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Prémios Stromp serão entregues a 18 de Dezembro

Por Jornal Sporting
03 Dez, 2015

Conheça a lista dos 30 premiados de 2015, 18 dos quais por inerência

A 52.ª cerimónia de entrega dos Prémios irá realizar-se no próximo dia 18 de Dezembro (sexta-feira), pelas 20 horas, no Hotel Sheraton, em Lisboa. As inscrições (limitadas à capacidade da sala), ao preço de 35 euros, devem ser feitas desde já através de Marina Reis para o 962876358 ou mgreis1967@gmail.com.

Os premiados deste ano (18 por inerência, por terem sido medalhados em Campeonatos do Mundo e da Europa) serão os seguintes:

- Emanuel Silva (Canoagem) – Prémio Europeu

- Equipa de hóquei em patins vencedora da Taça CERS – Prémio Europeu

- Equipa masculina de judo – Prémio Europeu

- João Mário (Futebol) – Prémio Europeu

- Tobias Figueiredo (Futebol) – Prémio Europeu

- Carlos Mané (Futebol) – Prémio Europeu

- Ricardo Esgaio (Futebol) – Prémio Europeu

- William Carvalho (Futebol) – Prémio Europeu

- Iuri Medeiros (Futebol) – Prémio Europeu

- Paulo Oliveira (Futebol) – Prémio Europeu

- Ricardo Fernandes (Kickboxing) – Prémio Europeu

- Bruno Susano (Kickboxing) – Prémio Europeu

- João Vaz (Natação Adaptada) – Prémio Europeu

- Tiago Petrony (Futebol de Praia) – Prémio Mundial

- Rui Coimbra (Futebol de Praia) – Prémio Mundial

- Jordan (Futebol de Praia) – Prémio Mundial

- Belchior (Futebol de Praia) – Prémio Mundial

- Madjer (Futebol de Praia) – Prémio Mundial

- Sara Moreira (Atletismo) – A Atleta do Ano

- João Costa (Tiro) – O Atleta do Ano

- Gelson Martins (Futebol) – Revelação do Ano

- William Carvalho – Futebolista do Ano

- Pedro Silva – Academia Sporting

- Rui Alves (Tiro) – Coordenador

- Vítor Carvalho (Boxe) – Dedicação

- Francisco Salema (Hóquei em patins) – Saudade

- Manuela Rodrigues – Sócio

- Jorge Jesus (Futebol) – Técnico

- Eugénia Martins (Funcionária) – Especial

- Carlos Cruchinho (Natação) – Dirigente

Não há volta a dar: é para ganhar tudo!

Por Jornal Sporting
03 Dez, 2015

Leia mais no Jornal Sporting sobre o regresso do ciclismo do Sporting

“Em jovem via Voltas a Portugal em bicicleta com as camisolas do Sporting. O ciclismo pode ser a grande atracção de massas que o Clube precisa. Temos milhões de adeptos e muitos deles vivem afastados da grande Lisboa, não sendo viável verem a sua camisola ‘verde e branca’. A passagem dos corredores ao pé de casa é algo irresistível e o que nós queremos é que as camisolas do Sporting andem pelas estradas do País porque estamos a falar de um fenómeno de massas. É uma modalidade que está na memória de todos os Sportinguistas e faz parte da história do Clube”, já tinha referido em entrevista Vicente Moura, vice-presidente para as modalidades.

A primeira grande vitória do ciclismo ‘leonino’ já tem mais de 100 anos, quando Laranjeira Guerra ganhou o II Porto-Lisboa, mas teve continuidade durante décadas e décadas com pontos altos como a vitória de Paulo Ferreira numa etapa do Tour em 1984 ou os 13 triunfos colectivos e nove individuais alcançados na Volta a Portugal em bicicleta entre muitos outros títulos (cerca de 150). Em 1987, tudo acabou; em 2009 houve uma tentativa de projecto; muito em breve será uma realidade – o ciclismo vai regressar ao Sporting como modalidade oficial do Clube, tendo Jorge Mendes como coordenador e Nuno Ribeiro, antigo vencedor da Volta, no comando técnico de uma equipa que parte com ambições altas.

"Encontrámos um parceiro que fez com que fosse possível voltar às estradas. Estamos a dar passos seguros, com a premissa de ser auto-suficiente directamente ou através de sponsors, o que foi feito. Ainda nos recordamos do Benfica, que depois não foi capaz de aguentar e acabou mal, e por isso a nossa perspectiva para já são três anos. Gostava que o Sporting pudesse chegar a Paris nesta modalidade que, a seguir ao futebol, é a mais popular do País", comentou Vicente Moura na assinatura do acordo.

