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Opinião

Uma noite no Pavilhão João Rocha

Por Pedro Almeida Cabral
31 Mar, 2023

Há noites assim. Chegamos ao Pavilhão João Rocha certos de que algo irá acontecer. Foi o que sucedeu há dias, nos oitavos-de-final da Liga Europeia de andebol. Vínhamos de uma desvantagem de três golos do encontro fora com o Bidasoa Irun, actual quarto classificado do campeonato espanhol e vencedor de uma Liga dos Campeões, em 1995. Apesar da clara superioridade técnica do Sporting Clube de Portugal, a experiência da equipa espanhola parecia poder fazer a diferença. Havia quem dissesse que o mais provável era não conseguirmos reverter a diferença e que poderíamos ganhar, mas dificilmente pelos quatro golos necessários para seguir em frente para os quartos-de- final. Pela afluência ao Pavilhão, que ficou bem composto, parecia afinal que havia muitos Sócios e adeptos convictos de uma reviravolta.

Desde o início do jogo que o ambiente criado se revelou um oitavo jogador, sempre a empurrar a equipa para a frente, com cânticos constantes e palmas efusivas nas jogadas de golo e nas defesas apertadas. Numa primeira parte de grande intensidade, cedo deixámos claro que queríamos passar e iríamos lutar até ao último lance. Os espanhóis não pareciam ter reação e foi com naturalidade que chegámos a uma vantagem de cinco golos. Martim Costa, o nosso melhor marcador com dez golos, selou mesmo o 11-6 pelo meio da primeira parte. Porém, o Bidasoa Irun não se dava por vencido. Reagiu e conseguiu reduzir substancialmente a desvantagem. Fomos para intervalo a vencer por números insuficientes para seguir em frente, por 15-12. 

Na segunda parte, veio ao de cima a razão pela qual o Sporting CP a jogar no Pavilhão João Rocha alcança tantas vitórias e títulos. O público empolgou-se ainda mais e os nossos jogadores souberam devolver em jogo jogado. Quando o nosso avanço emagreceu para dois golos, em 22-20, o Pavilhão reagiu em força. Com dois contra-ataques bem-sucedidos, além de quatro golos seguidos de Salvador Salvador, ganhámos uma confortável distância de cinco golos, que acabaria dilatada para os 34-28 finais. 

Uma equipa afinada, um treinador sapiente e um sete alinhado só poderiam resultar numa vitória assim, num Pavilhão a rebentar pelas costuras de Sportinguismo. No final, o tradicional grito Sporting com palmas a condizer fechou mais uma noite de magia no nosso Pavilhão. Rumo aos quartos, para defrontar o Montpellier, líder do campeonato francês. Por maior nome que tenha este adversário, a jogar assim podemos ir longe. E, sobretudo, teremos, de certeza, mais uma noite como esta no Pavilhão João Rocha.

Após 1 ano de existência depois dos primeiros 100

Por André Bernardo
31 Mar, 2023

Editorial da edição n.º 3917 do Jornal Sporting

O Jornal Sporting completa hoje o primeiro ano de existência após os primeiros 100.

A 31 de Março de 1923, o Boletim Sporting Club de Portugal celebrava o seu primeiro ano de vida, edição que hoje publicamos juntamente com a de aniversariante pelos 101 anos.

É assim que gosto de ver a celebração deste aniversário, como o primeiro para completarmos um novo ciclo de 100 anos, honrando o passado, mas com olhos postos no futuro.

E foi assim que, há precisamente 100 anos, contra os mais cépticos, um ano depois de nascer “franzino e acanhado”, nas palavras de José Serrano, contrariando “aqueles que diziam não ser viável a conservação de um Boletim destinado aos sócios do nosso Club, não só pela despesa que traria, como também pela falta de perseverança daqueles que tomassem a seu cargo a confecção do mesmo”, que o Boletim Sporting Club de Portugal completava o seu primeiro ano de idade.

Festejava Júlio de Araújo, “um ano de muito trabalho numa publicação difícil e que alguns supunham de pouca dura (..) O Sporting Club de Portugal está marcando acentuadamente o seu direito à classificação de um grande club.  Impõe-se que do esforço de todos resulte um brilhante futuro para a colectividade”.

Como se de uma prova de atletismo com obstáculos se tratasse, o Jornal Sporting saltou todos os 101 obstáculos que muitos profetizaram como fatais na altura do seu lançamento para conquistar o título de “O Mais Antigo Jornal de Clube do Mundo”.

