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Português, Portugal

O Ouro da Vitória

Por Miguel Braga*
11 Mar, 2021

Com mais esta vitória, a equipa conseguiu também igualar o melhor aproveitamento pontual de sempre do Clube após 22 jogos – 87,88% dos pontos, registo igual ao da equipa dos Cinco Violinos na época de 1946/1947

Portugal assinou no Campeonato Europeu de atletismo em pista coberta 2021 a sua melhor presença de sempre. Na bagagem, três medalhas de ouro, duas conquistadas por atletas do Sporting Clube de Portugal – aproveito também para felicitar Pedro Pichardo pelo resultado.

A primeira medalha foi alcançada por Auriol Dongmo, a nossa ‘Super Auriol’, atleta de excepção que chegou a Portugal em 2017 – apesar de na altura estar a ser assediada por França, optou por naturalizar-se portuguesa devido à sua fé na Nossa Senhora de Fátima. E, assim, assentou arraiais no nosso país, foi mãe aqui, e na sua categoria já bateu o recorde nacional, nada mais, nada menos, do que cinco vezes. É considerada, nos dias de hoje, a melhor atleta do mundo do lançamento do peso e foi isso mesmo que provou em Toruń, na Polónia.

Para trazer o ouro para Portugal, Patrícia Mamona fez aquilo que nunca antes uma portuguesa tinha feito no triplo salto: voar 14 metros e 53 centímetros, batendo o seu próprio recorde e estabelecendo a melhor marca portuguesa de sempre em pista coberta. Ao contrário de Auriol, Patrícia não era a favorita, mas também não deixou os seus saltos por pés alheios. Apesar de ter sido infectada com COVID-19 no mês de Janeiro, a atleta Leonina protagonizou mais uma prova de superação, deixando toda a concorrência para trás.

Também este fim-de-semana, o voleibol do Sporting CP voltou a conquistar a Taça de Portugal 26 depois e pela primeira vez após o regresso da modalidade ao Clube – e logo contra o arquirrival que não vencíamos há 701 dias. Este sábado, voltamos a medir forças com o mesmo adversário, em jogo a contar para as meias-finais do play-off de apuramento do Campeão Nacional. Que a equipa de Gersinho tenha a arte e o engenho de conseguir mais uma vitória.

De salutar que finalmente o Governo irá anunciar um conjunto de medidas de apoios extraordinários aos clubes desportivos. A importância do sector em Portugal merecia esta atenção de quem nos governa.

No futebol, os pupilos de Rúben Amorim continuam a fazer História dentro do campo: ao vencer o CD Santa Clara por 2-1, conseguiram um feito nunca antes alcançado por uma equipa do Sporting CP: ser invencível à 22.ª jornada da Liga NOS. Com mais esta vitória, a equipa conseguiu também igualar o melhor aproveitamento pontual de sempre do Clube após 22 jogos – 87,88% dos pontos, registo igual ao da equipa dos Cinco Violinos na época de 1946/1947. Apesar de todas estas boas indicações, continuam a faltar muitos jogos até ao término da competição. E temos já mais uma final no sábado frente ao CD Tondela: humildade, concentração e vontade são os ingredientes necessários para conseguirmos mais três pontos.

A semana que passou ficou também marcada pela notícia de que a Liga (através da sua Comissão de Instrutores) entendeu dar seguimento a uma queixa da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), acusando Rúben Amorim de fraude e falsas declarações e o Sporting CP de fraude na celebração dos contratos. Mais uma mancha na reputação internacional do futebol português, já que internamente todos sabemos que temos um desporto-rei manchado tal e qual um dálmata. Um episódio triste, e na minha opinião, revelador de uma inveja e mesquinhez de trazer por casa. Tão mau como a ANTF, apenas os ditos instrutores e o silêncio ensurdecedor dos colegas de profissão. Uma vergonha totalmente evitável.

 

Editorial da edição n.º 3810 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

A Marcha será nossa

Por Miguel Braga*
04 Mar, 2021

O Sporting CP está de luto. Maria José Valério deixou-nos, mas tal como disse o presidente Frederico Varandas, “a partir de hoje, a Marcha do Sporting será cantada do céu”

Maria José Valério deixou-nos, vítima da pandemia que assolou o mundo.

Maria José Valério deixou-nos, mas ficará para sempre na memória de todos os Sportinguistas.

Ao longo deste Jornal, fazemos uma pequena homenagem (páginas 16 e 17) a quem viveu o Sporting CP de forma única, contagiando todos com a sua alegria e forma de estar. Se muitos de nós já cantámos de voz e alma que “aprendemos a amá-lo e a trazê-lo no coração”, devemos esse grito de amor Leonino a Maria José Valério. Em seu nome, que a vitória seja sempre nossa.

