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"Ensinou-me muito sobre o futebol e a vida"

Por Jornal Sporting
31 Mar, 2016

Hilário recorda com emoção o antigo companheiro Fernando Mendes

Um é ainda hoje o jogador com mais encontros oficiais pelo Sporting CP, o outro é um dos quatro ‘heróis’ que se sagraram campeões no Clube como jogador e treinador. Hilário chegou aos ‘leões’ em 1958 e conviveu durante uma década com Fernando Mendes, que faleceu hoje aos 78 anos, de quem guarda excelentes e sentidas recordações.

“Foi um grande jogador mas, acima de tudo, um grande amigo e uma das primeiras pessoas que conheci quando cheguei a Portugal [em Agosto de 1958]. Tinha acabado de sagrar-se campeão pela principal equipa do Sporting CO e funcionou como uma espécie de mestre na minha integração. Foi um enorme professor e é com grande emoção que vejo a sua partida. Ensinou-me muito sobre o futebol e a vida”, comentou esta tarde o antigo lateral esquerdo.

Juntos, Hilário e Fernando Mendes conquistaram um Campeonato Nacional e uma Taça dos Vencedores das Taças, além de terem partilhado a camisola da Selecção Nacional.

"Um homem bom que será sempre um exemplo"

Por Jornal Sporting
31 Mar, 2016

Reacção de Bruno de Carvalho à morte do antigo capitão Fernando Mendes

Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting CP, reagiu esta tarde ao desaparecimento de Fernando Mendes, capitão e totalista da equipa 'leonina' que ganhou a Taça dos Vencedores das Taças em 1964, enaltecendo o exemplo do 'eterno capitão' que perdurará na memória dos Sportinguistas.

"O capitão fez isto, o nosso Cacholas disso aquilo, o Fernando Mendes, o Fernando Mendes, o Fernando Mendes. Na viagem que fizemos a Antuérpia em Maio de 2014, quando celebrámos os 50 anos da conquista da Taça dos Vencedores das Taças, ele não esteve presente mas foi uma das figuras mais faladas por toda a  capacidade de liderança e qualidade enquanto jogador e treinador. Partiu hoje aquele que foi o líder em campo da primeira equipa que conquistou um título europeu para o Sporting Clube de Portugal e que, mais tarde, seguiu as pisadas de Juca e Mário Lino como um dos heróis que foram campeões nacionais enquanto jogadores e treinadores", comentou o líder 'verde e branco'. 

"Era um homem bom que se distinguia por ser bom condutor de homens. É ainda hoje uma das figuras mais emblemáticas dos tempos áureos do nosso futebol após os Cinco Violinos. Será, sempre, um exemplo para todos aqueles que entram no Clube ainda na formação, sentem o Sporting como uma segunda casa e vivem as nossas alegrias sabendo que contribuíram para nos colocarem no patamar de maior potência desportiva nacional. Até sempre Fernando Mendes porque, como todos falámos em Antuérpia, os diamantes são eternos. No dia em que se inaugurou a Cidade do Futebol, foi o Mundo do futebol que ficou mais pobre", completou Bruno de Carvalho.

"Perda muito grande para o Clube e para Portugal"

Por Jornal Sporting
31 Mar, 2016

José Carlos, que herdou a braçadeira de Fernando Mendes, relembra colega

Depois da grave lesão contraída ao serviço da Selecção Nacional, frente à Checoslováquia, Fernando Mendes não mais recuperou a 100% e deixaria a José Carlos a braçadeira de capitão da equipa 'leonina' que ostentava até então. Sobre o então companheiro, o defesa recorda um líder de respeito e alguém que se entregava a fundo ao Clube: "Foi o meu capitão durante muitos anos, pelo qual os jogadores tinham um grande respeito porque ele procurava sempre defender os interesses do Clube e os próprios jogadores. Entregava-se de forma total ao Clube. Tive o privilégio de estar com ele muitos anos na equipa", afirmou.

Ainda algo surpreendido pela notícia, o ex-jogador salientou também a carreira de Fernando Mendes enquanto treinador, na qual chegou a levar o Sporting CP ao título de campeão nacional. "O Fernando Mendes teve uma carreira brilhante no Sporting e ao serviço da Selecção. Para além de bom jogador, foi também bom treinador. É uma perda muito grande para o Clube e para Portugal", disse o antigo defesa 'verde e branco' em declarações à Sporting TV.

José Carlos e Fernando Mendes coincidiram na equipa 'leonina' durante seis anos, entre o ano de 1962 e o de 1968.

"Éramos 11 irmãos e Fernando Mendes o líder"

Por Jornal Sporting
31 Mar, 2016

Joaquim Carvalho, antigo colega de Fernando Mendes, recorda o capitão

Foi em 1964 que o Sporting CP conquistou a Taça das Taças, o seu primeiro título europeu em modalidades colectivas. Ao longo da campanha, além de muitas outras figuras incontornáveis, destacaram-se pela regularidade dois totalistas: o médio e capitão Fernando Mendes e o guarda-redes Carvalho. No dia em que parte o primeiro, Carvalho recorda-o com saudade. "Hoje é um dia muito mau para mim. Era amigo do Fernando e não há dúvida de que vai deixar saudades aos Sportinguistas e ao Sporting CP".

