É a terceira participação consecutiva do Clube no Business of Football Summit
O Sporting Clube de Portugal esteve presente na oitava edição do Business of Football Summit, evento organizado pelo Financial Times e um dos mais prestigiados fóruns internacionais dedicados à indústria do futebol.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Clube de Alvalade foi convidado a partilhar a sua visão estratégica para o sector, sendo o único emblema português presente num universo de convidados que reúne algumas das mais influentes organizações do futebol mundial, como a Premier League, LaLiga, Serie A e UEFA, e clubes como Chelsea FC, Juventus FC e Paris Saint-Germain.
Representados por André Bernardo, Chief Strategy and Operations Officer do Sporting CP, os verdes e brancos integraram o painel “Stadiums as an asset class – Is investing in football’s building boom a safer way in?”, que reuniu dirigentes e especialistas internacionais para debater, durante aproximadamente 35 minutos, o impacto económico e estratégico dos novos estádios no futebol europeu.
Alvalade enquanto hub global de entertenimento
Na abertura do debate, o dirigente verde e branco foi questionado sobre o plano estratégico apresentado pelo Sporting CP em Setembro de 2024 e sobre a forma como o Clube pretende posicionar-se num contexto em que os estádios assumem um papel cada vez mais central enquanto plataformas de entretenimento e geração de receitas.
“Definimos um objectivo estratégico claro e fomos públicos em relação a ele: queremos tornar-nos uma referência enquanto hub global de entretenimento. Projectamos duplicar as nossas receitas nos próximos dez anos. Acreditamos que existia muito valor por explorar e que pode ser desbloqueado através da transformação do estádio num verdadeiro centro de entretenimento”, começou por explicar, detalhando ainda as características específicas que colocam o Sporting CP numa posição particularmente favorável para concretizar essa ambição.
“Temos uma localização privilegiada, a cinco minutos do aeroporto e a 15 minutos de metro do centro da cidade. O nosso estádio foi concebido com um centro comercial integrado. Foi vendido no passado, readquirimo-lo e faz parte do nosso plano para os próximos dez anos. Queremos que o estádio funcione como uma plataforma e um ecossistema que sirva os dias de jogo, os dias sem jogo e múltiplas linhas adicionais de receita”, precisou.
A importância do investimento
Num momento em que os clubes enfrentam a desaceleração das receitas provenientes dos direitos televisivos e uma crescente pressão regulamentar para diversificar fontes de rendimento além da venda de jogadores, o debate centrou-se também na aposta no investimento em infra-estruturas capazes de responder às necessidades actuais da indústria.
Por toda a Europa, muitos são os clubes que têm, assim, apostado na construção de novos estádios ou na requalificação profunda dos existentes, com o objectivo de gerar receitas não apenas em dia de jogo, mas todos os dias da semana. Da mesma forma, estes espaços permitem reforçar a ligação aos adeptos através de espaços multifuncionais capazes de acolher concertos, eventos desportivos e demais experiências.
“Podemos seguir dois caminhos: investir ou não investir. E existe um custo associado a não investir. Após a construção do estádio, estivemos praticamente 16 anos sem realizar investimentos estruturais, e isso teve consequências muito negativas, dentro e fora de campo. O caso de investimento é, para nós, mais sólido do que o caso de não investimento”, frisou André Bernardo, que salientou, ainda assim, que projectos desta envergadura devem assentar em pressupostos sólidos e adaptados à realidade específica de cada clube e de cada mercado.
“Qualquer plano de negócios é tão bom quanto a credibilidade dos seus pressupostos. Não existe uma solução única para todos. É necessário avaliar quanto faz sentido investir em função da realidade específica de cada clube. No nosso caso, identificámos um potencial significativo por explorar”, frisou.

O painel abordou também o crescente interesse de investidores neste tipo de projectos, vistos cada vez mais como uma nova classe de activos no universo do desporto e do imobiliário, bem como os diferentes modelos de financiamento, refinanciamento e gestão de dívida associados a estas mais modernas infra-estruturas.
