O enorme Nelson Serra
26 Fev, 2026

Sou, comum dos mortais, uma pessoa com defeitos e com virtudes. Mas uma das minhas virtudes é saber ser grato e reconhecido.
E no último "Eu lembro-me de ti", um programa dos muitos que vejo religiosamente na Sporting TV, este da autoria do meu amigo Vítor Cândido, que é uma enorme referência do Sportinguismo, que sabe do Clube como poucos e que dá a conhecer as muitas lendas que tanto deram ao símbolo do Leão rampante, foi com o Nelson Serra.
E, ao ouvir deliciado aquele que é um dos melhores jogadores portugueses de basquetebol de todos os tempos, que começou por agradecer ao Sporting Clube de Lourenço Marques e ao Sporting Clube de Portugal por tudo aquilo que o ajudaram a ser quem foi; que o verde e branco, clube que é o seu amor de uma vida e que foi o único emblema que serviu como jogador, entre outras estórias arrebatadoras e emocionantes, falou dos enormes dirigentes que foram os saudosos Vítor Salgado e Edgar Vital até que chegou a vez do Juvenal Carvalho, que sim, era um miúdo então quando entrou pela porta do dirigismo pelo basquetebol. Um miúdo que o Edgar Vital apostou para ser dirigente de uma equipa sénior.
Da equipa que eras o treinador. Do miúdo, que ainda mais miúdo então, te viu jogar e encestar de todo o lado com aquele teu lançamento que destruía as equipas adversárias com a mão atrás da cabeça. Que já te idolatrava quando ainda não te conhecia pessoalmente. Que, quando te conheceu pessoalmente vi, além do jogador e treinador, um extraordinário ser humano, daqueles que ficam como amigos para a vida.
Nelson, assumo que me fizeste chorar pela surpresa que me fizeste – apesar de saber da tua estima para comigo, que sabes ser recíproca. Recordo-me perfeitamente daquele momento em que te anunciei seres Prémio Stromp pela segunda vez, depois de jogador do ano, como treinador do ano. Como disseste, senti uma alegria genuína e sei que o partilhaste por todo o grupo que contigo trabalhava.
Este "miúdo" de hoje, já avô de duas Leoas – como o tempo voa – tem um orgulho imenso de contigo ter trabalhado. De contigo tanto ter aprendido de Sporting.
De contigo saber que os valores leoninos estavam simbolizados na perfeição.
Deste "miúdo", vai daqui um humilde agradecimento por ter sido por ti referenciado no "Eu lembro-me de ti".
Porque eu, por mais que o tempo passe, lembro-me de ti sempre... e para sempre.
És uma lenda. És um Campeão. És um ser humano de excelência.
Eu serei apenas aquele então miúdo que durante anos serviu o Sporting Clube de Portugal como dirigente e que, com tanto orgulho, me cruzei contigo.
P.S – E que melhor forma teria para acabar este texto, em que falei de uma lenda da "minha" modalidade, quando quis o destino que o momento coincidisse com o basquetebol a escrever mais uma página a letras de ouro da sua História e a trazer a sua 9.ª Taça de Portugal para o Museu Sporting.
Parabéns, basquetebol!
Parabéns, Sporting Clube de Portugal