Your browser is out-of-date!

Update your browser to view this website correctly. Update my browser now

×

Foto Isabel Silva

"Está a ser a minha adaptação mais fácil de todas"

Por Sporting CP
23 Jul, 2026

Entrevista de Ana Dias ao site oficial do Sporting CP

Ana Dias assinou pelo Sporting Clube de Portugal este Verão, regressando ao futebol português depois de seis temporadas a jogar no estrangeiro.

A avançada, actualmente com 28 anos, jogou no futebol russo, norte-americano, mexicano e turco e sente-se agora uma jogadora muito diferente daquela que deixou o Amora FC em 2020/2021.

Em entrevista, deu conta das sensações nas primeiras semanas de Leão ao peito e dos objectivos que tem, destacando que se foca mais no colectivo.

Chegou ao Sporting CP para acrescentar e ajudar e, por isso, individualmente só ambiciona estar a 100 por cento para corresponder. Colectivamente, olha para todas as provas com vontade de as ganhar.

É a sua primeira entrevista como jogadora do Sporting CP. Falar com a comunicação social é algo de que gosta?
Não é algo que adore, até evito (risos), mas já sei que aqui vou ter de falar algumas vezes e está tudo bem.

Prefere treinar e jogar, não é?
Exactamente e foi para isso que fui contratada (risos).

E como estão a ser as primeiras semanas de trabalho?
Estão a correr muito bem. A exigência está mesmo lá em cima, num nível muito alto, mas estamos todas a trabalhar muito bem e a adaptação está a correr super bem. Para mim está a ser a adaptação mais fácil de todas. Claro que é o meu país, não há entraves na língua ou na cultura, mas digo em termos de equipa. Fui mesmo muito bem recebida e acolhida na equipa, está toda a gente a ser impecável comigo e todos se têm mostrado disponíveis para me ajudar em tudo.

Há alguma coisa que a tenha surpreendido?
A união, talvez. O grupo está mesmo muito unido desde o início e isso é óptimo. E quando falo do grupo, falo das jogadoras e de todo o staff. Está a ser muito bom e essa, se calhar, foi a coisa que mais me surpreendeu até agora.

“Estamos todas muito comprometidas, motivadas e a responder da melhor maneira”

Estão agora a estagiar no Algarve e o estágio é sempre um momento importante, também pelo convívio e para fortalecer a ligação entre todas. Como está a correr?
Está a correr muito bem. É um momento diferente e que serve para criarmos ligações entre nós, mas, acima de tudo, para trabalharmos de forma intensa e é isso que temos feito. Sabemos perfeitamente a época que nos espera e, por isso, o trabalho está a ser muito e muito exigente. Faço um balanço muito positivo até porque vejo que estamos todas muito comprometidas, motivadas e a responder da melhor maneira com vista ao que aí vem.

Pode, então, dizer-se que a equipa está muito bem e como deve estar nesta fase da época…
Totalmente. Estamos todas muito bem, a trabalhar bem, muito motivadas a remar para o mesmo lado e focadas no mesmo objectivo. Respira-se um ar muito saudável e positivo.

E a Ana, como está física e mentalmente neste momento da época?
Fisicamente estou super cansada (risos), mas acho que isso é um óptimo sinal. E, mentalmente, estou muito bem, confiante, motivada, com muita vontade de continuar a trabalhar assim, muita vontade de acrescentar e de continuar a crescer.

Já está entrosada com a equipa e com as ideias do treinador?
Sim. Claro que isso é algo que acontece aos poucos, que leva o seu tempo e que vai lá com mais trabalho em conjunto, mas diria que sim. Estou no bom caminho.

E como está a ser trabalhar com o míster Micael Sequeira?
Está a ser bom, ele é muito exigente e muito perfeccionista. Tem as ideias muito bem definidas, é rigoroso nisso e nós temos tentado responder da melhor maneira até porque acreditamos muito no que ele quer.

“Sinto que estou mesmo na minha melhor versão”

Já jogou e já marcou, no jogo de preparação frente ao SCU Torreense. Sendo avançada, isso deu-lhe confiança?
Claro, é sempre importante ir somando minutos e, no meu caso, marcar. Espero que tenha sido o primeiro de muitos golos porque é para isso que estou a trabalhar. Foi um bom teste para mim e para todas nós.

Regressou a Portugal seis anos depois, com experiências na Rússia, EUA, México e Turquia. De que forma é que a passagem por esses campeonatos a vai ajudar agora no Sporting CP?
Acho que me vai ajudar muito e já ajuda, por exemplo, na forma como encaro as coisas. Ter jogado noutros países e noutros contextos deu-me a capacidade de encarar tudo com maior positivismo, assim como me deu uma mentalidade mais competitiva, a capacidade de jogar ou de me adaptar a diferentes estilos e momentos de jogo.

Quais as diferenças entre a Ana Dias que deixou Portugal em 2020 e a que regressou em 2026?
São muitas, a começar na idade. Saí daqui com 22 ou 23 anos e cresci muito nos últimos anos. Cresci como pessoa e como jogadora, não sou a mesma que era há seis anos, sinto que evoluí de forma drástica e, olhando para trás, sinto que estou mesmo na minha melhor versão.

Vai ser, então, um ‘osso mais duro de roer’ para as defesas adversárias do que aquele que era?
Sim, sim. Espero que sim. Não sou, de certeza, a mesma jogadora que era. Trabalhei para ser diferente, para ser melhor e espero dar-lhes maior trabalho.

