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Opinião

Obrigado, Professor!

Por Juvenal Carvalho
02 Jun, 2022

Em 2019, longos 24 anos depois de um abandono que deixou o eclectismo do Clube mais pobre, o Sporting Clube de Portugal regressou ao basquetebol pela porta grande.

E que melhor escolha para abrir a porta do regresso haveria de ter o nosso Clube, que não o treinador cujo êxito e ele funcionam como almas gémeas. Ganha quase como respira, naturalmente. A palavra vitória repetiu-se vezes sem conta no seu vocabulário.

Falo obviamente de Luís Magalhães. O trabalho, a competência e a capacidade foram o seu apanágio ao longo de uma carreira com conquistas atrás de conquistas por onde passou. Estava, ao momento do nosso regresso, afastado da modalidade por sua escolha pessoal. Vivia entre os States e o nosso país, mais concretamente por Aveiro, onde reside. Até que apareceu o Sporting no basquetebol e o seu telefone tocou.

Ele seguramente não me levará a mal que confidencie que desde a Austrália então me disse, numa conversa informal, à margem das negociações, lideradas por Miguel Afonso, que só o Sporting CP o traria de regresso. Pelo Clube, mas sobretudo pelo seu falecido irmão Arnaldo, que vivia o nosso Clube apaixonadamente, tão apaixonadamente que se o visse a treinar o "seu" Sporting, lhe daria a maior alegria da sua vida.

Três anos depois, mas apenas com duas épocas de competições oficiais por causa da pandemia COVID-19, o professor Luís Magalhães conquistou, em homenagem ao seu irmão Arnaldo, mas também, e claro, a todo o universo Sportinguista, seis troféus − um Campeonato Nacional, três Taças de Portugal, uma Taça Hugo dos Santos e uma Supertaça − e chegou aos quartos-de-final das provas europeias, mais concretamente da FIBA Europe CUP. 

Homem que respira basquetebol e que muitos não apreciam, uns por inveja e outros por mesquinhez, terá defeitos, porque é humano, mas vive da frontalidade, acredita no seu trabalho e tem a coragem de chamar os bois pelos nomes. Defende com unhas e dentes o seu grupo de trabalho e nestes três anos de sucesso não fugiu ao essencial, a defesa intransigente do Sporting CP. 

Devolveu a alegria aos Sportinguistas com a marca identitária do seu trabalho. As bancadas cheias de juventude são o reflexo das conquistas obtidas. Fez o basquetebol do Sporting CP respirar saúde alicerçada em êxitos. No passado dia 26 de Maio, ao "não querer alinhar nisto", visando a Federação Portuguesa de Basquetebol, disse adeus ao Sporting CP, mas também à modalidade. Confesso que fiquei triste como apaixonado da modalidade que servi no nosso Clube. Uma certeza todos teremos. O adeus de um campeão não é fácil de colmatar. Ele é um verdadeiro predestinado para conviver com o sucesso. É feito da têmpera de que são feitos os campeões. Tem tantos e tantos atributos. Fechou o seu ciclo. É a lei natural da vida. A mim, do ponto de vista pessoal, guardarei ad eternum a maior estima pelo professor. 

O basquetebol português ficou mais pobre com o seu adeus. A vida continua e o Clube também. Perdemos um treinador, mas ganhámos um adepto. Será sempre, e para sempre, um dos nossos.

Obrigado, professor Luís Magalhães!

PS - Parabéns ao futebol feminino pela conquista da terceira Taça de Portugal. Dois troféus conquistados numa época em ano de profunda renovação. Simplesmente brilhante.

Uma tarde de vitórias

Por Miguel Braga
02 Jun, 2022

Editorial da edição n.º 3874 do Jornal Sporting

Com a presença do Presidente da República e de vários responsáveis políticos e federativos, a equipa principal feminina de futebol do Sporting CP conquistou a Taça de Portugal, vencendo o FC Famalicão por 2-1. Para a história do jogo, ficaram as arrancadas e o golo de Chandra Davidson, a defesa do penálti por Doris Bačić, a frieza de Joana Marchão para o marcar e vários pormenores protagonizados pelas jogadoras de verde e branco. Quando a árbitra Ana Afonso apitou para o final do jogo, a explosão de alegria natural de quem tinha acabado de ganhar muito mais do que a Taça de Portugal. 

