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Opinião

Uma modalidade com história

Por Juvenal Carvalho
09 Fev, 2023

Desde sempre que o atletismo me fascina. E desde a estrada ao crosse, passando pela pista e pela pista coberta. Em muito jovem, quantas vezes apanhei o 15, o eléctrico que fazia o trajecto Praça da Figueira − Cruz Quebrada, para ir ao Estádio Nacional, e outras vezes também o  autocarro 32 em direcção ao Estádio Universitário de Lisboa, para ver, em ambos os locais os Campeonatos Nacionais ou a Taça Dr. Fernando Amado, ou até ir à Aldeia das Açoteias − ainda recentemente, fenómeno das redes sociais, vi uma foto em que aparecia com amigos da claque Torcida Verde, no pódio, a festejarmos no Algarve mais uma conquista europeia, uma das muitas, na já longínqua década de 80, era o tempo do Prof. Mário Moniz Pereira, Carlos Lopes, Fernando Mamede, Ezequiel Canário, Domingos e Dionísio Castro, etc. 

Ia invariavelmente sozinho, porque os meus amigos mais chegados eram mais de ver futebol − eu também, mas adoro desporto e tenho vários focos, desde que lá esteja o símbolo com o Leão rampante. 

E no passado domingo, a manhã foi parecida com esses momentos, só que pela via das novas tecnologias. Cedo me levantei e logo procurei um stream onde pudesse ver a Taça dos Campeões Europeus de Crosse. Encontrado que estava, parte substancial da manhã domingueira foi com o telemóvel ligado a ver as provas. Estivemos em todas as competições em disputa, o único clube a fazê-lo − sub-20 masculinos e femininos, seniores masculinos e femininos, e na estafeta mista, também em seniores. 

Não alinho em vitórias morais, e assumo que não foi sem uma secreta esperança que acordei mais cedo para ver o Sporting CP ganhar pelo menos mais um título europeu, que seria o quadragésimo terceiro.

Se não ganhámos, até porque a "armada" espanhola do Playas de Castellon foi verdadeiramente inacessível, conseguimos de forma brilhante dois segundos lugares e a respectiva prata com a subida ao pódio colectivo nos seniores masculinos e na estafeta mista. Só os mais mal-intencionados podem falar em fracasso. Sim, sei que já fomos dominadores nesta competição. A história fala por si e não se apaga. O Professor Mário Moniz Pereira, onde estiver, e ele que era um ganhador, que era demasiadamente competitivo e que era de máxima exigência, estará, contudo, feliz. E feliz, sobretudo pelo reaproximar do topo de novo. Ser vice não é ganhar. É factual. Mas só quem não sabe o sacrifício destes atletas, onde era aliás latente o sentido de dever cumprido e de tudo terem feito para trazer para o Museu os títulos, pode achar que o que foi conseguido não foi relevante.

Longe vão os tempos de grande hegemonia de Portugal nas provas de crosse europeu.  

O Sporting CP tem 15 títulos nesta competição em seniores masculinos, conseguidos entre 1977 e 2018, e dois em femininos − 2018 e 2019, o que é elucidativo do peso do nosso Clube nesta modalidade. Também fomos campeões europeus de pista em ambos os géneros. Logo, temos obrigações acrescidas. O atletismo é uma verdadeira fábrica de campeões e de trabalho ao longo da história. São inúmeros os atletas que nos representaram com sucesso. Enumerar todos, tanto homens como mulheres, seria impossível por falta de espaço. Durante este mês disputam-se ainda os nacionais de pista coberta, desde as camadas jovens aos seniores.

Existem títulos para conquistar e outros para reconquistar. Cabem sempre mais taças num Museu, o nosso, repleto de conquistas nesta modalidade, mas que quer sempre mais. E o atletismo preenche por lá tanto espaço. 

PS - Que o golo de Youssef Chermiti em Vila do Conde tenha sido o primeiro de muitos.

Todos

Por Pedro Almeida Cabral
09 Fev, 2023

Os últimos dias ficaram marcados por sucessivas vitórias do Sporting Clube de Portugal. Com mais ou menos dificuldade, as nossas equipas venceram jogos importantes para as competições em que participam. Quer fosse num relvado ou numa quadra, o Sporting CP soube jogar e fazer jogar para chegar à vitória. E fê-lo de forma colectiva, com todos. Podia falar de várias modalidades. Mas escolho somente duas. 

