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Opinião

O enorme Nelson Serra

Por Juvenal Carvalho
26 Fev, 2026

Sou, comum dos mortais, uma pessoa com defeitos e com virtudes. Mas uma das minhas virtudes é saber ser grato e reconhecido. 

E no último "Eu lembro-me de ti", um programa dos muitos que vejo religiosamente na Sporting TV, este da autoria do meu amigo Vítor Cândido, que é uma enorme referência do Sportinguismo, que sabe do Clube como poucos e que dá a conhecer as muitas lendas que tanto deram ao símbolo do Leão rampante, foi com o Nelson Serra.

E, ao ouvir deliciado aquele que é um dos melhores jogadores portugueses de basquetebol de todos os tempos, que começou por agradecer ao Sporting Clube de Lourenço Marques e ao Sporting Clube de Portugal por tudo aquilo que o ajudaram a ser quem foi; que o verde e branco, clube que é o seu amor de uma vida e que foi o único emblema que serviu como jogador, entre outras estórias arrebatadoras e emocionantes, falou dos enormes dirigentes que foram os saudosos Vítor Salgado e Edgar Vital até que chegou a vez do Juvenal Carvalho, que sim, era um miúdo então quando entrou pela porta do dirigismo pelo basquetebol. Um miúdo que o Edgar Vital apostou para ser dirigente de uma equipa sénior.

Da equipa que eras o treinador. Do miúdo, que ainda mais miúdo então, te viu jogar e encestar de todo o lado com aquele teu lançamento que destruía as equipas adversárias com a mão atrás da cabeça. Que já te idolatrava quando ainda não te conhecia pessoalmente. Que, quando te conheceu pessoalmente vi, além do jogador e treinador, um extraordinário ser humano, daqueles que ficam como amigos para a vida.

Nelson, assumo que me fizeste chorar pela surpresa que me fizeste – apesar de saber da tua estima para comigo, que sabes ser recíproca. Recordo-me perfeitamente daquele momento em que te anunciei seres Prémio Stromp pela segunda vez, depois de jogador do ano, como treinador do ano. Como disseste, senti uma alegria genuína e sei que o partilhaste por todo o grupo que contigo trabalhava.

Este "miúdo" de hoje, já avô de duas Leoas – como o tempo voa – tem um orgulho imenso de contigo ter trabalhado. De contigo tanto ter aprendido de Sporting.

De contigo saber que os valores leoninos estavam simbolizados na perfeição. 

Deste "miúdo", vai daqui um humilde agradecimento por ter sido por ti referenciado no "Eu lembro-me de ti". 

Porque eu, por mais que o tempo passe, lembro-me de ti sempre... e para sempre.

És uma lenda. És um Campeão. És um ser humano de excelência. 

Eu serei apenas aquele então miúdo que durante anos serviu o Sporting Clube de Portugal como dirigente e que, com tanto orgulho, me cruzei contigo.

P.S – E que melhor forma teria para acabar este texto, em que falei de uma lenda da "minha" modalidade, quando quis o destino que o momento coincidisse com o basquetebol a escrever mais uma página a letras de ouro da sua História e a trazer a sua 9.ª Taça de Portugal para o Museu Sporting.

Parabéns, basquetebol!

Parabéns, Sporting Clube de Portugal

Rugido de Leão na Taça de Portugal

Por Mafalda Barbosa
26 Fev, 2026

Editorial da edição n.º 4065 do Jornal Sporting

O basquetebol do Sporting Clube de Portugal voltou a escrever uma página de Glória na sua História ao conquistar, três anos depois, e pela nona vez, a Taça de Portugal.

Mais do que um troféu, esta vitória representa identidade, ambição e a confirmação de que o Leão está sempre entre os grandes do basquetebol nacional.

Num jogo de intensidade e enorme exigência competitiva, a equipa Leonina demonstrou aquilo que define o ADN Sporting: espírito de sacrifício, união e uma crença inabalável até ao último segundo.

Cada defesa agressiva, cada ressalto conquistado, cada lançamento decisivo reflectiu não apenas talento, mas sobretudo carácter.

Esta conquista tem um significado especial. A Taça de Portugal é uma prova de superação, que exige consistência, maturidade e mentalidade vencedora e o Sporting CP mostrou tudo isso. Mostrou que o projecto desportivo está sólido, que a aposta na modalidade continua a dar frutos e que o trabalho diário compensa.