É em busca dessa vitória que partiram para Toruń, na Polónia, os representantes do nosso atletismo (páginas 18 e 19) para o Campeonato da Europa de pista coberta. Sem menosprezar a garra e a capacidade de cada um dos atletas, as nossas maiores esperanças dão pelo nome de Auriol Dongmo, Patrícia Mamona e Claudia Bobocea. Que a sorte as acompanhe.

Nas vésperas da data que assinala um ano desde a chegada de Rúben Amorim ao Sporting CP (página 10), a equipa de futebol mantém-se invicta na liderança da Liga NOS (páginas 6 a 8). Na visita ao Estádio do Dragão, o Sporting CP não conseguiu ir além de um nulo, zero a zero, fazendo, no entanto, uma exibição personalizada e segura, não caindo na tentação do jogo de provocações azul e branco. E se é verdade que foi a primeira vez que o Sporting CP não marcou golos num jogo desta edição da Liga NOS, o mesmo aconteceu ao adversário, colocando um ponto final numa série de 69 jogos em casa sempre a marcar. Nos 270 minutos disputados esta época com o FC Porto, o resultado ficou em 4-3, traduzido por dois empates para o campeonato e uma vitória na meia-final da Taça da Liga, que o Sporting CP acabou por conquistar. Faltam ainda 13 jogos para o final da Liga NOS e o próximo jogo é já amanhã contra o CD Santa Clara. Que continuem a lutar como Leões, com a humildade e a concentração que têm sido características da equipa de Rúben Amorim.

Também a equipa B do Sporting CP (página 11) continua invicta no Campeonato de Portugal, confirmando a condição com uma vitória inequívoca por dois golos frente a um GD Fabril que continua o caminho penoso de vassalagem a uma equipa do norte do país. Na crónica poderá ler os (maus) exemplos do clube do Barreiro. Que seja uma excepção, a bem do futebol português.

Erick Mendonça já ganhou um lugar especial no coração dos Sportinguistas. Jogador com alma de Leão, estendeu o seu vínculo com o Clube “principalmente porque se o Sporting CP renovou comigo é porque estou a fazer um bom trabalho e porque acredita em mim. É um casamento feliz”. O jogador faz parte dos eleitos de Nuno Dias que se mantêm invictos à 24.ª jornada da Liga Placard (página 23). Em entrevista ao Jornal Sporting (páginas 20 a 22), o jogador fala das suas ambições e sonhos. Que se concretizem, sempre de Leão ao Peito.

O Sporting CP está de luto. Maria José Valério deixou-nos, mas tal como disse o presidente Frederico Varandas, “a partir de hoje, a Marcha do Sporting será cantada do Céu”. Que assim seja e até sempre, Maria.

 

Editorial da edição n.º 3809 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

A angústia do adepto antes do penálti

Por Miguel Braga*
25 Fev, 2021

(...) além de liderar com números expressivos a tabela dos penálti a favor, o FC Porto também se arrisca a ganhar o prémio Fair Play da Liga NOS – é actualmente a equipa menos amarelada do Campeonato...

Foi em 1972 que Peter Handke escreveu “A angústia do guarda-redes antes do penálti”, livro onde a angústia causada pelo pontapé da marca dos nove metros é uma metáfora da própria vida. Na edição desta época da Liga NOS, a ansiedade tomou conta dos adeptos no que se refere a pontapés de penálti: uns porque sim, outros porque não, muitos porque acreditam que o que importa é ganhar, mesmo que seja por meio a zero. Mas independentemente da razão que assiste (ou não) aos adeptos nacionais, olhemos para alguns números:

- Nas primeiras 20 jornadas, o FC Porto foi a equipa com mais pontapés de penálti a favor, num total de 12, o que representa um castigo máximo a favor em 60% dos jogos. Segue-se o FC Famalicão com seis pontapés de penálti a favor (30%) e um grupo de equipas – Gil Vicente FC, SC Farense, CD Santa Clara e Sporting CP – com cinco penáltis, ou seja, com 25%;

- Para se ter uma ideia do feito, numa competição com 18 equipas, o FC Porto tem sozinho 19,04% da totalidade dos penáltis marcados esta época na Liga (até ao momento foram assinalados 63 pontapés de penálti em 180 jogos) – sim, leu bem, apenas uma equipa tem um quinto de todos os penáltis marcados esta temporada;