Comecemos pela treinadora, Mariana Cabral, que é a primeira mulher a vencer a Taça de Portugal como jogadora e treinadora. Um marco histórico e a certeza de que este é apenas o início de uma caminhada promissora. Apesar de não ter marcado na final, Diana Silva consagrou-se esta época como a melhor marcadora da História do futebol feminino do Sporting CP, com 112 golos em 134 jogos. Quem marcou, como referido anteriormente, foi a canadiana Chandra Davidson, que, com cinco golos em seis jogos, foi a melhor goleadora Leonina da competição (sendo também a segunda melhor marcadora da equipa esta temporada). E no dia 13 de Novembro de 2021, no dia do seu 28.º aniversário, Rita Fontemanha ultrapassou a marca de 100 jogos de Leão ao peito. 

Durante a época 2021/2022 estrearam-se na equipa principal dez jogadoras da formação do Clube. A saber: Bárbara Lopes, Vera Cid, Catarina Potra, Maria Ferreira, Joana Dantas, Maísa Correia, Carolina Rodrigues, Cristiana Martins, Ana Rita Oliveira e Andreia Bravo. 

No caso de Maísa Correia, de apenas 15 anos, estreou-se na segunda eliminatória da Taça de Portugal, frente ao UD Polvoreira, sendo assim a jogadora mais jovem de sempre a jogar pela equipa principal. Nesse mesmo jogo, Catarina Potra também escreveu o seu nome no livro dos recordes, ao ser a guarda-redes mais jovem de sempre a jogar pelo Sporting CP e a equipa final em campo era composta apenas por jogadoras da formação. Nota ainda para o facto de que das 24 atletas que constituem o plantel principal, 11 são jogadoras com o selo #MadeInSporting: Alícia Correia, Andreia Jacinto, Carolina Beckert, Carolina Jóia, Francisca Silva, Inês Gonçalves, Joana Martins, Mariana Rosa, Marta Ferreira, Neuza Besugo e Vera Cid.

Segundo os números divulgados pela Federação Portuguesa de Futebol, estiveram no Jamor 13.894 pessoas. Se é verdade que não conseguimos ultrapassar o recorde de público em competições nacionais, também o é que estabelecemos um novo recorde de assistência da final da Taça de Portugal feminina. Motivo de satisfação para os dois clubes e para a Federação, que também se empenhou nesta missão.

Depois de começar o ano a ganhar – o primeiro jogo oficial da época foi a vitória na Supertaça frente ao SL Benfica −, Mariana Cabral fechou a temporada com chave de ouro ao conquistar a terceira Taça de Portugal da modalidade para o Clube. Um orgulho que nos enche de esperança para o amanhã.

Uma questão de mentalidade

Por Miguel Braga
26 maio, 2022

Editorial da edição n.º 3873 do Jornal Sporting

Foi a quarta Taça de Portugal de futsal consecutiva, o sétimo título nacional seguido, o terceiro troféu conquistado esta época – depois das vitórias na Supertaça e Taça da Liga. Foi também o oitavo triunfo do Sporting CP nos últimos dez jogos disputados com o SL Benfica. Desengane-se quem pensa que esta equipa quer ficar por aqui: “Esta foi a Taça que me soube melhor, porque foi a última. Está mais complicado, pois os dérbis são cada vez mais intensos e decididos nos pormenores, mas dá‑nos um gozo ainda maior”, é a garantia deixada por Nuno Dias. A memória da final da Champions League de futsal ainda perdura: “Não conseguimos a Champions, mas tínhamos de dar uma resposta aos adeptos porque eles receberam‑nos muito bem em Alvalade e nunca faltou apoio”, foi a resposta de Tomás Paçó, autor do golo que desequilibrou a balança a favor do Sporting CP.

No basquetebol, o Sporting CP joga hoje no Pavilhão João Rocha o terceiro jogo da meia-final dos play-offs frente ao FC Porto – que, recorde-se, começou esta época com a encenação de uma possível desistência da modalidade, perdendo inclusivamente dois jogos por falta de comparência. Ainda antes do início dos jogos com o FC Porto, a equipa liderada por Luís Magalhães entregou no Museu Sporting os seis troféus conquistados desde a reactivação da modalidade em 2019 (foram seis troféus em oito possíveis). “A equipa foi constituída do zero e os outros clubes já tinham grupos de trabalho com excelentes jogadores. Nós tivemos de os procurar e fazer com que os jogadores acreditassem e se superassem. Naturalmente, essa superação individual e colectiva fez com que tivéssemos atingido estes resultados”, afirmou o treinador. O mesmo treinador que se expressou no final dos primeiros dois jogos frente ao rival do Norte e que deixou palavras que merecem profunda reflexão de quem manda no desporto em Portugal: “Desde o princípio da época que o FC Porto andou a brincar com o basquetebol. A Federação [Portuguesa de Basquetebol] não teve coragem e deixou que isto se arrastasse. Enxovalharam os árbitros todos e o basquetebol e depois é isto que acontece. O treinador do SL Benfica também já tinha avisado que isto podia acontecer e é o que se vê. Qualquer decisão do árbitro é contestada por tudo e por todos e depois não têm coragem para marcar as faltas que devem marcar e os maus comportamentos. Deixam isto chegar a um estado que não tem nada a ver com o basquetebol normal. Isto não era o basquetebol português”. Sim, isto não deveria ser o basquetebol nacional, nem um exemplo a seguir no desporto português.