“Espero uma Liga BPI mais equilibrada e por jogos mais difíceis”

O futebol feminino em Portugal também mudou, cresceu e está mais profissional. Como acompanhou esse desenvolvimento?
Para ser sincera, não acompanhei ao pormenor, mas acompanhei a evolução no geral. Há mais equipas, equipas mais profissionais, mais jogadoras de fora, físicos diferentes e até vídeo-árbitro – o que não acontece em todos os campeonatos, acontece em poucos até. É óptimo ter havido tanta evolução, mas é preciso continuar a investir nas melhorias porque, acredito mesmo, a nossa Liga tem potencial para se tornar numa das melhores.

Isso foi também um motivo para regressar ou, sendo o Sporting CP, isso não importou assim tanto?
Na realidade, bastou ser o Sporting CP. Da mesma forma que saí, e senti na altura que era o momento certo, também sabia que um dia queria regressar, mas teria de ser para um grande clube e isso, felizmente, aconteceu.

Liga BPI, Taça da Liga e Taça de Portugal: o que espera das competições nacionais esta temporada?
Dado o que já falámos, e falando em particular da Liga BPI, espero-a mais equilibrada. Em termos de competitividade está melhor - quando eu saí o Sporting CP e o SL Benfica ganhavam muitas vezes por goleada e isso já não acontece tanto -, mas espero e acredito que este ano seja ainda mais equilibrada. Espero por jogos mais difíceis e todos quase como se fossem uma final.

Quais são os objectivos do Sporting CP?
Ganhar todos os jogos para assim conseguirmos também ganhar tudo o que há para ganhar.

E os da Ana Dias?
Sinceramente, não sou de objectivos individuais. Acima de mim, está o colectivo e é por esses objectivos que gosto de trabalhar, não colocando pressão de jogos para fazer ou golos para marcar. Quero é trabalhar e estar a 100 por cento para quando for chamada ajudar ao máximo o Sporting CP.

O Sporting CP vai também jogar nas competições europeias, começando na segunda eliminatória de acesso à fase de grupos da Champions League frente ao FC SeaSters Odesa, já no dia 5 de Agosto em Alcochete. O que espera desse jogo, que vai ser o primeiro da época?
Espero um jogo difícil, numa competição já por si só diferente e difícil, mas sinto mesmo que estamos bem e que nos estamos a preparar muito bem para responder o melhor possível nesse jogo e seguirmos em frente na competição. Esse é o nosso desejo.

“Ir jogo a jogo e acreditar que podemos ser felizes no final”

Já se estreou nesta prova, quando jogava na Turquia, no Fomget Gençlik, e também jogou a competição equivalente da CONCACAF. Como se sente a jogar nestes palcos?
É óptimo, todas queremos jogar este género de competições. A Liga dos Campeões é uma prova muito importante, onde estão as melhores equipas e as melhores jogadoras e é o sonho de todas nós. Já joguei, e tudo é diferente, a começar pelo ambiente, e sinto-me bem, claro.

Sendo também das jogadoras mais experientes deste plantel, ainda que só tenha chegado esta temporada ao Clube, sente-se responsável por ajudar as mais novas e as jogadoras estrangeiras?
Não sinto essa responsabilidade, até porque sinto que, actualmente, quem já cá estava é que me ajuda, mas ajudo e sinto que posso ajudar com a minha experiência tanto em jogo como a encarar as coisas. No fundo, acho que todas nós temos o papel de ajudar as outras e que todas o podemos fazer seja pela antiguidade no Clube, seja pela experiência e é bom que assim seja.

E o que tem achado das jogadoras formadas no Sporting CP que, actualmente, fazem parte da equipa principal?
Além de serem boas jogadoras, vejo nelas muita vontade e disponibilidade para trabalhar e continuar a crescer. Gostam de ouvir e estão sempre disponíveis para aprender. Acho que representam muito bem a formação do Clube e que o Sporting CP está muito bem entregue com elas.

Para finalizar, e olhando para 2026/2027 de uma forma geral, o que é que o Sporting CP precisa de fazer para fazer uma boa época?
Continuar a trabalhar e a fazer o que tem feito nesta pré-temporada. Temos de manter este nível de trabalho, esta exigência e esta mentalidade. Se assim for, temos mais do que capacidade para ganhar qualquer jogo e qualquer adversário.

E sentem a pressão de ganhar, não só por estarem no Sporting CP, mas porque os títulos têm fugido ao Clube?
Obviamente que o Sporting CP luta por tudo, e quer ganhar tudo, mas isso não nos pode consumir. Temos de fazer o nosso trabalho, ir jogo a jogo, pensar de vitória em vitória e acreditar que podemos ser felizes no final.

Os Sportinguistas são sempre importantes na vossa caminhada, quer deixar-lhes uma mensagem?
Claro que quero. Quero dizer-lhes que contamos com eles porque, sim, eles são sempre importantes para nós. É importante vê-los na bancada, senti-los connosco e contar com a força extra deles. Acompanhem-nos, mantenham-se positivos e confiantes. Nós vamos fazer de tudo para representar o Sporting CP da melhor maneira possível também para lhes darmos as alegrias que merecem.

PERGUNTAS RÁPIDAS
Maior ídolo no futebol?

No futebol não tenho. O meu ídolo é a minha mãe, por tudo o que ela é.

Como começou a jogar futebol?
Por influência da família - pai e mãe ligados ao futsal - e porque era muito enérgica.

Modalidade que mais gosta para além do futebol?
Voleibol, que também joguei.

Tem algum talento escondido?
Não, mas conta tocar com a língua na ponta do nariz? (risos).

Artista musical favorito?
Sara Correia.

Filmes ou Séries?
Séries. Prison Breack, por exemplo.

Férias de sonho?
Diria na Grécia.

Uma palavra para descrever as primeiras semanas de Sporting CP?
Trabalho. Exigência. Compromisso. Tantas, não sei. Mas isso é o que estou a sentir agora e o que sinto, de uma forma geral, sempre.