Num clube ecléctico como o Sporting CP, cada título reforça uma cultura vencedora transversal a todas as modalidades.

Parabéns, Leões!

O Campeão voltou!

Por Juvenal Carvalho
19 Fev, 2026

Se a imagem de marca da nossa equipa de futebol é saber sofrer e ter de contrariar equipas que vêm ao nosso estádio com pouca predisposição para jogar futebol olhos nos olhos, a verdade é que mais uma vez, agora ante o FC Famalicão, foi um Sporting CP de muita crença e com um acreditar até ao fim, que é patente a cada jogo, que apareceu mais uma vez a vitória.   

Ficam os três pontos e o segundo golo de Daniel Bragança, este com uma cabeçada fantástica, após o regresso de lesão. Agora, é já a deslocação ao Moreirense FC, no próximo sábado, às 18h00 que está na mente. E volta a ser a lógica do ganhar... ou ganhar, que está na mira de um Leão que irá acreditar no Tri até ao fim. Eu acredito, nós acreditamos. Vocês sabem disso, rapazes. 

Mas hoje, apesar do futebol fazer mover paixões, o meu principal foco neste espaço vai para o atletismo. Lembro-me dos tempos em que, tantas vezes sozinho, ia ao Estádio Nacional ver a Taça Dr. Fernando Amado e no mesmo local e/ou ao Estádio Universitário de Lisboa ver os Nacionais de pista. O atletismo é algo de que gosto muito, e genuinamente das modalidades que mais alegrias me deu no meu processo de crescimento enquanto Sportinguista. Nesse mesmo crescimento, assisti ao domínio esmagador do Sporting CP anos a fio. Também assisti, sobretudo no sector masculino, ao rival dominar. 

Mas eis que temos o Leão de regresso aos títulos. A cidade de Braga viu o Sporting CP revalidar o título nacional de pista coberta no feminino e arrebatar o título nacional no masculino ao eterno rival. Parece estar escrito nas estrelas que o atletismo nacional vai preparar-se para assistir ao regresso da nossa hegemonia. Da hegemonia do clube que, em ambos os sexos, mais títulos nacionais a larga distância ostenta, tanto na pista como na pista coberta, ou no corta-mato.  

Hoje, o tempo é de uma secção coordenada com infinita capacidade pelo Professor Paulo Reis, desde os escalões mais jovens, que não só ganham os seus títulos nacionais a larga distância dos demais, como são a imagem de um trabalho que está mais do que provado que é o garante de um futuro que se prevê fantástico. O rumo é por aqui, pelo caminho do sucesso pintado a verde e branco. Como o afirmava tantas vezes o professor Mário Moniz Pereira – onde estiver estará imensamente feliz com esta realidade – a sorte dá muito trabalho. E é com base nessa "sorte", feita de transpiração e muita capacidade que irá, acredito plenamente, continuar a ver o domínio do Leão rampante. Agora, é apontar as baterias aos Nacionais de pista lá mais para o Verão.  

Uma convicção tenho. O Campeão voltou – e, como acredito que a competência é a palavra mais adequada para catalogar o actual momento do nosso atletismo, está para ficar. Esta grande conquista teve ainda a particularidade de ser a primeira conseguida após a morte de Fernando Mamede. Esta também é tua. Foi para ti, enorme Campeão!

A força de um legado que se renova

Por Mafalda Barbosa
19 Fev, 2026

Editorial da edição n.º 4064 do Jornal Sporting

O atletismo verde e branco voltou a fazer História.  

Nos Campeonatos Nacionais de Clubes em pista curta, o Sporting Clube de Portugal conquistou, em simultâneo, os títulos masculino e feminino – um feito que não acontecia desde 2023. Mais do que uma coincidência cronológica, é o reencontro com uma tradição de excelência que define a identidade do Clube. 

No sector masculino, os Leões alcançaram o 20.º título nacional em pista curta, o que não acontecia há três anos. Este triunfo não é apenas um número redondo no palmarés; é a afirmação de uma cultura competitiva que atravessa gerações e que transforma talento em rendimento ao mais alto nível. 

Cada ponto conquistado, cada prova disputada até ao limite, reflectiu a ambição que caracteriza o Sporting CP. Não foi apenas uma vitória – foi uma demonstração de carácter colectivo. Num campeonato onde a consistência é tão determinante quanto o brilho individual, os nossos atletas souberam responder com maturidade, espírito de equipa e confiança. 