- E apesar de em Junho deste ano, Sérgio Conceição ter dito “temos de ter mais penáltis a favor, criar mais ocasiões para termos penáltis”, o FC Porto não só lidera a tabela este ano, como na época de 2019/2020 também foi a equipa com mais penáltis: um total de 14 em 34 jogos, representando 41,1% de jogos com penáltis a favor. Seguiram-se Rio Ave FC e CD Tondela, com 11;

- Recuando mais um ano, para a época 2018/2019, o pódio dos pontapés de penálti dividiu-se entre Sporting CP (15 a favor, ou seja, 44,1%), Vitória SC (dez) e SL Benfica (nove). E na temporada anterior, de 2017/2018, quem liderou foi o SL Benfica (11 a favor, num total de 32,3%), GD Chaves (dez) e Rio Ave FC (nove).

- Nas últimas dez temporadas, em seis delas, a equipa com mais penáltis a favor em 34 jogos, não atingiu a marca do FC Porto em 20;

- Do lado dos árbitros, o trio com mais pontapés de penálti assinalados é composto por: Rui Costa (em 14 jogos assinalou seis penáltis), Manuel Mota (11 jogos/seis penáltis) e João Pinheiro (nove jogos/cinco penáltis). Do lado oposto, está António Nobre que em nove jogos não assinalou qualquer pontapé de penálti.

Deixemos o poder dos números para a balança de Justiça de cada um e notar que além de liderar com números expressivos a tabela dos pontapés de penálti a favor, o FC Porto também se arrisca a ganhar o prémio Fair Play da Liga NOS – é actualmente a equipa menos amarelada do Campeonato –, o que não deixa de ser perversamente peculiar.

 

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Medalhas de hoje e de sempre

Por Miguel Braga*
18 Fev, 2021

O professor Moniz Pereira costumava dizer que “a sorte dá muito trabalho”. (…) Um exemplo hoje e será, com certeza, um exemplo sempre no amanhã

Na semana após o centenário do nascimento do professor Mário Moniz Pereira, o atletismo do Sporting Clube de Portugal fez uma justa homenagem ao Homem cuja memória perdura por cada medalha conquistada pela modalidade. Foi este fim-de-semana, nos Campeonatos de Portugal de Atletismo em pista coberta de 2021, que Leões e Leoas deram uma demonstração de força e talento no Altice Fórum, em Braga.

Comecemos pelas medalhas de ouro, onde Auriel Dogmo (lançamento do peso), Anabela Neto (salto em altura), Carlos Nascimento (60 metros), Lorène Bazolo (60 metros), Evelise Veiga (salto em comprimento), Cátia Azevedo (400 metros), Marta Onofre (salto com vara) e Patrícia Mamona (triplo salto), atingiram a glória na respectiva competição. Conquistámos ainda mais oito medalhas de prata e oito de bronze, com direito a vários recordes pessoais e um nacional – no lançamento do peso, Auriol Dongmo deu mais uma demonstração de talento, mas Jéssica Inchude, além da medalha de prata levou para casa um novo recorde pessoal e melhor marca de sempre da Guiné-Bissau.

Hoje é também dia de aniversário de outra Lenda do Sporting CP, outro dos grandes nomes do atletismo do nosso Clube e do desporto nacional, Carlos Lopes. Provavelmente, a corrida da sua vida foi naquela tarde de Verão, de 12 de Agosto, em Los Angeles, nos Jogos Olímpicos de 1984, onde (literalmente) de forma olímpica fez com que o hino nacional ecoasse naquele imponente estádio, depois de vencer e estabelecer um novo recorde olímpico que só foi batido 24 anos depois. Lembro-me bem de estar a ver na televisão em Lisboa, sentado no chão de casa dos meus pais, a vibrar com aquele momento, com aqueles largos minutos de orgulho nacional. Mas os feitos de Carlos Lopes tive a sorte de acompanhar, sempre através da televisão, ao vivo e a cores, não um, mas vários; em pista (Meeting de Estocolmo), na estrada (em Los Angeles ou São Silvestre) e em inúmeras provas de corta‑mato, num misto de relva e lama, consoante o que as condições meteorológicas impunham, mas com a marca vencedora de um dos grandes do desporto Leonino e nacional.

O professor Moniz Pereira costumava dizer que “a sorte dá muito trabalho”. E é esse trabalho que sabemos que dá resultados e que forma mulheres e homens para a competição e para a vida, até porque “viver é treinar e treinar é quase vencer”. Um exemplo hoje e será, com certeza, um exemplo sempre no amanhã.