"Era um grande sonho dos Sportinguistas e desta Direcção. É uma modalidade que já nos deu 150 títulos e nos projectou pelo Mundo. Vai poder aumentar a grande Onda Verde pelo País, com o objectivo de vencer todas as provas nacionais. Ao mesmo tempo, vai aproximar o Clube dos Sportinguistas em qualquer lado. Estamos a recuperar modalidades com grande tradição, o que é bom pelo sentimento de pertença e pelo orgulho", salientou o Presidente do Clube, Bruno de Carvalho.

"É um projecto que será muito importante para a modalidade. Temos de defender a camisola do Sporting e entrar em todas as provas com o objectivo de ganhar. Será uma notícia que vai causar grande impacto. Na Volta a Portugal, também pelo facto de sermos a equipa que ganhou o ano passado, seremos o alvo a abater mas queremos vencer!", rematou Nuno Ribeiro, director desportivo do ciclismo 'verde e branco'.

Leia mais sobre o ciclismo do Sporting e o seu regresso nesta edição do Jornal Sporting, que já se encontra nas bancas.

Sporting está de volta à estrada!

Por Jornal Sporting
03 Dez, 2015

Clube reactiva ciclismo e terá equipa já na próxima temporada

O Sporting Clube de Portugal irá participar na próxima época desportiva de ciclismo profissional, um regresso a uma modalidade com grandes pergaminhos e tradição no Clube que corresponde ainda a um grande anseio dos Sócios e Adeptos.

O ciclismo no Sporting do Clube de Portugal remonta aos inícios do século XX (1911), quando António Soares Júnior, então campeão na modalidade, se inscreveu na União Velocipédica Portuguesa, instituição que mais tarde daria lugar à Federação Portuguesa de Ciclismo. Soares Júnior viria posteriormente a ser presidente do Clube em três ocasiões (1918/20, 1921/22 e 1927/28).

Grandes nomes do ciclismo nacional e internacional envergaram as cores 'verdes e brancas', como são os casos dos míticos Alfredo Trindade, Joaquim Agostinho ou Marco Chagas.

O ciclismo chegou a ser a segunda modalidade mais popular do Clube tendo mesmo uma pista, primeiro no Stadium de Lisboa e posteriormente no Estádio José Alvalade.

Com um vasto palmarés, o Sporting Clube de Portugal conta com mais de 150 títulos (em estrada e pista), destacando-se as presenças na Volta a França e na Volta a Portugal. Nesta última soma 13 vitórias colectivas e nove individuais.

Três jogadores do Revolution em estágio na Academia

Por Jornal Sporting
25 Nov, 2015

Estágio ao abrigo da parceria estratégica entre Sporting e New England Revolution

O Sporting Clube de Portugal irá receber durante três semanas os jogadores Zachary Herivaux, Sean Okoli e Donnie Smith, da equipa norte-americana New England Revolution, bem como o director geral do clube, Michael Burns, e o treinador principal do conjunto, Jay Heaps. A comitiva chegará no dia 29 de Novembro.

“O Sporting é conhecido pela sua capacidade de desenvolver novos talentos e sentimos que estes três jogadores vão realmente beneficiar desta oportunidade de poderem treinar ao mais alto nível durante o período sem competição”, salientou Michael Burns.

Recorde-se que, em Outubro de 2014, o Sporting Clube de Portugal e o New England Revolution estabeleceram uma parceria estratégica centrada na colaboração a nível de treino e desenvolvimento de métodos de trabalho na equipa principal e na formação, além da partilha de recursos a nível de ‘scouting’ e da oportunidade de jogadores e técnicos poderem fazer estágios nos dois clubes.

Duas orquestras que não tocavam de improviso

Por Jornal Sporting
21 Nov, 2015

Fernando Peyroteo, o 'Stradivarius' dos eternos 'Cinco Violinos'

Ainda eu não era nascido na última vez que o Sporting ganhou aqui por três golos”. Autor da frase: Jorge Jesus; contexto: sala de imprensa do Estádio da Luz, na sequência da vitória dos ‘leões’, por 3-0, esta época, no reduto do rival. Mas o que uma frase proferida em Outubro de 2015 tem a ver com a carreira de Peyroteo, o ‘violino’ que afinava a equipa do Sporting na frente de ataque, marcando 541 golos em 12 épocas? Neste particular, tudo. O tal jogo a que Jesus se refere, que aconteceu a 25 de Abril de 1948 – seis anos antes do nascimento do técnico dos ‘leões’ – foi protagonizado por Peyroteo, que apontou os quatro golos com que os ‘verde e brancos’ derrotaram o eterno rival (4-1) no seu reduto (na altura o terreno do Campo Grande, cedido pelo Sporting) e conquistaram o primeiro tricampeonato da história do futebol português, juntamente com a Taça Monumental de ‘O Século’. 