No que ao futebol diz respeito, alcançámos uma suada e merecida vitória no campo sempre difícil do Rio Ave FC. A equipa soube manter-se combativa mesmo quando o ferrolho dos vilacondenses se mostrava intransponível. O meio-campo tardava em construir jogadas de perigo. E quando as esboçávamos, esbarravam no duplo autocarro da equipa adversária. Foi então que Gonçalo Inácio inventou meio golo com uma longa assistência rasgada para Chermiti. E foi Chermiti, na sua segunda titularidade na equipa principal do Sporting CP, a marcar o tento da vitória. Logo na primeira e única oportunidade que teve. Há quem diga que o guardião do Rio Ave FC foi mal batido. Mas afirmar isso assim é desmerecer o nosso jovem jogador que, em tão pouco tempo, mostra detalhes e movimentações prometedoras. Aliás, como titular, Chermiti tem nos dois jogos uma assistência e um golo. Quantos não gostariam de se estrear assim no futebol profissional? Nas comemorações do golo viu-se toda a equipa unida, como deve ser. 

Foi também um grande resultado colectivo a nossa clara vitória sobre o FC Porto em basquetebol. Ganhámos por 80-74 no Pavilhão João Rocha. Para quem tinha dúvidas sobre a excelente época que temos vindo a fazer nesta modalidade – já com dois títulos, a Supertaça e a Taça Hugo dos Santos –, aqui está a resposta. Vingámos a derrota para o campeonato sofrida em Novembro. Quem acompanhou o jogo viu que chegámos com naturalidade aos 17 pontos de avanço. Algum relaxamento no final permitiu aos portistas encurtarem distâncias, mas sem nunca porem em causa o resultado. Ainda assim, houve tempo para um fabuloso jogo de Marcus Lovett Jr. com 25 pontos e os habituais bons desempenhos de Travante, Ventura e Patton. Foi também um triunfo da equipa, com o nosso treinador a não regatear elogios e a apontar para o que ainda podemos melhorar.  
São dois jogos que ilustram bem que nos desportos colectivos só a união vence. Quando jogamos desasados, só com alguns, podemos ganhar, mas será sempre com alguma sorte. Quando jogamos com todos, a vitória está sempre mais próxima.

Jogar para ganhar

Por Miguel Braga
09 Fev, 2023

Editorial da edição n.º 3910 do Jornal Sporting

Na noite fria de Vila do Conde, a equipa de Rúben Amorim conseguiu o principal objectivo: a vitória e a conquista dos três pontos. Não terá sido a melhor exibição da equipa, nem tão pouco o jogo com mais oportunidades de golo, mas é nestas alturas que me lembro sempre da velha máxima do antigo treinador do Sporting CP e ex-seleccionador nacional, Paulo Bento, em 2005: “Queremos ser uma equipa que vá melhorando, mas que ganhe. Não nos interessa jogar como nunca e perder como sempre”. A crua realidade do futebol às vezes é esta: em certos jogos, o importante são mesmo os três pontos. E convém lembrar também a análise de Rui Malheiro no Record: “Não se deve, contudo, subtrair mérito ao Rio Ave FC, belicoso na pressão e bem organizado em momento defensivo”. Esta partida teve ainda a particularidade de ser a quarta vitória consecutiva do Clube sobre o Rio Ave FC sem sofrer golos – o que acontece pela primeira vez nos mais de 60 jogos disputados entre ambas as equipas. 

O jogo que parecia estar bloqueado acordou na passagem para o minuto 84: Gonçalo Inácio levantou a cabeça e fez um daqueles passes a lembrar a geometria de Franz Beckenbauer; Youssef Chermiti recebeu e colocou a bola no fundo da baliza do Rio Ave FC. Foi uma explosão de alegria no campo e outra nas bancadas, com o jovem jogador a correr na direcção dos adeptos Leoninos e a ser engolido por estes. “Já esperava por este momento há muito tempo”, confessou o avançado na flash interview. “Estive lesionado e agora voltar a marcar… sei que é uma grande responsabilidade representar o Sporting CP, represento os meus colegas da formação”, concluiu.

