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Foto João Pedro Morais

Diogo Ventura: "Tranquilos e em paz com o que fizemos"

Por Sporting CP
07 Jul, 2026

Basquetebol venceu a Taça de Portugal e a Taça Hugo dos Santos.

O basquetebol contribuiu com dois troféus para a época com mais títulos das modalidades do Sporting Clube de Portugal. A equipa orientada por Luís Magalhães venceu a Taça de Portugal e a Taça Hugo dos Santos.

Os Leões conquistaram a Taça de Portugal depois de vencerem o FC Porto por 84-86, a 22 de Fevereiro, em Albufeira, e a Taça Hugo dos Santos após triunfo por 77-79 frente ao SL Benfica, a 3 de Maio, em Gondomar.

Diogo Ventura ficou, por isso, satisfeito com a conquista destes dois troféus – somando 10 à conta pessoal de Leão ao peito –, mas, naturalmente, queria ter chegado aos três títulos e vencido o Campeonato Nacional.

Ainda assim, o capitão verde e branco fez um balanço positivo da temporada que terminou e disse até que foi uma das melhores épocas que viveu de Leão ao peito.

O que dizer desta época, muito longa, mas saborosa também?
Foi uma época muito longa, sim. Tão longa que, ao relembrar alguns momentos, até me questiono se foi na que agora terminou ou na anterior. Foi, realmente, uma temporada muito longa e, como fizemos um bom percurso nas competições europeias, ainda acabámos por fazer mais jogos. Por isso, foi muito desgastante. Por outro lado, foi uma época muito positiva e muito agradável de se viver. Conseguimos ganhar dois troféus e, apesar de não termos conseguido ganhar o Campeonato Nacional — o que nos deixou muito frustrados —, sabemos que fizemos tudo o que podíamos e podemos estar tranquilos e em paz com o que fizemos.

Como foi ser líder deste grupo?
Para mim, e disse isso mesmo a toda a equipa, foi uma das épocas mais fáceis e que mais gozo me deu enquanto capitão, porque o grupo foi muito fácil de liderar. A única coisa que tive de fazer no início, e que eles perceberam logo muito bem, foi fazer-lhes ver a grandeza do Clube que estavam a representar. Isto porque, claro, os norte-americanos não acompanham futebol e pouco sabem do desporto europeu, acabando por só lhes cair a ficha de onde estão quando cá chegam. Mas foi facílimo transmitir-lhes tudo isso e, depois de duas ou três semanas, já estavam completamente cientes de onde estavam. Foi um grupo espectacular, com bons jogadores e excelentes pessoas. Por isso, foi muito, muito fácil ser o líder e capitão desta equipa.

Qual foi o momento mais difícil e o mais fácil desta época enquanto capitão?
O mais difícil foi, sem dúvida, o nosso início de época. Tivemos um dérbi aqui, no João Rocha, logo na segunda jornada, em que nos correu tudo mal e ao nosso adversário correu tudo bem. Acabámos por perder por uma diferença muito grande (66-103) e o resultado não espelhou, de todo, a verdade sobre ambas as equipas. Foi uma derrota difícil por ser no início da temporada e por ter gerado algumas dúvidas à nossa volta e até a nós, equipa técnica e jogadores. Não sabíamos que resposta daríamos a seguir, numa altura em que tínhamos encontros europeus e dois jogos no Dragão — jogos difíceis e várias viagens pelo meio —, mas demos uma resposta brilhante. Vencemos logo aqui o Dinamo Sassari (80-77) e ganhámos os dois jogos frente ao FC Porto, um para o campeonato (76-82) e outro para a Taça Hugo dos Santos (88-108). Com isso, conseguimos esquecer essa derrota, dar a volta às dúvidas e fazer depois uma época, a meu ver, positiva e consistente. Já o melhor momento desta época, diria dois: a conquista dos dois títulos. Mas, a ter de escolher apenas um, escolho a conquista da Taça de Portugal, por ser a primeira e por ter acabado com um jejum de dois anos e tal sem conquistar troféus. Além disso, o percurso na prova também foi muito difícil porque nunca jogámos em casa. Fizemos todos os jogos fora, não houve um único jogo no João Rocha, não houve jogos fáceis e jogámos em pavilhões muito complicados.