 

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

O “Senhor Atletismo”

Por Miguel Braga*
11 Fev, 2021

(...) foi também por altura desses feitos que o meu pai me disse: “por trás de um grande fundista português estará sempre o professor Mário Moniz Pereira”

Cresci em casa tendo o professor Moniz Pereira como uma das grandes referências nacionais até porque o meu pai acompanhava, como podia, os resultados, performances e afins de todo o atletismo do Leão. Os dois tinham por hábito ter longas conversas que começavam sempre na música (nota: o professor também foi autor de alguns fados, entre eles “As duas Faces do Amor”) e descambavam invariavelmente nas pistas 
de tartan.

Numa altura em que havia apenas dois canais de televisão, o Sporting Clube de Portugal costumava ou ser o único Clube português presente nas grandes provas internacionais ou aquele que, com alguma frequência, colocava atletas no pódio. E foi assim, que nos primeiros anos da década de 80 do século passado, me habituei a ver na televisão os feitos de Fernando Mamede ou Carlos Lopes, mas também de Ezequiel Canário, Joaquim Pinheiro, gémeos Castro e tantos outros.

1984 acabou por ser o ano que ficou marcado para sempre na nossa memória colectiva: não só pelo recorde mundial de Mamede nos 10 000 metros no meeting de Helsínquia, não só pela vitória e respectivo ouro de Carlos Lopes na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, mas porque foi também por altura desses feitos que o meu pai me disse: “por trás de um grande fundista português estará sempre o professor Mário Moniz Pereira”.
Nesta edição do Jornal Sporting, dedicamos algumas páginas [14 a 19] ao “Senhor Atletismo” português. Vários jornais não seriam suficientes para explicar a grandeza de alguém que dedicou a vida ao Sporting CP e ao desporto nacional, formando campeões de eleição, mulheres e homens que ganharam os mais diversos títulos envergando a camisola do Clube e também de Portugal. Tentamos, de forma resumida, dar a conhecer aos mais novos e recordar a todos os outros, a vida e legado de um dos grandes portugueses do século XX.

Salvador Salvador renovou na semana passada com o seu Clube do coração, terminando assim uma novela e um assédio a uma das grandes figuras do presente e do futuro do andebol nacional. Em entrevista (páginas 22 a 24), o jogador explica que “as notícias iam saindo e (…) a maior parte delas só serviam para me desestabilizar a mim e à Direcção do Sporting CP. Sempre tive a cabeça no Sporting CP, assim como o coração”. De corpo, alma e coração no Clube, Salvador Salvador terá agora mais responsabilidades, até porque também chegou a altura de deixar ir outro dos nossos, o consagrado Frankis Carol, que se despede nas páginas 26 a 28: “não podia dizer que não, é uma grande oportunidade para mim e tenho de a aproveitar. Agradeço ao Sporting CP ter compreendido o meu lado e deixar-me ir”. O jogador cubano, internacional pelo Qatar, fez quase 400 jogos pelo Clube e marcou 1621 golos de Leão ao peito, envergando também a braçadeira de capitão e conquistando vários títulos. A Frankis, o nosso agradecimento.

E se há homem a quem os Sportinguistas também agradecem a dedicação, esse homem é Nuno Dias, figura central do futsal do Sporting CP, treinador vencedor e de currículo simplesmente invejável. Será ele o nosso próximo convidado do ADN de Leão (pág. 29), o podcast que continua a dar a conhecer o outro lado dos nossos Leões e Leoas.

No futebol mantemos a concentração, o foco e a vontade de vencer o próximo jogo. Temos 48 pontos, mas faltam ainda 48 pontos em disputa. Tal como disse depois do jogo com o Gil Vicente FC, o presidente Frederico Varandas, “se a força é uma qualidade importantíssima para alcançar a vitória, a inteligência ainda é mais, por isso queria fazer um apelo a todos os Sócios e adeptos: o Sporting tem de respeitar sempre os seus dois rivais. Têm muita força dentro e fora do campo. É um erro histórico não o fazer. A arrogância, a bazófia, são meio caminho para a derrota e uma vitamina extra para os nossos rivais”. O caminho é longo ainda e devemos todos manter a humildade e os pés bem assentes na terra. 

