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Hóquei em Patins

Foto Isabel Silva

Zé Diogo: "Acho que deixo uma marca"

Por Sporting CP
30 Jun, 2026

Dos primeiros passos aos títulos mais especiais e o seu particular papel na equipa

Em 14 épocas ao mais alto nível, Zé Diogo viveu por dentro todas as transformações do hóquei verde e branco até ao seu regresso em pleno e culminou essa caminhada com 13 troféus de primeira linha.

Depois de na primeira parte da entrevista ter falado sobre a sua derradeira temporada de Leão ao peito, na segunda o guarda-redes de 32 anos faz o balanço final do seu trajecto no Clube: da chegada ao Sporting CP seguida dos passos ascendentes na formação, passando pelas conquistas que não vai esquecer - com a Taça CERS e a primeira Liga dos Campeões à cabeça – até à forma como entendeu a sua função até ao último dia como guarda-redes suplente, ora de Ângelo Girão, ora de Xano Edo.

Zé Diogo foi verde e branco do início ao fim, e vai mais além. “Agora, vou ser um desses adeptos, podem contar com isso. Venho aos jogos todos”, prometeu, piscando o olho ao futuro que se abre à sua frente.

Vamos, então, ao princípio de tudo, em 2004, quando era tudo muito diferente da actualidade. Como recorda a sua chegada ao Sporting CP?
Era um miúdo, convidaram-me e eu disse logo "quero". Tinha de vir para Lisboa [desde Alenquer], fazer essas viagens e, por isso, agradeço muito aos meus pais, que me fizeram a vontade.

Quando acreditou que efectivamente poderia ser aposta do Clube e tornar-se profissional de hóquei?
Ano após ano, começou a ficar mais sério, em sub-20 fui à selecção nacional e fomos Campeões da Europa [2012]. Acho que esse foi 'o' momento. Pouco depois, a modalidade tornou-se oficial [no Clube], fiz parte da equipa e aí começou tudo. Foi quando percebi que as coisas me podiam correr bem daí para a frente.

Sobe em definitivo à equipa principal em 2012/2013 e, por isso, fez parte de todas as conquistas. Já consegue ter uma noção clara do lugar que tem na História do Clube na modalidade ou é algo que se ganha com a distância dos anos?
Acho que não tenho. Vai-se percebendo com o tempo. Eu sou alguém muito tranquilo, não penso muito nisso.

A verdade é que venceu um pouco de tudo, mas suponho que poucas sensações se equiparam às do primeiro troféu. Falamos, neste caso, daquela Taça CERS em Igualada.
Lembro-me de tudo! Foi um feito histórico. Depois, a chegada ao aeroporto foi uma coisa incrível, parecia que éramos jogadores de futebol! Não tenho palavras.

Logo a abrir a época seguinte, vencem a Supertaça ao SL Benfica. Esses títulos foram passos decisivos para acreditar – para dentro e para fora – que o hóquei do Sporting CP estava realmente pronto para voltar em grande?
Acho que foram os troféus que relançaram mesmo o hóquei. Foi o momento em que começaram a acreditar em nós.

“[Taça CERS e Supertaça] Foram os troféus que relançaram mesmo o hóquei”

E como recorda esses anos sempre de ‘casa às costas’, antes de haver Pavilhão João Rocha?
Era muito difícil... Foi no Livramento, noutros jogos íamos para Alverca, ainda chegamos a ir ao [pavilhão] do SC Torres. Para a malta que chegou agora isto é um 'mar de rosas', mas passámos por muito. Por tudo isso, valorizo muito o Pavilhão João Rocha. Ver o pavilhão a crescer foi espectacular.

Foi uma boa casa durante quase uma década?
É uma casa espectacular, o melhor pavilhão que existe em Portugal, e um dos melhores do mundo.

“Ver o pavilhão a crescer foi espectacular”

E não é uma coincidência que com o Pavilhão João Rocha tenham chegado os títulos de forma mais consistente, e os primeiros foram conquistados e festejados aqui, casos do Campeonato Nacional 2017/2018 e da Liga dos Campeões 2018/2019 - e muitos outros se seguiram. Quais foram, para si, as conquistas mais memoráveis das 14 que celebrou?
A mais marcante de todas é a primeira Liga dos Campeões. Foi aqui, com pavilhão cheio, não cabia nem uma formiga. Ganhar perante os nossos adeptos foi espectacular. Não há palavras para o descrever. Acho que foi o título que eu vivi mais.

Já sobre o seu papel como guarda-redes, mas sobretudo como colega de equipa, sempre foi reconhecido como um exemplo de compromisso. Teve de partilhar a baliza com Girão por uma década e, mais recentemente com Xano Edo e mesmo não sendo o titular habitual manteve-se como um pilar da equipa. Como entendeu o seu papel ao longo dos anos?
É fácil. Olho para o lado e tenho o Ângelo Girão ou o Xano, que são guarda-redes dos melhores do mundo, por isso, tens de assumir que és o segundo guarda-redes e criar uma boa relação com eles. Trabalho igualmente nos treinos para obrigá-los, também, a trabalhar. É pelo bem da equipa, acima de tudo, e eu assumi sempre isso. Assim, é tudo muito mais fácil. Se formos uma família, vamos ter os resultados.

“Ganhar [a Liga dos Campeões] perante os nossos adeptos foi espectacular”

Além disso, soube ser importante sempre que foi chamado à acção. Também se sentiu sempre útil e um elemento em que todos confiavam quando tinha de assumir a baliza?
Sempre me considerei útil, se não o fosse não aceitava renovar tantas vezes. Sempre senti que as pessoas acreditavam em mim. Treinava todos os dias para esses momentos em que tinha de entrar e acho que me foi correndo bem. Quando entras vais focado para fazer o teu trabalho. Não pensas se estás nervoso, se estás frio... Entras com o objectivo de defender.

“Sempre senti que as pessoas acreditavam em mim”

Agora, está prestes a sair do Sporting CP como o hoquista com mais jogos pelo Clube (424). O que diria que leva e, por outro lado, o que acha que deixa aqui?
Não sei, acho que deixo uma marca. Os outros, talvez, podem ver em mim um exemplo, pela pessoa que fui, sem arranjar problemas. Eu levo muitas amizades, sobretudo, de jogadores, adeptos, directores, staff... É o mais importante.

Como gostaria de ser recordado pelos Sportinguistas?
Como o Zé Diogo que sempre deu tudo para defender o Clube.

“Acho que deixo uma marca”

E a eles, aos adeptos, que última mensagem gostaria de deixar nesta sua despedida?
Quero agradecer a todos, muitos estiveram cá em todos os jogos, sem falhar. E gostava, também, de pedir para que acompanhem mais o hóquei. Esta é uma equipa espectacular, tem dado títulos ao Sporting CP e merece ter os pavilhões cheios. Eu vou-me embora, mas peço aos adeptos que o façam. Eu, agora, vou ser um desses adeptos, podem contar com isso. Venho aos jogos todos.