Dizem que a primeira imagem conta muito, e não foi boa, como disse, mas que a que fica é a última. Por isso, o que fica desta equipa?
Como já disse também, estou de consciência tranquila e não preciso que ninguém me diga nada para ter a certeza de que acabámos por fazer um bom trabalho. A temporada não terminou como queríamos, mas o desporto é mesmo assim. O FC Porto foi melhor do que nós nos play-offs e, por isso, não chegámos à final do campeonato. No geral, estivemos bem, as pessoas gostaram da nossa equipa, da forma alegre como jogámos e como deixámos tudo dentro de campo. Além disso, todos os jogadores fizeram um excelente trabalho e representaram muito bem o Sporting CP. Por isso, e porque isso nem sempre se consegue, até podíamos não ter ganhado estas duas taças que eu estaria orgulhos na mesma. Costumo dizer que dar 99,9 por cento não chega; no Sporting CP tem de ser mesmo 100 e acho que esta época as coisas correram muito bem nesse sentido.

O que recorda da conquista da Taça de Portugal?
Acima de tudo, recordo a grande ansiedade que tinha e aquele nervoso miudinho de quem está prestes a entregar, outra vez, um troféu ao Clube, que é para isso que trabalhamos. Depois de dois anos sem ter essa oportunidade, sentia um vazio muito grande e uma enorme ansiedade, quase como em 2019, antes de conquistarmos o primeiro título após 24 anos de interregno da modalidade. Foi uma final extremamente difícil contra o FC Porto, numa final four muito exigente e onde tivemos de fazer um trabalho mental muito grande. O nosso foco não podia ir logo para a final, embora às vezes isso seja complicado, e primeiro tivemos de deixar tudo em campo e vencer a UD Oliveirense (97-77).

E da Taça Hugo dos Santos…
A Taça da Liga também teve um percurso extremamente difícil, com jogos complexos em alturas difíceis, mas acabámos o grupo em primeiro lugar. Depois tivemos uma meia-final também difícil com o Imortal BC e na final acabámos por vencer o SL Benfica, quando toda a gente pensava que eram eles que iam ganhar. Tinha havido aquela derrota pesada no início da temporada, mas depois até vencemos na Luz (78-87) e acreditávamos que o SL Benfica nos iria querer responder a isso. Mas cerrámos os dentes e demos uma resposta muito boa ao longo do jogo, depois deles terem entrado muito bem.

Dado que foi a época com mais títulos das modalidades do Sporting CP, qual é o sentimento por fazer parte de uma temporada histórica?
Um sentimento muito bom. É muito bom, e um grande orgulho, pertencer a este grande clube. Basta olhar ali para cima [palmarés das modalidades no Pavilhão João Rocha] e ver que todas as épocas acrescentamos títulos. Esta temporada foi excepcional e ainda bem. Por causa disso, fomo-nos cruzando todos desde o início da época até às decisões e deu para nos apoiarmos ainda mais uns aos outros. A verdade é que vemos regularmente os jogos das outras modalidades e todos ficamos contentes com as conquistas uns dos outros. Tudo isso deixa-me muito contente de pertencer a este grupo, que não é só o do basquetebol, mas, sim, de todo o Sporting CP.

Neste final de época, que mensagem quer deixar aos Sportinguistas?
Agradeço-lhes por mais uma época de apoio à nossa equipa e o que lhes peço, àqueles que já são quase família para nós, aos que já sei o nome deles, que vêm cá em todos os jogos e todos os fins-de-semana, é que continuam a vir. Podem ter a certeza de que equipa de basquetebol vai continuar a deixar tudo em campo. Para o ano espero estar aqui novamente, não só com dois, mas com três ou quatro troféus. É isso que eu espero.