Liga vai decidir-se em mais um dérbi de ‘tudo ou nada’
25 Jun, 2026
Reviravolta no João Rocha (3-2) obriga a ‘negra’ na Luz
Vai ser até ao fim. Num Pavilhão João Rocha cheio e ao rubro, a equipa masculina de futsal do Sporting CP recebeu e venceu o SL Benfica por 3-2, esta quinta-feira à noite, no quarto jogo da final dos play-offs da Liga.
Só a vitória interessava aos Leões de Nuno Dias para conseguir adiar a decisão do título e só uma grande resposta sob pressão permitiu cumprir a missão. Apesar da desvantagem levada da primeira parte (0-1), os golos de Pauleta, Diogo Santos e Tomás Paçó na segunda deram a volta ao jogo e resumem a Liga a um quinto e último dérbi.
Para este regresso a casa com tanto em jogo, Nuno Dias deixou fora Allan Guilherme, não pôde contar com o suspenso Wesley (ciclo de amarelos) e optou por trazer de volta às opções os fixos Bruno Maior e, também, o capitão João Matos, que está prestes a encerrar a sua inigualável carreira e fez aqui, para já, o seu último jogo no Pavilhão João Rocha – um momento assinalado após o final da partida com um quadro comemorativo e uma sonora ovação.
Até lá, o espectáculo na quadra voltou a ser vibrante e a equipa verde e branca saiu novamente por cima em casa. Empurrados pelo ruidoso apoio vindo das bancadas, os Leões - sem margem de erro - rapidamente mostraram ao que vinham e nos instantes iniciais já tinham somado duas oportunidades soberanas através de Diogo Santos e Felipe Valério.

Depois, Zicky e Pauleta, bem como Alex Merlim, tiveram tudo para marcar de contra-ataque, mas se os dois primeiros não se entenderam já na cara de Léo Gugiel, o italo-brasileiro acabou por ver a sua investida bloqueada no momento do remate. Mais perto do golo, ainda, ficou Diogo Santos, após os primeiros cinco minutos, ao ter recebido de reposição lateral para atirar de fora da área e acertar no poste. Gugiel, a seguir, travou um remate perigoso de Tomás Paçó.
Essa maior iniciativa verde e branca inicial acabaria sem proveito e, a meio do primeiro tempo, o SL Benfica começou a somar aproximações também cada vez mais perigosas, mas também sem sucesso. Bernardo Paçó brilhou com duas defesas consecutivas e quando faltou o guardião entre os postes apareceu Valério a fazer-lhe as vezes de maneira decisiva – tirou mesmo um golo certo a Silvestre.
E um golo certo foi o que Rocha também teve nos pés, do outro lado, porém mesmo à boca da baliza errou o alvo. Assim, dividido e repleto de acção mas sem golos ou tempo para respirar, o dérbi encaminhou-se para o intervalo. Até lá, o Sporting CP teve mais dificuldades para encontrar saídas para o ataque e o SL Benfica, por seu turno, até foi carregando com perigo na área, embora sem pontaria.
Parecia que o nulo ia vigorar, mas uma bola parada, um canto, desbloqueou o marcador a favor das águias: Kutchy apareceu solto no ‘coração’ da área e correspondeu à bola rasteira endossada. Além disso, logo a seguir, uma ‘mancha’ de Bernardo Paçó evitou males maiores.
O 0-1 foi o resultado dos primeiros 20 minutos, mas apenas por uma questão de centímetros. A meros segundos de se ouvir a buzina, Gugiel defendeu a dois tempos um remate de Diogo Santos em que a bola ficou praticamente em cima da linha de golo – e tudo começou numa solicitação de suporte de vídeo por parte dos Leões que serviu para descortinar um puxão no cabelo (sem cartão) de André Coelho a Zicky.
Se a primeira parte não sorriu nunca aos comandados de Nuno Dias, a segunda não podia ter começado melhor. Zicky recebeu um passe frontal, tocou para a corrida desenfreada de Pauleta e o camisola 10 não vacilou na cara do golo, atirando colocadíssimo para o 1-1 que levantou as bancadas logo no primeiro minuto do reatamento.

E a reviravolta podia ter chegado imediatamente, mas Merlim esbarrou na trave e Tomás em Gugiel. O SL Benfica respondeu com um forte pontapé de Jacaré e, aos poucos, conseguiu arrefecer o ímpeto verde e branco. Ainda assim, numa jogada rápida e similar à que valeu o golo, Felipe Valério irrompeu em zona frontal e viu o poste negar novamente a liderança do marcador aos Leões. No entanto, seria realidade a seis minutos do fim.
Pouco depois de Bernardo ter voltado a encadear duas grandes defesas seguidas para manter tudo na mesma, Zicky fez outra vez a diferença no ataque como assistente. O pivô recebeu e trabalhou sobre a direita e depois de se desenvencilhar do seu marcador directo ofereceu o golo a Diogo Santos, sozinho junto ao segundo poste.
Reviravolta confirmada, pavilhão ao rubro e o 2-1 nem durou muito. Num livre em zona frontal, Merlim tocou para o lado e Tomás Paçó ‘encheu’ o pé para aumentar a vantagem para o 3-1 que forçou Cassiano Klein a apostar imediatamente no guarda-redes avançado.
Uma ‘cartada’ que até serviu para aumentar a incerteza, porque foi o próprio Diego Nunes, com um tiro de longe e cruzado, que pôs o dérbi na margem mínima (3-2) à entrada para os últimos dois minutos. Contudo, esta imperiosa vitória não escapou aos Campeões Europeus, que fecharam todos os caminhos para a sua baliza até final.
Tal como na edição anterior, vai haver ‘negra’ pelo título, só que desta vez a Luz é o palco da decisão, porque as águias venceram a fase regular e, por isso, asseguraram o factor casa. Domingo, pelas 20h00, é o tudo ou nada: ou o Sporting CP recupera o título ou o SL Benfica soma a sua segunda Liga seguida.
Sporting CP: Bernardo Paçó [GR], Miguel Malhão, Tomás Paçó, Zicky Té, Diogo Santos, João Matos [C], Pauleta, Felipe Valério, Ivan Chishkala, Pedro Silva [GR], Bruno Pinto, Alex Merlim, Bruno Maior, Rocha