Peyroteo tinha pontaria particularmente afinada frente às ‘águias’. Não só foi perante o eterno rival que deu o pontapé de saída da sua carreira no Sporting – e que pontapé, logo com dois tiros certeiros, como marcou o seu nome na história dos ‘derbies’ ao apontar o ‘poker’ num jogo para o qual o Sporting partia em desvantagem por ter menos dois golos que o adversário no ‘goal average’, naquele dia de Abril que quase três épocas depois seria dia de Revolução – e que, em 1948, foi símbolo de evolução para os ‘leões’.

O jogo foi preparado com todos os detalhes. Sob o comando técnico de Cândido de Oliveira, o grande obreiro da linha avançada imortalizada como os ‘Cinco Violinos’ (entrou para o Clube como director técnico, assumindo depois a liderança da principal equipa do Sporting), os jogadores compareceram na cabine do campo rival, meia hora antes do jogo, para sorverem a táctica. Com dois golos para recuperarem, a palavra-chave era ‘prudência’, quer no ataque quer na defesa. Travassos jogaria ligeiramente recuado, em auxílio ao sector defensivo, procurando lançar os seus colegas na frente com passes longos enviados, preferencialmente, para os extremos. Assim que o Sporting perdesse a posse de bola, o ‘Zé da Europa’ (outro nome por que era conhecido) recuaria de imediato no terreno. Vasques, interior direito dos ‘Cinco Violinos’, também ajudaria a equipa atrás, mas teria de partir para o ataque assim que a bola estivesse no campo adversário. O defesa Moreira marcaria o avançado ‘encarnado’ Julinho – “Onde ele estiver estarás tu. Não poderá ganhar nenhum lance; antecipa-te sempre, não o largues”, indicou-lhe Cândido de Oliveira –, os médios ‘leoninos’ não poderiam deixar de marcar os médios ofensivos adversários quando estes atacassem, assim como os médios ofensivos ‘verde e brancos’ não deixariam os médios ‘encarnados’ em liberdade. O objectivo era que a linha avançada, mesmo desfalcada pela polivalência de Travassos, conseguisse fazer dois golos o quanto antes, igualando a partida; a partir daí, o ataque seria reforçado, alinhando na sua habitual forma, para aproveitar a expectável perturbação do adversário. Todas as situações estavam precavidas: se o Benfica marcasse antes do Sporting, fosse na primeira parte ou na segunda, os ‘leões’ saberiam o que fazer. Tudo isto foi explicado por Cândido de Oliveira ali mesmo na cabine, naquela meia hora. E dotada de “pernas e cérebro”, no entender de Peyroteo, a equipa interpretou à letra a táctica e ultrapassou o rival, conquistando o Campeonato que viria a ficar conhecido como ‘Pirolito’ – como foi decidido apenas por um golo, tomou o nome de um refrigerante da época, que tinha um berlinde na tampa.

A vitória folgada perante o adversário gerou uma superstição no balneário. No seu livro de memórias, Peyroteo relata que, assim que chegava ao balneário antes de um jogo, vestia o ‘slip’ (uma pequena cueca de malha de algodão), a camisola e requisitava os serviços de Manuel Marques – massagista do Clube conhecido como o ‘mãos de ouro’, tal a eficácia com que recuperava os atletas.

Mas naquele dia 25 de Abril, depois de Manuel Marques tratar de Peyroteo – com um algodão embebido em linimento Sloan (um gel de massagem da época), esfregou-lhe as pernas, joelhos e coxas antes de aplicar uma massagem para aquecer os músculos – deixou o algodão, inadvertidamente, pousado no banco ao lado. Nenhum dos dois reparou no deslize. “O certo é que, não sei como, sentei-me mesmo em cima do algodão embebido em linimento. Não queiram saber que ardor eu senti mas, ainda assim, o que me valeu foi o ‘slip’. Mas apanhei um escaldão tremendo. Barafustei e quanto mais zaragata fazia mais o Manuel Marques e todos os camaradas riam à gargalhada. Eu estava seriamente atrapalhado e lá fui para o campo com o ‘sim-senhor’ a arder”, recorda o avançado, que relata que, a partir daí, o massagista deixava sempre o algodão encharcado ao lado porque afirmava que o procedimento dava sorte à equipa.