OS NÚMEROS DE ZÉ DIOGO NO SPORTING CP:

22 anos no Clube
14 temporadas na equipa principal (2012/2013-2025/2026)
424 jogos
1 Mundial de Clubes (2025/2026)
3 WSE Champions League (2018/2019, 2020/2021 e 2023/2024)
1 Taça CERS (2014/2015)
2 Taças Continentais (2019/2020 e 2021/2022)
2 Campeonatos Nacionais (2017/2018 e 2020/2021)
2 Taças de Portugal (2024/2025 e 2025/2026)
2 Supertaças (2015 e 2025)
1 Campeonato da III Divisão (2010/2011)

Foto Isabel Silva, João Pedro Morais

"Foi um orgulho imenso e um sonho de menino tornado realidade"

Por Sporting CP
30 Jun, 2026

Zé Diogo disse adeus a uma casa que foi sua por mais de duas décadas

Entrou com dez anos e um sonho, sai aos 32 com uma história singular feita em 424 jogos, número que mais ninguém atingiu. Neste século, o trajecto e o palmarés de Zé Diogo confundem-se com os do próprio hóquei em patins do Sporting CP: ao longo de 22 anos, juntos foram crescendo de ‘casa às costas’ e de patamar em patamar – desde a III Divisão - até (re)lançar a equipa para os grandes feitos nos palcos nacionais, europeus e mundiais.

Na primeira parte (de duas) da sua entrevista de despedida, feita no balneário do Pavilhão João Rocha, o guarda-redes falou sobre a chegada ao fim desta história conjunta, o sucesso alcançado nesta sua última época e as bases lançadas para o futuro. “É difícil, fui acarinhado aqui durante muitos anos”, disse no momento da despedida. É o adeus de um filho da casa, após toda uma vida de Leão ao peito.

Diz adeus a muito mais do que uma carreira de verde e branco, foi uma vida aqui passada. 22 anos em que acompanhou e viveu como ninguém o ressurgimento do hóquei do Sporting CP e fez parte de todas as conquistas conseguidas até aos dias de hoje. Como é que se diz adeus à sua casa?
Não é fácil. Cheguei aqui como um menino, com dez anos, quando comecei pela Casa do Gaiato, quando a modalidade ainda nem era oficial [no Sporting CP]. As condições eram poucas, sonhava um dia jogar nos seniores, mas naquela altura só queria brincar. Depois, quando se começou a montar uma estrutura grande aqui, consegui ganhar os meus títulos.

Qual foi o momento em que realmente sentiu que estava a fazer algumas coisas aqui pela última vez?
Caiu-me a 'ficha' quando começaram os play-offs. Sabia que a qualquer momento podia estar a fazer o meu último treino ou o meu último jogo. Estava mais sensível, nessa altura. Quando perdemos o segundo jogo [da final] aqui, em casa, pensei: vou aproveitar esta semana de treinos. Podia ser a última e a verdade é que me lembro perfeitamente de todo o treino que fizemos antes do jogo. Acabou por ser a despedida para mim. É difícil, fui acarinhado aqui durante muitos anos. Foi meia vida.

“Sabia que a qualquer momento podia estar a fazer o meu último treino ou o meu último jogo”

 

E já sabe do que vai sentir mais falta daqui para a frente?
Do balneário, as amizades, estas condições, tudo. Os bons momentos, claro, as vitórias e os títulos. Vou sentir falta, mas já mudei o 'chip'. Agora vou voltar à minha terra, um aninho, para a despedida. Vou desfrutar um bocadinho, na II Divisão.

Sabe-se que nunca há histórias perfeitas, mas agora que fecha o seu ciclo aqui são muitas as razões para sorrir e recordar que leva consigo?
Sim, sem dúvida. Os maus momentos passam rápido, três dias depois eu esqueço-os. Os bons momentos é que ficam registados na História.

Mudava alguma coisa nesta sua longa história no Clube ou sai plenamente satisfeito com o que fez aqui?
Há sempre coisas que poderíamos mudar, mas nada é perfeito. Acho que não mudava nada, ainda assim. Comecei na III Divisão, treinei no Livramento e agora acabei com estas condições. A cada ano tudo foi melhorando, por isso não mudava nada.

“Os bons momentos é que ficam registados na História”

 

Numa palavra, como descreveria estes 22 anos de Leão ao peito?
Orgulho. Sei que foi um orgulho imenso e um sonho de menino tornado realidade.

E ao longo do tempo o que representou este espaço, o balneário, para si?
Este espaço, para mim, é o melhor de todos. É o espaço dos jogadores, das brincadeiras, onde estamos todos os dias. É o nosso espaço, o nosso quarto na nossa casa. É tudo. É aqui que nasce e acaba tudo.

2025/2026 acabou de forma histórica, com três títulos vencidos, entre eles um inédito Mundial de Clubes. Foi uma excelente época de despedida?
Sem dúvida. Foi a época em que ganhei mais títulos! E ganhei o título máximo, o Mundial de Clubes. Foi a melhor época [para acabar].

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Considera que a conquista do Mundial de Clubes foi o grande momento desta temporada?
Aquele pavilhão [Aldo Cantoni] cheio na final foi uma coisa que nunca tinha vivido. Tem capacidade para cerca de dez mil pessoas e nós estamos habituados a três mil, no máximo. Foi inédito.

Para lá do êxito alcançado, a nível pessoal, esta época sentiu um peso adicional por ser uma das vozes da experiência num plantel com várias caras novas?
Para mim, o início da época foi difícil, porque saíram colegas com quem estive muitos anos. Sou íntimo do Girão, por exemplo, abrimos juntos uma empresa, por isso foi difícil. Mas os miúdos que chegaram são espectaculares e com o passar do tempo saio daqui com mais amizades. Sempre me dei bem com todos.

“Aquele pavilhão [Aldo Cantoni] cheio na final foi uma coisa que nunca tinha vivido”

 

Junto a figuras como ‘Nolito’, Henrique Magalhães ou Alessandro Verona, que mensagem tentaram passar aos jogadores recém-chegados?
Tentámos passar-lhes aquilo que é o Sporting CP: um clube ganhador, onde se trabalha todos os dias para títulos. Esse é o objectivo do Clube. Se fizermos uma época sem ganhar somos apenas mais uns.

E acredita que conseguiram preservar o espírito de equipa que tem caracterizado o hóquei do Sporting CP ao longo dos anos?
Sim, sim, e a prova disso é que ganhámos três troféus. Foi o ano em que se reestruturou mais a equipa e também aquele em que se ganhou mais. 

“Se fizermos uma época sem ganhar somos apenas mais uns”

E, em particular, a baliza fica bem entregue a Xano Edo?
Está muito bem entregue por mais dez anos. É um miúdo espectacular, com uma qualidade incrível e que tem apenas 24 anos. Este foi o seu primeiro ano de Sporting CP e ganhou três títulos, acho que isso diz muito.