 

Editorial da edição n.º 3806 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Passo a passo

Por Miguel Braga*
04 Fev, 2021

(...) o Sporting CP já conseguiu a melhor pontuação nos últimos 72 anos, igualando um dos recordes dos míticos “Cinco Violinos”. Que a equipa continue a corresponder, passo a passo, jogo a jogo, é o desejo de todos nós

Semana intensa, marcada pelo dérbi lisboeta, pelo que se passou fora e dentro de campo, com direito a uma considerável azáfama no final de mercado. Ainda antes do jogo da passada segunda-feira, o país futebolístico foi surpreendido com uma posição intransigente do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol relativamente à (injusta) suspensão de João Palhinha, provocada por um famigerado cartão amarelo aos 79 minutos no jogo no Bessa, contra o Boavista FC, três minutos depois de ter entrado em campo.

Recordemos que, num acto digno e de coragem, Fábio Veríssimo admitiu o erro ao Conselho de Disciplina: “após visionar as imagens da jogada (ângulo oposto ao meu posicionamento) considero que a mesma não cumpre os critérios para ataque prometedor. Deste modo, a acção disciplinar não foi adequada”. Com estas palavras, o árbitro internacional abriu a porta para que a verdade desportiva prevalecesse sobre o erro do momento, algo que está previsto no regulamento da competição. Mas a justiça elementar bateu de frente com uma posição do CD, escudada na “field of play doctrine” que, em pleno século XXI, continua a servir interesses que não são os de um futebol mais transparente e equilibrado. 

Como Carlos Barbosa da Cruz escreveu, e muito bem, esta semana no jornal Record, “se se generalizou o uso do VAR, porque se concluiu, e bem, que a tecnologia podia suprir os naturais erros de julgamento dos árbitros, não entendo por que é que essa mesma tecnologia já não serve para corrigir lapsos” dessa natureza. Não aproveitar todos os recursos que estão ao nosso alcance para trazer mais justiça ao mundo, seja do futebol ou outro qualquer meio ou indústria, é afastarmo-nos do propósito de lutar por uma sociedade melhor e mais justa.
Com a admissão por parte do árbitro do seu erro, com imagens que o comprovem, insistir no erro é, simplesmente, desvirtuar a justiça desportiva. E como alguém disse um dia: “se errar é próprio do Homem, insistir no erro é próprio do diabo”. Independentemente da discussão jurídica, a verdade é que em menos de um mês, o Sporting CP voltou a ser prejudicado, à imagem do que aconteceu com o caso dos “falsos positivos” de Nuno Mendes e Andraž Šporar. 

Em campo, o Sporting CP impôs-se ao seu rival com uma vitória inequívoca, construída com muito trabalho e uma crença de que o jogo só acaba quando o árbitro assim o ordena. Já depois do minuto 91, a pressão de Bruno Tabata, Jovane Cabral e Daniel Bragança (todos saídos do banco) do lado esquerdo do ataque do Sporting CP foi fundamental para criar os desequilíbrios na defesa rival; com Pedro Porro pela direita, Matheus Nunes ao meio e Palhinha à entrada da área, o Sporting CP atacou com mais de metade da equipa porque acreditou até ao fim que era possível conquistar os três pontos. E Matheus Nunes fez explodir de alegria todos os Sportinguistas com aquela cabeçada certeira, fazendo entrar a bola no centro da baliza adversária.

Nesse mesmo dia, o Sporting CP reforçou o seu plantel com a chegada de Matheus Reis, João Pereira e Paulinho. Três jogadores de qualidade, com experiência de campeonato nacional e sem necessidades de longos períodos de adaptação. Aos três, desejamos todas as vitórias: o sucesso do colectivo será sempre a garantia de superação individual.

Amanhã será disputado o último jogo da primeira volta da Liga NOS. Seja qual for o resultado, o Sporting CP já conseguiu a melhor pontuação nos últimos 72 anos, igualando um dos recordes dos míticos “Cinco Violinos”. Que a equipa continue a corresponder, passo a passo, jogo a jogo, é o desejo de todos nós.

 

Editorial da edição n.º 3805 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Olhar em frente

Por Miguel Braga*
28 Jan, 2021

Sobre uma ou outra voz que continua a ter dificuldades em digerir estas vitórias do Sporting CP, recordemos as palavras de Sófocles: “apenas o tempo revela o homem justo; basta um dia para pôr a nu um pérfido”

Depois da vitória frente ao FC Porto, foi a vez do Sporting CP medir forças com o SC Braga, no Estádio Municipal de Leiria, o palco da final da Allianz Cup. Antes do jogo começar, nota muito positiva para a cerimónia digital apresentada pela LIGA Portugal, dignificando o momento, fazendo esquecer, por momentos, as particularidades impostas pela pandemia que vivemos e que mudou o nosso dia-a-dia.