E encarando a prova como de estafetas, vai passando o testemunho de geração em geração, fruto do espírito vanguardista que conserva de origem, e que o mantém vivo na nova era global e digital.

A disciplina de treino que preserva no seu rigor informativo assegura a sua credibilidade.  

Ao dia de hoje, o Jornal Sporting celebra a sua longevidade e agradece a todos os Sportinguistas que lhe deram vida.

Com o mesmo ADN manterá o seu caminho, sempre em prol do que nos une: o Sporting Clube de Portugal!

A 31 de Março de 2023 apagamos 101 velas, cantamos os Parabéns a todos os Sportinguistas e…começamos um Ano Novo…

Londres... Épica e inesquecível... eternos Pote e Adán!

Por Tito Arantes Fontes
23 Mar, 2023

Hoje − como não podia deixar de ser − o assunto é de festa e regozijo! A nossa noite da passada 5.ª feira foi épica! E gloriosa! O SPORTING ofereceu-nos um espectáculo de luxo! Um grande jogo de futebol em Londres, no Emirates Stadium! Oitavos-de-final da Liga Europa, contra o Arsenal! Mas que − como ouvimos e lemos em vários meios de comunicação social − mais parecia um jogo de Champions! Como, aliás, há umas semanas dissemos neste mesmo jornal. Dada a qualidade das duas equipas! De um lado o líder isolado, quase desde o início, da Premier League. Do outro, o SPORTING, um dos maiores clubes da Europa com permanente histórico nas competições europeias e algumas páginas gloriosas. Pois bem, e o que tivemos? Um jogo soberbo do SPORTING! Inteligente, pragmático, bem jogado, com cabeça, permanente foco, adversário bem estudado, missão laboriosamente definida! Foi um regalo. A primeira meia hora da segunda parte é de verdadeira antologia! Tal como em Lisboa nessa altura poderíamos ter "morto" a eliminatória! Foram todos heróis. Mas sim, há que fazer destaques! Justos destaques! Primeiro, como não, salientar a portentosa exibição de Diomande, um miúdo de 19 anos, acabado de chegar a Alvalade, que ainda há dois meses militava na 2.ª divisão, jogando pelo Mafra... pois chegou ao Emirates e parecia que jogava ali desde que nasceu! Depois, referir a qualidade, o acerto, o arreguenho, a vontade dos demais... Matheus Reis em grande plano, Gonçalo Inácio imperial, St. Juste a exibir o luxo do seu futebol, Esgaio um portento, Ugarte incansável, Trincão codicioso como nunca, Paulinho utilíssimo, Edwards um permanente quebra-cabeças! E sim... duas super estrelas ainda a brilharem na noite de Londres... Adán faz a sua maior exibição de sempre ao serviço do SPORTING! Como, aliás, foi bem salientado pela imprensa, desde logo − como seria de esperar − à espanhola! Defesas portentosas, várias, uma verdadeira meia dúzia durante o jogo (ui, aquele desvio para o poste, depois do calafrio com o infeliz atraso do Essugo, foi soberbo!). Um esteio durante todo o jogo! Um pilar intransponível na fase mais crítica do jogo (a verdade é que a este nível não se ganham eliminatórias sem sofrimento!), ou seja, na segunda parte do prolongamento, nomeadamente no minuto 116. Merecidíssimo prémio − atribuído pela UEFA − de Jogador da Semana! E depois a brilhar igualmente a grande altura, ele, sim, o nosso Potter! No caso o Pote de Ouro! Marca o "golo do século" com um fenomenal, espantoso e estratosférico golaço só ao nível de um verdadeiro predestinado! Um tiro do meio-campo, quase a 50 metros da baliza, aproveitando o adiantamento do atarantado guarda-redes inglês... e pum, sem balanço, cá vai disto... e com peso, conta e medida faz o "impossível"... um "chapéu" de irrepreensível execução técnica, como eu nunca tinha visto ao "vivo e a cores"! Épico! Um golaço! Uma memória eterna para a nossa vida! Parecido, mas passando ao lado, a um metro da baliza, só vi mesmo o chapéu do Rei Pelé ao guarda-redes da Checoslováquia, no Mundial de 1970, esse rematado uns dois ou três metros antes da linha de meio-campo! Nunca pensei na vida assistir a algo parecido. Pois bem, foi com o nosso Pote, com a camisola do nosso SPORTING, num momento de enorme exaltação Leonina que varreu o mundo de lés-a-lés! Golo da semana para a UEFA, claro! E fortíssimo candidato ao Prémio Puskas do ano! Eu até arriscaria... único candidato mesmo! Esta eliminatória fica na História do SPORTING! E tem momentos inesquecíveis! A heróica "cavalgada" de St. Juste em Alvalade para defender as nossas redes, o golão do Pote em Londres, a portentosa exibição de Adán! Mérito total do SPORTING! Tanto mais de enaltecer, quando − apesar da boa arbitragem do jogo de Londres − não há como esquecer que o Arsenal só marcou dois golos em Lisboa (e leva consequentemente a eliminatória empatada para o Emirates) porque beneficiou nesses lances de faltas dos seus jogadores que não foram assinaladas pelo árbitro!