O Zé Diogo fez parte de vários plantéis diferentes. Se tivesse de fazer um ‘cinco ideal’ de colegas de equipa, quem escolheria?
Isso é difícil... Acho que na baliza punha o Girão, embora goste muito do Xano, mas ainda é um miúdo e chegou este ano. Depois, metia o Romero, o Matías Platero dos primeiros anos, o Ferran Font e o Danilo Rampulla, mas é sempre injusto, ficam muitos de fora. 

Na segunda parte da entrevista, disponível aqui, o experiente guardião revisita os seus primeiros passos de Leão ao peito e a vida de ‘casa às costas’ do hóquei verde e branco até à criação do Pavilhão João Rocha, bem como os títulos mais marcantes e explica a forma como entendeu o seu papel enquanto segunda opção na baliza. Zé Diogo deixa, ainda, a mensagem final de despedida aos Sportinguistas.

Foto João Pedro Morais

Henrique Magalhães: "Foram os melhores anos da minha carreira"

Por Sporting CP
27 Jun, 2026

A retrospectiva final das sete temporadas de Leão ao peito do hoquista

Chegou ao Sporting CP em 2017 e, apesar do seu perfil discreto, tornou-se de imediato uma das peças do Leão que começou a devorar títulos para terminar longos ‘jejuns’, quer a nível nacional, quer europeu. Essa ambição chegara para ficar e Henrique Magalhães acabou por vencer um pouco de tudo com a listada verde e branca nos anos vindouros.

Depois do balanço feito à sua temporada de despedida na primeira parte da entrevista, na segunda o experiente hoquista revisita o seu trajecto e as conquistas mais marcantes, explica as ‘sementes’ do sucesso plantadas no balneário desde o início e ensaia o seu adeus final aos adeptos e ao Pavilhão João Rocha, entre reflexões sobre o tempo passado e (bem) vivido aqui. “É um clube muito grande, faz-nos sentir isso desde o início e fazer parte dessa História é um orgulho enorme”, frisou.

A do hóquei verde e branco, é uma história de sucesso que continua a dar frutos e até aqui não se entende sem a solidez e equilíbrio - golos e assistências também - oferecidos em pista por Henrique Magalhães, uma presença constante. Sai como o quinto hoquista com mais jogos (304) pelo Clube e afirma que gostaria de ser recordado, simplesmente, “como alguém que deu tudo pelo Sporting CP”.

Realçou o carácter que se conseguiu forjar no grupo da época transacta, apesar das mudanças e do arranque competitivo extraordinariamente exigente. Esse espírito de equipa pode dizer-se que tem sido algo transversal aos vários plantéis de que fez parte no Sporting CP, desde o início?
Acho que sim e nesse ponto gostava de realçar um atleta que fez muito a diferença no espírito que se incutiu no hóquei do Sporting CP, falo do Girão. Eu já tinha estado com ele na AD Valongo, sabia da sua personalidade forte, da mentalidade vencedora e da sua raça e quando cheguei ao Sporting CP ele mantinha-se da mesma maneira. Eu e ele somos muito diferentes, mas se houve algo que quisemos manter da geração anterior para esta, nova, foi precisamente isso: a mentalidade vencedora, acima de tudo, e criar um balneário muito bom. São coisas que nunca se podem perder. 

Agora, quando olha para trás tem a noção de que faz parte do grupo que finalmente voltou a mostrar que o Sporting CP tinha chegado outra vez para ficar na modalidade?
É isso. Acho que faço parte disso, somos parte da História do Sporting CP. Há muitos anos mesmo que o Clube não conseguia ter equipas de hóquei tão vencedoras.

“Mentalidade vencedora e um balneário muito bom (…) são coisas que nunca se podem perder”

 

E quão marcantes foram os títulos conseguidos na sua primeira passagem? O Campeonato na primeira época (2017/2018) e a Liga dos Campeões na seguinte (2018/2019), ambos largas décadas depois das anteriores conquistas.
Sim, além disso, são dois títulos ganhos em casa, ou seja, estás com os teus adeptos, os jogos acabam e a festa é incrível. O Clube tinha de ganhar e essa pressão só a sente quem está neste tipo de equipas. O libertar do “ganhámos” é uma sensação incrível, assim como as semanas seguintes em que parece que és o dono do mundo ou que estás nas nuvens. São dois títulos muito marcantes.

Depois, sai para a UD Oliveirense por duas temporadas e regressa em 2021. O que o fez voltar?
Quando saí foi por uma questão pessoal. Eu e a minha mulher tínhamos acabado de ser pais, a gravidez não foi muito boa e esses dois anos que estive cá foram o da gravidez e o primeiro ano de vida da Benedita, que nunca é fácil, não é? Passámos dois anos complicados, porque estávamos sem ajudas numa cidade diferente [em Lisboa], pais pela primeira vez... Foi uma mudança muito grande e, de facto, quando surge a oportunidade de voltar a casa acreditamos que, nessa fase, era importante. Não foi por uma questão profissional, porque tínhamos ganho títulos e sabia que estava num clube que ia lutar sempre e ganhar mais títulos, de certeza absoluta. Acho que naquela altura tinha mesmo de ser.

“Estou muito satisfeito por ter voltado [em 2021] (…) estes cinco anos são prova disso”

 

Então, quando saiu a porta ficou desde logo entreaberta para regressar?
Claro. Quando saí disse que um dia gostava muito de voltar, não sabia se ia ser possível, dependia de muitas coisas, mas sabia que queria. Quando surgiu a oportunidade, a Benedita tinha três anos e dissemos: vamos voltar. Mal surgiu a oportunidade, agarrei-a e estou muito satisfeito por ter voltado. Acho que estes cinco anos são prova disso.

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Agora, deixa o Sporting CP como o quinto hoquista com mais jogos disputados (304). Alguma vez imaginou que teria esta ligação tão duradoura?
Não sabia [que era o quinto com mais jogos]. É assim, eu imaginava, sempre acreditei que podia ficar aqui muitos anos, sobretudo depois de começar tão bem. Naqueles primeiros dois anos tinha a sensação de que estava no clube e com as pessoas que queria e, por isso, queria ficar muitos anos.
Depois, acabei por ter de sair, mas queria voltar e quando isso aconteceu o meu sentimento foi: quero ficar aqui até acabar a minha carreira. Não vai acontecer, porque vou continuar a jogar, mas sempre acreditei que podia ficar aqui muitos anos e, felizmente, consegui.