O ‘derby’ vitorioso trouxe outro efeito inesperado: a demissão do treinador. Sim, leu bem. Cândido de Oliveira apresentou a sua demissão depois da goleada sobre o eterno rival, que tinha tanto da sua sabedoria. Os boatos começaram logo no dia seguinte, nos escaparates dos jornais. A confirmação, essa, chegou depois, pela boca do próprio Cândido de Oliveira. Contou o técnico que, na véspera do encontro com o rival, um dos directores do Clube lhe pediu que explicasse a táctica que pensava usar no dia seguinte, revelando, depois das explicações do treinador, o seu desagrado perante a estratégia e os jogadores escolhidos – Cândido de Oliveira pensava utilizar, por exemplo, Moreira a médio-centro no lugar de Manecas. 

Entendeu Cândido de Oliveira que se devia demitir – o que chegou a fazer – e só recuou perante o pedido de desculpas desse mesmo dirigente, vogal do Clube, que estava disposto a afastar-se do Sporting. Ficaram os dois, ajudando a assinar um dos títulos de campeão nacional mais renhidos de que havia memória.

As duas linhas avançadas mais míticas do Clube têm um denominador comum: Fernando Peyroteo. Nos primeiros tempos no Sporting, o avançado-centro dava música ao lado de Mourão, Pireza, Soeiro e João Cruz; depois ­– mais concretamente a partir de 26 de Junho de 1946, num jogo frente ao Belenenses no Estádio das Salésias – passou a ser o ‘Stradivarius’ dos ‘Cinco Violinos’, ao lado de Jesus Correia, Vasques, Travassos e Albano. 

Os números – que como é sabido, raramente enganam – comprovam o esplendor de uma carreira que terminou com o saldo de cinco Campeonatos Nacionais e quatro Taças de Portugal (o avançado nunca perdeu uma final da competição). Deixemos falar as estatísticas: em quatro jogos disputados, Peyroteo marcava em três; e a cada cinco encontros que realizava, pelo menos num deles marcava três ou mais golos. Só assim se justifica a média recorde de 1,6 tentos por jogo do jogador nascido em Angola, que o coloca no patamar de melhor avançado de sempre do futebol nacional.

Peyroteo atribui grande parte do seu sucesso como futebolista ao estudo pormenorizado de cada adversário, fruto de uma visão que colocava a ênfase da qualidade de uma equipa no valor individual dos jogadores. “Todos nós sabemos que o valor de um ‘team’ de futebol não é mais do que o resultado do valor individual dos jogadores que o compõem; boas equipas sem bons jogadores parece-me que não existem. Daí a minha atenção incidir mais sobre o valor individual do jogador ou jogadores com quem teria de lutar por virtude da nossa colocação no terreno do que sobre a força global da equipa adversária”, adiantou o jogador, explicando a forma como as equipas que integrou no Sporting iam buscar forças às fraquezas do adversário. “Ao começar um jogo (...), a minha preocupação era a de experimentar o defesa que me cabia defrontar. Seria ele dos tais que me acompanhariam até fora do rectângulo se, no decorrer do encontro, me apetecesse beber uma laranjada no ‘bufete’ do campo? Seria rápido na antecipação? Saltaria bem na disputa da bola pelo ar? Teria dois bons pés, ou um melhor do que o outro? Seria dos que fecha os olhos quando vai à bola? Jogará em subtileza ou em força? Lutava com ele procurando ‘descobri-lo’, conhecê-lo e tentava explorar as suas fraquezas possíveis”.

Esta adaptabilidade às circunstâncias do jogo era, também, característica base dos ‘Cinco Violinos’ – uma orquestra que, segundo explica Peyroteo, nunca tocava de improviso, obedecendo a um trabalho metódico e disciplinado. Era um organismo adaptável e mutável, em constante ajuste ao meio ambiente – que é como quem diz, ao adversário e ao jogo. Os primeiros minutos destinavam-se a isso mesmo, ao estudo dos traços do oponente, por forma a empregar o sistema táctico mais adequado para explorar as fraquezas do rival. “O princípio básico era iniciar a partida no regime de cautela e reserva e, por isso mesmo, a defesa era reforçada pela colaboração de um interior. Mas nem por esse motivo deixávamos de tentar o ataque logo que as circunstâncias o permitissem, de modo a surpreender o adversário”. Não havia, portanto, modelos rígidos. “A velha e saudosa equipa dos ‘violinos’ não experimentava dificuldades em cambiar de sistema logo que nisso reconhecia vantagem (...). Não utilizávamos o ‘4-4-2’, a ‘diagonal’, o sistema de ‘ferrolho’ ou qualquer outro processo táctico rígido, definido e assente como padrão imutável”, clarifica o ‘Stradivarius’. Só assim foi possível a conquista de três Campeonatos em três anos de ‘orquestra’, assim como a proeza de vencer o campeão francês Lille por 8-2 ou o Atlético de Madrid, em Espanha, por 6-3 – neste último, por exemplo, a estratégia assentava em fazer o adversário acreditar que a força do ataque assentava no avançado-centro, o que se traduziu no maior espaço concedido a Jesus Correia, que marcou... os seis golos da partida. Uma vez mais, os números não enganam.