Sobre o antigo colega, Carvalho explica tratar-se de alguém de valia dentro e fora do campo, onde tanto numa como noutra área se destacava pela capacidade de liderança que fez dele capitão da equipa 'verde e branca' mas também da Selecção: "Era um grande líder, o nosso capitão. Um grande capitão não só do Sporting como também da Selecção, a quem fez muita falta também, depois da lesão. Era o melhor médio português. Como pessoa era extraordinário", afirmou, prosseguindo acerca da equipa que conquistou a Taça das Taças: "Éramos formados por 11 irmãos na Taça das Taças e o Fernando Mendes era o líder. Uma família que, quando entrava em campo, era fantástica", conclui.

Morreu Fernando Mendes, o eterno capitão do Sporting CP

Por Jornal Sporting
31 Mar, 2016

Vencedor da Taça das Taças e campeão nacional como jogador e treinador

O Universo do Sporting CP ficou mais pobre: morreu hoje, aos 78 anos, Fernando Mendes, capitão da primeira equipa do Clube vencedora de um título europeu e um dos quatro magníficos que conseguiram ser campeões nacionais como jogador e treinador.

Nascido em Seia, chegou a Lisboa com 10 anos já com a habilidade nos pés de quem nasceu para ser maior e melhor na vida e no futebol. Entrou no Sporting CP cinco anos depois, para a equipa de principiantes, desviado do rival Benfica pelo irmão que alinhava nos juniores ‘verde e brancos’. Ainda assim, não demorou a estrear-se na formação principal – vulgo primeira categoria – inscrevendo o nome no Campeonato de 1957/58, onde fez ainda seis jogos num conjunto onde ainda estavam Travassos ou Vasques.

A partir de 1958, tornou-se titular indiscutível, sendo um médio de qualidade técnica acima da média mas que se distinguia sobretudo pela foça, raça, abnegação e liderança em campo, que contagiava todos aqueles que com ele jogavam e privavam, não só nos ‘leões’ mas também na Selecção Nacional. Voltou a ser campeão nacional em 1962, dois anos antes da histórica campanha ‘verde e branca’ na Taça dos Vencedores das Taças (onde foi totalista, como Carvalho), já com a braçadeira que herdou do Zé da Europa, Travassos.

Foi também um elementos de grande preponderância na Selecção Nacional, camisola que envergou naquele que foi o momento mais delicado da carreira: num encontro particular em Bratislava frente à Checoslováquia, em Abril de 1965, sofreu uma entrada violenta que provocou uma grave lesão no joelho, impossibilitando-o de marcar presença no Campeonato do Mundo de 1966 – onde o Sporting CP esteve representado por oito elementos, apesar de Fernando Mendes ter sido também convidado a seguir viagem por ser parte integrante do célebre conjunto dos ‘Magriços’ – e obrigando-o a terminar a carreira aos 30 anos após uma operação delicada e uma longa recuperação que não mais foi capaz de trazer o antigo capitão.

Após passagens pela África do Sul (Lusitano) e Estados Unidos (Boston Astros), voltou a Portugal para treinar o Lourosa, foi adjunto de Juca, passou pelo Vianense e regressou a Alvalade, treinando primeiro os juniores e, em 1979, subindo em Novembro ao comando da equipa sénior após a saída de Rodrigues Dias, altura em que mostrou ser um homem com uma invulgar capacidade de comandar as tropas ao levar os ‘leões’ à vitória no Campeonato Nacional de 1980 numa formação com figuras como Manuel Fernandes, Jordão, Inácio, Barão ou Eurico, entre outros. Após sair do Clube a meio da temporada seguinte, rumou a Marítimo, Belenenses, Farense e Trofense antes de voltar ao Sporting, cumprindo várias funções no departamento de futebol entre a equipa técnica dos seniores (cumpriu funções como técnico principal em períodos interinos em 1995/96 e 2000/01) e o departamento de formação.

À família e amigos, o Sporting CP endereça as mais sentidas condolências.

III Jornadas Internacionais de Medicina Desportiva do SCP

Por Jornal Sporting
30 Mar, 2016

Evento vai decorrer este sábado, dia 2, no Auditório Artur Agostinho em Alvalade

Realizam-se no próximo sábado, dia 2, no Auditório Artur Agostinho, as III Jornadas Internacionais de Medicina Desportiva do Sporting Clube de Portugal, um evento pioneiro de grande sucesso criado pelo Clube e que teve uma forte repercussão das edições passadas.

As inscrições online poderão ser feitas através do endereço www.eventos.bayer.pt e quaisquer questões poderão ser esclarecidas através do secretariado, na Rua Quinta do Pinheiro, n.º 5, 2794-003 Carnaxide. O número de telefone é o 214164336 e o email é secretariado.eventos@bayer.pt. Os preços variam entre os 30 (estudantes), 40 (fisioterapia, enfermeiro e técnicos de saúde) e 60 euros (médico).