Quando volta, ajuda a conquistar de imediato a Taça Continental (2021), mas acredito que seja a WSE Champions League vencida mais tarde, em 2023/2024, que guarde de maneira mais especial. Para lá do troféu, faz uma exibição individual memorável na meia-final.
No ano anterior [2022/2023] não conseguimos ganhar qualquer título, embora o plantel fosse o mesmo. Por isso, no seguinte, tínhamos uma vontade enorme de ganhar, precisávamos de ganhar, estávamos sedentos. Ganhar a Champions na minha cidade natal, num sítio mítico [Pavilhão Rosa Mota]... A meia-final, claro, vai ficar guardada na minha memória pelos dois golos e pela exibição em si. Foi muito marcante. Nós já sentíamos que merecíamos ganhar. Tínhamos tido um ano de mudança, um novo treinador, o Alejandro [Domínguez], o processo era todo novo, nós gostávamos e fomos a duas finais, mas não ganhámos. Ganhar essa Champions fez voltar o “afinal, nós somos capazes”. Foi um título muito especial para mim.

“[Champions 2023/2024] Tínhamos uma vontade enorme de ganhar, precisávamos de ganhar, estávamos sedentos”

 

Os títulos têm o seu peso inevitável, mas há certamente outras coisas que ficam. Quais são os primeiros momentos de que primeiro se lembra neste momento de despedida?
São tantos! Acho que é o balneário, algo que sempre cultivámos muito. Mais do que companheiros de equipa, sempre criámos boas amizades. Os títulos são a cereja no topo do bolo, mas criar tantas ligações, tão boas e fortes... As brincadeiras de balneário, muitas delas que não se podem contar aqui, outras sim, mas dariam para escrever um livro (risos). Tudo isso são coisas que nunca vou esquecer na minha vida. Nem falo só de jogadores, mas também de staff. É um espírito que espero que não se perca, porque isso ajuda muito a ganhar títulos. Que todos se sintam parte integrante, que cada um possa ser quem é, são coisas muito importantes num grupo. Vou guardar essas memórias para sempre.

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O Pavilhão João Rocha foi, então, a melhor casa para ter durante todos estes anos? O Henrique até foi um dos privilegiados que pôde estreá-lo, em 2017.
No plantel tivemos jogadores que estiveram sempre com a 'casa às costas' para trás e para a frente, algo que eu não vivi, mas fui ouvindo. Depois, quando chegámos aqui... Para mim, este é o pavilhão mais bonito do país, o mais imponente, na minha opinião. Poder estar aqui, desfrutar disto todos os dias, às vezes parece algo normal, mas especialmente nesta fase de despedida é um privilégio enorme. Todo o carinho e o calor humano que sentimos nas conquistas e nos jogos também são coisas que ficam para sempre no nosso coração.

“Mais do que companheiros de equipa, sempre criámos boas amizades”

 

Viveu grandes ambientes aqui, acredito que tenha sido acarinhado várias vezes também nas imediações e não só, por isso que última mensagem gostaria de deixar aos adeptos que o acompanharam ao longo de todos estes anos?
A mensagem é de agradecimento. Estava a arrumar as minhas últimas coisas do balneário e encontrei um cartaz pequenino que me foi dado por umas miúdas que estão sempre na bancada central. Diz algo como "um beijinho da vossa melhor claque" e assinaram todas, além de ter fotografias minhas com os três títulos deste ano. Isto vai comigo para casa, pensei, e guardei logo no saco. São também essas coisas que te fazem sentir bem, que marcaste o coração das pessoas, por isso a minha mensagem é de agradecimento. Estiveram connosco, foram para todo o lado e a isso temos de dar muito valor. Muito obrigado por tudo, não só nos jogos mas no dia-a-dia e pelo reconhecimento que me deram. Não há palavras que o justifiquem.

Pelo tempo que aqui passou, o Henrique viveu o Clube por dentro como poucos na modalidade, por isso, o que acredita que o Sporting CP tem de especial ou de diferenciador?
Aquilo que eu sinto é que o Sporting CP abraça o jogador. Todos se sentem em casa e podem ser eles mesmos, seja com as pessoas do dia-a-dia ou os adeptos. Se calhar por isso é que os jogadores gostam de estar aqui. Acho que não há uma coisa em específico, é o ambiente que se cria aqui, no pavilhão. Não sei, é uma química e acho que é muito por aí.

O que acha que leva do Sporting CP e, por outro lado, o que deixa aqui?
[Pausa] Eu acho que deixo a minha personalidade, ou seja, tenho pessoas a dizerem-me que gostaram de estar comigo e da minha maneira de ser. Acho que sou respeitador, e gosto de entender o outro mesmo quando não concordo. Isso faz parte de estar num clube tão grande, porque quando o propósito é ganhar tens de saber que nem tudo vai de encontro a ti. Tens de saber ceder nalgumas coisas, também, porque o importante é o grupo e o Sporting CP ganharem. Acho que deixo essa mentalidade nas pessoas que trabalharam comigo.
O Sporting CP, em mim, deixa muitas memórias. Como disse, foram os melhores anos da minha carreira, muitos títulos e, mais do que isso, é o dia-a-dia e as ligações que fazemos. Também foi aqui o crescimento dos meus filhos, que gostaram muito de estar cá e agora vamos para uma etapa diferente. Fica tudo isso.

“O Sporting CP abraça o jogador”

 

Ao mesmo tempo, ficou algo por fazer?
É assim, acho que não, mas talvez a questão do Campeonato... É aquele amargo de boca que fica. Embora tenha ganho um, acho que podíamos ter ganho mais algum e não fomos capazes. É o que fica por fazer, mas foi tanta coisa bem feita que não podia ser tudo perfeito. Isso não existe. Estou muito contente pelo meu percurso aqui.

A sua filha, imagino, já tem umas noções mais claras sobre aquilo que o pai tem feito no hóquei, mas relativamente ao seu filho mais novo, quando ele quiser saber coisas sobre a sua carreira, como é que lhe vai falar deste capítulo no Sporting CP?
Vou-lhe contar muita coisa. Eu já lhe dei um stick para a mão e ele adora, parte a casa toda (risos). Quando ele crescer, vou-lhe dizer que o pai jogou aqui, foi muito feliz aqui, ganhou muita coisa e que foi aqui que ele teve os seus primeiros dois anos de vida.
Sem dúvida de que vou querer trazê-lo aqui ao Pavilhão João Rocha para ver jogos, eu virei de certeza absoluta e quero trazê-lo para que experiencie o espírito deste clube. Se puder, levá-lo também ao balneário, espero que ainda estejam aqui alguns jogadores de agora. Para que possa perceber aquilo que vivi aqui, e vou transmitir tudo isso ao Lourenço.

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Mesmo sendo alguém que não gosta de estar sob os holofotes, como gostaria de ser recordado pelos Sportinguistas?
Não sei, é uma pergunta difícil, mas sobretudo como alguém que deu tudo pelo Sporting CP. Alguém que sem ser muito vistoso queria chegar ao fim e ganhar.