Afinar os instrumentos para soar a orquestra

Por Jornal Sporting
21 Nov, 2015

A importância de Szabo e a estreia de Peyroteo com um 'bis' ao Benfica

Estava dado o veredicto: “Sinhor Férnando ter jeiteira mas precisar trabalhar muito. Bom pontapé, bom côrrida. Precisar muito ‘treining’ dê técnica de ‘foot-ball’”. No seu português macarrónico ­– inversamente proporcional aos conhecimentos límpidos de futebol –, o treinador húngaro Joseph Szabo avaliava a prestação do primeiro treino, à experiência, de Peyroteo (que chamava sempre de ‘Sinhor Férnando’). Um treino de duas horas que começava com a promessa de ser breve, mas que terminava com o jogador, acabado de chegar do Sporting de Luanda, à beira de um esgotamento físico. Fez passes de todas as formas e rematou à baliza com o próprio Szabo no lugar do guarda-redes – a ‘desmascarar-lhe’ as artimanhas, por sinal: Peyroteo decidira atirar ‘ao boneco’ para que, se o remate saísse mal, ainda houvesse uma margem até aos postes. “Sinhor Férnando: assim ser canja! Querer furar bariga de guarda-redes? Atirar para junto dê postes!”, advertiu o técnico, que o obrigou a correr para apanhar cada bola enviada para fora da baliza. 

Apesar do veredicto final não parecer muito entusiasta, Szabo viu em Fernando Peyroteo, chegado aos 19 anos a Lisboa no paquete Niassa, a centelha do talento. Nesse mesmo dia, informou a Direcção que estava interessado na contratação do jogador e, no dia seguinte ­– em que Peyroteo só se conseguiu levantar da cama ao meio-dia, tais as dores que tinha no corpo – estava o novo avançado a assinar, sem ler, o contrato que o ligaria aos ‘leões’.

Daí até ao primeiro treino em conjunto com a equipa não demorou muito. Eram 7h15 da manhã e Peyroteo era dos primeiros a chegar. Para todos era um dia normal, mas não para a jovem promessa. As pernas não o deixavam mentir: tremiam como varas verdes. Embora nos primeiros instantes os jogadores mais experientes lhe tivessem dirigido algumas piadas numa tentativa de praxe, assim que começou a rolar a bola todos o ajudaram ­– incluindo Soeiro, um dos melhores avançados da história do Clube, que Peyroteo viria a substituir, relegando-o para a posição de interior esquerdo. E assim, apesar dos nervos, apesar da inexperiência, apesar de tudo, Peyroteo marcou três golos ao mítico guarda-redes Azevedo, dando logo nas vistas dos companheiros. Aníbal Paciência, por exemplo, não teve dúvidas em dizer-lhe: “Estou certo que o lugar de avançado-centro vai pertencer-te”. Szabo, pedagogo por excelência, em vez de lhe alimentar o ego, apontou-lhe os erros – “estar mal dê desmarcação; andar perdido em campo; não saber cortar jogada” – obrigando-o a treinar até às 10h30 (mais uma hora do que os restantes companheiros) para emendar o que não tinha sido bem feito. 

Aliás, daí em diante, Peyroteo passou a treinar sempre mais duas vezes por semana do que os colegas, por indicação de Szabo. Às quartas e sextas-feiras, além dos exercícios atléticos – Szabo era obcecado por este aspecto do treino – o treinador ensinava pormenores tácticos e técnicos, chegando ao ponto de informá-lo a respeito das características de cada um dos seus companheiros de equipa e de lhe dar aulas de táctica com bonecos, depois do duche – o que, muitas vezes, o fez perder a ‘matinée’ de cinema, já com bihete comprado. “Sinhor Férnando, seu cinema ser este. Deixar garotas! Fazer-se primeiro grande jogador de ‘foot-ball’ e ter, dêpois, todas garotas dê Mundo... Cárágo, Fernando, ser um sarílio para atender todas! Ir ver, Férnando”, dizia-lhe o técnico, lembrado por Peyroteo no seu livro de memórias. Nessa mesma obra, aliás, o maior goleador do futebol mundial atribui ao técnico húngaro grande parte do seu sucesso como jogador e demora-se a explicar as regras dos seus treinos. As sessões começavam às 8h da manhã, mas todos tinham que estar equipados e preparados para entrar em campo às 7h45 – Szabo entrava no balneário, de fato de treino e boina na cabeça, e dava três apitadelas com o seu apito: quem não estivesse, seria castigado com 10% do seu ordenado. Quando chovia muito, e perante as ‘manhas’ dos jogadores, era pronto na resposta: se não treinassem na chuva, como fariam se os jogos acontecessem nas mesmas condições climatéricas? Ah, e claro, recomendava aos seus jogadores distância das mulheres durante o fim-de-semana. “Ficharem torneira dê nêmoros dê mininas. Atenção, fazer muito mal e precisar canetas para jogo”, recorda Peyroteo, que muito estranhou, de início, a intensidade das sessões de trabalho do técnico húngaro. “Em Luanda, os treinos limitavam-se a uma ou duas voltas ao campo, para aquecer os músculos, e depois um treino de futebol com onze homens de cada lado”, relata.