Liga EUROPA (mais) − vem agora aí a famosíssima Juventus! Vão ser uns quartos-de-final tremendos. A "Vecchia Signora" é uma equipa italiana, nunca esquecer isso. E neste domingo ganhou ao Inter em Milão... marcou um golo e fechou-se... é futebol bonito e de encher o olho? Não! Mas é tremendamente eficaz! Cuidado, portanto... porque não fora a penalização dos 15 pontos no início da época e − neste momento − a Juventus estaria isolada no segundo lugar do campeonato italiano. E não mais abaixo, como o Inter, a disputar lugares de acesso à Champions. Definitivamente os verdadeiros "Jogos Champions" desta época, com as melhores equipas do Mundo, são mesmo no José Alvalade! E não noutros lados da cidade de Lisboa!

Selecção − Saiu a primeira convocatória do novíssimo Roberto Martínez. Muita "herança" (ainda) dos velhos e anteriores hábitos. Muita "evolução na continuidade". Viu − contudo – Gonçalo Inácio, convocando-o e corrigindo a tremenda injustiça que Fernando Santos com ele cometeu em não o ter levado ao Mundial do Catar! Não viu o Pote... ainda bem, pois o nosso Potter é mesmo "jogador a mais" para o nível confrangedor que a Selecção exibiu no último jogo com Marrocos. É de qualquer modo uma convocatória "triste", sem chama, sem rasgo, sem apelo à meritocracia... oxalá Martínez venha a mostrar que não temos ali uma continuação do Santos, agora em versão de "sotaque espanhol"!

Campeonato Nacional − Não jogámos no fim-de-semana e só acertamos calendário no início de Abril, quando "recuperarmos" o jogo com o Gil, que agora ficou em atraso. No resto é de salientar o empate no jogo de Braga (curiosamente nenhum dos "grandes" ganhou em Braga, um até foi goleado e quando nós na 1.ª jornada lá empatámos houve até − incluindo alguns Sportinguistas − quem montasse uma "crise"... enfim!). Assim, com este resultado, "ganhámos quatro pontos"… não podíamos ter tido melhor resultado! Façamos o nosso trabalho e a nossa obrigação que é indubitavelmente ganhar os nossos jogos! E − no fim − veremos mesmo quem vai à Champions na próxima época! Nós acreditamos em vocês!!!

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

Adán

Por Pedro Almeida Cabral
23 Mar, 2023

Quando daqui a uns anos se revir o inesquecível jogo do Sporting Clube de Portugal contra o Arsenal FC, será obrigatório ver de perto e em câmara lenta o golo de Pote. Não foi apenas um chapéu do meio da rua, impecavelmente medido para desfeitear um desemparado Ramsdale. Foi sim um golpe de génio de um jogador que, por vezes, faz coisas que só mesmo ele consegue fazer. Tão marcante como o golo foi a imagem de um adepto arsenalista, de boca aberta, não acreditando no que havia sucedido. A partir de agora, esta imagem será inseparável do golo. A maior homenagem será essa: conseguirmos ver a chapelada de Pedro Gonçalves através da reação incrédula de um adepto do Arsenal FC. Coisas como estas só estão ao alcance dos grandes jogadores.

