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O ciclismo ajudou a expandir o nome dos grandes clubes portugueses por todo o País. Eram muitas as pessoas do interior de Portugal que não tinham oportunidade de vir ao Estádio José Alvalade ou que não tinham acesso a modalidades que disputassem competições com o Sporting. Assim, tinham no ciclismo uma oportunidade única de ver desportistas do nosso Clube”, conta Leonel Miranda, ex-ciclista ‘leonino’ entre 1964 e 1975. De facto, uma coisa é certa: a expansão do Sporting enquanto maior potência desportiva nacional em muito se deve ao aparecimento do ciclismo como modalidade acarinhada por grande parte da população. Foi, aliás, de rodas postas na estrada que se iniciou a maior rivalidade portuguesa, que ainda hoje perdura por entre estádios e pavilhões – Benfica e Sporting perfilavam-se como principais opositores, tendo em Alfredo Trindade e José Maria Nicolau os grandes protagonistas de uma corrida que, noutros desportos, ainda hoje se mantém. A importância dos dois ciclistas na rivalidade da capital era de tal tamanho que, nas bocas do povo, os nomes ‘Sporting’ e ‘Benfica’ eram muitas vezes substituídos por Trindade e Nicolau, dado revelador de que as pessoas das terras mais distantes de Lisboa não torciam pelo Clube de Alvalade pelos feitos alcançados na capital, mas sim pelas vitórias conquistadas por todo o Portugal através do ciclismo, surgindo sobre rodas o amor que se estenderia a um Sporting eclético e repleto de triunfos nos mais diversos desportos.

O ciclismo ‘leonino’ foi uma realidade de 1911 a 1987, com uma breve interrupção entre 1914 e 1926. Nesse período, o entusiasmo em volta das bicicletas e de quem as manuseava era evidente. Gente espalhada por todo o País esperava um ano, dois anos, uma década ou uma vida para, à beira da estrada, ver ciclistas vestidos de verde e branco passarem por meros segundos. “Lembro-me de ver as professoras com os alunos junto às estradas. Tudo parava para nos ver. Tenho muita honra em ter pertencido à geração dos clubes grandes no ciclismo”, lembra Leonel Miranda, que elogia as condições proporcionadas pelo Clube na altura. “Sempre foram excelentes, no Sporting, dentro do que existia na altura. Dormíamos em hotéis durante as provas e deslocávamo-nos em transportes muito confortáveis”, refere.

Para além da notoriedade trazida ao ciclismo através da disputa Trindade-Nicolau, outro motivo havia para que esta se assumisse como uma das modalidades de maior evidência no Sporting: o número de títulos velocipédicos conquistados. São 13 Voltas a Portugal por equipas e nove individualmente aquelas que constam no vasto palmarés ‘leonino’, sem nunca esquecer as inúmeras provas que terminaram com um ciclista ‘verde e branco’ no lugar mais alto do pódio. Viajando no tempo e regressando aos primórdios do ciclismo em Alvalade, Laranjeira Guerra é o primeiro nome a reter. O ‘leão’ venceu a segunda clássica Porto-Lisboa (330 quilómetros), a mais longa do Mundo a seguir a Bordéus-Paris (560 quilómetros), partindo da Invicta às 20h e chegando à capital às 13h49, praticamente 18 horas em cima da bicicleta, conduzindo de Leiria à Malveira com o volante partido, acabando aí por trocar por uma outra emprestada por um tal Alfredo Santos Júnior. Alcançada a primeira vitória um ano após a criação da secção de ciclismo, em Setembro de 1912, seguir-se-ia o segundo triunfo, protagonizado por Joaquim Dias Maia, um ano mais tarde. A secção foi suspensa depois até que, nos anos 30, chegou Alfredo Trindade como um balão de oxigénio que deu nova vida ao ciclismo ‘leonino’ e retomou a senda de títulos com a vitória na clássica Porto-Lisboa em 1936. Quatro anos depois, José Albuquerque conquistou a primeira Volta a Portugal e, no ano seguinte, Francisco Inácio repetiu a proeza do companheiro. Uma história que começa vitoriosa dificilmente do caminho do sucesso se desvia, por isso, nos anos 50, foi Américo Raposo quem se destacou com a conquista da clássica Porto-Lisboa em 1954. Já na década de 60, apareceu João Roque, o ‘pai’ de Joaquim Agostinho, que realizou nove Voltas a Portugal de ‘leão’ ao peito, conquistando a de 1963, ano em que venceu também a clássica Porto-Lisboa. Mas o melhor ainda estava para chegar: nas décadas de 70 e 80, já com o incontornável Joaquim Agostinho ao serviço do Sporting, o Clube de Alvalade juntou mais três Voltas de Portugal consecutivas (entre 1970 e 1972) ao seu currículo guiado pelo volante do ‘leão’, a primeira delas com chegada num Estádio José Alvalade sem uma única cadeira vazia. A grandeza do ciclismo ‘verde e branco’ era tal que o nosso País se tornava pequeno para a albergar. Assim, em 1984, o Sporting participou pela única vez na Volta a França, vencendo uma etapa por Paulo Ferreira, antes de, em 1985 e 1986, os ‘leões’ conquistarem as duas últimas Voltas a Portugal do seu palmarés, por Marco Chagas. Uma nova suspensão da modalidade chegaria um ano depois, mas para trás ficam, para além dos títulos, os feitos ciclísticos realizados nos Estádios do Clube. A casa ‘verde e branca’ foi palco de corridas protagonizadas pelos grandes ciclistas nacionais e internacionais – como o italiano Fausto Coppi – que chegavam a disputar provas com 24 horas de duração. 