“Trabalhámos o nosso plano com entidades independentes especializadas em estudos de viabilidade, realizámos análises de mercado aprofundadas e contámos com o apoio de consultoras internacionais e agências de rating. Houve um processo rigoroso de validação. Além disso, quando estávamos a angariar financiamento, parte das obras já estava em curso. Fechámos o fosso do Estádio em tempo recorde e os investidores puderam ver que estávamos a concretizar aquilo que prometíamos, o que reforçou a credibilidade do projecto. Contámos com 11 investidores, provenientes de vários sectores. Isso demonstra claramente o apetite existente para este tipo de activo”, apontou o dirigente.
O impacto positivo na experiência dos adeptos
Em análise esteve ainda a necessidade de garantir que a modernização dos estádios contribui para melhorar a experiência dos adeptos, sem transferir, contudo, encargos excessivos para aqueles que, com a sua paixão, são a verdadeira alavanca de qualquer emblema.
“Temos uma abordagem integradora. Não vemos estes factores como opostos. Pelo contrário, reforçam-se mutuamente. Em muitos casos, os adeptos são duplamente beneficiados. Projectamos multiplicar por dez o número de visitantes do museu e do estádio. Estamos a responder a uma procura que não estava a ser satisfeita. Isso gera receitas adicionais que serão reinvestidas no Clube, melhorando directamente a experiência dos adeptos”, frisou.
“Ao readquirirmos e integrarmos o centro comercial na proposta de valor do estádio, estimamos multiplicar por cinco as receitas nos próximos dez anos. Trata-se, novamente, de captar uma franja de interesse que não estava a ser servida”.
A transformação, como apontou André Bernardo, passa igualmente pela componente digital e por novas formas de relação com os Sócios.
“Introduzimos um mercado secundário de bilhetes e um sistema de recompensas com cashback. São investimentos que permitem aos Sócios revender o lugar de época quando não podem assistir ao jogo e beneficiar de programas de fidelização que antes não existiam”, e esta oferta, tal como redesenho do Estádio José Alvalade, visa reforçar identidade e experiência.
“Estamos a redesenhar o estádio para aumentar a identidade e reforçar a marca. Melhorámos acessos, torniquetes, implementámos cartões digitais com tecnologia NFC, renovámos cadeiras, iluminação, zonas de hospitalidade. São melhorias concretas que elevam a experiência”.
Por isso, destaca André Bernardo, a lógica de preço funciona com “preços segmentados”, onde “não se trata necessariamente de pagar mais, mas de oferecer mais e melhor”.
Crescimento estrutural e sucesso desportivo caminham lado a lado
Já na fase final do painel, e perante uma questão sobre o impacto destes investimentos no rendimento desportivo, o dirigente Leonino estabeleceu a ligação directa entre crescimento estrutural e performance dentro de campo.
“Somos bicampeões e conquistámos três campeonatos nos últimos cinco anos. Se duplicarmos receitas nos próximos dez anos, estamos perante uma mudança estrutural. Num contexto em que algumas linhas de receita, como os direitos televisivos, tendem a estabilizar, esta transformação torna-se essencial, sobretudo num mercado como o português”, especificou.
“Ao reforçarmos a nossa estrutura operacional, tornamo-nos mais eficazes na gestão de plantel. Podemos investir mais em salários, scouting e desenvolvimento, reter jogadores por mais tempo e negociar com maior poder. Isso gera um círculo virtuoso: melhores condições fora de campo conduzem a melhores resultados dentro de campo, e esses resultados reforçam novamente a sustentabilidade do Clube”, concluiu.
Além do representante da SAD Leonina, participaram no painel o presidente dos espanhóis do RCD Mallorca, Andy Kohlberg, e ainda Manuel Gutiérrez, vice-presidente de European Sports Finance da Morningstar DBRS, uma agência internacional de notação financeira, e Sam O’Gorman, Associate Partner da McKinsey, uma consultora global de estratégia e gestão.
A presença do Sporting CP neste encontro internacional volta, assim, a reforçar o posicionamento do Clube como uma referência europeia na reflexão estratégica sobre o futuro do futebol, contribuindo activamente para o debate em torno da inovação, sustentabilidade e desenvolvimento da indústria.