12 de Setembro de 1937, Campo das Salésias, Torneio Triangular. De um lado o Sporting, do outro o Benfica, os eternos rivais. Para Peyroteo poderia ser mais um ‘derby’, não fosse aquele o seu primeiro jogo oficial com a camisola do Sporting. Enquanto os seus colegas, habituados já àquelas andanças, viam o jogo como um treino, Peyroteo tremia com os nervos – aliás, um dos directores do Clube, em tom de gozo, receitou-lhe chá de tília para acalmar e teve de ser Szabo a ligar-lhe os pés, tarefa de que o próprio Peyroteo sempre se encarregou. Quem brincasse com o novato jogador, tinha a sua sentença traçada: perdia 10% do salário. Entrado em campo, ao fim de dois remates, Peyroteo já tinha esquecido os nervos, o público em alvoroço e a responsabilidade que tinha nas costas, apontando dois dos cinco golos com que os ‘leões’ bateram as ‘águias’ (5-3). A façanha tem ainda mais valor quando se sabe que aquela era a primeira vez de Peyroteo num campo relvado e com ‘pitons’ debaixo dos pés. Estava lançado o início auspicioso de uma carreira fulgurante.

Dos jogos à sombra dos eucaliptos à ginástica sueca

Por Jornal Sporting
21 Nov, 2015

Infância e adolescência de Peyroteo em Humpata, Moçâmedes, Sá da Bandeira, Nova Lisboa, Luanda... até à Metrópole

Por trás de um grande homem costuma estar sempre uma grande mulher que, no caso de Fernando Peyroteo, foi também a mãe, Maria da Conceição. E um professor de ginástica, acrescente-se. Pode parecer estranho, despropositado, mas a verdade é que as duas maiores influências na infância e adolescência do avançado entroncaram na família e no mestre Ângelo de Mendonça, perspicaz farol que apontou a luz em termos físicos para o homem se transformar em máquina à frente das balizas apesar de nem tudo terem sido rosas no seu início de vida.

Nascido a 10 de Março de 1918 em Humpara, no distrito de Huíla, Fernando foi o penúltimo filho de uma família com 12 (!) crianças, as primeiras três do primeiro casamento de José de Vasconcelos Peyroteo, que saiu da metrópole para assumir um cargo superior no estudo e traçado de caminhos de ferro. Todavia, a saúde pregou-lhe uma partida, daquelas que marcam todos à sua volta: já em Moçâmedes, foi vítima de uma violenta crise cardíaca. E a mãe, com 12 filhos para sustentar e apenas dois a trabalhar (que mal ganhavam para si), decidiu ser superior aos mais superiores e, entre as aulas como professora oficial, deu ainda lições particulares, aguentando a família como um exemplo que marcou o dianteiro para a vida.

Foi à sombra dos eucaliptos onde tantos descansam que Peyroteo começou a jogar futebol, tendo desde logo como primeira paixão os troncos irregulares que faziam de baliza e onde apontava tantas vezes com sucesso as bolas de trapo, de borracha e, quando havia dinheiro entre o grupo de crianças, as que tinham o peso das de futebol. Era a sua grande perdição – e tinha seis irmãos que também jogavam –, apesar de praticar os mais variados desportos (inclusive com melhores condições a nível de professores e infra-estruturas do que o próprio futebol) como ginástica, natação, remo, ténis, equitação e atletismo. Foi nesse período de escola que Ângelo de Mendonça, descrito como um dos maiores ginastas voadores que também fazia paralelas, barra fixa e argolas, foi ter consigo e explicou-lhe que, se quisesse ser jogador de futebol, teria de começar pela preparação física. Fernando ouviu e deixou--se ir: durante dois anos, fez ginástica sueca (passou depois para os aparelhos), deixou o futebol mais ‘a sério’, nadava e jogava basquetebol. Se já era um predestinado, conseguiu assim potenciar ao máximo aquilo que Deus lhe tinha dado, sempre com uma enorme verticalidade, humildade e correcção. Foi dessa forma que, mais tarde, quando o irmão Mário lhe pediu para voltar para o Sporting de Moçamedes, respondeu da seguinte forma: “Se é uma ordem, obedeço-te; se for um pedido, recuso-me”. E não foi mesmo, ficando no Atlético – tempos antes, um responsável do clube tinha pedido que saísse da sala onde estava a ver os mais velhos a jogar bilhar por causa do diferendo com os seus irmãos mais velhos. “Hoje o senhor manda-me embora mas lá virá o tempo em que pedirá para voltar”, tinha exclamado em lágrimas na altura. “E chegará a hora de lhe dizer que não volto. Hoje sou garoto, mas vou ser homem”, disparou antes de sair da sala. Tinha razão. E não voltou.