Em dois jogos da segunda volta, o Sporting CP já recuperou dois pontos relativamente à nossa primeira volta. É o caminho a seguir e a vontade que o treinador já expressou publicamente. As contas só se fazem no final do campeonato, por isso, o importante será amealhar o maior número de pontos possíveis, jogo a jogo, sem pressão adicional. “Mais do que tudo era importante ganhar, ser consistente nas vitórias. É importante para o crescimento da equipa. Já não penso na classificação”, afirmou Rúben Amorim no final do jogo com o Rio Ave FC. 

No próximo fim-de-semana, o Sporting CP joga frente ao FC Porto. Além dos três pontos, o desejo é que o espectáculo seja verde e branco, no relvado e nas bancadas. Para isso, precisamos do nosso público, do apoio de todos a uma só voz. Domingo, às 18h00, será dado o pontapé de saída.

PS − O Sporting CP lançou esta semana uma Edição Limitada em homenagem a Cristiano Ronaldo, no ano em que se comemoram 21 anos da sua estreia oficial na equipa principal do Sporting Clube de Portugal. A Box Cristiano Ronaldo inclui a réplica da camisola desse jogo de estreia e, também, um livro inédito que relata os seus 7 anos de formação no Sporting CP, para se tornar em CR7. A não perder.

Coisas das mulheres de César

Por Miguel Braga
03 Fev, 2023

Editorial da edição n.º 3909 do Jornal Sporting

É uma expressão com mais de 2000 anos e que, de uma maneira ou outra, a grande maioria das pessoas já ouviu: “À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer séria”. Há quem diga que a história aconteceu quando Pompeia, uma das mulheres do imperador romano, deu uma festa exclusivamente feminina para a qual um jovem incauto se disfarçou para marcar presença. Foi descoberto e expulso da mesma, mas a mancha na reputação de Pompeia nunca se apagou. Noutras fontes, foi o próprio César que lançou um rumor sobre Calpúrnia quando estaria perdido de amores por Cleópatra, manchando irremediavelmente a reputação da sua terceira mulher. Independentemente da origem, a expressão viveu até aos dias de hoje, salvaguardando que o ser e o parecer devem, em último caso, estar alinhados em nome da ética e da moral.

Isto a propósito de uma notícia veiculada esta semana, no dia do jogo entre FC Porto e CS Marítimo. Segundo O Jogo, “o FC Porto chegou a acordo com o CS Marítimo para o pagamento de uma dívida de um milhão e 50 mil euros, ainda a propósito da transferência de Pepe para o Real Madrid CF, em 2007” – o caso arrastou-se durante anos, até que, no ano passado, o Tribunal Judicial da Madeira condenou o FC Porto ao pagamento de um milhão e 50 mil euros ao clube insular pela referida transferência. Ainda de acordo com o mesmo jornal, o FC Porto terá “assumido a vontade de pagar a verba em causa de forma voluntária, havendo também um acordo com os insulares para a liquidação em prestações.”

Numa indústria que tem tanta importância para o país, mas que infelizmente tem casos judiciais que perduram no tempo e outros com finais prescritos, aconselharia a prudência em não ser tão voluntarioso na data em questão. Faria assim tanta diferença que a dívida fosse liquidada passadas umas semanas ou que o tivesse sido há um mês?

Compreende-se a vontade dos dirigentes de um clube em receber uma quantia que reclama há 15 anos e não está, de todo, em causa a idoneidade dos jogadores ou da equipa técnica. Em causa, está apenas um modus operandi que em nada ajuda o futebol português. A vida e o futebol não são apenas sobre as leis e os contornos da legalidade. E valores como a ética não devem ser remetidos para a porta dos fundos. Tal como dizia Oscar Wilde, “chamamos de ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão a olhar. O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está a olhar chamamos de carácter”. Com uma ética destas, assusta pensar no carácter.

PS – na primeira jornada da segunda volta, e no jogo que colocou frente-a-frente FC Porto e CS Marítimo, Sérgio Conceição foi novamente expulso. Escrevo novamente porque foi a 22.ª expulsão da carreira do treinador, a 12.ª desde que defende os azuis e brancos. É a chamada força das reincidências…

Segunda Volta

Por Pedro Almeida Cabral
03 Fev, 2023

Cumprida a primeira volta do campeonato, iniciámos a segunda com uma vitória retumbante perante o SC Braga. Foi um Sporting Clube de Portugal de faca na boca e golo no pé que levou a melhor sobre os bracarenses. Cinco tentos marcados sem resposta mostraram um Sporting CP transfigurado e com boas indicações para a segunda metade da prova. Quando muitos agoiravam, esquecendo que perdemos a Taça da Liga contra o FC Porto como sabemos, a turma de Amorim soube dar uma resposta à altura do Clube.

