficar mais tempo de fora, fica difícil."
Opções para o CD Tondela
"O [Georgios] Vagiannidis, o Ousmane [Diomande] e Dani [Bragança] estão em dúvida. São mais três. Estão com algumas queixas. De fora estão ainda o Ivan [Fresneda], o Fotis [Ioannidis], o [Gonçalo] Inácio e Morten [Hjulmand].
Em relação ao Nuno Santos, voltou no dia anterior ao jogo com o AVS Futebol SAD e por isso optámos por não o convocar. Mas já está bem e na convocatória."
Pedir esforço ‘extra’ aos jogadores já no limite
"Eles sabem que estão num Clube exigente. Eu sou muito de diálogo, como disse, os jogadores sabem o peso que têm na equipa e o que representam na dinâmica e no grupo. Também sabem que correm esse risco, não só aqui, em todos os clubes. Mas a equipa precisa deles e vou dar um exemplo, até para enaltecer o Dani [Bragança].
No Dragão, ele nem devia ter entrado. Mas quis estar com a equipa, num jogo importante, e quis ajudar. Entrou condicionado e entrou muito bem, e continuou condicionado com o AVS Futebol SAD, continua condicionado para amanhã. Porém, com a sua vontade ganhou-me em cinco minutos. Eu não o quero perder, como é lógico, porque falta um mês para o final da época, já esteve muito tempo parado e, se se lesionar, não joga mais esta temporada. Mas o sentimento dele falou mais alto.
Eu sou muito pela honestidade e pelo respeito. Eles têm o respeito do treinador e o treinador tem o deles. Se dá, dá. Se não dá, não dá. O melhor médico são eles, que percebem os sinais do próprio corpo. É visível que há muita sobrecarga, mas existe respeito e reconhecimento para que digam, também, se podem ajudar a equipa e durante quanto tempo o podem fazer."
Gestão frente ao CD Tondela
"Até amanhã vou tomar decisões em relação aos jogadores que estão mais sobrecarregados física e mentalmente. A carga de jogadores como o Maxi [Araújo], o Luis [Suárez] e o [Francisco] Trincão tem sido de loucos. Frente ao AVS Futebol SAD, mesmo entrando depois, sentiu-se que não estavam com frescura."
Como se motiva o grupo com estas condicionantes?
"Optimista e com muita confiança, sempre. O meu diálogo com eles é sempre de exigência, porque sabem onde estão e o Clube que representam, conhecem a responsabilidade de lutar por tudo. Temos de dar sempre o nosso melhor. Da minha parte, é mostrar-lhes confiança, a mesma atitude, vontade de continuar a ganhar e de seguir o nosso caminho.
Eles mais do que ninguém sentem aquilo que aconteceu, mas sabem que a confiança é total. São um grande grupo, uma grande equipa. Não deixaram de o ser. E eles, mais do que ninguém, querem ganhar sempre, sabem o que representou não ganhar este último jogo. Por isso, estão motivados e ligados."