O programa, painel de temas e moderadores para esta terceira edição é o seguinte:

9h Abertura

- Lesões do pé e tornozelo no desporto

Moderador: Manuel Resende

9h30: Rotura do Tendão de Aquiles. E agora?, Nuno Corte Real

9h40: Fracturas de stress. E agora?, Cura Mariano

9h50: Fracturas do tornozelo. E agora?, Paulo Amado

10h: Discussão

- O papel da reumatologia no desporto

Moderador: Augusto Faustino

10h10: Quando a dor do aparelho locomotor não é de lesão desportiva, Ana Filipa Mourão

10h20: Inflamação – relevância, diagnóstico e tratamento, Fernando Pimentel Santos

10h30: O papel da Ecografia do aparelho locomotor, Ricardo Figueira

10h40: Discussão

10h50: Coffe Break

- Retorno à competição, três perspectivas

Moderador: Pedro Pessoa

11h20: Berlin experience in return to athletic sport, Karsten Labs (cirurgião)

11h30: Fisiatria, Frederico Varandas

11h40: Fisioterapia, Gonçalo Álvaro

11h50: Discussão

- Suplementos no desporto de alta competição, mito ou realidade

Moderador: João Lopes

12h30: Abertura Oficial das Jornadas, com a presença do Presidente do Sporting Clube de Portugal, Presidentes das Sociedades Científicas e Presidentes das Jornadas

13h: Almoço livre

- Controvérsias, lesões do joelho no desporto

Moderador: Vítor Coelho

14h40: Tendinopatia do tendão rotuliano, Guerra Pinto

14h50: Fracturas, Nuno Oliveira

15h: Instabilidade patelo-femoral, Vieira da Silva

- Controvérsias, lesões do ombro no desporto

Moderador: Horário Sousa

15h10: Tratamento da instabilidade, Bárbara Campos

15h20: Tratamento da rotura da coifa, Karsten Labs

15h30: Tratamento das lesões da acrómio-clavicular, Jacob Frischknecht

15h40: Discussão

15h50: Café

- Manuel Sousa Resende, cirurgia do tornozelo em directo

Moderador: Pedro Pessoa

16h40: Encerramento das Jornadas 

Academia de Alcochete renova certificação de qualidade

Por Jornal Sporting
29 Mar, 2016

A Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD (Academia de Futebol de Alcochete), no âmbito do Recrutamento e Formação Desportiva, foi novamente renovada a certificação no referencial normativo: NP EN ISO 9001:2008.

A Equipa Auditora externa afeta à Empresa Internacional de Certificação (EIC) avaliou:

• Conformidade e eficácia do(s) sistema(s) com os critérios da auditoria;
• Eficácia do sistema de forma a garantir o cumprimento dos requisitos regulamentares,
estatutários, legais e contratuais aplicáveis às atividades desportivas da Organizações.(identificação, controlo e
verificação da conformidade);
• Eficácia do sistema de forma a garantir o cumprimento continuo com os objectivos definidos e
um julgamento da capacidade da organização para providenciar de forma sistemática um produto e/ou
um serviço de acordo com os requisitos aplicáveis;
• Necessidade de proceder a melhoria no sistema da organização.

No final a EIC concluiu que a Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD (Academia de Futebol de Alcochete) demonstrou todas as evidências e processos que se adequam em pleno ao referencial normativo e concedeu-lhe, sem quaisquer reservas, a renovação da certificação.

A equipa interna responsável pela Qualidade na Academia de Futebol de Alcochete, agradece a todos os responsáveis internos pelos processos pela sua colaboração e pela forma como demonstraram que os requisitos da Qualidade são intrínsecos à forma como desenvolvemos o nosso trabalho na Academia, cumprindo os valores e práticas do nosso Sporting Clube de Portugal.

"Vou recandidatar-me porque o Sporting precisa de estabilidade"

Por Jornal Sporting
27 Mar, 2016

Entrevista do Presidente Bruno de Carvalho ao jornal 'A Bola'

Bruno de Carvalho admite que não é uma pessoa talhada para fazer balanços, a propósito do aniversário dos três anos de mandato que cumpriu na passada semana, mas explica que “quando se abraça um projecto como a presidência do Sporting Clube de Portugal, com a ambição de recuperar um Clube que estava falido, competitivamente arredado das decisões e aparentemente condenado a pertencer ao passado, só há uma atitude possível: permanente inconformismo!”. “Não me envolvo em muitas lutas, não viro é a cara à luta”, argumenta antes de anunciar uma nova candidatura à liderança dos ‘leões’.

“Vou recandidatar-me porque o Sporting necessita de estabilidade. Basta ver o que se passa noutros clubes com os quais competimos para perceber que a estabilidade abriu o caminho para as conquistas desportivas. O FC Porto tem o mesmo presidente há quase 34 anos, o Benfica há 12. A estabilidade é fundamental, prescindir dela seria interromper o crescimento de um ciclo vitorioso que já se iniciou no Clube”, ressalva antes de elencar uma série de “duras batalhas” que foram sendo resolvidas: “Fundos, novas tecnologias, alterações na Liga, respeito conquistado nas instâncias do futebol nacional e internacional, recuperação da maior parte dos passes dos jogadores do nosso plantel, independência em relação à banca e recuperação económica do Clube, trabalho muito profundo e regular em termos de propostas e alterações com a APAF e o Sindicato de Jogadores, voltar a colocar o Sporting como candidato real à conquista de títulos em todas as suas modalidades, nomeadamente o futebol...”.