Rúben Amorim não facilitou como, aliás, nunca facilita. Uma das características mais vincadas do nosso treinador é não ter receio de fazer o que pensa que tem de fazer. Talvez se estranhasse a titularidade de Esgaio e de Chermiti. Mas um e outro cumpriram com distinção a missão que lhes foi dada. O defesa direito conseguiu até fazer esquecer Pedro Porro, vendido por uma soma estratosférica nos últimos dias de mercado. Esgaio fez não só a melhor exibição da época como uma das melhores com a camisola do Sporting CP. Percorreu o corredor direito com segurança, defendendo atrás e assistindo à frente. Já Chermiti soube responder ao desafio da titularidade com uma boa exibição. Sem exuberâncias, foi prático e denotou visão no jogo da grande área, ao oferecer o golo a Morita no 2-0 e com movimentações sem bola que arrastam defesas. Só por estas duas apostas ganhas Amorim já tinha vencido.

Mas houve mais. Morita fez uma exibição memorável. Marcou dois golos e esteve até perto do hat-trick. Calcorreou o meio-campo de forma aguerrida e sentiu os espaços para golo de forma surpreendente. Tivemos ainda o melhor Pote da época, com influência decisiva em três dos golos. Saint Juste revelou porque foi contratado: um central rápido, mortífero nos duelos e com baterias para os 90 minutos. Oxalá as malfadadas lesões não o tornem a atormentar.

Não foi, contudo, um jogo perfeito. Há movimentos a aperfeiçoar e rotinas a construir. Ainda assim, para as 16 finais que faltam são sinais prometedores. Apesar de tudo, a segunda volta inclui recepções ao FC Porto e ao SL Benfica, bem como deslocação em Lisboa, como a visita ao Casa Pia AC. Não estamos no lugar que deveríamos estar. Mas lá chegaremos. Com esta atitude e acerto, só poderá ser assim.

Unidos pelo símbolo

Por Juvenal Carvalho
03 Fev, 2023

'Temos que estar unidos'. Foi este o tópico principal que extraí do que disse o nosso treinador Rúben Amorim, sem se refugiar em desculpas fáceis ou em lugares comuns no pós-jogo que ditou a derrota contra o FC Porto, na final da Taça da Liga. Sem nunca − é a sua forma de estar no futebol − se referir a João Pinheiro, um árbitro que, e aqui já são palavras minhas, é sempre muito 'infeliz' quando apita o Sporting CP, sobretudo quando entra em equação este adversário. Será 'coincidência', admito eu, sem que tenha vontade alguma de ironizar com este tema.

E é neste 'temos que estar unidos', porque como Rúben Amorim acrescentou ainda que os tempos estão difíceis, que deveremos fazer regra. Como fizemos no célebre 'onde vai um vão todos'. Estados de euforia diferentes, momentos do Clube completamente antagónicos, mas com um denominador comum, o superior interesse do Sporting Clube de Portugal. 

E porque a época ainda não terminou e temos objectivos, mesmo que não os que pretendíamos, já que inequivocamente a época de 2022/23 está a ser atípica, que essa união será de ouro e pode ser determinante.

Sendo o futebol aos dias de hoje uma indústria poderosa, e sabendo que não será fácil chegar aos lugares de acesso à Liga dos Campeões, será por aí que nos teremos que agarrar com determinação. Os milhões de euros vindos da participação nessa competição serão vitais para o nosso futuro e para que tenhamos equipas mais competitivas.

E aí o 'temos que estar unidos' será fulcral. Porque muito, no exterior, irá acontecer para nos tentar desviar do essencial. E será discordando entre nós, e criticando o que tiver que se criticar com respeito uns pelos outros −  sou dos que detesto unanimismos que não pelo símbolo − que não podemos perder o foco. E o foco imediato é o de dignificar o Sporting CP na Liga Europeia, está já perto o duelo com os dinamarqueses do FC Midjtylland, e não baixar os braços para o objectivo da "Champions" ainda ser alcançado. 

