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Foto Isabel Silva, João Pedro Morais

"Foi um orgulho imenso e um sonho de menino tornado realidade"

Por Sporting CP
30 Jun, 2026

Zé Diogo disse adeus a uma casa que foi sua por mais de duas décadas

Entrou com dez anos e um sonho, sai aos 32 com uma história singular feita em 424 jogos, número que mais ninguém atingiu. Neste século, o trajecto e o palmarés de Zé Diogo confundem-se com os do próprio hóquei em patins do Sporting CP: ao longo de 22 anos, juntos foram crescendo de ‘casa às costas’ e de patamar em patamar – desde a III Divisão - até (re)lançar a equipa para os grandes feitos nos palcos nacionais, europeus e mundiais.

Na primeira parte (de duas) da sua entrevista de despedida, feita no balneário do Pavilhão João Rocha, o guarda-redes falou sobre a chegada ao fim desta história conjunta, o sucesso alcançado nesta sua última época e as bases lançadas para o futuro. “É difícil, fui acarinhado aqui durante muitos anos”, disse no momento da despedida. É o adeus de um filho da casa, após toda uma vida de Leão ao peito.

Diz adeus a muito mais do que uma carreira de verde e branco, foi uma vida aqui passada. 22 anos em que acompanhou e viveu como ninguém o ressurgimento do hóquei do Sporting CP e fez parte de todas as conquistas conseguidas até aos dias de hoje. Como é que se diz adeus à sua casa?
Não é fácil. Cheguei aqui como um menino, com dez anos, quando comecei pela Casa do Gaiato, quando a modalidade ainda nem era oficial [no Sporting CP]. As condições eram poucas, sonhava um dia jogar nos seniores, mas naquela altura só queria brincar. Depois, quando se começou a montar uma estrutura grande aqui, consegui ganhar os meus títulos.

Qual foi o momento em que realmente sentiu que estava a fazer algumas coisas aqui pela última vez?
Caiu-me a 'ficha' quando começaram os play-offs. Sabia que a qualquer momento podia estar a fazer o meu último treino ou o meu último jogo. Estava mais sensível, nessa altura. Quando perdemos o segundo jogo [da final] aqui, em casa, pensei: vou aproveitar esta semana de treinos. Podia ser a última e a verdade é que me lembro perfeitamente de todo o treino que fizemos antes do jogo. Acabou por ser a despedida para mim. É difícil, fui acarinhado aqui durante muitos anos. Foi meia vida.

“Sabia que a qualquer momento podia estar a fazer o meu último treino ou o meu último jogo”

 

E já sabe do que vai sentir mais falta daqui para a frente?
Do balneário, as amizades, estas condições, tudo. Os bons momentos, claro, as vitórias e os títulos. Vou sentir falta, mas já mudei o 'chip'. Agora vou voltar à minha terra, um aninho, para a despedida. Vou desfrutar um bocadinho, na II Divisão.

Sabe-se que nunca há histórias perfeitas, mas agora que fecha o seu ciclo aqui são muitas as razões para sorrir e recordar que leva consigo?
Sim, sem dúvida. Os maus momentos passam rápido, três dias depois eu esqueço-os. Os bons momentos é que ficam registados na História.

Mudava alguma coisa nesta sua longa história no Clube ou sai plenamente satisfeito com o que fez aqui?
Há sempre coisas que poderíamos mudar, mas nada é perfeito. Acho que não mudava nada, ainda assim. Comecei na III Divisão, treinei no Livramento e agora acabei com estas condições. A cada ano tudo foi melhorando, por isso não mudava nada.

“Os bons momentos é que ficam registados na História”

 

Numa palavra, como descreveria estes 22 anos de Leão ao peito?
Orgulho. Sei que foi um orgulho imenso e um sonho de menino tornado realidade.

E ao longo do tempo o que representou este espaço, o balneário, para si?
Este espaço, para mim, é o melhor de todos. É o espaço dos jogadores, das brincadeiras, onde estamos todos os dias. É o nosso espaço, o nosso quarto na nossa casa. É tudo. É aqui que nasce e acaba tudo.

2025/2026 acabou de forma histórica, com três títulos vencidos, entre eles um inédito Mundial de Clubes. Foi uma excelente época de despedida?
Sem dúvida. Foi a época em que ganhei mais títulos! E ganhei o título máximo, o Mundial de Clubes. Foi a melhor época [para acabar].

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Considera que a conquista do Mundial de Clubes foi o grande momento desta temporada?
Aquele pavilhão [Aldo Cantoni] cheio na final foi uma coisa que nunca tinha vivido. Tem capacidade para cerca de dez mil pessoas e nós estamos habituados a três mil, no máximo. Foi inédito.

Para lá do êxito alcançado, a nível pessoal, esta época sentiu um peso adicional por ser uma das vozes da experiência num plantel com várias caras novas?
Para mim, o início da época foi difícil, porque saíram colegas com quem estive muitos anos. Sou íntimo do Girão, por exemplo, abrimos juntos uma empresa, por isso foi difícil. Mas os miúdos que chegaram são espectaculares e com o passar do tempo saio daqui com mais amizades. Sempre me dei bem com todos.

“Aquele pavilhão [Aldo Cantoni] cheio na final foi uma coisa que nunca tinha vivido”

 

Junto a figuras como ‘Nolito’, Henrique Magalhães ou Alessandro Verona, que mensagem tentaram passar aos jogadores recém-chegados?
Tentámos passar-lhes aquilo que é o Sporting CP: um clube ganhador, onde se trabalha todos os dias para títulos. Esse é o objectivo do Clube. Se fizermos uma época sem ganhar somos apenas mais uns.

E acredita que conseguiram preservar o espírito de equipa que tem caracterizado o hóquei do Sporting CP ao longo dos anos?
Sim, sim, e a prova disso é que ganhámos três troféus. Foi o ano em que se reestruturou mais a equipa e também aquele em que se ganhou mais. 

“Se fizermos uma época sem ganhar somos apenas mais uns”

E, em particular, a baliza fica bem entregue a Xano Edo?
Está muito bem entregue por mais dez anos. É um miúdo espectacular, com uma qualidade incrível e que tem apenas 24 anos. Este foi o seu primeiro ano de Sporting CP e ganhou três títulos, acho que isso diz muito.

O Zé Diogo fez parte de vários plantéis diferentes. Se tivesse de fazer um ‘cinco ideal’ de colegas de equipa, quem escolheria?
Isso é difícil... Acho que na baliza punha o Girão, embora goste muito do Xano, mas ainda é um miúdo e chegou este ano. Depois, metia o Romero, o Matías Platero dos primeiros anos, o Ferran Font e o Danilo Rampulla, mas é sempre injusto, ficam muitos de fora. 

Na segunda parte da entrevista, disponível aqui, o experiente guardião revisita os seus primeiros passos de Leão ao peito e a vida de ‘casa às costas’ do hóquei verde e branco até à criação do Pavilhão João Rocha, bem como os títulos mais marcantes e explica a forma como entendeu o seu papel enquanto segunda opção na baliza. Zé Diogo deixa, ainda, a mensagem final de despedida aos Sportinguistas.