Fechamos com outra frase sua, esta após a entrega ao Museu Sporting do Mundial de Clubes: "É nestes momentos que vemos, nós, jogadores, que somos pequeninos comparados com esta grande instituição (…) No fim, conseguir fazer parte deste grande Museu é uma honra enorme". Por tudo aquilo que ajudou a deixar no Museu, acredita que sai um pouco mais do que pequenino?
(Risos) Aqui, tenho a sensação de que consegui coisas muito importantes, mas se agora voltasse outra vez ao Museu, olhava e diria outra vez que são praticamente uma página, apenas. Mas só o facto de ter um cantinho dessa página no Sporting CP já é um orgulho enorme. É um clube muito grande, faz-nos sentir isso desde o início e fazer parte dessa História é um orgulho enorme. Continuo a dizer que somos uma parte pequenina, mas estou muito orgulhoso dela.

OS NÚMEROS DE HENRIQUE MAGALHÃES NO SPORTING CP:
7
temporadas
304 jogos
76 golos
1 Mundial de Clubes (2025/2026)
2 WSE Champions League (2018/2019 e 2023/2024)
1 Taça Continental (2021)
1 Campeonato Nacional (2017/2018)
2 Taças de Portugal (2024/2025 e 2025/2026)
1 Supertaça (2025)

Foto João Pedro Morais, Isabel Silva

"Não iria sair satisfeito sem ganhar alguma coisa e ganhar três títulos é incrível"

Por Sporting CP
27 Jun, 2026

Henrique Magalhães despede-se do Sporting CP pela ‘porta grande’ e de palmarés recheado

Chega ao fim a história de Henrique Magalhães no hóquei em patins do Sporting CP, escrita em dois actos (2017/2018-2018/2019 e 2021/2022-2025/2026) e com um desenlace histórico. O defesa/médio de 34 anos chegou aos Leões para devolver a modalidade à ribalta e aos títulos de outrora, cumpriu a missão e, quase uma década depois, despede-se com mais três (Mundial de Clubes, Supertaça e Taça de Portugal), todos vencidos na sua derradeira temporada de verde e branco.

Nesta primeira parte (de duas) da entrevista concedida aos meios de comunicação do Clube, Henrique Magalhães aborda como viveu tudo em 2025/20206 com o adeus à porta: desde tocar o céu na Argentina até à inevitável mágoa pelo Campeonato Nacional que voltou a escapar, sem esquecer também o seu papel como voz de comando de um balneário renovado. “Os jogadores novos terem podido demonstrar que eram grandes jogadores de uma maneira natural para mim é sair pela 'porta grande', também”, acrescentou.

E o camisola 88, que se descreve, sobretudo, como “um jogador de equipa”, fala como joga: ponderado, lúcido e uma certa dose de altruísmo. É também assim que se despede em plena pista do Pavilhão João Rocha, racional acima de tudo, mas sem esconder as emoções pelo que viveu aqui. “Os melhores anos da minha carreira, sem dúvida”, garantiu.

Começamos com uma frase sua: “Aqui estão os melhores anos da minha carreira”. Disse isto na sua última renovação, ainda antes de 2025/2026 ter sequer começado. Agora, com mais três títulos conquistados, leva essa convicção mais reforçada na despedida?
Não podia deixar de ser. Já era e agora, depois deste ano com três títulos incríveis, obviamente é um sentimento que sai mais reforçado ainda. Disse isso por causa dos títulos, mas também pelo dia-a-dia, aquilo que o Clube me proporcionou, a quantidade de pessoas que conheci aqui e por tudo o que desfrutei. Tudo isso faz com que sejam os melhores anos da minha carreira, sem dúvida.

“Todos estes anos que vivi aqui foram muito bons”

 

Já se despediu uma vez do Sporting CP, em 2019, depois de duas épocas de sucesso. Agora foram mais cinco. É mais difícil dizer adeus desta vez?
É sempre difícil. Por exemplo, vou partilhar aqui um momento: no início do último jogo, na Luz, custou-me muito. Muito mesmo. Entrei e estava emocionado. Depois, começou o jogo e, obviamente, tudo se desvanece. No final - e partilhei isto com todo o balneário - o meu sentimento era de alegria, porque o dever foi cumprido e sentia uma alegria enorme por ter feito parte da História do hóquei do Sporting CP e por ter partilhado tantos anos bons. Levei tudo para a parte mais positiva do que negativa. No início do jogo senti mais negativamente que podia ser o último jogo, mas quando acaba a minha reacção é exactamente oposta. Realmente, todos estes anos que vivi aqui foram muito bons. Guardo isso, mais do que o facto de me despedir, porque era uma inevitabilidade.

Preparou-se muito para o momento da despedida ou acaba por lidar com isso de maneira natural?
Eu sabia que isto, mais tarde ou mais cedo, iria acontecer, mas sempre reagi de forma natural. Sou um bocado assim: é o que é e as coisas são como são. Há que aceitar e, acima de tudo, dar o nosso melhor em cada momento. Não tive nenhuma preparação especial para isso, fui vivendo as coisas e pronto, umas vezes mais emocionado, outras menos. Foi tudo muito natural.

“Irei sentir alguma melancolia de não poder usufruir desse dia-a-dia, mas prefiro ficar com o facto de ter vivido tudo isso. Estive e isso já é mais do que suficiente para mim”

 

Já realçou o valor que dá ao dia-a-dia. É, se calhar, disso que vai sentir mais falta?
É, acho que sim. Eu não sou de Lisboa, sou do Porto e fiquei encantado com Lisboa. Gosto... Aliás, gostei muito de viver aqui e é uma cidade que levo no coração, juntando a isso o facto de ter gostado tanto de estar neste clube, tendo conseguido viver aquilo que as pessoas sentem por ele e que me incutiram. Com o tempo irei sentir alguma melancolia de não poder usufruir desse dia-a-dia, mas, mais uma vez, prefiro ficar com o facto de ter vivido tudo isso. Estive e isso já é mais do que suficiente para mim.

Cumpriu, no total, sete épocas e conquistou oito títulos. Embora com um perfil sempre mais discreto, foi um dos rostos constantes nas equipas de hóquei do Sporting CP. Globalmente, como diria que sai desta sua bem-sucedida história a verde e branco?
Foram muitos anos. Acho que sou um dos jogadores que fez parte da História recente do Sporting CP, passei por vários plantéis e acho que nenhum companheiro de equipa vai dizer mal de mim. Isso, para mim, é mais do que suficiente, porque tentei ser sempre o melhor colega possível. Sou um jogador de equipa e sempre fiz tudo para que ganhássemos, fui sempre assim. Sei que não sou o jogador mais vistoso do mundo, posso passar despercebido, mas acho que quem está dentro do plantel não sente isso. Acho que marquei no coração as pessoas com quem passei muitos momentos.