E onde espera ver o Clube daqui a dez anos? A resposta do Presidente ‘verde e branco’ sai pronta. “Devolvido à sua vocação natural: a glória! O trabalho que estamos a desenvolver frutificou, e muito, em três anos. Tivemos a ambição de recuperar um Clube moribundo, não para lhe dar uma morte digna mas para o devolver à vida! Muitos dos nossos objectivos vão dar resultados sólidos e consolidados no futuro: a expansão, os novos mercados, a apetência do mundo do futebol pelo ‘know how’ da Academia que formou os dois melhores do Mundo. São tudo sinais muito auspiciosos em relação ao futuro que sabemos ter a responsabilidade de estarmos a construir. A nível nacional, em dez anos, teremos seguramente um Sporting ganhador de forma regular e consistente em todas as modalidades e nos títulos individuais. Este é o caminho para a conquista dos títulos europeus que tanto desejamos”, antevê, apesar dos jogos fora das quatro linhas que persistem: “O maior orgulho que é possível ter até agora é ter devolvido aos muitos milhões de Sportinguistas em Portugal e no Mundo o orgulho de serem do Sporting. Como? Entregando um Clube com saúde financeira, unido como nunca se viu, com equipas e atletas que transportam para todos os campos, pavilhões, piscinas e pistas a ambição que faz parte do ADN do Sporting e que, daqui a um ano, acolherá de novo no seu Pavilhão João Rocha as modalidades que fazem deste Clube a maior potência desportiva nacional. Ao nível do mundo do futebol, o meu maior orgulho é assistir às mudanças profundas em relação às quais levantei a minha voz e dei o meu contributo enquanto outros duvidavam e resistiam. Maior desilusão? Aperceber-me ‘in loco’, e é pior do que se possa imaginar, o quanto se joga fora das quatro linhas e o que isso pesa”.

Na extensa entrevista ao jornal ‘A Bola’, Bruno de Carvalho abordou também a relação com Jorge Jesus, defendendo que “ganhar ou não nada coloca em causa”. “Devolveu a alma à nossa equipa de futebol, a mística vencedora aos nossos atletas e a todos os que envolvem o futebol. Tem sido um factor determinante e diferenciador para atingir os objectivos a que nos propusemos e é o treinador que queremos para nos acompanhar neste processo de solidificação e crescimento que nos fará ser campeões de forma regular. Assumi claramente, desde o primeiro dia, independentemente do estado caótico do Clube, que o Sporting tinha de ser sempre um real candidato ao título. Na primeira época, ficámos em segundo lugar; na segunda, ficámos em terceiro e conquistámos uma Taça de Portugal; nesta terceira, já ganhámos uma Supertaça e estamos na luta nesta recta final. O objectivo é claro: iniciar um conjunto de títulos neste mandato, criando as condições necessárias para que essas conquistas deixem de ser esporádicas e passem a ser regulares”, frisa. “Se mudei a forma como os adeptos olham para o seu Presidente? Na verdade o que mudou foi a forma como os adeptos olham para o seu Clube e o facto de, agora, se reverem no seu Presidente. Reveem-se no perfil, nos princípios, nos valores, nos objectivos, na defesa intransigente do Clube, na eficiência, na eficácia. Presidente-adepto? Ninguém deve alterar a sua personalidade e carácter pelo poder que advém das funções que desempenha. O ser real, genuíno, frontal e apaixonado é vital para o sucesso no desempenho das funções. Tenho muito orgulho em, como Presidente, ser o adepto número 1 e é esta postura e genuinidade que fez voltar o orgulho dos Sportinguistas. É bom verificar as primeiras palavras do presidente da FIFA, Gianni Infantino, pessoa com quem por várias vezes e durante largas horas falei do Sporting e das suas propostas para o futebol, terem sido ‘O futebol precisa de presidentes-adeptos’”, acrescenta.

Por fim, o Presidente ‘leonino’ abordou também a relação com vários organismos ligados ao futebol. “Não abro frentes de batalha mas sim frentes de batalha”, esclarece. “Na Liga, desde que chegámos que estamos em trabalho constante através das nossas propostas e dos grupos de trabalho de que fazemos parte. Com a Federação, temos feito um trabalho cada vez mais próximo e cooperante, sendo que já se prontificou para ser uma das federações que quer testar o vídeo-árbitro porque quer trazer transparência para todo o sector da arbitragem. Com a APAF, desde o primeiro dia que temos trabalhado em conjunto que se congratulou e apoiou as propostas do Sporting em relação à arbitragem. Com o Sindicato também. Fui o primeiro dirigente que, nos últimos anos, apresentou de forma concreta propostas para dignificar a classe dos árbitros. É inegável que existem equipas que são mais prejudicadas com erros grosseiros. Infelizmente nos últimos anos, e isso é factual, a nossa equipa, entre os grandes, tem sido a mais prejudicada. É fundamental alertar para isto para que aconteça o que neste momento está a acontecer: vai ser mudada de forma radical a política inerente à arbitragem e o vídeo-árbitro vai iniciar os seus testes no terreno. Ser crítico é uma forma de contribuir para alterar. Temos sido frontais e directos com factos nas críticas, mas temos o orgulho de, com as mesmas, estarmos a ajudar para as alterações a que me referi, que vão contribuir para uma melhoria tremenda na arbitragem e, consequentemente, na sua dignificação e credibilização”, conclui.