Não poderia começar esta crónica sem falar do monumental golo de Pote. Mas se ultrapassámos o todo-poderoso Arsenal FC, líder isolado do campeonato mais competitivo da Europa, a Adán o devemos. Falar deste jogo é falar de Adán. Ainda ontem tive oportunidade de ver um resumo das defesas de Adán coligido pela UEFA e o espanto não cessa de aumentar. O nosso guarda-redes fez nada mais nada menos do que oito defesas de excepcional dificuldade! Talvez a mais memorável de todas seja aquela em que desvia o remate de Trossard para o poste, aos 97’. E ainda nem sequer falei do penálti defendido, que permitiu a Nuno Santos selar a eliminatória com o golo final. Perante a bomba de Martinelli, Adán soube opor as suas duas mãos, negando o golo arsenalista com convicção. Foi uma exibição digna de um guarda-redes que foi, naqueles 120 e tal minutos, o melhor do Mundo. Não por acaso, foi eleito o jogador da semana da Liga Europa.

E é exactamente aqui que devemos ver como o futebol imita a vida de forma tão perfeita que explica a razão pela qual é o desporto mais popular do planeta. O mesmo Adán que nos valeu a passagem aos quartos-de-final da Liga Europa pela sétima vez, foi quem esta época esteve menos bem nalguns lances. Quando pensavam que o experiente espanhol poderia já não ter a frescura de épocas passadas, como aquela em que fomos campeões, ele surge com um jogo que foi decidido, sobretudo, por ele. Esta é a grande lição do desporto: há sempre margem para a nossa superação na constante luta que travamos connosco. Que Adán se tenha superado desta maneira é fabuloso. Que o tenha feito perante todo o Mundo envergando a camisola do Sporting CP fica para a eternidade. 

Um momento mágico

Por Juvenal Carvalho
23 Mar, 2023

"Um golo especial marcado por um jogador especial". Foi assim que Rúben Amorim se referiu na conferência de imprensa realizada após o jogo, ao momento mágico protagonizado por Pedro Gonçalves.

Genial, inolvidável, sublime, espantoso, estratosférico, são adjectivos que me assaltam para descrever aquele momento que vai correr Mundo, o qual arrisco dizer que terá sido dos mais fantásticos que me recordo de ver num jogo de futebol

O Emirates Stadium e o poderoso Arsenal curvaram-se perante este momento de um Leão genial, de carácter e com uma personalidade tão arrebatadora, que os cerca de quatro mil leões que presenciaram ao vivo e os milhões que assistiram pela televisão, jamais esquecerão aquele momento. Que estarreceu os ingleses, que se curvaram à classe daquele menino franzino, mas com "potes" de talento, nascido em Trás-os-Montes, terra de gentes de têmpera.

Mas para além do momento especial do tal jogador especial, o importante é falar do todo que representou a chegada do Sporting CP aos quartos-de-final da Liga Europa. E nesse todo, que alegria imensa tivemos todos os que trazem o Leão no coração, muito passou pelo "dedo" do mestre Rúben Amorim, que colocou o Leão desde o início do jogo com pose senhorial e que mostrou rapidamente ao que ia. Personalidade, atitude ímpar e muita e bem conseguida posse de bola, que nem o golo do Arsenal − na primeira vez que os londrinos chegaram à nossa baliza, nos demoveu. Foi com classe, carácter e toneladas de querer... querer muito, que após o golo do Arsenal o Sporting CP foi sempre mais equipa até ao minuto 90 e depois soube sofrer no prolongamento, na tal lógica do "onde vai um vão todos". Nem a expulsão de Ugarte − quanta classe e pulmão ele tem, fez ruir o sonho. Guardado para o fim estava o momento de colocar a cereja no topo do bolo em nome de grandes penalidades. Onde a sorte deu muito trabalho. Primeiro Jeremiah St. Juste deu o mote, para que seguidamente, por esta ordem, Ricardo Esgaio, Gonçalo Inácio, Arthur Gomes e por fim − qual momento para mais tarde recordar − Nuno Santos, colocassem o Sporting na próxima eliminatória, ancorados pelas luvas de Antonio Adán, que brilhantemente segurou a quarta grande penalidade marcada pelos gunners, adivinhando o local para onde o brasileiro Gabriel Martinelli quis colocar a bola.

Estava assim, com sangue, suor e lágrimas, estas de uma alegria imensa, consumado um momento fantástico da vida do nosso Clube − mais um.