Após um convite do Sporting de Lourenço Marques recusado por ser muito novo para ficar sozinho, Peyroteo rumou a Sá da Bandeira, onde o irmão Álvaro era gerente do Banco de Angola da localidade (em paralelo tinha fundado o Desportivo da Huíla). Foi ali que passou a jogar no Académico, a equipa do Liceu Diogo Cão. E foi ali que defrontou... o irmão: depois de ter atingido Álvaro no nariz, que ficou a sangrar, levou nas orelhas quando chegou a casa da... cunhada ‘Mariazinha’. Foi também nesta altura que passou pela equipa de esgrima, antes de rumar a Nova Lisboa, onde estivera antes, pasme-se, com uma companhia de artistas amadores de teatro na revista ‘Vidairada’ (além de três ou quatro números, ainda acompanhou uma jovem fadista à viola). Quando se preparava para assentar arraiais por lá, o amigo Norberto fez-lhe chegar uma proposta melhor em Luanda, como escriturário na Repartição de Contabilidade da Fazenda Pública, e passou então a envergar a camisola do Sporting de Luanda, que se transformou no ‘melhor do Mundo’.

Em Abril de 1936, a mãe fez-lhe chegar uma carta onde dava conta da viagem que teria de fazer até à Metrópole por imposição dos médicos. Após um beberete de despedida na sede do Sporting local, Fernando recebeu 1.500 angolares para despesas de viagem e um breve conselho – que, sem qualquer tipo de compromisso, fosse visitar as instalações do Sporting Clube de Portugal. Logo ele que pensava ir oferecer os seus préstimos à Académica, por se tratar da cidade dos estudantes. A história, essa seria bem diferente. E começou na viagem no ‘Niassa’, que chegou à barra de Lisboa a 26 de Junho de 1937 para uma aventura que viria a fazer história no futebol.

Por Manuel Colaço Dias

Por Jornal Sporting
14 Nov, 2015

Vítima portuguesa dos ataques em Paris descrito como "um Sportinguista ferrenho"

Manuel Colaço Dias, nascido em Mértola há 63 anos, cumpria mais um dia de trabalho numa empresa de transportes. Ontem era dia de festa em Paris, com o Stade de France completamente lotado (mais de 80 mil pessoas) para o particular entre França e Alemanha. O português que tinha emigrado “em busca de uma vida melhor”, como dizem os amigos próximos, deixara no seu táxi três pessoas que iam assistir ao jogo na capital gaulesa e foi vítima da autêntica barbárie que atravessou a noite de ontem – um momento que tão cedo ninguém esquecerá –, como veio a confirmar hoje José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Manuel Colaço Dias adorava futebol. E adorava o Sporting.

A população de Rosário, em Almodôvar, onde Manuel Dias costumava ir duas a três vezes por ano (era a localidade da mulher), foi apanhada de surpresa. “Era um amigo a 100%. Vinha muitas vezes a Rosário, conhecia toda a gente e era muito falador. 90% das conversas era sobre futebol, porque era um Sportinguista ferrenho! O resto, mais sobre a cultura francesa. Toda a gente ficou chocada porque não havia ninguém que não o conhecesse aqui. Era uma pessoa impecável em tudo e Sportinguista, que era o melhor de tudo”, comentou esta noite à CMTV José Fernandes, amigo residente em Rosário.

24 horas depois dos piores atentados na Europa desde os que foram perpetrados em Madrid, em 2004, o último balanço oficial feito pelas autoridades francesas aponta para 129 mortos e 352 feridos, sendo que 99 estão ainda em estado considerado grave. Além de Manuel Dias, foi confirmado ao início da noite o falecimento da luso-francesa Précilia Correia, de 35 anos.

Os ataques de Paris terão começado com três explosões perto do Stade de France – pelo menos uma bem audível durante o particular entre França e Alemanha – e tiveram depois prolongamento no 11.º bairro, onde foram disparados tiros no bar ‘Le Carrilon’. De seguida, em Fontaine au Roi/Fabourg-du-Temple, os clientes de uma cadeia de hambúrgueres e de uma pizzaria foram também alvejados, ao mesmo tempo que foi ouvida uma explosão no restaurante ‘Comptoir Voltaire’, na Place de la Nation. Dez minutos depois, foram disparadas dezenas de tiros sobre o café ‘La Belle Equipe’.