A entrevista pode ser lida na íntegra aqui

entrevista_jornal_a_bola.pdf

"Não chega o que fizemos; queremos muito mais"

Por Jornal Sporting
24 Mar, 2016

"A Hora do Presidente" com Bruno de Carvalho no futuro Pavilhão João Rocha

Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting, marcou hoje presença nas obras do Pavilhão João Rocha para mais um ‘A Hora do Presidente’, desta feita num sítio especial e simbólico para a Direcção. Ao longo de pouco menos de uma hora, o líder ‘leonino’ abordou diversos temas do quotidiano ‘verde e branco’, nacional e internacional, desde a reestruturação financeira do Clube, à renovação daquela que é a base da equipa de futebol para a próxima época, passando pela morte de Johan Cruijff ou o lançamento do quarto ano de mandato da actual Direcção. No final da entrevista, Bruno de Carvalho anunciou ainda uma surpresa para os Sócios.

Três anos de mandato

“Estamos aqui num local que é emblemático e importante e que era um objectivo desta Direcção e de todos os Sportinguistas. Vamos conseguir iniciar o Pavilhão João Rocha neste mandato, vamos conseguir completá-lo e é das coisas mais importantes porque se nota a alegria e o sentimento de realização dos Sportinguistas. É algo que marca a história do Sporting CP, os Sportinguistas e o orgulho que temos em servir o Sporting CP e conseguir esta obra, que daqui a um ano estará pronta. Se olharmos para trás, temos conseguido várias coisas muito importantes para o Clube, começando pela sustentabilidade financeira, muito importante para traçarmos um caminho de crescimento. A reestruturação financeira foi um documento, depois é o dia-a-dia a aplicação dos nossos rumos e políticas que vão determinar essa sustentabilidade. Temos a noção clara do que queremos fazer para que a reestruturação funcione e estejamos numa situação de sustentabilidade financeira. Houve necessidade de cortes nas modalidades, infelizmente. Agora aumentámos, para o ano vamos voltar a aumentar e fizemos coisas como o regresso do hóquei em patins a modalidade oficial, logo com a conquista da Taça CERS, fizemos o mesmo com o ciclismo, estamos a ser a melhor equipa portuguesa em cada prova e demonstramos que quando se arranja parceiros certos e acredita num projecto que vale a pena ficamos na frente. É muito importante porque isso é que é o Sporting CP e os pergaminhos do CC Tavira, que tem sido um parceiro tremendo”.

“A criação da base do futebol tem sido muito importante. A consolidação dos atletas formados em Alcochete, as renovações, as recuperações de passe. Isso leva os os jogadores a sentirem-se mais confiantes. Planeámos uma equipa para o futuro e já não estamos numa política de deixar sair os activos de qualquer forma e negligenciando os objectivos de ser campeão. Foram três anos muito complicados, mas muito prazerosos, com coisas como estar aqui, olhar e ver a obra feita”.

Reestruturação financeira

“Tenho lido algumas pessoas a dizerem que se tem trilhado um caminho mas falta a independência da banca. Explicar que temos uma dívida bancária, muito mais diminuída, mas uma dívida bancária. Isto não significa estar dependente da banca, só que temos de pagar a dívida. Até já pagámos mais do que estava previsto no acordo porque temos tido resultados e receitas superiores ao que estava previsto. Não temos tido nenhum apoio adicional. Explicar que há vários actos, fizemos uma reestruturação complexa até 2022, há uma série de actos que vão ser feitos ao longo do tempo, não significa alteração nenhuma, está tudo planeado. A reestruturação tem mapeamento e cronograma que está a ser cumprido. Algumas pessoas utilizam estes resultados como uma prova de que o Sporting CP precisa de apoio. Não, não precisamos de apoio absolutamente nenhum. É um resultado que reflecte a primeira decisão sobre a Doyen, de 14 milhões, um processo que já fizemos recurso e temos toda a esperança de que se faça justiça. E reflecte, e verifiquem com tem sido bem gerida a situação financeira do Sporting CP, a não entrada na Liga dos Campeões, com arbitragens para esquecer. Recuperámos oito milhões desses 12 que não entraram. O Sporting não precisa de nenhum apoio adicional e antes de começarmos a próxima época tudo estará resolvido porque é para isso que cá estamos. O Sporting CP não tem nenhuma dependência da banca”.

“O Sporting CP não está a ficar igual ao que encontrei porque o que temos feito tem sido tudo apresentado. Mas da forma como fomos afastados da Liga dos Campeões, tem de arranjar-se soluções e temos arranjado. Temos a Doyen, que vamos recorrer e isto pode inverter-se de um momento para o outro. Eramos os que mais devíamos dos três grandes, agora somos o que menos deve, somos o que mais amortiza a dívida e temos um crescimento de receitas importante”.

Jogadores, renovações, equipa de futebol

“O Sporting CP vai manter a base da sua equipa de futebol. Apostamos muito na estabilidade e temos dois objectivos a nível desportivo: voltar a ser campeão de futebol de forma regular e conquistar títulos europeus a nível de Clube, o que já começámos com a Taça CERS. Voltámos a ser campeões nacionais de corta-mato longo masculino e vamos participar na Taça dos Clubes Campeões Europeus. É um objectivo que está a ser trilhado e o investimento nas modalidades cumpre estes dois objectivos. No futebol, a maior parte dos jogadores com quem renovámos não tinham contratos a acabar. Estamos a passar uma mensagem clara para os atletas de que o Sporting CP conta com eles de forma a conseguirmos títulos de forma regular. Não estamos a renovar e recuperar passes para vender. Queremos estabilizar para poder dar as alegrias que todos nós merecemos. É necessário que o Estádio se estreie a comemorar um título nacional”.