“Sou um jogador de equipa e sempre fiz tudo para que ganhássemos”

 

No cinema acredita-se que, normalmente, a sequela nunca é tão boa como o primeiro filme. No seu caso, a primeira passagem no Clube foi mais rápida e muito marcante, mas pode-se dizer que a segunda também não lhe ficou nada atrás?
Quando vim pela primeira vez, do HC Liceo, tinha 25 anos e, agora, saio com 34, ou seja, com uma maturidade diferente. São momentos da vida completamente diferentes. Embora tenha estado apenas dois anos na minha primeira passagem, foram super intensos, porque no fundo foi a primeira vez, a nível sénior, que cheguei a um clube em que éramos obrigados a ganhar títulos, embora até tenha sido campeão na AD Valongo. Isso, em termos mentais, para quem chega é algo muito intenso e conseguir ganhar um Campeonato e uma Liga dos Campeões foi incrível. No fundo, foi aquela sensação de "somos realmente bons".
Depois, para a segunda passagem, já venho com uma maneira de estar diferente e já não sou um dos 'caçulas' da equipa. São momentos diferentes, mas muito prazerosos.

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Vamos, então, começar por debruçar-nos sobre esta sua época de despedida. Com um grupo novo em boa parte venceram três títulos numa só temporada, algo que não acontecia desde 1976/1977 e que no hóquei português actual é muito difícil. Acredita que sai pela ‘porta grande’?
Acho que iria sair sempre pela 'porta grande', independentemente dos títulos, mas claro que os troféus reforçam isso. Não iria sair satisfeito sem ganhar alguma coisa e ganhar três é incrível. Embora soubéssemos no início do ano que era possível, a verdade é que a equipa tinha cinco jogadores novos. Um novo ciclo, digamos assim. E quando algo novo começa, embora a qualidade estivesse cá, nunca sabes como é que as coisas vão acontecer. Por isso, acho que fez parte do meu papel e do 'Nolo' integrar, o mais rápido e da melhor maneira possível, os novos elementos. Os títulos são aquilo que fica para as pessoas e para mim também, claro, mas volto a dizer que o dia-a-dia é a coisa a que dei mais valor. O facto de os jogadores novos terem podido demonstrar que eram grandes jogadores de uma maneira natural para mim é sair pela 'porta grande', também.

“Se houvesse algo a apontar, era exactamente não ter ganho tantos Campeonatos como desejava”

 

Pessoalmente, pela proximidade do fim, sente que esta em particular foi uma época para saborear, isto é, tentou desfrutar um pouco mais de cada momento?
Todas as épocas têm a sua marca e, nesta, a única diferença foi saber que seria a minha última. Quando sabes isso, queiras ou não, no teu íntimo queres desfrutar ao máximo, mas sinto que não mudei nada em relação à pessoa que sou. Foi algo mais interior: ok, vou aproveitar tudo o que puder, porque vai ser a minha última época aqui. Era o melhor que podia fazer.

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E, depois de terem regressado à disputa da final, fica alguma mágoa por não ter conseguido voltar a sagrar-se Campeão?
Sim, acho que sim. É daquelas coisas, nem tudo é perfeito. Ganhei um aqui no Sporting CP, acho que foi o que menos [vezes] consegui ganhar e isso deixa uma marca, pessoalmente. Mas, mais uma vez, prefiro olhar para tudo o resto, porque não há coisas perfeitas. Se houvesse algo a apontar, era exactamente não ter ganho tantos Campeonatos como desejava.

“[Mundial de Clubes] Foi especial, também, por ser o primeiro deste plantel. Fez-nos acreditar mais e deu-nos confiança”

 

Mas conquistas, sejam nacionais ou internacionais, nunca faltaram no seu percurso no Sporting CP, aliás só viveu uma temporada ‘em branco’ (2022/2023). Aos três vencidos esta época, juntam-se em anos anteriores - desta segunda passagem no Clube - uma Taça Continental, uma WSE Champions League (a sua segunda) e a primeira Taça de Portugal. De todos estes troféus, qual considera o mais especial?
É difícil, bastante difícil... Mas diria o Mundial de Clubes, pelo troféu que é, por ser na Argentina e foi especial, também, por ser o primeiro deste plantel. Fez-nos acreditar mais e deu-nos confiança. Tendo de escolher um, diria o Mundial de Clubes. Também pelo percurso, porque perdemos com o FC Barcelona na fase de grupos [1-3], tivemos uma meia-final muito difícil com o OC Barcelos [3-1], em que até acho que foi superior a nós, mas conseguimos ganhar. O importante é ter a mentalidade vencedora e acho que nesse jogo tivemo-la.
Já na final, o ganhar ao FC Barcelona [3-2 a.p.] - e aí acho que fomos superiores - foi um sentimento de “estamos aqui para ganhar”. E essa confiança levou a que conseguíssemos vencer os outros títulos.

Considera que esses troféus conseguidos nesta época servem de aval para o rumo que o projecto actual do hóquei do Clube está a trilhar?
Este foi um ano de mudança. Além disso, a profissionalização do hóquei do Sporting CP foi muito grande. Houve coisas muito boas que se trouxeram e que nos ajudaram muito a ganhar estes títulos. Para mim, acima de tudo, manter esta 'chama' e espírito de equipa que o hóquei sempre teve, aliando o profissionalismo crescente no Clube, vão fazer com que o Sporting CP continue a ganhar. Não tenho a mínima dúvida. 

Na segunda parte da entrevista, disponível aqui, Henrique Magalhães faz uma retrospectiva mais ampla de tudo o que viveu, aprendeu, ganhou e, agora, leva consigo após sete temporadas com o Pavilhão João Rocha como sua casa. Dos primeiros momentos e títulos de Leão ao peito até ao adeus final ao Clube e aos seus adeptos.

Foto Isabel Silva

Edo Bosch: "Muito orgulhoso dos meus jogadores"

Por Sporting CP
20 Jun, 2026

Análise do treinador do Sporting CP ao dérbi de hóquei em patins

Após o jogo, o treinador da equipa de hóquei em patins do Sporting CP, Edo Bosch, fez a análise ao dérbi em conferência de imprensa. 

Análise ao jogo

“Parabéns ao SL Benfica, fez grande ano e foi justo vencedor do Campeonato. Sobre o jogo, a nossa primeira parte dos três jogos foi a melhor parte que fizemos em toda a eliminatória. Faltou-nos eficácia, não só no quatro contra três. Pedi aos jogadores um sistema diferente, tanto defensivo como ofensivo para um jogo com dois dias de preparação, ou um, porque um dia foi para recuperar. Estou muito orgulhoso dos meus jogadores, pois cumpriram o plano na perfeição e isso viu-se na primeira parte em que fomos superiores ao SL Benfica. Contam as [bolas] que entraram e entraram dois golos. Recompusemo-nos ao intervalo, entrámos bem na segunda parte. O último minuto da 1.ª parte foi decisivo, o SL Benfica teve aí superioridade. O jogo decide-se em pormenores. O SL Benfica aproveitou esse minuto, não é fácil chegar ao balneário ao intervalo depois da primeira parte que fizemos a perder por 2-0. Na 2.ª parte tínhamos claro o que tínhamos de fazer, onde tínhamos de arriscar, sabendo que um golo podia alterar tudo. O 3-0 ‘tocou-nos’. Peço desculpa aos meus jogadores pela minha expulsão, achei demasiado dar o terceiro azul, em jogo que não era para isso e perdi aí o foco um bocado. Estava tão orgulhoso, apesar de estarmos a perder por 3-0, que achava e acreditava que ainda podíamos dar a volta. Não aconteceu, dou os parabéns ao SL Benfica, ganhou, foi uma equipa muito regular. Não podemos esquecer que esta equipa do Sporting CP em seis títulos disputou cinco finais, ganhou três, uma equipa que mexeu em quatro jogadores no mês de Agosto. Quando fui contratado disseram que era uma equipa para começar a criar e em três anos estar no top. A verdade é que no primeiro ano esta equipa já ganhou três títulos, portanto estou realmente muito orgulhoso desta equipa e saio hoje triste, mas amanhã quando passar, vou relevar toda a época, porque foi realmente uma grande época”.