Agora o tempo é de olhar para o futuro, não só no Campeonato Nacional, como na Liga Europa, já no dia 13 de Abril, porque foi a 'vecchia signora' que nos calhou no sorteio, enfrentar a Juventus olhos nos olhos e com a confiança plena que o caminho da meia-final pode ser possível. Superando-nos de novo. Que se cuidem os adversários, porque este Leão, que já teve momentos menos bons esta época, está vivo e de boa saúde. Que o Arsenal tenha sido o ponto de partida para algo inolvidável. Como alguém do futebol disse um dia: 'Deixem-me sonhar'. Porque ainda é grátis, e acreditar é algo que a têmpera deste grupo de trabalho nos permite. 

Fomos Leões indomáveis. Contem connosco. Somos o Sporting Clube de Portugal! 

Para mais tarde recordar

Por Miguel Braga
23 Mar, 2023

Há jogos assim. Que ficam gravados na memória colectiva, não só de todos os Sportinguistas, mas de todos os portugueses. O Sporting CP foi a Londres discutir com o Arsenal FC a passagem aos quartos-de-final da Liga Europa, sabendo que do outro lado do campo estava o líder da Premier League, com uma equipa recheada de estrelas e com um orçamento muito superior ao nosso.

O Emirates Stadium estava cheio, com um total de 59.929 adeptos: dos nossos 4.000 ao camarote da norte-americana Kim Kardashian, todos aguardavam com uma certa ansiedade o apito inicial do árbitro espanhol Antonio Mateu Lahoz, marcado para as 20h00.

As estatísticas de jogo provam que foi um confronto equilibrado e bem jogado: 53% de posse de bola para a equipa inglesa, 47% para o Sporting CP; 13 remates para eles, 15 para nós; percentagem de passe de ambas as equipas acima dos 80%; cinco cantos para o Arsenal FC, sete para o Sporting CP; mais de 1.000 passes certeiros entre ambas as equipas.

Ao golo marcado pelo Arsenal FC ainda na primeira parte, respondeu o Sporting CP com um momento de génio de Pedro Gonçalves: “fantástico”, “inacreditável”, “golo do ano”, “incrível”, “fabuloso”, “do outro mundo”, foram alguns dos elogios escritos na imprensa nacional e internacional. Estávamos no início do minuto 61 do jogo, quando o nosso 28 recuperou a bola ainda no nosso meio-campo; alguns passos sozinho com a bola e Pote fez aquilo que ninguém estava à espera: rematou à baliza a mais de 50 metros, e nem o voo de Aaron Ramsdale evitou o momento de Glória. Estava feito o empate e estava dado o mote para uma noite histórica do Sporting CP.

Até final do jogo, António Adán provou porque é um guarda-redes fora de série e a equipa bateu-se estoicamente contra um dos clubes mais em forma esta época – em 2022/2023 a equipa de Mikel Arteta venceu 72% dos seus jogos (percentagem que sobe para os 74% se contabilizarmos apenas os jogos em casa).

Acabámos o jogo com dez jogadores – devido à expulsão de Manuel Ugarte já no final do prolongamento −, sendo que metade desses jogadores são sub-21: na defesa, Ousmane Diomande com 19 anos e Gonçalo Inácio com 21; no meio-campo, Dário Essugo com 18 anos e Mateo Tanlong com 19; na frente de ataque Youssef Chermiti também com 18 anos. Juventude que nos garante o futuro, mas que conta e de que maneira para o presente do Clube. Caberá a Rúben Amorim e à sua equipa técnica continuar a trabalhar e a aproveitar estes (e outros) activos talentosos à sua disposição.

Antes do próximo jogo na Liga Europa frente aos italianos da Juventus FC, em Turim, o Sporting CP terá um triplo embate interno no espaço de nove dias, frente ao CD Santa Clara (casa), Gil Vicente FC (fora) e Casa Pia AC (fora). Mais uma vez a receita está dada: um jogo de cada vez, no final faremos as contas. Abril será mais um mês decisivo.

London Calling em modo Repeat

Por André Bernardo
23 Mar, 2023

Editorial da edição n.º 3916 do Jornal Sporting

London Calling é uma música que dá nome ao terceiro álbum da banda britânica The Clash, considerado pela revista Rolling Stone o melhor álbum da década de 801.