No sector feminino, as Leoas voltaram a confirmar a sua hegemonia. Revalidaram o título nacional, somando o segundo consecutivo e atingiram a impressionante marca de 30 Campeonatos em 33 edições. Um domínio que fala por si, mas que continua a ser construído com a mesma humildade e ambição de sempre. 

O percurso das nossas atletas é um exemplo de continuidade e exigência. Ano após ano, mantêm o Clube no topo, renovando ciclos, integrando juventude com experiência e preservando uma cultura vencedora que se tornou referência no panorama nacional.  

Esta dupla conquista é, acima de tudo, a prova de que o atletismo continua a ser um dos pilares Históricos do Clube, honrando um legado construído ao longo de décadas. 

No Sporting CP, ganhar não é um destino ocasional. É uma responsabilidade permanente.

Acreditar até ao fim... "à Sporting"

Por Juvenal Carvalho
12 Fev, 2026

Falar da equipa de futebol do Sporting Clube de Portugal é falar de um fantástico exemplo de acreditar... acreditar sempre.  

Assim tem sido, e todos sabemos que marcar no período de descontos não é sorte alguma, como reclamam as carpideiras, longe disso, porque parafraseando o "nosso" eterno Professor Mário Moniz Pereira, a sorte dá muito trabalho. É tão só fruto de uma alma e de um querer que é já uma imagem de marca do Leão. É mesmo até ao fim. É mesmo contra tudo e contra todos. 

E no Dragão, onde só quero falar do jogo, porque o colateral ao mesmo foi algo que devia de merecer bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã. Algo de deplorável. Mas isso é outro registo. O meu registo é só o de preocupar-me com o nosso Clube. Porque só isso me interessa e também porque sei que os nossos dirigentes estarão atentos a esse mesmo lado marginal ao futebol e defenderão a honra e a dignidade do Clube do Leão rampante.  

Sabíamos todos que o jogo era importante e que ao Sporting Clube de Portugal a vitória era o único resultado que interessava, até porque onde entramos em campo, seja literalmente onde for e quando for, é sempre esse o foco. A nossa grandeza a isso obriga. E, sem termos feito um jogo deslumbrante, seria faltar à verdade afirmar isso, olhando para a estatística do mesmo – sei que isso vale o que vale – tivemos mais posse de bola, mais remates, mais remates à baliza, mais oportunidades de golo, mais pontapés de canto. Em suma, fomos quem mais quis ganhar, e isso não sou eu que o digo, é comprovado por factos inquestionáveis e indesmentíveis. 

Mas sem ganharmos, como todos queríamos, saímos vivos do Dragão e com uma crença inabalável que o Tri será possível e que terão que nos aturar até ao fim, porque desistir é para os fracos e esse não é o nosso ADN. 

Não sou de crenças especiais. Não faço também futurologia, por não ter esse dom. Mas quando vi Luis Suárez introduzir a bola na baliza de Diogo Costa, depois de antes muito termos procurado o golo, sobretudo após o imerecido desfecho que se verificava, naquele que foi o último lance do jogo, deu-me alento. Trouxe-me a esperança de que algo muito bonito pode estar para vir lá para Maio. 

Será às nossas cavalitas que estes rapazes irão até ao fim. Faltam 13 jogos, e ainda muita água irá correr por debaixo das pontes. Sei que não dependemos de nós. Sei também que se fosse fácil não era para nós. Mas também sei da fibra de que são feitos estes rapazes de Rui Borges, que quando lhes falta a inspiração, não lhes falta (nunca) a atitude. 

São unos e indivisíveis e de antes quebrar do que torcer.  

O próximo jogo será já no próximo domingo, às 20h30, ante o FC Famalicão, no Estádio José Alvalade. E, sem sobranceria alguma, porque não é esse o nosso registo, e até porque sabemos da valia da equipa minhota, ganhar ou ganhar terá de ser o lema. Com todos juntos, nesta imensa Onda Verde, teremos de ser mais fortes. O rugido do Leão terá de se fazer ouvir. Vamos a isso. Somos enormes. Somos o Sporting Clube de Portugal. O Bicampeão Nacional!

Ambição que honra a História

Por Mafalda Barbosa
12 Fev, 2026

Editorial da edição n.º 4063 do Jornal Sporting

Foi escrita mais uma página de sucesso na História do andebol verde e branco – está garantido o apuramento para os quartos-de-final da Taça de Portugal.  