Open Day do Pavilhão João Rocha

“Foi um dia muito especial para toda a Direcção e para todos os Órgãos Sociais. Nós sabemos o que custa estar a reerguer este Clube e foi um motivo de orgulho e satisfação para todos nós. Foi magnífico, mais de 1.300 pessoas estiveram aqui, num local onde vão comemorar muitos títulos e passar muitas alegrias como se passaram na Nave, e ver aquela alegria nos olhos foi a melhor prenda. Vale a pena porque o orgulho dos Sportinguistas está em cima. De repente, o sonho tornou-se realidade. Isto não é uma apresentação bonita numa Assembleia Geral; está aqui, existe e vamos poder estar cá dentro a gritar pelas nossas equipas”.

Processos a ex-dirigentes

“Os Sportinguistas ficaram satisfeitos e não vejo aquele sentimento de obscuridade que o Sporting CP vivia, num clima de suspeição constante e acusação constante. O que ficou definido foi que era exigida a auditoria, levou-se a Assembleia Geral. Foi quem quis, falou quem quis e foi aprovado por larga maioria. Os processos estão feitos e nós não escolhemos os prazos legais das coisas. Mas o mais importante é que neste momento está nos tribunais, o local certo para tirar as dúvidas. Demore cinco ou dez anos, saber-se-á se fizeram mal ou não. Não posso aceitar o argumento de que as pessoas pelo processo vão estar sob um foco: as pessoas já estavam, há 20 anos, com esse rótulo no Sporting CP. Vamos dar hipóteses às pessoas de um dia este rótulo terminar, ou para o bem ou para o mal, quando a justiça decidir. Temos de confiar na justiça”.

Futebol português

“A juventude que tenho permite-me ter memória elevada e no pouco tempo que tenho para descansar, recordo o que ouvi sobra as campanhas eleitorais, os fundos, os vídeo-árbitros... É engraçado porque o futebol dá uma volta e gostava de relembrar às pessoas que as grandes transformações no Mundo foram sempre feitas de forma abrupta, de um dia para o outro. Se as pessoas virem a história, o importante nunca foi feito aos bocadinhos. E o futebol é igual. Deu-se uma machadada, o futebol mudou e o meu discurso agora é o politicamente correcto que todos usam. É um orgulho ver o ‘NY Times’ entrevistar o Presidente do Sporting CP, a ‘France Football’, a ‘BBC’, o ‘The Guardian’, a ‘World Soccer’, o 'Wall Street Journal', entre outros. Porque de repente se aperceberam, todos menos Portugal, de que as coisas são assim. E quem luta por princípios e valores é porque os tem e porque é firme no seu raciocínio. O Sporting CP definiu rumos e tarefas como a de acabar com fundos e introduzir novas tecnologias. Porque o Sporting CP é um exemplo claro de que os fundos não resolvem problemas nenhuns”.

Base da equipa na próxima época

“Conseguimos fazer renovações extremamente importantes, algumas que ninguém esperaria. O Sporting CP não quer voltar à fase de ganhar uma vez e ter de esperar muitos anos outra vez, não queremos deixar isso para o futuro. Estamos a garantir a base estrutural da equipa para a próxima época e isso é determinante para cumprirmos a promessa que fizemos para deixar o Sporting CP preparado para regularmente vencer e para isso precisa de estabilidade, manter os melhores com sentimento de reconhecimento. O Sporting CP olhava para o produto das Academias e achava que esses eram os jogadores que tinham de ganhar pouco, mas não, têm de ser olhados pelo valor que têm”.

Academia e expansão da marca Sporting

“É muito importante termos aberto uma série de Academias. Já temos vários atletas na formação que vêm dessas Academias espalhadas um pouco por todo o lado. As pessoas não têm a real noção da dimensão do Sporting CP e a noção que fisicamente temos mais de 400 núcleos espalhados pelo Mundo todo. Estamos presentes em todos os continentes, no mínimo, há 80 anos de forma sólida e consistente. Filiais que existem e têm força, que praticam desporto. A expansão do Sporting em primeiro lugar está ali. Vou a sítios onde já não iam presidentes há 45 anos. Não sei se há no Mundo um Clube que fisicamente tenha esta implantação ao nível mundial. Estamos a ir ao encontro deles, a expandir as nossas Academias e a voltar a dar-lhes orgulho porque a casa-mãe voltou a olhar para eles e reconheceu a importância que têm”.

Falecimento de Johan Cruijff

“O futebol está sempre associado à corrupção, a pessoas que se querem promover e tirar dinheiro. É importante relembrar os bons exemplos e Johan Cruijff era um belíssimo exemplo enquanto pessoa, jogador e treinador. É triste quando pessoas deste importância desaparecem, mas é bom relembrar que o futebol também tem príncipes, boas pessoas, bons exemplos. Temos de começar uma nova era onde as pessoas olhem para nós e voltem a ver um desporto que promove valores, princípios e Johan Cruijff conseguiu passar isso. A morte de Joaquim Campos a nós também nos marcou; era um senhor da arbitragem”.