Na origem da letra, e do próprio LP, estão várias curiosidades que vieram à tona do meu pensamento a propósito do jogo com o Arsenal FC. Começo pelo título, que é uma referência à forma como a BBC abria os boletins radiofónicos antes de anunciar os bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial: “This is London Calling…”. O gatilho para a construção da música, que tem um tom apocalíptico irónico sobre o fim do mundo, veio, porém, do título do jornal London Evening Standard, que anunciava que a subida do Mar do Norte poderia pressionar o Rio Tamisa e causar a inundação de Londres, o que acabou por ser literalmente transmitido na própria letra da música: “London is drowning and I live by the river”.

Foi o álbum London Calling que fez subir os The Clash ao pódio da música internacional e ser considerada uma das maioríssimas bandas de estilo punk, retratados pela sua irreverência face ao Status Quo. 

 

(Don’t) Mind the Gap

Londres “chamou” o Sporting CP para a segunda mão frente ao Arsenal FC, líder da Premier League e a viver o seu melhor momento dos últimos 20 anos, com todas as odds a seu favor.

O resto já é conhecido, mas foi em estilo punk que o Sporting CP detonou “uma bomba” no establishment da Premier, inundando o Emirates com um maravilhoso futebol e uma épica vitória Leonina. Curiosamente, a inundação não foi só futebolística. A chuva que se fez sentir durante o jogo literalmente inundou parte do estádio arsenalista e obrigou à saída de alguns dos adeptos do Arsenal das bancadas afectadas.

Ao contrário da famosa recomendação do metro londrino, e que virou imagem de marca turística do Reino Unido, o Sporting CP (didn’t) Mind The Gap de milhões que o separam do Arsenal e entrou à Leão, e nunca se sentiu tão “alike”.

 

Modo Repeat

Quando vou levar ou buscar a minha filha de três anos à creche, ela pede-me sempre que coloque a mesma música. Quando esta termina pede-me que volte a repetir. E já reconhece o símbolo para activar o modo repeat, quando este não está seleccionado. Ouvimos a mesma música durante o caminho todo.

Os dois jogos que o Sporting CP fez contra o Arsenal são para colocar em modo repeat. Não apenas pela passagem e o resultado em si, mas pela qualidade do jogo que demonstrámos, nivelando as águas num contexto actual de uma Premier League (e de um Arsenal) em modo Superliga. E, também, obviamente, pelo Prémio Puskas que Pedro Gonçalves roubou a Nuno Santos, ambos para ver, voltar a ver, e repetir a seguir.

E é também em modo repeat que o Sporting CP tem que entrar em campo em todos os próximos jogos.

 

“Now get this

London calling, yes, I was there, too
And you know what they said? Well, some of it was true
London calling at the top of the dial
And after all this, won't you give me a smile?

I never felt so much alike, alike, alike, alike”

 

1 – O álbum foi lançado em 1979, mas só chegaria aos Estados Unidos já no início de 1980, o que levou a Rolling Stone a enquadrá-lo como melhor álbum da década de 80

Dias de Sporting

Por Pedro Almeida Cabral
16 Mar, 2023

Não há nada como um dia de Sporting. Melhor só mesmo vários dias de Sporting. Quem acompanha o Sporting Clube de Portugal e vibra com os desempenhos dos nossos atletas em qualquer campo, pavilhão, pista, estrada ou piscina, teve uns últimos dias bem recheados para celebrar o seu, e o nosso, Sportinguismo. Não foram apenas vitórias ou resultados dignos de nota. Foram sim dias seguidos de conquistas e triunfos que valem muito pela superação que os nossos atletas nos deram. 

Começámos sábado com dois troféus bem saborosos e uma vitória marcante. Fomos heptacampeões de rugby feminino ao vencer o SL Benfica por 15-12. O feito tem mais alcance quando se sabe que ainda não tínhamos conseguido vencer a formação benfiquista esta época. Recuperámos de uma desvantagem inicial de 0-7 com mérito das nossas Leoas. E é já o terceiro campeonato seguido na variante de XV (antes ganhámos na variante de XIII e em sevens). De seguida, a nossa equipa feminina de voleibol conquistou brilhantemente a Taça de Portugal perante a AJM/FC Porto. Recuperámos um troféu que ganhámos pela última vez há 37 anos (embora com longa ausência da modalidade pelo meio). Uma final emocionante, ganha por 3-2, na negra, em que o Sporting CP foi um justo vencedor. Ainda no mesmo dia, pudemos assistir a um espectacular jogo de futsal perante o SC Braga em que o Campeão Nacional Sporting CP jogou tudo aquilo que sabe jogar. A vitória por 6-2 em campo alheio é esclarecedora e não deixou margem para dúvidas da vontade de vingar a única derrota sofrida até agora, na primeira volta, no Pavilhão João Rocha. Ficámos líderes isolados e passámos os 100 golos marcados. Nada está ganho, mas a jogar assim, a equipa promete.  