O que se pode esperar da nova época?

"Também fazemos essa pergunta, ficámos surpreendidos logo no primeiro mês com o que eram capazes de dar estes jogadores e por isso todo o Sporting CP, todo o staff, todos os jogadores acreditamos em muita coisa mais. Hoje estamos um pouco tristes, um bocado decepcionados. O projecto era em largo período, mas num curto [espaço de tempo] já demonstrámos que podemos chegar muito longe e para o ano sonhar com o top. Seremos um Sporting CP para tentar estar em todas as finais e conquistar as máximas possíveis”.

Foto Isabel Silva

Um minuto foi fatal para os Leões

Por Sporting CP
20 Jun, 2026

Sporting CP perde frente ao SL Benfica por 3-1 no Pavilhão da Luz

A equipa de hóquei em patins do Sporting Clube de Portugal perdeu este sábado frente ao SL Benfica por 3-1 no jogo três da final do Campeonato Nacional, resultado que dita o segundo lugar da formação Leonina na prova.

Um minuto fatal – o último da primeira parte – em que o Sporting CP sofreu dois golos, um deles em inferioridade numérica, acabou por ser decisivo para o desfecho final, num jogo em que o Sporting CP tentou de tudo, fez dezenas de remates à baliza, mas encontrou no guarda-redes do SL Benfica, Conti Acevedo, uma muralha que se revelou quase intransponível.    

O Sporting CP começou rematador, com uma tentativa de longe de Gonzalo Romero e pouco depois, num remate de Alessandro Verona para defesa de Conti Acevedo. 

Com 19’03, Xano Edo fez uma excelente defesa perante João Rodrigues.

Com 17’30 para jogar, Danilo Rampulla conseguiu isolar-se depois de passe de Gonzalo Romero, com a finalização do hoquista Leonino a ser defendida por Conti Acevedo, na melhor oportunidade de golo até então no jogo.

Com 13’56 para o intervalo, num contra-ataque com bom aproveitamento dos três corredores, Diogo Barata rematou com perigo, mas ao lado da baliza do SL Benfica.  

O Sporting CP era a equipa mais perigosa e depois de muito bom contra-ataque de envolvimento colectivo, Facundo Navarro ficou bem perto de colocar o Sporting CP em vantagem no marcador, mas a finalização não correspondeu ao brilho da jogada.

Com 4’’43 para o intervalo, o SL Benfica criou bastante perigo, numa tentativa de Bargalló para boa defesa de Xano Edo. Na outra baliza, uma grade defesa de Conti Acevedo evitou um remate para golo de Danilo Rampulla e no lance a seguir, Diogo Barata viu cartão azul, por lance em que foi assinalada falta sobre Viti.

A jogar com menos um durante dois minutos, foi ainda o Sporting CP a criar três excelentes ocasiões de golo, por Henrique Magalhães, Gonzalo Romero e Facundo Navarro, isolados, perante Conti Acevedo.

Quase a seguir e ainda dentro do cinco contra quatro, João Rodrigues rematou colocado na zona central e inaugurou o marcador para a equipa do SL Benfica, com 42 segundos para o intervalo.

E com dois segundos e meio para o final dos primeiros 25 minutos (ou seja, 40 segundos depois), num remate descaído para a direita do ataque do SL Benfica, Viti aumentou a vantagem da equipa encarnada para 2-0, resultado que se registava ao intervalo, muito injusto para o bom desempenho Leonino. 

 No segundo tempo, o Sporting CP cedo criou perigo, num muito bom remate de Gonzalo Romero para não menos boa defesa de Conti Acevedo, que mantinha fechada a baliza da formação da Luz, com Facundo Navarro a ver também o argentino do SL Benfica a evitar-lhe um remate para golo.

Com 19’31 para jogar, novo cartão azul par um jogador do Sporting CP [Henrique Magalhães] e livre directo para o SL Benfica. Xano Edo defendeu o primeiro remate do avançado do SL Benfica, mas não o conseguiu na recarga do mesmo jogador e o SL Benfica aumentou para 3-0.

A vantagem dos donos da casa foi sendo gerida pelo SL Benfica, com as várias tentativas Leoninas a serem paradas por Conti Acevedo, que evitou por várias vezes golos à formação Leonina orientada por Edo Bosch.

Com 16’19 para o final, Edo Bosch, treinador do Sporting CP, viu cartão vermelho e foi expulso, além de Diogo Barata ter visto cartão azul, com o Sporting CP a ter novamente de jogar em inferioridade numérica durante dois minutos.

De regresso à igualdade numérica em número de hoquistas em campo, o Sporting CP voltou a criar grande perigo, mas Conti continuou a fechar todos os caminhos da baliza às tentativas de Facundo Navarro e de Danilo Rampulla, algumas delas depois de se conseguirem isolar.

Foi devido a uma exibição bastante inspirada de Conti Acevedo que o Sporting CP não estava a conseguir marcar, o que há muito justificava face ao caudal de jogo.

Com nove minutos para o final do jogo, o SL Benfica ficou dois minutos com menos um jogador, devido a cartão azul e Viti.

O Sporting CP carregou, não marcou com mais um jogador, mas reduziu para 3-1 com menos de cinco minutos para o final, num livre directo superiormente executado por Gonzalo Romero, após falta sobre Danilo Rampulla.

A formação Leonina continuou à procura da reacção em forma de golos, mas Conti Acevedo também continuava a defender quase tudo, enquanto o SL Benfica jogava em contra-ataque e na expectativa de alguma perda de bola Leonina em ataque organizado.

Os últimos minutos de jogo não foram de feição para o Sporting CP e o jogo terminou com o desaire da equipa Leonina por 3-1 no Pavilhão da Luz.

Sporting CP: Xano Edo [GR], Rafael Bessa, Diogo Barata, Danilo Rampulla, Alessandro Verona, Facundo Navarro, Facundo Bridge, Henrique Magalhães, Gonzalo Romero [C], José Diogo Macedo [GR]

Foto José Lorvão

Diogo Barata: "Vamos acreditar até ao fim"

Por Sporting CP
19 Jun, 2026

Deslocação dos Leões do hóquei em patins ao recinto do SL Benfica

A equipa de hóquei em patins do Sporting Clube de Portugal visita, às 15h00 deste sábado, o SL Benfica para o terceiro jogo da final dos play-offs do Campeonato Nacional.