Ainda assim, o grande alvo acabou por ser o Bataclan, um dos mais emblemáticos clubes de Paris que estava cheio com 1.500 pessoas para um concerto da banda ‘Eagle of Death Metal’ – ao todo, e de acordo com as últimas informações oficiais, perderam a vida pelo menos 78 pessoas e quatro dos terroristas que cometeram estes actos (três fizeram-se explodir, o outro foi abatido). Há cerca de uma hora, começou a circular um vídeo onde é audível o início dos ataques no espaço, já depois de, ao início da manhã, terem surgido imagens de dezenas de pessoas a fugirem do local pelas traseiras após os primeiros disparos, tiradas por um jornalista do 'Le Monde' que mora na mesma rua. França, a Europa e o Mundo ainda estão em choque com uma noite que ficará marcada como uma das mais negras de sempre no século XXI.

Primeiro 'Comboio Verde'

Por Jornal Sporting
13 Nov, 2015

Núcleos Sportinguistas em parceria com a CP para o jogo com o Benfica

O Sporting Clube de Portugal tem prazer em anunciar o 1.º 'Comboio Verde', uma parceria entre o Clube e a rede de comboios da CP.


Esta iniciativa, organizada pelos Núcleos Sportinguistas, irá permitir que os Sócios e adeptos 'leoninos' espalhados por todo o país se desloquem com comodidade ao Estádio José Alvalade para assitir ao jogo da Taça de Portugal, dia 21 de Novembro, pelas 20h, frente ao Benfica. 


Informamos que os valores apresentados em cartaz englobam bilhete para a bancada Superior Norte, viagem de comboio, transfere da estação para o estádio e da estádio para estação e seguro de acidentes pessoais. 


Mais informações no Núcleo Sportinguista mais próximo de si. 

 

 

 

 

 

"Os fundos querem criar dependência"

Por Jornal Sporting
12 Nov, 2015

Bruno de Carvalho explica ao 'L'Équipe' os males dos fundos no futebol

Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting, concedeu uma entrevista ao ‘L’Équipe’ onde fala especificamente num tema que reúne cada vez mais atenção (e preocupação) no mundo do futebol: os fundos. “Porque faço guerra aos fundos? Não sei se podemos falar em guerra. Somos fundamentalmente contra a entrada no futebol, a grande escala, de dinheiro que não conhecemos a sua proveniência, de negócios desequilibrados. Os fundos ganham sempre, transfiram jogadores bons ou maus. Há três coisas que no mínimo reclamamos: avaliar as experiências passadas e actuais para evitar que o futebol entre neste mundo sem medir as consequências; saber quem são os parceiros desses fundos e de onde vem o dinheiro; e que os fundos não possam imiscuir-se, de uma forma ou outra, na gestão dos clubes”, explica o líder ‘leonino’.

“Os fundos querem criar dependência. É um pouco como se vendessem droga, que os seus clientes vão precisando de mais e cada vez mais. Entra-se num ciclo vicioso: mais dívidas, mais recurso a fundos, mais dívidas. Há bons e maus fundos de investimento mas é preciso fazer essa separação. Não podemos investir três milhões de euros num jogadores e depois acabar com uma dívida de 15 milhões”, acrescentou antes de falar em taxas de 10% a 12%, que podem chegar aos 50%, e de responder à grande dúvida ‘Porque existe tanto interesse dos clubes nos fundos?’: “Porque isto é a América dos ‘cowboys’, a ruína contra o ouro. Quando cheguei a Presidente do Sporting, 95% dos jogadores pertenciam a fundos e tínhamos os piores resultados da nossa história e uma dívida que ascendia a 500 milhões de euros, a nossa esperança de vida era de três meses. Na época seguinte, ficámos em segundo e voltámos à Champions. Depois cortar com os fundos, melhorámos os resultados desportivos e conseguimos equilíbrio financeiro. Ao contrário do que dizem, os fundos aspiram dinheiro que é do futebol e reduzem a capacidade financeira dos clubes”.

Bruno de Carvalho falou também do caso que envolve o Sporting e a Doyen. “Os fundos querem fazer dinheiro sem correr o mínimo risco mas um verdadeiro parceiro é aquele que partilha dos riscos. Para a Doyen ser um parceiro teria de mudar os dirigentes ou a origem desse dinheiro. Sei que temos 100% de razão no caso mas já vi muitos inocentes na prisão e criminosos na rua”, concluiu.

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