Já no domingo, exibição tranquila da equipa de futebol perante o Boavista FC com vitória por 3-0. Diomande comprovou que é jogador, Esgaio esteve particularmente bem, Edwards jogou perto da sua melhor forma e Nuno Santos marcou o golo de letra que, provavelmente, será o golo do campeonato. Não era possível pedir muito mais por estes dias. Mas o Clube tem sempre algo mais para dar. Na terça-feira, foi a vez dos jovens Leões marcarem presença na final a quatro da Youth League ao vencerem o Liverpool FC em Alcochete por 1-0. Cortesia de Rodrigo Ribeiro, com um golo irrepreensível, e de toda uma equipa solidária e unida, que soube ter a solidez defensiva necessária para levar de vencida os ingleses.
Dias de Sporting assim, com títulos, exibições memoráveis, jogadas inesquecíveis, lutando até ao último momento pela glória, são e hão-de ser sempre os melhores dias.

De êxitos se escreve a História

Por Juvenal Carvalho
16 Mar, 2023

Como costumo dizer aos amigos mais chegados, ter o privilégio de escrever para o Jornal Sporting semanalmente, não só me faz exacerbar em escrita o Sportinguismo como, sabendo que ninguém ganha sempre, e que tantas vezes o sucesso é efémero, na vida como no desporto, tenho a felicidade de falar sobre êxitos, que são recorrentes no nosso universo, além de poder falar de pessoas que tanto deram ao Clube, sejam elas mais ou menos mediatizadas. 

E esta semana não me faltam motivos para exacerbar a alegria das conquistas, desta vez no feminino, com a sensualidade e beleza da mulher, para mais na semana em que se celebrou o seu Dia Internacional. Foi assim em jeito de homenagem a todos nós, mas principalmente às mulheres Sportinguistas, e tantas elas são, que o rugby feminino conseguiu, pela sétima vez consecutiva, sagrar-se Campeão Nacional da modalidade após derrotar na empolgante final o eterno rival (15-12), bem como o voleibol feminino, que 37 anos depois conseguiu a obtenção da sua terceira Taça de Portugal, com os ares do Minho, mais propriamente de Viana do Castelo a inspirar as nossas Leoas, que derrotaram o Porto Volei e a AJM/FC Porto na meia-final e na final, respectivamente.

Sabemos que o desporto feminino começa a ter cada vez mais impacto no universo desportivo português, e que estas vitórias não só trazem prestígio ao Clube, como acrescentam História ao nosso Museu. E foi literalmente até ao fim que as comandadas por Francisco Sande e Castro e Rui Pedro Costa, quais Leoas de têmpera e de antes quebrar por torcer, que no caso do rugby depois da obtenção de três ensaios, aguentaram estoicamente a pressão final do adversário, e que no voleibol, em jogo de nervos e de "ponto cá ponto lá", a "negra" foi decidida nos detalhes, e apenas quando a bola bateu no chão no derradeiro ponto, as Leoas festejaram como se não houvesse amanhã, uma vitória conseguida com toneladas de suor ante um adversário muito forte.

E se este fim-de semana foi de sucesso, não só nas conquistas de troféus como na generalidade das competições em que entrou em compita o símbolo do Leão, também na passada terça-feira o Sporting CP viveu mais um momento histórico, com o apuramento para as meias-finais da UEFA Youth League ao vencermos o Liverpool FC, um histórico do futebol mundial, com um golo 'à ponta de lança' de Rodrigo Ribeiro. Foi assim alcançada pela primeira vez a final four da prova, numa demonstração cabal que aquela escola que deu Luís Figo e Cristiano Ronaldo, entre tantos outros, está viva, recomenda-se, e pronta a ombrear com os melhores clubes formadores da Europa. 

Foi, pois, uma semana fantástica para o universo Leonino. De êxitos no feminino e de regresso aos grandes momentos do nosso futebol de formação.

De êxitos se escreve assim a História de mais de um século de vida do Sporting Clube de Portugal!