A vitória foi justa, inequívoca e merecida. Entrámos em campo com três jogadores com idade júnior, num total de seis made in Sporting: falamos de Nuno Mendes, Gonçalo Inácio e Tiago Tomás, por um lado, e de João Palhinha, João Mário e Jovane Cabral, por outro. Foi também a vitória de um modelo implementado no Sporting CP há cerca de dois anos e que tem na Formação uma das suas grandes apostas.

De realçar, o facto de esta ter sido uma conquista com o treinador que na época passada ganhou esta competição por outro clube e que foi uma aposta clara do Sporting CP há menos de um ano. Não vale a pena recordar o que se disse e escreveu na altura, convém sim reforçar que esta foi uma (boa) decisão impactante no presente e futuro do Sporting CP.

Esta foi também a terceira Taça conquistada na era pós-Alcochete. Um importante marco para o Clube e prova da resiliência Leonina. E agora, é altura de continuar a trabalhar. E olhar em frente e continuar a pensar única e exclusivamente no próximo jogo. É sempre este que queremos vencer. Mas regressando ainda ao palco de Leiria, uma palavra de apreço também para a exibição imaculada de Sebastián Coates, o nosso “El Patrón”, exemplo dentro e fora do campo e peça fundamental no centro da defesa desenhada pela equipa técnica. Dois momentos ainda para mais tarde recordar: os jogadores a cantarem “O Mundo sabe que” no regresso a Lisboa e a voz da experiência de Luís Neto na conferência de imprensa pós-jogo.

E tal como Rúben Amorim disse nos dias seguintes à conquista, “foi um título muito bom, com um sabor muito importante naquele dia. Hoje não sabe a nada”. E a resposta da equipa foi, mais uma vez, positiva, com uma exibição personalizada num campo sempre complicado. Além do mais, este Boavista FC tem, nos dias de hoje, ao comando da equipa, um dos treinadores portugueses mais experientes e um leque de jogadores com currículo para dar e vender, como são os casos de Javi Garcia e Adil Rami. Para a história fica mais um golo de Nuno Santos – a fazer a sua época mais goleadora, com seis golos – e uma verdadeira obra-prima do lateral todo-o-terreno, Pedro Porro, num remate intencional, forte e colocado. 

Sobre uma ou outra voz que continua a ter dificuldades em digerir estas vitórias do Sporting CP, recordemos as palavras de Sófocles: “apenas o tempo revela o homem justo; basta um dia para pôr a nu um pérfido”.

 

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Todos os jogos são finais

Por Miguel Braga*
21 Jan, 2021

Para a história ficará o resultado e a vitória do Sporting CP, carimbando a passagem para a 14.ª final da competição. No próximo sábado, teremos todos de ser Leões, seja em casa ou no relvado

A mentalidade de pensar cada jogo como o seu fim carrega-os com a carga de uma final, onde se torna imperativo vencer. É preciso manter a humildade, o trabalho, o foco e a estratégia nos objectivos definidos, por muito que exista ruído que serpenteia a longa caminhada. No próximo sábado, o Sporting CP jogará a sua quinta final da Taça da Liga e independentemente do adversário, continuar com a mesma atitude de crença e raça é fundamental.

Na meia-final da denominada Allianz Cup, frente ao actual campeão nacional, Jovane Cabral foi o herói Leonino, com dois bonitos golos, provando, mais uma vez, a competência e arte para levar a bola até ao fundo das balizas adversárias.

Foi em 2015 que o jogador entrou na agora Academia Cristiano Ronaldo, com apenas 16 anos, para a equipa de juvenis do Clube. Na sua estreia marcou quatro golos, nuns expressivos 15-0 frente ao GRAP. Na noite de terça-feira no Estádio Municipal de Leiria, Jovane foi o herói individual, mas o colectivo continua a ser a arma mais forte do futebol e a forma como foi construído o golo decisivo é prova disso mesmo: a presença e visão de Coates na defesa para se impor a Toni Martínez, lançando para Pedro Gonçalves; a execução, rapidez e oportunidade no meio-campo para colocar a bola na frente; a explosão, precisão e frieza no momento crucial frente à baliza de Jovane Cabral.

Num momento assinalado pelas redes sociais do Sporting CP, foi bonito de se ver a forma como os jogadores explodiram nesse momento. Das “molas” no banco de suplentes, de Max a Palhinha, de Quaresma a João Mário, de Emanuel Ferro a Antunes, à felicidade estampada no rosto de Coates enquanto corria para Adán, às palavras que Nuno Santos e Porro disseram agarrados a Jovane Cabral ou os saltos de Matheus Nunes, Bragança, Plata e companhia. E, claro, ao “Toma” que veio de lá de dentro, do timoneiro da equipa, Rúben Amorim. Onde vai um vão todos, e naquele momento, em todas as casas Sportinguistas, terá sido com certeza um momento para mais tarde recordar.