E o não baixar os braços foi demonstrado de imediato pelo querer do nosso grupo de trabalho com a reacção determinada pela goleada (5-0) infligida ao SC Braga apenas quatro dias depois da "pinheirada" em Leiria. Uma simbiose perfeita entre a equipa e os espectadores, foi também determinante. Por tudo isto, e já na próxima segunda-feira, teremos com o Rio Ave de dar mais um passo para alcançar o objectivo possível. Por mais que nos castiguem jogadores cirurgicamente, por mais que tentem, não vale desmobilizar, nem nós... nem os rapazes que envergam a "verde-e-branca" o faremos.

As Primaveras da vida já me deram muita experiência, e já vivi no nosso Clube vários momentos semelhantes a este. Mesmo muitos mais do que quereria ter vivido. Uma coisa quero acreditar, e independentemente dos momentos que atravessarmos, sejam eles melhores ou piores, uma coisa é mais do que óbvia: o símbolo está sempre, e em que circunstância for, acima de qualquer um de nós. Desistir não faz parte do ADN do leão.

Rumo à final

Por Miguel Braga
26 Jan, 2023

Editorial da edição n.º 3908 do Jornal Sporting

O Sporting CP garantiu a presença na final da Taça da Liga depois de vencer o FC Arouca por 2-1, garantindo a sua sétima presença no encontro decisivo da competição – o que representa um total de 44% de finais possíveis – e a terceira consecutiva.

Com os dois golos marcados na noite de terça-feira, Paulinho reforçou a sua condição de melhor marcador de sempre na Taça da Liga com um total de 20 remates certeiros ao serviço de três equipas: Sporting CP, SC Braga e Gil Vicente FC. Além disso, os oito golos na presente prova representam o máximo atingido até hoje por qualquer jogador numa só edição.

Outro jogador que merece destaque individual é Nuno Santos. O jogador foi o primeiro atleta verde e branco a atingir a marca de rating 10 desde que existe a plataforma GoalPoint: “Autor de quatro remates (metade enquadrados), assistiu Paulinho para o tento inaugural, criou ainda mais duas ocasiões flagrantes de golo (foram três no total), chegou aos 11 passes para finalização (número que não está ao alcance de todos), criou 11 passes progressivos, três acções com a bola na área do opositor, quatro passes super progressivos e acertou metade dos seis centros que arriscou”. Elogios e números que certamente chamarão a atenção do novo seleccionador nacional Roberto Martínez.

Com esta vitória e passagem ao jogo seguinte, o Sporting CP passará também a ser a equipa com mais jogos na Taça da Liga, com 66 partidas. E há mais de seis anos que uma equipa não alcançava uma série de 12 vitórias na Taça da Liga. Números que reforçam a pretensão verbalizada pelo treinador de voltar a vencer a competição da qual somos (bi) detentores do título.

Nestes dias de final four de Taça da Liga, o Sporting CP lançou mais um conteúdo, o Sporting Confidential, nas suas redes sociais e Sporting TV, onde mostramos o dia-a-dia da ala profissional de futebol na Academia Cristiano Ronaldo, com as respectivas explicações de jogadores e staff sobre a vida em Alcochete. Um conteúdo filmado, editado e emitido a cada dia que antecede mais esta final. Hoje, quinta-feira, será disponibilizado o quarto episódio.

Uma palavra final também sobre a boa organização da Taça da Liga, que mais uma vez teve Leiria como palco de operações: animação e espectáculo também se fazem fora das quatro linhas e quando assim, são o público e o futebol quem ganha. No próximo sábado, independentemente do adversário – à data de fecho deste texto, o mesmo ainda não é conhecido, FC Porto ou Académico de Viseu FC – esta é mais uma oportunidade para os nossos Sócios demonstrarem porque são a melhor massa associativa do Mundo. Juntamente com todos os nossos adeptos, o desejo é que pintemos a cidade do Lis de verde e branco.

Mais que um clube

Por Juvenal Carvalho
26 Jan, 2023

Chamando para título desta coluna de opinião o lema do FC Barcelona ('Més que un club'), o mesmo apropria-se igualmente ao Sporting Clube de Portugal, sem que com isso esteja a correr o mínimo risco de qualquer tipo de plágio. Porque, é inequívoco, somos realmente muito acima de um clube, e desde que fomos fundados no dia 1 de Julho de 1906, o nosso papel tem ido muito além do plano meramente desportivo, porque ao longo do tempo se estendeu tanta vez para o foro da sociedade e no caso que me leva a escrever no dia de hoje, para o humanismo e para a inclusão que tanto nos orgulha, honra e enobrece.