Obra de arte... e obra de "Belzebu"

Por Tito Arantes Fontes
16 Mar, 2023

Em Alvalade, no domingo à noite, mais um “jogo perfeito” do SPORTING, desta feita contra o Boavista. Marcámos três golos, não sofremos nenhum. E o primeiro golo, o do Nuno Santos, é uma “obra de arte”, com um perfeito e fantástico “remate de letra” no coração da área! Vale a pena ver e rever! Sublime! Dominámos a partida de “fio a pavio”. A equipa está claramente mais consistente, a trabalhar bem, exibindo bom futebol, criando uma imensidão de oportunidades e não sofrendo nenhum golo! Desta feita Franco Israel − por lesão de Adán − nem incomodado foi! Além da exibição do SPORTING e do evoluir do marcador havia outro motivo de interesse neste jogo… ver a qualidade dessa “extraordinária” dupla de árbitros do futebol português que dá pelo nome de João Pinheiro (no campo) e Rui Costa (no VAR). Chega a ser hilariante o que fazem para “roubar” o SPORTING! Vale tudo! Desta feita o zénite − cristalizado numa autêntica "obra de Belzebu"! − foi o indiscutível penálti sofrido pelo Trincão quando caminhava isolado no coração da grande área para a baliza numa evidente e gritante grande oportunidade de golo! Foi abalroado por um jogador do Boavista. E, claro, João Pinheiro, sagaz, com “olho de lince”... quiçá até de "ave de rapina", logo fez, autoritário,  sinal que “não era nada”! Rui Costa no VAR, outro "maestro" da arbitragem nacional, seguiu-lhe as pisadas… nada assinalou! E a crítica especializada que disse? Pois, de modo unânime, que ficou por marcar evidente penálti a favor do SPORTING e consequente expulsão do jogador do Boavista! É assim João Pinheiro… só vê penáltis contra o SPORTING! A nosso favor… ui, tá quieto… dá-lhe sempre um oportuno “ataque de cegueira” e nada vê, nada marca! Não espanta… é o mesmo árbitro que assinalou em Alvalade três penáltis contra o SPORTING no final de Agosto de 2019, em jogo com o Rio Ave, clube onde na altura jogava um tal de Sr. Taremi! E é o mesmo que viu este mesmo Sr. Taremi pisar no Dragão o Coates e amarelou… pois, quem? Exactamente a vítima… o Coates! Amarelado por ter sido pisado! Um "sábio" do apito! Estamos fartos! Mas as “autoridades” assobiam para o lado… e bem sabendo disto tudo… nomeiam descaradamente esta dupla para apitar em Alvalade! Irra! É demais!

E agora… segue-se a Liga Europa com o grande jogo do SPORTING em Londres! Esperança bem alto! Força SPORTING! Nós acreditamos em vocês!

Youth League − escrevo estas linhas quando acabámos de ganhar o nosso jogo com o Liverpool. Estive em Alcochete... estava cheio o Estádio Aurélio Pereira, desde logo com a presença magnífica do próprio Aurélio! Bela jogatana! Vitória merecida da melhor equipa em campo! Rodrigo Ribeiro mais uma vez decisivo! Callai um esteio na baliza! Parabéns, Miúdos! Estamos na final four... aí vamos nós para Nyon!

Rugby − magnífica e épica vitória no Campeonato! Está ganho e bem ganho! O jogo no Jamor foi “trabalhoso” e difícil contra o vizinho do outro lado da segunda circular… e sim, ganhámos na raça, no querer, no arreguenho! Leoas de Juba Alta! E que bom foi vê-las e assistir ao enorme tributo que a massa associativa lhes rendeu no intervalo do jogo de domingo à noite, em Alvalade! Elas mereceram!

Voleibol − igual referência merece a nossa equipa sénior feminina! Arrecadou no fim-de-semana mais um título! Desta feita a Taça de Portugal, na final contra o FCP. Jogo muito disputado… e no fim “limpámos” assunto por 3 a 2! Também na raça e no querer! Parabéns, Leoas!

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

P.S.: Merece uma especial menção a coluna "Aquele Telefonema" do Juvenal Carvalho no Jornal Sporting do passado dia 2 de Março. É assim mesmo que se definem os Sportinguistas, os de sempre e para sempre! Os de todos os dias! Juvenal escreve no Jornal Sporting há 11 anos... atravessou já três presidentes, várias direcções do jornal... e é, sempre foi e continua a ser um Leão de Juba Alta! Obrigado, Juvenal!

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