Para a história ficará o resultado e a vitória do Sporting CP, carimbando a passagem para a 14.ª final da competição. No próximo sábado, teremos todos de ser Leões, seja em casa ou no relvado.

Nota: o Sporting CP entra em 2021 com uma skin no sucesso mundial Fortnite. Em casa, tenho dois jovens que já desesperam pelo lançamento mundial no dia 23. Para se ter uma ideia, já este ano, o espanhol David “TheGrefg” Martínez bateu o recorde de utilizadores a assistirem em simultâneo a uma transmissão na plataforma Twitch, com mais de 2,5 milhões de “espectadores” a verem a apresentação de uma outra skin. O futuro também passa por aqui.

 

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Arranques e paragens

Por Miguel Braga*
14 Jan, 2021

(...) continuem a lutar e a trabalhar como Leões, com todas as forças e empenho que nos caracterizam. Frente ao Rio Ave FC, o Sporting CP vai à procura da sua décima segunda vitória em catorze jogos

A viagem do Sporting CP ao arquipélago da Madeira ficou marcada por sentimentos contraditórios, fruto de resultados opostos frente ao CD Nacional e ao CS Marítimo. No arranque para o campeonato, a equipa de Rúben Amorim deu uma prova cabal do seu valor, numa noite de tempestade, muita chuva e uma dose generosa de vento que transformaram o relvado numa piscina pouco recomendável para a prática do desporto-rei. 72 horas depois, no jogo da Taça frente ao CS Marítimo, o objectivo não foi cumprido, provando que o futebol é, por vezes, inglório e que, quando assim é, os audazes ficam a descoberto. 

Se no primeiro jogo, a equipa conseguiu atingir patamares exibicionais de excelência, na segunda partida ficou a sensação amarga de que tantos remates poderiam e deveriam ter dado em golo. A uma equipa que tem marcado em todos os jogos, que lidera a classificação da Liga com o segundo melhor ataque da prova e o melhor marcador a nível individual, só se pode pedir que continue a lutar e a trabalhar como Leões, com todas as forças e empenho que nos caracterizam. Frente ao Rio Ave FC, o Sporting CP vai à procura da sua décima segunda vitória em catorze jogos – perdeu apenas pontos nos famigerados jogos contra FC Porto (em casa) e FC Famalicão (fora).

Ainda no futebol, tanto a equipa B como a de sub-23 assinaram vitórias nos respectivos jogos, com destaque natural para o regresso aos golos de Bruno Tavares e no feminino, a equipa de Susana Cova conseguiu a proeza de alcançar a décima vitória consecutiva da época. Estamos na luta.

Também nesta edição do Jornal Sporting, damos conta de mais uma vitória dos pupilos de Luís Magalhães. Na partida mais equilibrada até ao momento, o Sporting CP venceu e convenceu frente à bicampeã UD Oliveirense, num jogo com direito a prolongamento, conseguindo ainda os feitos de terminar a primeira volta isolado na frente da Liga Placard e de manter a invencibilidade. Travante Williams, mais uma vez, foi considerado o MVP do jogo, com 27 pontos da sua responsabilidade. De igual forma, destacamos a vitória no hóquei em patins sobre o HC Tigres, que mantém a equipa de Paulo Freitas invicta e em primeiro lugar do campeonato, sendo, até à data, a única equipa que ainda não provou o sabor da derrota na prova.

Na terça-feira o nosso futsal alcançou mais uma vitória folgada – 4-0 frente ao CRC Quinta dos Lombos – e prepara agora a participação na UEFA Futsal Champions League, competição que vencemos em 2018/2019. O voleibol também entrou em 2021 com o pé direito, depois de duas vitórias que nos dão a possibilidade de alcançar o quarto lugar em caso de nova vitória no próximo domingo.. 

Saímos dos campos e courts, directamente para a pista, com duas entrevistas a dois valores do atletismo nacional. No passado fim-de-semana, no Meeting Moniz Pereira, Rosalina Santos regressou à competição e fê-lo em força, batendo o seu recorde pessoal dos 60 metros em pista coberta, tornando-se a terceira melhor portuguesa de sempre na distância – atingindo também os mínimos de qualificação para os próximos Campeonatos da Europa em pista coberta, que se realizam na cidade de Toruń, na Polónia, no próximo mês de Março. Já Sara Catarina Ribeiro, especialista nas várias vertentes do fundo e meio-fundo, campeã da Europa em pista e corta-mato, revela que só acredita na sua estreia nos Jogos Olímpicos quando se vir na pista. São estes os tempos de indecisão e dúvida que vivemos, fruto da pandemia da COVID-19. Os próximos meses serão determinantes para ver como o país e o mundo reagem a mais uma vaga eminente. 