Com dois desaires nos dois dérbis inaugurais da derradeira ronda, os Leões precisam de vencer para continuar na luta pelo título e Diogo Barata fez a antevisão.

"Não estamos na situação que queríamos e somos responsáveis por isso, mas também somos responsáveis por sair da mesma. Enquanto for possível, vamos acreditar até ao fim. Vamos para o jogo para ganhar e para não acabar já a eliminatória", começou por dizer aos meios de comunicação Leoninos.

Para o atleta, "o SL Benfica foi superior nestes dois jogos", sendo, por isso, necessário "dar um passo em frente a nível defensivo, não permitindo tantas ocasiões": "Apesar de termos o melhor guarda-redes do Campeonato Nacional, temos de o ajudar mais. Já estamos a analisar e a focar em alguns pontos positivos com atitude e esforço para darmos a volta".

Por fim, Diogo Barata realçou a importância do apoio Sportinguista: "Queremos trazer o factor de jogar em casa novamente para o Pavilhão João Rocha, sendo que os adeptos também nos vão ajudar na Luz. Enquanto for possível, vamos acreditar".

Foto Isabel Silva

Informações para os adeptos que se vão deslocar ao Pavilhão da Luz

Por Sporting CP
19 Jun, 2026

Concentração no Alto dos Moinhos às 13h45 e abertura de portas às 14h00

O Sporting Clube de Portugal informa os Sócios com bilhete para o jogo de hóquei em patins frente ao SL Benfica – o terceiro da final do Campeonato Nacional –, marcado para este sábado, às 15h00, no Pavilhão da Luz, que a concentração dos adeptos Leoninos está marcada para as 13h45 junto à estação de Metro do Alto dos Moinhos.

As viaturas parqueadas no ponto de encontro terão supervisão policial e o trajecto dos adeptos até ao reduto encarnado será feito com o devido acompanhamento policial.

A abertura de portas do Pavilhão da Luz está marcada para as 14h00, sendo por isso aconselhável aos adeptos que se desloquem pelos seus próprios meios que cheguem o mais cedo possível.

Foto Isabel Silva

Bilhetes exclusivamente online para o dérbi de hóquei em patins

Por Sporting CP
18 Jun, 2026

Ingressos a 13€

O Sporting Clube de Portugal informa que abre às 16h00 desta quinta-feira, 18 de Junho, a venda de bilhetes para o dérbi entre a equipa de hóquei em patins e o SL Benfica no Pavilhão Fidelidade.

3.º JOGO DA FINAL DOS PLAY-OFFS DO CAMPEONATO NACIONAL
SL BENFICA vs. SPORTING CP
20 DE JUNHO (SÁBADO) ÀS 15H00

A venda (aqui) será exclusiva a Sócios do Sporting CP com o seguinte critério de venda:

Sócios com Gamebox Modalidades 25/26
18 de Junho – quarta-feira das 16h00 às 16h59

Sócios sem Gamebox
18 de Junho – quarta-feira a partir das 17h00

Cada cartão de Sócio válido com a quota mínima de Maio de 2026 permite a compra de um bilhete ao preço unitário de 13€ para a zona indicada a verde (ver planta abaixo), sendo que a plataforma aceita no mesmo processo de compra até quatro números de Sócio.

Contamos com o teu apoio, em todos os momentos e em todo o lado!

Foto Isabel Silva

Edo Bosch: "Entrega foi fantástica"

Por Sporting CP
17 Jun, 2026

Técnico acredita que os Leões podem vencer na Luz

Em conferência de imprensa no final da partida, Edo Bosch frisou a convicção de que o Sporting CP pode ir à Luz vencer e lembrou a equipa de voleibol que, na última temporada, recuperou de uma desvantagem de 0-2 e acabou por conquistar o título nacional.

Crença na equipa
"Deram-me, durante todo o ano, prova daquilo de que são capazes. Já jogámos em ambientes piores e fizemos grandes resultados. Temos isso no nosso ADN: lutar até ao final e é o que vamos fazer no sábado. Logicamente, temos de curar as feridas de hoje, mas amanhã vamos levantar-nos já de cabeça fresca e prepararmo-nos para o jogo na Luz."

Sofrer cedo condicionou resposta verde e branca?
"Houve dois momentos importantes no jogo. Acho que entrámos bem, tínhamos muita vontade de ganhar o jogo, mas sofremos dois golos em nove minutos que abalaram o controlo emocional da equipa. No intervalo, conversámos e corrigimos, entrámos melhor e fizemos o 2-1. Ao cabo de um minuto, quando estávamos a assentar e à procura do empate, sofremos o 3-1 numa jogada que, para mim, é um erro [da equipa de arbitragem]. São coisas que acontecem no hóquei. Voltámos a cair animicamente e partir daí, lutámos muito, com coração, mas faltou-nos cabeça em alguns momentos. A entrega dos jogadores foi fantástica do primeiro ao último minuto e é com isso que vamos.

O SL Benfica defendeu muito bem e disso tirou dividendos. Nós temos de corrigir pequenas coisas para sábado. Muitas vezes as finais decidem-se em pequenos pormenores, que nesta têm caído para o lado do SL Benfica, mas vamos fazer de tudo para que finalmente caiam para o nosso lado."

Reviravolta é possível?
"Enquanto preparava o jogo, pensei, logicamente, na possibilidade dos dois resultados. Ganhar era o que queríamos, empatávamos a eliminatória e o factor anímico passava para o nosso lado, mas também pensei no que aconteceria se não conseguissemos a vitória, que foi o caso. E lembrei-me da equipa de voleibol que, o ano passado, estava a perder por 2-0, agrupou as 'armas', foi à luta e conseguiu a reviravolta. São essas histórias que nos vão motivar.

O resultado deste jogo (2-5) não corresponde ao que realmente se passou em campo, a diferença entre as duas equipas é sempre muito pouca. Temos de dar um passo e a verdade é que nos é indiferente jogar em casa ou fora. Esta equipa joga da mesma forma seja onde for e, no sábado, vamos estar na nossa máxima força."

Falta de eficácia e algum azar
"Demonstrámos, ao longo de toda a temporada, que somos especialistas no 4 para 3, marcámos imensos golos assim, e estes foram os únicos jogos em que não o conseguimos fazer. Bolas ao poste, bolas que não querem entrar... são pequenos detalhes, pequenos pormenores. Mas é o que digo: não estamos muito longe de ganhar um jogo ao SL Benfica. Os golos que sofremos cedo e o 1-3 fizeram-nos perder o discernimento, mas não me surpreenderia nada que no sábado fôssemos à Luz vencer. Estamos muito perto disso, sinto-o."

 

 

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