Rui Borges: "Queremos muito e sinto os jogadores focados e tranquilos"
21 Abr, 2026
Vaga no Jamor decide-se em casa do FC Porto (quarta-feira, 20h45)
Mais um jogo de dificuldade e importância máximas pela frente. A equipa principal de futebol do Sporting CP volta a entrar em acção já na quarta-feira (20h45), no Estádio do Dragão, para disputar frente ao FC Porto a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Os Leões levam a vantagem de 1-0 conseguida em Alvalade, na primeira mão, e a Norte vão procurar selar a terceira presença consecutiva no Jamor, de onde na última temporada saíram com a prova-rainha nas mãos.
Na véspera do clássico que tudo vai decidir quanto à passagem à final, Rui Borges, treinador verde e branco, fez a habitual conferência de imprensa de antevisão, na Academia Cristiano Ronaldo, para projectar o duelo.
Abordagem estratégica ao clássico
“Podemos esperar um jogo, acima de tudo, muito competitivo. Um FC Porto à sua imagem, intenso no primeiro momento de pressão, principalmente em sua casa. Estão a perder na primeira parte da eliminatória e é natural que intensifiquem ainda mais esse momento de pressão. É uma equipa que pressiona bem alto e também se organiza bem em bloco quando não o consegue fazer. Acho que não vai fugir muito à imagem do FC Porto, uma equipa forte em termos físicos e nos duelos. Vai ser um jogo competitivo e com um Sporting CP à sua imagem também. Serão duas equipas que vão querer ganhar e estar na final da Taça.”
Sobre eventual renovação de contrato
“Medo tenho da morte, porque gosto muito de viver. Estou focado no jogo. Já falei muitas vezes da renovação. Estou feliz, tenho contrato até 2027, a confiança é diária e, por isso, estou muito tranquilo em relação ao meu futuro.”
Ponto de situação nas frentes activas em 2025/2026
“Não vou em ‘ses’, porque estamos focados naquilo que ainda estamos a competir. Na Liga ainda não há campeão, na Taça estamos a lutar por uma passagem à final e, por isso, é nisso que estamos focados. Sabemos bem como tem sido o nosso caminho. Estamos na disputa de troféus, esse é o primeiro objectivo de um grande clube e temo-lo feito muito bem. (…) [Semana com desfechos duros na UEFA Champions League e Liga] É a semana de uma equipa grande. Ainda bem que perdemos a Liga dos Campeões, é sinal de que olham para nós com essa grandeza. É bom, valoriza o nosso trabalho. Acho que temos dignificado da melhor forma o Sporting CP e os jogadores têm feito uma época fabulosa. No Campeonato ficamos mais longe, mas ainda não há campeão e, por isso, é acreditar sempre. O primeiro classificado tem feito uma grande época, melhor do que a nossa, infelizmente. Olhamos para o futuro e o próximo jogo define a passagem à final da Taça e pode definir, também, a presença na Supertaça. É a possível presença em dois troféus. A equipa está muito motivada e tranquila, porque sabe o que tem de fazer e o que significa o jogo.”
O penálti falhado por Luis Suárez e sua eventual repetição por invasão de área
“Estão bem definidos os marcadores dos penáltis e não mudam. Em relação ao jogo com o SL Benfica, é passado e estamos focados no FC Porto. Como tinha dito no fim do jogo, houve três grandes equipas no fim do jogo.”
Visita ao Estádio do Dragão
“Se vamos ou não ser recebidos da melhor forma, isso têm de perguntar ao adversário. O que eu sei é que o FC Porto tem sido sempre muito bem recebido em Alvalade e assim esperamos ser recebidos também.”
Profundidade do plantel neste momento da época
“Não vou comparar com os rivais. É lógico que gostava de ter todo o plantel disponível, o Quenda, o Luís Guilherme e o Fotis [Ioannidis] a cem por cento, porque dar-nos-ia outras soluções e profundidade para gerir algumas cargas nestes dois meses surreais em termos de jogos. Não conseguimos gerir tão bem como queríamos, mas faz parte e temos de agarrar-nos ao que estamos inseridos. Com maior ou menor dificuldade, temos de dar o nosso melhor, é o que temos feito e amanhã será mais um jogo nesse sentido. Tem de haver uma entrega fantástica, com ou sem cansaço, temos de dar tudo em campo. Não gosto de me lamentar, agora lógico que gostava de ter toda a gente, porque seria totalmente diferente. Dentro disso, os jogadores deram resposta e mostraram sempre que são um grupo fantástico.”
Boletim clínico
“O João Simões, infelizmente, está fora até final da época. O Iván [Fresneda] continua em dúvida, é muito uma questão de dia-a-dia, mas poderá estar fora do jogo. O Nuno [Santos] está fora. (…) Em relação aos lesionados, acredito que estarão [disponíveis] até ao fim da época, porque já estão em trabalho de campo.”
Do céu ao inferno no dérbi e impacto mental
“Sim, às vezes ao cansaço físico acumula-se o mental. No momento sente-se bastante, os adeptos e nós, mas temos de ser equilibrados. Lá atrás perguntavam-se quando ganhámos quatro jogos aos 90’ e, agora, perdemos dois importantes nos descontos. É o futebol e nós temos de ser equilibrados e saber lidar com isso, percebendo como é que aconteceu. A equipa deu tudo, tanto com o Arsenal FC como com o SL Benfica, onde de repente passámos de estar a ganhar 2-1 a perder 1-2. São as emoções do jogo e eu sou muito frio nesse sentido. Temos de passar isso aos jogadores e fazê-los perceber a importância do próximo jogo, que nos pode meter em duas finais. Um clube grande quer estar na disputa final das competições e o jogo de amanhã dá-nos essa possibilidade. Queremos muito e sinto os jogadores muito focados e tranquilos.”
Momento de forma de Luis Suárez
“Temos de fazer uma análise fria das coisas. É um jogador que tem dado tudo pela equipa e que está claramente em sobrecarga. Tem sido surreal a sua entrega, vai perdendo algumas coisas, mas não deixa de ser um jogador importante. Vai ter menos oportunidades nalguns jogos pela exigência e cansaço, talvez, por isso tem de pensar em aproveitá-las da melhor forma. É nisso que está focado e sabe da confiança que tem por parte de todos nós.”
Preparação do ‘onze’ para o clássico
“Um treinador tem de fazer muitos cenários, por isso é que é difícil tomar decisões. Tem muito que ver com o momento e perceber como os jogadores estão, com muito diálogo e comunicação, em termos físicos e mentais. Seja numa fase inicial ou mais à frente, não pensamos no prolongamento, porque queremos muito chegar ao fim dos 90 minutos e passar à final. É um jogo decisivo porque nos pode pôr numa final ou, até, em duas. Queremos muito disputar a final da Taça, num primeiro momento.”
Vencer a Taça de Portugal ‘salva’ a época?
“Não olho para as coisas dessa forma. O Sporting CP tem de disputar os troféus até ao fim e nós temo-o feito. No fim fazemos uma análise da época e do caminho para perceber no que falhámos e no que podemos melhorar. Agora, não se trata de salvar nada, mas sim de estar na final de um troféu que, felizmente, vencemos na época passada. Queremos ter a oportunidade de o defender, depende de nós e é a isso que nos vamos agarrar.”