Quarto ano de mandato

“Quero acabar o nosso programa eleitoral, mas isso é curto porque das 120 medidas faltam dez ou 12, só temos falhado com a sustentabilidade ecológica. Mas queremos fazê-lo. Queremos continuar este caminho de aposta nas modalidades e de conquista, nacional e europeia, e acho que o vamos conseguir fazer. Queremos cimentar o futebol e criar as condições para sermos campeões. Isso é absolutamente fundamental. Olhamos para o ano que falta com o mesmo olhar do primeiro dia, vontade de fazer mais e melhor, não achar que chega o que fizemos. Queremos fazer muito mais”.

Ranking de Sócios

“É fundamental subir mais um patamar. Por isso somos um Clube fantástico, fomos eleitos os melhores adeptos da Europa, entrámos pela primeira vez no Top-10 dos clubes com mais Associados do Mundo, em sétimo lugar. Estamos a 30 mil Sócios do quarto lugar e o pódio é uma meta muito importante que todos temos de cumprir. Não podemos ser apenas o Clube com mais títulos a nível global nem o terceiro a nível europeu nem um dos que mais forneceu atletas olímpicos, o único com dois melhores do Mundo, uma das melhores Academias do Mundo. Também o temos de ser enquanto Associados e criámos facilidades para isso. É uma meta importantíssima de atingir na próxima época, mais 35 mil sócios pelo menos, para subirmos o nosso ranking que é importante para a nossa imagem mas também porque, desde que entrámos, as quotas vão 100% para as modalidades. Quanto mais Sócios, mais podemos reforçar as modalidades. Façam-se Sócios e os que querem regressar podem fazê-lo de forma gratuita, manter o número e pagar daqui para a frente. A dimensão do Clube e este Pavilhão necessita de mais Sócios”

Dá-me a tua camisola

“A partir de agora os Sócios vão começar a contribuir para a camisola alternativa, podem desenhar a sua camisola e fazer as propostas para a época 2017/18”.

O futebol está mais pobre: morreu Johan Cruijff

Por Jornal Sporting
24 Mar, 2016

Holandês que revolucionou futebol como jogador e treinador faleceu aos 68 anos

O Mundo do futebol ficou esta quinta-feira mais pobre: morreu um dos últimos príncipes do desporto-rei, Johan Cruijff. Para um Clube que, como o Sporting Clube de Portugal, tanto aposta na formação, esta evocação serve também para dar o público testemunho aos nossos atletas da figura que hoje nos deixa, um homem que, com o seu talento e arte, revolucionou o futebol. Um Senhor dentro e fora de campo. Uma lenda que já o era antes da morte o arrebatar precocemente. “Johan Cruijff morreu em paz em Barcelona, rodeado pela sua família depois de uma dura batalha contra o cancro”, anunciou o site oficial do holandês em comunicado.

Nascido em Amesterdão a 25 de Abril de 1947, também ele foi protagonista de uma autêntica revolução daquilo que é hoje o futebol em dois momentos: primeiro, ainda como jogador, interpretando em campo a filosofia do ‘Futebol Total’ do carismático Rinus Michels; depois, como treinador, desenvolvendo o ‘Dream Team’ do Barcelona. A proximidade do Estádio de Ajax acabou por ditar aquele que viria a ser o início da carreira: entrou nas escolas dos ‘lanceiros’ em 1957, quando cumpriu o seu décimo aniversário, e, após perder o pai dois anos depois, quis respeitar a sua memória apostando em definitivo na carreira de futebolista como o progenitor tanto gostaria de ter visto – afinal, e até aos 15 anos, jogava também... basebol!

Subiu aos seniores do Ajax em 1964 e, na temporada seguinte, assumiu-se em definitivo como figura de uma das maiores gerações de sempre dos holandeses, sempre com uma filosofia muito próxima do Sporting de apostar na cultura de formação como ADN. Ganhou oito Campeonatos e cinco Taças da Holanda nas duas passagens pelo clube, ficando para sempre como o grande símbolo daquela que foi uma das melhores equipas de sempre do Ajax e que se sagrou tricampeã europeia entre 1970 e 1972 (além de ter ganho uma Supertaça Europeia e uma Taça Intercontinental) com Neeskens, Krol, Rijnders, Mühren, van Dijk, Rep, Haan ou Keizer, entre outros.

Em 1973, o avançado protagonizou a maior transferência de sempre até essa altura, rumando ao outro grande clube onde mudaria a história do futebol: o Barcelona. Como jogador, esteve cinco anos na Catalunha, vencendo ‘apenas’ uma Liga e uma Taça de Espanha antes de rumar aos Estados Unidos, com 32 anos. Ainda assim, foi nesse período nos ‘blaugrana’ que mais se destacou ao serviço da selecção da Holanda, onde foi vice-campeão mundial em 1974 e terceiro classificado no Europeu de 1976 com um futebol ainda hoje considerado por muitos como o melhor em fases finais. Antes de terminar a carreira no Feyenoord, em 1984, passou por Los Angeles Aztecs, Washington Diplomates, Levante e de novo Ajax onde teve o seu início como treinador.