 

Editorial da edição n.º 3802 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Começar o ano com o Rugido de Leão

Por Miguel Braga*
07 Jan, 2021

(...) Que continuem a lutar como Leões, em todas as modalidades e escalões, são os desejos para todos os meses de 2021

Começámos este ano de 2021 com um quase pleno de vitórias em todos os campos onde as equipas do Sporting CP entraram. A começar pelo futebol profissional, onde os arautos da SPORT TV lançaram o jogo com o SC Braga como se fôssemos jogar com um colosso europeu. Apesar da visão tendenciosa, o Sporting CP venceu justamente por 2-0, com golos de Pedro Gonçalves e de Matheus Nunes. O erro faz parte da vida e do futebol e independentemente de uma ou outra decisão questionável da equipa de árbitros, VAR incluído, devemos continuar a trabalhar em conjunto para reprogramar algumas falhas do sistema que insistem em não fazer o update dos novos tempos.

Ainda faltam muitos jogos para o final da época, há muitos pontos em disputa, mas desde 2015/2016 que o Sporting CP não liderava a Liga à 12.ª jornada. Se juntarmos os jogos das Taças, são 15 jogos sem perder nas competições nacionais e este foi também o décimo quinto jogo em casa sem conhecer o sabor amargo da derrota. Como curiosidade, não sofremos golos em casa há 447 minutos e a última vez que a bola entrou na nossa baliza em Alvalade foi um autogolo.

Ainda no futebol, a equipa B liderada por Filipe Celikkaya também não sofre golos há 518 minutos e vai em dez jogos sem derrotas no Campeonato de Portugal. O registo defensivo quando joga fora é impressionante: cinco jogos fora e nenhum golo sofrido. Aliás, esta equipa tem uma das defesas mais seguras dos vários campeonatos que se disputam por essa Europa fora.

Também no futebol feminino a tendência continua em alta: este fim-de-semana, com a vitória por 1-2 na deslocação à Madeira, são agora 20 jogos sempre a vencer na Liga BPI. As Leoas têm o impressionante registo de 17 vitórias consecutivas a jogar em casa.

A excepção que confirmou a regra de vitória chegou da equipa de sub-23 que, apesar da exibição, foi traída pelas dúvidas da legalidade do golo do Portimonense SC. Mas para o treinador Filipe Pedro, estas são dores de crescimentos de uma equipa cujo objectivo final é preparar jogadores para o plantel principal: “Fomos claramente prejudicados em vários jogos, mas não vou falar de arbitragem porque acho que não nos favorece e porque o nosso foco é o projecto em si. Por isso, vamos deixar esses lances de lado e trabalhar para conseguir um bom resultado já no próximo jogo”.

No basquetebol, os pupilos do professor Luís Magalhães continuam a fazer história. 29 triunfos consecutivos e a miragem de chegar a 18 de Janeiro só com vitórias para completar um ano desta história 100% vitoriosa. O Sporting CP é líder isolado da Liga Placard com 12 vitórias em 12 jogos, feito apenas conseguido pelo eterno rival na última época. Desde o regresso da modalidade que o Sporting CP tem 39 vitórias e apenas três derrotas (uma na Liga, uma na Taça Hugo dos Santos e uma na Liga dos Campeões) em todos os jogos oficiais disputados. Desta feita, duas vitórias sobre a AD Ovarense, para a Liga Placard por 89-58 e para a Taça de Portugal, por 93-80.

Depois de confirmar o Sporting CP como a maior potência nacional do futsal com a terceira conquista consecutiva da Taça de Portugal, a equipa de Nuno Dias entrou demolidora no novo ano com uns expressivos 15-1 frente ao Eléctrico FC, alcançando a marca de 25 jogos sem perder nas competições nacionais.

No voleibol feminino o fim-de-semana e a entrada em 2021 representaram também o regresso às vitórias. Primeiro no fim-de-semana, vencendo fora o GC Vilacondense por 0-3, depois na noite de terça-feira, recebendo e ganhando ao SL Benfica por 3-0, num dérbi que não acontecia há 25 anos.

Que continuem a lutar como Leões, em todas as modalidades e escalões, são os desejos para todos os meses de 2021.

 

Editorial da edição n.º 3801 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

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