Que para além do Esforço, da Dedicação, da Devoção e da Glória do nosso lema, está também o Orgulho... orgulho esse de pertencer a tão nobre Instituição.

Duas jovens ucranianas, como tantas outras, que foram obrigadas a sair do seu conforto familiar devido à tão ignóbil invasão das tropas russas ao seu país, chegaram em Setembro de 2022 a Portugal, e numa história de vida que tocou no coração aos responsáveis do nosso Clube, pediram para praticar a sua modalidade de eleição, no caso o rugby, e logo tiveram o acolhimento na secção e no grupo de trabalho, a equipa sénior feminina, como sendo duas das "nossas" desde sempre. Também elas, movidas pelo altruísmo, que nem as barreiras linguísticas as demoveram, propuseram-se a dar aulas de rugby a crianças dos cinco aos 12 anos de idade. Uma forma de reconhecimento de alguém culturalmente muito evoluído e que sabe estar na vida.

Falo de Anastasiia Kryzhanovska (Nastia), 27 anos, e de Tetiana Tarasiuk (Tanya), 29 anos, ambas naturais de Odessa, e internacionais pela Ucrânia, que mais do que se sentirem seguras no nosso país, encontraram também no rugby do Sporting CP o seu porto de abrigo, onde se sentem como se estivessem em casa com o tão  nobre acolhimento e postura dos responsáveis da nossa secção de râguebi, cuja modalidade é conhecida como um desporto que tem como essência o saber estar, e praticado por gente de uma enorme nobreza de carácter.

Agora o tempo é da Nastia e da Tanya serem felizes de Leão ao peito. De desfrutarem do facto de estarem num clube que não só as recebeu de braços abertos, como quer também que elas sejam mais umas das nossas e se sintam em casa. Acima dos ensaios, dos pontapés de penalidade, das placagens, e de tudo o que envolve o jogo que elas amam.

Ser do Sporting CP é realmente algo que, como costumo dizer, não se explica, sente-se. E a Nastia e a Tanya um dia mais tarde, ainda por cá, ou já regressadas à sua pátria livres desta guerra, não esquecerão seguramente o nosso Clube. São, pois, parte integrante do Clube de Stromp. Porque a história não se apaga. E quando a mesma é feita de episódios como este, é fantástica. Simplesmente fantástica.

Sejam felizes, Nastia e Tanya!

Oito em Onze

Por Miguel Braga
19 Jan, 2023

Editorial da edição n.º 3907 do Jornal Sporting

O Sporting Clube de Portugal conquistou a Taça Hugo dos Santos 2022/2023 de basquetebol, jogando e vencendo na final a AD Ovarense por 71-79. Apesar de ainda estarmos em Janeiro, este foi o segundo troféu da presente temporada – recorde-se que a equipa liderada por Pedro Nuno Monteiro conquistou também a Supertaça em Setembro passado após vencer o SL Benfica por 89-84.

Jogada no formato final four, a Taça Hugo dos Santos teve como palco o Pavilhão Multiusos de Gondomar. O jogo da meia-final foi com o FC Porto, sendo que ao intervalo a equipa vencia por 35-47, com Travante Williams e Marcus LoVett Jr. em grande nível, com dez pontos cada. Na segunda parte, o FC Porto aumentou a pressão e conseguiu encurtar a distância pontual, estando a apenas cinco pontos de igualar o marcador. No entanto, a equipa não vacilou no capítulo da eficácia e, aproveitando os lances livres, chegou ao final do encontro com uma vitória por 84-97. Estava cumprida a primeira missão.

O jogo ficou também marcado por um jogador da equipa adversária ter ameaçado um colega de profissão com um gesto de um tiro na cabeça. O jogador em causa foi excluído da partida, mas exige-se da Federação mão pesada para este comportamento que deveria ser banido dos recintos desportivos.

No dia da final, e como equipa detentora do troféu (2021/2022), os comandados de Pedro Nuno Monteiro registaram uma entrada muito forte, assim que soou o apito inicial. Com Joshua Patton em grande destaque, o Sporting CP chegou ao intervalo a vencer por expressivos 30-47.