Nunca conseguiu ser campeão holandês pelo Ajax entre 1985 e 1987, mas além das duas Taças liderou os ‘lanceiros’ na conquista da Taça dos Vencedores das Taças de 1987 numa equipa que contava com Rijkaard, Van Basten, Witschge, Bergkamp, Menzo ou Wouters, quase todos jogadores que tinham feito a sua formação no clube. Foi esse triunfo que levou o Barcelona a apostar em Cruijff para treinador a partir de 1988, abrindo um ciclo que dominou por completo o futebol europeu até 1996.

As várias versões de ‘Dream Team’ que construiu nos catalães venceram quatro Ligas, três Supertaças e uma Taça mas foi na Europa que mais se distinguiram, com uma Taça dos Clubes Campeões Europeus, uma Supertaça Europeia e mais duas finais. Foi com o holandês que nasceram e/ou se desenvolveram jogadores como Koeman, Laudrup, Romário, Guardiola, Stoichkov, Bakero ou Beguiristain, entre muitos outros. Desde a saída dos espanhóis, em 1996, orientou apenas a selecção da... Catalunha.

Em termos individuais, Johan Cruijff recebeu três Bolas de Ouro de melhor jogador entre muitas outras distinções mas o que fica é, sobretudo, um legado que nunca deve ser esquecido. Conhecido como um jogador elegante, inteligente, sagaz e com capacidade invulgar de finta, o holandês foi o maior intérprete do ‘Futebol Total’ de Rinus Michels em campo. Em linhas gerais, a filosofia que revolucionou na década de 70 o futebol defendia que a única posição fixa em campo é a de guarda-redes, promovendo a mobilidade e constante circulação de bola e jogadores pelo campo de forma pensada. “Todos os treinadores falam sobre movimentações, correr muito. Eu defendo que não se deve correr tanto. O futebol é um jogo para ser jogado com o cérebro. Deve-se estar no sítio certo com o movimento certo, nunca antes nem depois”, explicou. A ideia teve prolongamento na versão de ‘Cruijff treinador’ e, como muitos defendem, ainda hoje se vê essa influência através de jogadores com quem trabalhou, como Guardiola, e na forma de pensar de Ajax ou Barcelona a nível de formação, tal como está no ADN e génese do Sporting Clube de Portugal.

A título de curiosidade, e no seguimento de um trabalho feito no ano passado sobre a importância de Johan Cruijff no futebol actual, aqui ficam algumas das suas ideias:

- "Técnica não é ser capaz de dar 1.000 toques na bola, isso qualquer um faz praticando. E a seguir pode ir trabalhar para o circo. Técnica é passar a bola com um toque, à velocidade certa e para o melhor pé do companheiro"

- "Alguém que está a dar toques para o ar durante o jogo, com os quatro defesas do opositor a recuperarem os seus lugares, é o que as pessoas acham que é bestial. Eu digo que ele deve ir para o circo"

- "Escolhe o melhor jogador para cada posição e acabarás por ter 11 individualidades fortes mas não um 11 forte"

- "Nas minhas equipas, o guarda-redes é o primeiro atacante e o avançado o primeiro defesa"

- "Porque não se pode bater um clube mais rico? Nunca vi um saco de dinheiro marcar um golo"

- "Se quero que um jogador perceba algo, terei de explicar melhor"

- "Jogador futebol é muito simples mas jogar um futebol simples é a coisa mais difícil de fazer"

- "Acho terrível quando os talentos são rejeitados com base em dados estatísticos. Baseado nisso, teria sido rejeitado no Ajax. Quando tinha 15 anos, não conseguia chutar uma bola 15 metros com o meu pé esquerdo e chutava talvez 20 com o meu pé direito. As minhas qualidades técnicas e a minha visão não são detectáveis por um computador"

- "Qualidade sem resultado não vale de nada. Resultados sem qualidade é aborrecido"

- "Os jogadores que hoje só conseguem rematar com a peito do pé. Eu conseguia chutar com a parte de dentro, o peito e a parte de fora de ambos os pés. Por outras palavras, era seis vezes melhor do que os jogadores de hoje"

- "Há muito poucos jogadores que sabem o que fazer quando não estão marcados. Por isso às vezes deve-se dizer a um jogador: o avançado é muito bom mas não o marques"

- "Sobreviver a uma primeira ronda de grupos nunca foi o meu objectivo. Idealmente, estaria num grupo com Brasil, Argentina e Alemanha – assim, perderia dois rivais após a fase de grupos. É assim que eu penso"

- "Qualquer jogador de golfe profissional tem um treinador separado para os ‘drives’, para os ‘approaches’ e para os ‘puts’. No futebol há um treinador para 15 jogadores. É absurdo"

- "Se tens a bola tens de fazer do campo o maior possível e se não tens deves fazer o campo o mais pequeno possível"

- "Devemos garantir que os piores jogadores recebem mais a bola porque ela chegar-te-á aos pés num instante"

- "Só há uma bola, por isso precisas dela"

- "Quando se faz um jogo, está estatisticamente provado que um jogador tem a bola três minutos por jogo em média... Assim, o mais importante é o que fazer durante os outros 87 minutos em que não tens bola. É isso que determina se és bom jogador ou não"

- "Depois de se ganhar algo, deixamos de estar a 100% e passamos a 90%. É como uma garrafa de água gaseificada depois da tampa ser retirada, perde-se um pouco de gás"

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