Uma modalidade que ao longo dos anos construiu um palmarés notável, acumulando vários Campeonatos Nacionais, Taças de Portugal e Supertaças. Ao longo das gerações, passaram pelo clube atletas e equipas que marcaram o andebol português, elevando o nome do Sporting CP e contribuindo decisivamente para o desenvolvimento da modalidade no país.  

Este crescimento sustentado é resultado de um projecto sólido, assente na competência técnica e na aposta contínua na excelência competitiva. 

Actualmente, o andebol do Sporting CP conta com uma equipa que alia juventude, talento e experiência e que demonstra uma cultura vencedora e uma identidade competitiva e ambiciosa.  

“Somos um grupo saudável, que quer estar e lutar junto por um grande objectivo. A equipa foi buscar forças a essa essência, que é gostarmos tanto uns dos outros, lutarmos uns pelos outros, pelo Sporting CP”, defendeu o técnico Ricardo Costa.  

O andebol Leonino reflecte a afirmação de uma modalidade que, ao longo dos anos, se tornou num dos maiores orgulhos do eclectismo do Clube. 

Os Sportinguistas continuam a encontrar no andebol mais uma razão de orgulho, confiantes de que a equipa continuará a lutar por novos títulos e por manter viva a tradição vencedora.

Bilbau, 28 de Janeiro de 2026

Por Juvenal Carvalho
05 Fev, 2026

Já vivemos inúmeros momentos épicos, a grandiosidade do Sporting CP, do futebol às modalidades, é a prova mais do que provada dessa condição. A de recordarmos feitos extraordinários do nosso Clube.

Um clube que já ganhou 44 competições internacionais em sete modalidades diferentes (futebol, andebol, futsal, hóquei em patins, atletismo, judo e goalball) – o que nos faz  ser de longe o maior e mais ganhador do desporto nacional e ainda o terceiro clube do velho Continente que mais títulos internacionais ostenta.

Não era ainda nascido na época da conquista da Taça dos Vencedores das Taças, de 1964, o maior momento da nossa existência no desporto-rei; assisti ao vivo à desilusão – a maior que tive enquanto Sportinguista e que me fez chorar, na final da Taça UEFA de 2005 em pleno Estádio José Alvalade.

Foram estes os momentos mais impactantes do nosso futebol, embora tenhamos vergado ao longo dos tempos alguns "tubarões" do futebol mundial.

Mas hoje, não poderia passar ao lado da fantástica noite de 28 de Janeiro de 2026. Com a cidade basca de Bilbau como palco, o Sporting CP fez História. E que História. Um sensacional sétimo lugar na fase de liga da Champions League que nos garantiu, desde logo, o apuramento directo para os oitavos-de-final da mais importante competição europeia de clubes. Depois de vergarmos o "gigante" Paris Saint-Germain em nossa casa, algo sublime e que fará perdurar no tempo esse feito histórico, e que nos fez partir para a oitava e derradeira jornada a depender apenas de nós para defrontar um Athletic Club que também tinha em aberto o objectivo de seguir em frente na prova. 

Chegado o momento desta noite que entra na galeria imortal da História do nosso Sporting Clube de Portugal, nem a entrada a perder e um menos conseguido primeiro terço do jogo, impediu um Leão que usou o "fato de macaco", lutando por cada bola galhardamente e como se fosse a última da nossa existência, misturado com lampejos de classe individual e colectiva, que sairia vitorioso da "batalha" de San Mamés. 

Os golos da "remontada", feitos de génio, primeiro de Francisco Trincão ao minuto 69 e depois, com uma vontade indómita até ao final, caindo literalmente em cima dos bascos, estaria guardado para o minuto 90+4' o golo do herói improvável e recém-entrado na partida, o menino Alisson Santos, fazendo com que o rugido do Leão ecoasse na Europa do futebol.

Estava feita História. Uma História escrita a letras de ouro. A noite do dia 28 de Janeiro de 2026 ficará para sempre recordada como uma data que assinalou mais um momento mágico da existência do nosso futebol. Um momento que além do mais faz com que se assista ao crescimento do clube no ranking da UEFA, e ainda, não menos importante, à entrada de milhões de euros nos cofres Leoninos. Um chamado dois em um fantástico. Prestígio e reforço financeiro. 