Hoje, esta realidade fica mais próxima. Os feitos do passado serão recordados para inspirar o que se espera virem a ser as conquistas do futuro. O ciclismo ‘leonino’ renasceu. Bem-vindo de volta à Volta! 

Sporting Clube de Portugal/Tavira. É este o fruto da união entre o Sporting e o Clube de Ciclismo de Tavira, consumado no final de 2015, na Câmara Municipal de Tavira, com a assinatura do protocolo que irá juntar ‘leões’ a algarvios até 31 de Dezembro de 2019. A tradição do ciclismo do Sporting alia-se assim ao Clube de Ciclismo mais antigo do Mundo, em actividade ininterrupta, contando com quatro vitórias nas últimas oito Voltas a Portugal em bicicleta, um número que ambas as instituições esperam ver aumentado nos próximos anos, com o objectivo assumido de vencer todas as provas em que o Sporting Clube de Portugal/Tavira participe.

“Não só queremos vencer as competições em que participamos, como estamos empenhados em criar o melhor projecto de ciclismo português. Temos um conceito de ciclismo que não envolve apenas contratar sete ou oito atletas, juntá-los numa equipa e metê-los na estrada. Há toda uma estrutura que tem de ser montada e reforçada para fazermos bem a nossa missão e darmos apoio a esses atletas”, explicou Vidal Fitas, director desportivo do Sporting Clube de Portugal/Tavira, salientando as características que fazem do Clube de Ciclismo de Tavira um parceiro único no panorama mundial: “Somos uma estrutura com 37 anos de actividade ininterrupta, sendo a equipa mais antiga do Mundo, que ganhou quatro Voltas a Portugal nos últimos oito anos e que tem um modelo de ciclismo que em Portugal não existe. Basta perceber que, em 2011, ganhámos a Volta a Portugal com 95% dos atletas formados no nosso Clube e nenhuma outra equipa o fez”.

Se ser director desportivo de uma histórica e distinta equipa como a formação algarvia já acarreta grandes responsabilidades, a junção do Sporting aumenta o grau de exigência. “Estamos a falar do Sporting, não de uma instituição qualquer. O Sporting merece todo o nosso respeito e, como toda a gente sabe, é uma marca internacional e uma referência no ciclismo nacional porque teve aquele que é o maior símbolo português na modalidade, Joaquim Agostinho. Isso traz um acréscimo de responsabilidade, mas existe uma sinergia entre os dois clubes que torna o casamento perfeito”, confessa Vidal Fitas, corroborado por Marcelino Teixeira, presidente do Clube de Ciclismo de Tavira: “A responsabilidade aumenta, mas os benefícios também. E as parcerias são para todas as partes sairem beneficiadas, que é o que vai acontecer certamente connosco, já que o Sporting tem uma grande tradição na modalidade e o Tavira tem toda uma estrutura, ‘know-how’ e conhecimento que pode levar em frente aquilo com que nos comprometemos, vencer todas as provas em que participemos”.