No terceiro quarto, logo após o intervalo, a equipa Leonina manteve-se igual a si própria: competente, focada e a lutar pelo objectivo, contra uma AD Ovarense sem grande resposta. Já no último período, o adversário tentou encurtar a distância no marcador e conseguiu estar a sete pontos, com um 69-76 no marcador. Mas, rapidamente, a eficácia dos Leões voltou a dilatar a vantagem, oferecendo uma vitória que nunca esteve em causa por 71-79.

Esta foi a segunda Taça Hugo dos Santos consecutiva do Sporting CP. E foi o oitavo troféu conquistado em 11 possíveis desde que a equipa sénior masculina da modalidade regressou ao palco maior do basquetebol nacional: “Fomos a nove finais e só perdemos uma. Esta secção está talhada para estes momentos. A direcção tem mérito porque tem escolhido as pessoas certas. A equipa teve algumas mudanças, mas continua num caminho vitorioso. Temos potencial para ganhar muito mais. Se me tivessem dito há quatro anos que ia ganhar oito títulos de 11 possíveis não ia acreditar”, afirmou o capitão Diogo Ventura. Um exemplo de superação e competência que só pode orgulhar o mundo Sportinguista. 

Imparáveis

Por Pedro Almeida Cabral
19 Jan, 2023

Mais um fim-de-semana, mais um título para o basquetebol do Sporting Clube de Portugal: a Taça Hugo dos Santos de 2022/2023! Desde 2019 que é assim. O regresso da histórica modalidade ao Clube tem sido avassalador. Conquistámos o Campeonato Nacional de 2020/2021 e não fora a pandemia a interromper a competição e creio que teríamos ganho igualmente o de 2019/2020. Também fizemos nossas as três últimas Taças de Portugal de 2019/2020, 2020/2021 e de 2021/2022. E já estamos apurados para os quartos-de-final da edição de 2022/2023, a realizar em Fevereiro próximo. Os títulos não ficaram por aqui. Arrecadámos para o Museu Sporting as Supertaças de 2021/2022 e de 2022/2023, bem como a Taça Hugo dos Santos de 2021/2022. Contas feitas, são oito títulos conquistados em 11 possíveis: apenas não conquistámos a Taça Hugo dos Santos de 2019/2020 e de 2020/2021, bem como o campeonato da época passada.

A reativação do basquetebol Leonino é mesmo uma história de sucesso. Erguer uma equipa competitiva e ganhadora numa modalidade que não tem fundas raízes em Portugal seria sempre desafiante. O que só sublinha a capacidade que tivemos para construir plantéis equilibrados, instilar mentalidade ganhadora e ter confiança para os jogos decisivos.

O que vimos nesta recente conquista foi a aplicação prática do que tem sido feito. Entrámos muito bem no sábado contra o FC Porto. Ganhámos o jogo por uns tranquilos 97-84. Chegámos até a ter 15 pontos de avanço. Marcus LoVett Jr. com 25 pontos esteve impecável. Infelizmente, este jogo ficou marcado por uma lamentável cena do base do FC Porto, Teyvon Myers, que apontou uma pistola figurada com os dedos à cabeça de António Monteiro, acabando expulso. São gestos como este que não podem ter lugar no desporto. O jogo da final veio domingo, com mais uma vitória sem contestação, perante a AD Ovarense, por 79-71. Depois da Supertaça ganha em Setembro frente ao SL Benfica, foi o segundo troféu da época. A equipa vareira nunca chegou a estar perto de estar na frente no marcador. Uma entrada fulgurante, com vantagem de 13 pontos, ditou o rumo dos acontecimentos. Patton foi o MVP, com 18 pontos, nove ressaltos e seis desarmes. Na hora de receber a Taça, era visível a alegria dos nossos capitães Diogo Ventura e João Fernandes. E como gostei de os ver, eles que estão na nossa equipa desde o regresso triunfante da modalidade há quatro anos. São eles parte fundamental do esteio para ter um basquetebol tão titulado.

Palavra final para as declarações do nosso treinador, Pedro Nuno, quando referiu que a equipa parece talhada para estes grandes momentos, em que só se pode ganhar ou perder. É o retrato fiel de como temos jogado e ganho desde 2019. A época ainda tem muito para jogar, mas se tivermos esta atitude e concentração, mais conquistas virão.

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