Os fundadores, desculpem repetir o nome deles invariavelmente, até porque são eles que estão na génese da nossa existência feita de conquistas, estarão felizes onde estiverem. 

Que orgulho nos nossos rapazes, que com carradas de Esforço, Dedicação e Devoção nos levaram à Glória. Agora é esperar pelo próximo adversário. O sonho comanda a vida.

 

P.S 1 – Se existe alguém com perseverança, atitude e capacidade de sofrimento, esse alguém é Nuno Santos. 463 dias depois de mais uma lesão grave, eis que está de regresso aos relvados para gáudio da família Leonina. Força, Leão. O mau tempo já passou. 

P.S 2 – Depois de uma vitória – mais uma – feita de acreditar até ao fim, neste caso na magia do calcanhar de Luis Suárez, ante o CD Nacional, hoje para a Taça de Portugal jogamos frente ao AFS, com os olhos postos na continuidade na Taça de Portugal, mas sobretudo na próxima segunda-feira será um Sporting Clube de Portugal que queremos indomável no Dragão. Passa tanto por aí o sonho do Tri.

Até ao último segundo

Por Mafalda Barbosa
05 Fev, 2026

Editorial da edição n.º 4062 do Jornal Sporting

O relógio avançava, o tempo fugia e o resultado teimava em não espelhar aquilo que se passava dentro de campo. Mas há uma verdade que o Sporting CP carrega desde sempre: é nessa luta contra o tempo que o Clube se encontra e se supera.

A vitória ao cair do pano não foi obra do acaso. Foi consequência directa de uma equipa que se recusou a baixar os braços.

Dentro das quatro linhas, cada segundo pesa. O erro paga-se caro, o tempo corre mais depressa e a margem para hesitar é mínima. Frente ao Athletic Club, o Sporting CP viveu tudo isso – e respondeu, acreditando até ao fim.

Num duelo de exigência máxima, frente a um adversário intenso, experiente e fiel à sua identidade, os Leões nunca perderam o rumo. O desgaste acumulava-se, mas a equipa manteve-se com a coragem e a ambição de quem sabe que as noites europeias não se jogam, conquistam-se.

A vitória ao cair do pano foi a expressão mais pura de uma corrida contra o tempo que nunca deixou de ser controlada pela convicção. Não houve resignação, houve insistência. E quando o momento chegou, o Sporting CP estava lá.

Esse mesmo espírito voltou a sentir-se frente ao CD Nacional. Vencer nos últimos instantes, sob pressão, é sinal de maturidade competitiva e de uma equipa que não deixa de acreditar.

O futebol exige carácter. E o Sporting CP respondeu com mais uma afirmação de identidade.

Até ao fim. Sempre.

O meu amigo Zeca

Por Juvenal Carvalho
29 Jan, 2026

Somos, como não me canso de dizer, por ser verdade e as verdades mesmo que doam aos nossos rivais, têm de ser ditas, a maior força desportiva nacional. 

Um Clube que nasceu para ser grande, tão grande como maiores da Europa.

Foi isso que os nossos fundadores preconizaram desde o começo de uma caminhada que já tem 119 anos de uma vida de Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, feita por tantos homens e mulheres que ao longo deste trajeto envergaram ao peito o símbolo do Leão rampante.

Uma caminhada que acompanhei durante muitos anos por dentro e onde fiz amigos atrás de amigos numa escola de aprendizagem de vida. Como costumo dizer, o Sporting Clube de Portugal nada me deve, eu é que lhe devo tudo. E devo-lhe mesmo muito também no meu processo de crescimento enquanto homem do desporto condição que, sem vaidade, sei alguma coisa e continuo a aprender com quem sabe.

E nessa aprendizagem, guardo referências de vida Leonina. E nessas referências incontornáveis, de que trago algumas no coração, hoje falo de uma.

Eu e ele – apesar de gerações diferentes, ele com mais primaveras no tempo do que eu – entrámos para o dirigismo muito cedo. Éramos, usando um termo ligeiro, muito "chavalos" quando entrámos no Clube para o servir. Eu no basquetebol e ele no "seu" hóquei em patins desde a equipa Campeã Europeia de 1976/1977 ininterruptamente até ter estado no recomeço, em 1999, de forma autónoma, depois da modalidade ter sido interrompida em 1994/1995. 