Também o Presidente ‘leonino’ se mostrou visivelmente satisfeito com a oficialização do protocolo entre os dois clubes, não esquecendo o que antecedeu esta parceria, mas mostrando-se confiante num futuro a dois, reflectido numa só equipa: Sporting Clube de Portugal/Tavira. “Foi um processo que não começou bem. Tínhamos um acordo com outra equipa, mas, muitas vezes, há males que vêm por bem e acabámos por não concretizar esse acordo e escolhemos o Clube de Ciclismo de Tavira. É a partilha de uma ambição com a equipa mais antiga de todas, com um historial vencedor e muito cumpridora de regras e valores, o que é muito importante para o Sporting, já que faz parte do nosso ADN. A aposta na formação também faz parte do ADN de ambos os clubes e, por isso, teremos escalões mais novos. O Tavira representa um município, a região do Algarve e, no fundo, o Sporting é isto: um Clube de Portugal e do Mundo. Juntar ambição, tradição, regras e valores é absolutamente fundamental para se estar no desporto”, afirmou Bruno de Carvalho, completando: “Temos trabalhado em conjunto para criar uma equipa que possa honrar a ambição de ambos, que é ganhar todas as provas em que entrarmos, sobretudo a prova rainha, a Volta a Portugal. Sabemos que já começámos o primeiro ano tarde, mas mesmo assim estamos a conseguir montar uma equipa que nos acalenta estas ambições. O protocolo é de quatro anos automaticamente renovável e queremos voltar ao tempo em que o Sporting ganhava Voltas a Portugal e o Clube de Ciclismo de Tavira também”. Para tal, o Sporting Clube de Portugal/Tavira anunciou já os nomes de oito atletas que irão fazer parte da sua equipa: David Livramento, Valter Pereira, Luís Fernandes, Hugo Sabido, Jesus Ezquerra, Mario Gonzalez, Oscar Gonzalez e Júlio Gonçalves.

Em paralelo, o Sporting assinou também um protocolo com a Câmara Municipal de Tavira, tendo em vista a promoção e colaboração em actividades desportivas não só relacionadas com o ciclismo, modalidade de tradição histórica na região, como também em futuras actividades que se venham a proporcionar.

“Estar associado a marcas de grande visibilidade é fundamental para nós. Tavira já tem um grande nome como actividade turística, cultural e património da humanidade e uma grande tradição no ciclismo, que é desporto rei na nossa região e promove a formação de jovens. Tudo isto dá visibilidade e notoriedade quer ao Sporting quer ao nosso município. São duas marcas fortíssimas que apoiam o ciclismo e irão promover-se e aumentar o seu valor. Há um padrão de qualidade onde fazemos as coisas bem. Esta é uma associação sem riscos, com parceiros de bom nível e honestidade, onde ganham as duas partes”, contou Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, continuando: “O regresso do Sporting ao ciclismo é um orgulho e vai fazer com que o nível da modalidade em Portugal aumente. O interesse, a visibilidade e os adeptos vão crescer, o que será importante para Tavira e contará com a contribuição de todo o município. Viu-se pela enchente de hoje no Salão Nobre da Câmara. Sentiu-se o calor humano, como irá acontecer nas estradas, porque os algarvios revêem-se nesta equipa”.

“Fizemos questão de assinar o protocolo em Tavira, demonstrando orgulho e vontade em poder colaborar com o município e com a região do Algarve na expansão do seu nome, que tanto nos orgulha. O ciclismo movimenta paixões e o Sporting tem uma dimensão inigualável, conseguindo despertar interesse e paixão em muita gente, como se viu hoje. Voltar a pintar a estrada de ‘verde e branco’ é o grande sonho e vontade desta Direcção e não tenho dúvidas de que vai ser bonito ver as camisolas do Sporting no pelotão e os Sportinguistas orgulhosos a espalharem as nossas cores pelas estradas de Portugal”, concluiu Bruno de Carvalho.