Zé Diogo: "Acho que deixo uma marca"
30 Jun, 2026
Dos primeiros passos aos títulos mais especiais e o seu particular papel na equipa
Em 14 épocas ao mais alto nível, Zé Diogo viveu por dentro todas as transformações do hóquei verde e branco até ao seu regresso em pleno e culminou essa caminhada com 13 troféus de primeira linha.
Depois de na primeira parte da entrevista ter falado sobre a sua derradeira temporada de Leão ao peito, na segunda o guarda-redes de 32 anos faz o balanço final do seu trajecto no Clube: da chegada ao Sporting CP seguida dos passos ascendentes na formação, passando pelas conquistas que não vai esquecer - com a Taça CERS e a primeira Liga dos Campeões à cabeça – até à forma como entendeu a sua função até ao último dia como guarda-redes suplente, ora de Ângelo Girão, ora de Xano Edo.
Zé Diogo foi verde e branco do início ao fim, e vai mais além. “Agora, vou ser um desses adeptos, podem contar com isso. Venho aos jogos todos”, prometeu, piscando o olho ao futuro que se abre à sua frente.
Vamos, então, ao princípio de tudo, em 2004, quando era tudo muito diferente da actualidade. Como recorda a sua chegada ao Sporting CP?
Era um miúdo, convidaram-me e eu disse logo "quero". Tinha de vir para Lisboa [desde Alenquer], fazer essas viagens e, por isso, agradeço muito aos meus pais, que me fizeram a vontade.
Quando acreditou que efectivamente poderia ser aposta do Clube e tornar-se profissional de hóquei?
Ano após ano, começou a ficar mais sério, em sub-20 fui à selecção nacional e fomos Campeões da Europa [2012]. Acho que esse foi 'o' momento. Pouco depois, a modalidade tornou-se oficial [no Clube], fiz parte da equipa e aí começou tudo. Foi quando percebi que as coisas me podiam correr bem daí para a frente.
Sobe em definitivo à equipa principal em 2012/2013 e, por isso, fez parte de todas as conquistas. Já consegue ter uma noção clara do lugar que tem na História do Clube na modalidade ou é algo que se ganha com a distância dos anos?
Acho que não tenho. Vai-se percebendo com o tempo. Eu sou alguém muito tranquilo, não penso muito nisso.
A verdade é que venceu um pouco de tudo, mas suponho que poucas sensações se equiparam às do primeiro troféu. Falamos, neste caso, daquela Taça CERS em Igualada.
Lembro-me de tudo! Foi um feito histórico. Depois, a chegada ao aeroporto foi uma coisa incrível, parecia que éramos jogadores de futebol! Não tenho palavras.
Logo a abrir a época seguinte, vencem a Supertaça ao SL Benfica. Esses títulos foram passos decisivos para acreditar – para dentro e para fora – que o hóquei do Sporting CP estava realmente pronto para voltar em grande?
Acho que foram os troféus que relançaram mesmo o hóquei. Foi o momento em que começaram a acreditar em nós.
“[Taça CERS e Supertaça] Foram os troféus que relançaram mesmo o hóquei”
E como recorda esses anos sempre de ‘casa às costas’, antes de haver Pavilhão João Rocha?
Era muito difícil... Foi no Livramento, noutros jogos íamos para Alverca, ainda chegamos a ir ao [pavilhão] do SC Torres. Para a malta que chegou agora isto é um 'mar de rosas', mas passámos por muito. Por tudo isso, valorizo muito o Pavilhão João Rocha. Ver o pavilhão a crescer foi espectacular.

Foi uma boa casa durante quase uma década?
É uma casa espectacular, o melhor pavilhão que existe em Portugal, e um dos melhores do mundo.
“Ver o pavilhão a crescer foi espectacular”
E não é uma coincidência que com o Pavilhão João Rocha tenham chegado os títulos de forma mais consistente, e os primeiros foram conquistados e festejados aqui, casos do Campeonato Nacional 2017/2018 e da Liga dos Campeões 2018/2019 - e muitos outros se seguiram. Quais foram, para si, as conquistas mais memoráveis das 14 que celebrou?
A mais marcante de todas é a primeira Liga dos Campeões. Foi aqui, com pavilhão cheio, não cabia nem uma formiga. Ganhar perante os nossos adeptos foi espectacular. Não há palavras para o descrever. Acho que foi o título que eu vivi mais.
Já sobre o seu papel como guarda-redes, mas sobretudo como colega de equipa, sempre foi reconhecido como um exemplo de compromisso. Teve de partilhar a baliza com Girão por uma década e, mais recentemente com Xano Edo e mesmo não sendo o titular habitual manteve-se como um pilar da equipa. Como entendeu o seu papel ao longo dos anos?
É fácil. Olho para o lado e tenho o Ângelo Girão ou o Xano, que são guarda-redes dos melhores do mundo, por isso, tens de assumir que és o segundo guarda-redes e criar uma boa relação com eles. Trabalho igualmente nos treinos para obrigá-los, também, a trabalhar. É pelo bem da equipa, acima de tudo, e eu assumi sempre isso. Assim, é tudo muito mais fácil. Se formos uma família, vamos ter os resultados.
“Ganhar [a Liga dos Campeões] perante os nossos adeptos foi espectacular”
Além disso, soube ser importante sempre que foi chamado à acção. Também se sentiu sempre útil e um elemento em que todos confiavam quando tinha de assumir a baliza?
Sempre me considerei útil, se não o fosse não aceitava renovar tantas vezes. Sempre senti que as pessoas acreditavam em mim. Treinava todos os dias para esses momentos em que tinha de entrar e acho que me foi correndo bem. Quando entras vais focado para fazer o teu trabalho. Não pensas se estás nervoso, se estás frio... Entras com o objectivo de defender.
“Sempre senti que as pessoas acreditavam em mim”
Agora, está prestes a sair do Sporting CP como o hoquista com mais jogos pelo Clube (424). O que diria que leva e, por outro lado, o que acha que deixa aqui?
Não sei, acho que deixo uma marca. Os outros, talvez, podem ver em mim um exemplo, pela pessoa que fui, sem arranjar problemas. Eu levo muitas amizades, sobretudo, de jogadores, adeptos, directores, staff... É o mais importante.
Como gostaria de ser recordado pelos Sportinguistas?
Como o Zé Diogo que sempre deu tudo para defender o Clube.
“Acho que deixo uma marca”
E a eles, aos adeptos, que última mensagem gostaria de deixar nesta sua despedida?
Quero agradecer a todos, muitos estiveram cá em todos os jogos, sem falhar. E gostava, também, de pedir para que acompanhem mais o hóquei. Esta é uma equipa espectacular, tem dado títulos ao Sporting CP e merece ter os pavilhões cheios. Eu vou-me embora, mas peço aos adeptos que o façam. Eu, agora, vou ser um desses adeptos, podem contar com isso. Venho aos jogos todos.
OS NÚMEROS DE ZÉ DIOGO NO SPORTING CP:
22 anos no Clube
14 temporadas na equipa principal (2012/2013-2025/2026)
424 jogos
1 Mundial de Clubes (2025/2026)
3 WSE Champions League (2018/2019, 2020/2021 e 2023/2024)
1 Taça CERS (2014/2015)
2 Taças Continentais (2019/2020 e 2021/2022)
2 Campeonatos Nacionais (2017/2018 e 2020/2021)
2 Taças de Portugal (2024/2025 e 2025/2026)
2 Supertaças (2015 e 2025)
1 Campeonato da III Divisão (2010/2011)