Quis o destino que mais tarde, mais concretamente em 2002, ele viesse para o futebol juvenil, de onde eu, por motivos profissionais, abandonei a secção. 

Falo do José Manuel Costa – o Zeca ou, também carinhosamente, o Zequinha, que para quem vive por dentro o Sporting CP desde há muitos anos é uma incontornável referência. E referência é termo ligeiro, ele é mesmo uma lenda do nosso Clube.

Falo com ele inúmeras vezes ao telefone, porque a distância geográfica não nos faz estar tão perto quanto o desejado por ambos.

As conversas são, sendo ambos, sem vaidade, duas "enciclopédias Leoninas", feitas de horas e horas de Sporting Clube de Portugal. O Zeca tem um amigo, é impossível isso não acontecer, em quem com ele se cruzou no universo do Clube. Do hóquei em patins – o seu amor de uma vida – ao futebol juvenil, onde passaram por ele tantos craques do firmamento que ainda jogam de Leão ao peito, são quatro décadas de dedicação sem paralelo ao Leão. Respira o Clube por todos os poros. Sabe dele como muito poucos. 

Nas longas conversas, ele tem por hábito dizer-me: "Das coisas que tu te lembras". Ao qual eu respondo que "tomara eu saber tanto quanto tu". 

Confidencio também que o Zeca me "melga" a cada conversa para eu passar para livro as minhas inúmeras estórias vividas no Clube, do qual serei dos mais jovens de sempre a ser dirigente de equipas seniores. No caso do basquetebol e, por menos tempo, também do andebol. 

É mesmo uma coisa que ele faz questão. E eu, se algum dia esse livro sair, é impossível ele não estar num capítulo largo. Do Pavilhão velhinho à Nave, cruzei-me com o Zeca. O Zeca é uma das pessoas que me faz viver ainda mais o Sporting CP. 

Somos enormes como clube e o meu amigo Zeca merece estas linhas por ser também ele enorme na alma. Os que me conhecem sabem que estou nos antípodas de dar "graxa" a alguém e de escrever porque "sim". Neste espaço, nas minhas dedicatórias, só falo de valiosos e valorosos. E o Zeca é isso tudo. Além de um Leão imenso. 

 

P.S 1 – Um Leão que teve uma enorme crença até ao fim, saiu vitorioso de Arouca, um terreno sempre difícil. Estamos vivos, e o Tri é um sonho que, estou certo, sendo difícil, não é impossível. Nós acreditamos em vocês.

P.S 2 – Faleceu Fernando Mamede. Partiu uma referência de todos os tempos do Sporting Clube de Portugal. Um Campeão nas pistas e um ser humano de excelência. Sem ele o nosso Clube fica infinitamente mais pobre. Até sempre, Fernando Mamede.

Correr mais depressa do que o tempo

Por Mafalda Barbosa
29 Jan, 2026

Editorial da edição n.º 4061 do Jornal Sporting

Há nomes que não pertencem apenas às estatísticas, pertencem à memória colectiva de um clube e de um país.

Fernando Mamede é um desses nomes. Falar de Mamede é falar de coragem, de genialidade e de um Sporting Clube de Portugal que sempre se orgulhou de formar atletas.

Foi de verde e branco que Fernando Mamede correu contra os limites do possível. No dia 2 de Julho de 1984, em Estocolmo, o Mundo viu cair o recorde mundial dos 10.000 metros. O cronómetro parou nos 27’13’’81. Um número aparentemente sem significado, mas que escondia uma História de anos de sacrifício e de uma entrega absoluta à modalidade. Mamede não bateu apenas um recorde, colocou o atletismo português no centro do Mundo.

Fernando Mamede representa o ADN ecléctico do Sporting CP. Um clube que não vive apenas do futebol, mas que construiu a sua grandeza na diversidade das modalidades e na excelência olímpica.

Por isso, recordar Mamede é lembrar às novas gerações que a glória não se alcança sem entrega, que o talento exige esforço e dedicação e que o sucesso verdadeiro não se mede apenas em medalhas. Mede-se no legado que se constrói.

Hoje, ao escrever sobre Fernando Mamede, o Jornal Sporting presta homenagem a um atleta extraordinário. A um homem singular e corajoso. E a um Leão que correu mais depressa do que o seu tempo para que o Sporting CP e o desporto português pudessem correr mais longe no futuro.

Até sempre, Campeão!

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