Este sábado, a equipa feminina de futebol joga frente ao FC Famalicão a final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional. A vitória é o objectivo da equipa de Mariana Cabral – que acabaria a época como começou, ou seja, com a conquista de um troféu. No início da semana a treinadora deixou uma certeza: “Desde o primeiro dia até agora sinto que a equipa cresceu muito e vamos continuar a crescer porque isto ainda não acabou. Ainda queremos crescer em alguns aspectos para depois também estarmos preparadas para a final da Taça de Portugal, que é um objectivo que ainda temos e que queremos concretizar”. Esse é o desejo de todos os Sportinguistas. Sábado, pelas 17h15, as jogadoras têm a palavra.

Glória na quadra

Por Pedro Almeida Cabral
26 maio, 2022

Não há palavras para o futsal do Sporting Clube de Portugal. Mesmo o mais eloquente Sócio ou adepto Sportinguista fica mudo perante números tão avassaladores da maior potência nacional do futsal. Ao todo, são 41 títulos europeus e nacionais, incluindo duas UEFA Futsal Champions League, 16 Campeonatos, nove Taças de Portugal, dez Supertaças e quatro Taças da Liga. São mais de 30 anos a dar títulos e alegrias a Sócios e adeptos. No que à Taça de Portugal diz respeito, a última, conquistada no fim-de-semana passado, tem um significado especial. Foi a nossa nona e valeu a distância de dois troféus a mais face ao SL Benfica, que tem sete e não conseguiu apanhar-nos. Mais do que isso:  foi a quarta Taça de Portugal seguida, o que nunca havia sido alcançado. Prosseguimos numa senda vitoriosa que já dura desde 2018 (em 2021 a Taça de Portugal não se realizou). E não devemos esquecer que nesse ano tínhamos somente cinco Taças, menos duas que o rival. Depois desta ultrapassagem dos últimos anos, somos o Clube que segue à frente no número de títulos conquistados em todas as provas nacionais. Destaque para o campeonato, em que temos o dobro dos títulos do SL Benfica. Cada vez que entramos na quadra, tudo fazemos para ganhar, com esforço, dedicação e devoção. A glória está à vista.

E que vitória foi a desta Taça de Portugal! Num jogo intenso e disputado no limite, houve de tudo e para todos os gostos. Golos espectaculares, reviravoltas no marcador e emoção quanto baste. Levou a Taça quem mais jogou e melhor explorou as falhas do adversário. Entrámos de olhos na baliza do nosso conhecido André Sousa. Tomás Paçó logo desenhou um golo de autor: interceptou a bola a Robinho, passou a Merlim, recebeu e rematou colocado, sem defesa possível. O segundo golo veio naturalmente, com Erick a desviar subtilmente um remate de Merlim. A resposta “encarnada” foi vigorosa: três golos seguidos e reviravolta no marcador. Só que o Sporting Clube de Portugal nunca se dá por vencido. E quem joga contra nós nunca pode dar-se por vencedor. Esteban empatou o jogo em oportuno desvio de remate de Merlim. O golo final, o 4-3 da vitória, só podia ser do nosso fixo Tomás Paçó, entrado ao segundo poste, cortesia na assistência do inevitável Merlim. Depois, foi só segurar a Taça resistindo ao 5x4 benfiquista, com paciência e rigor táctico. Uma Taça de Portugal inesquecível que entra para a longa galeria de confrontos perante o SL Benfica em que se jogou futsal de nível mundial. Segue-se o Campeonato Nacional, a última prova que falta disputar nesta época. Mas que eu sei que vamos lutar para vencer como se fosse o primeiro título a conquistar. Porque para o futsal do Sporting CP só interessam os títulos que faltam ganhar, não os que já ganhámos. 

O tempo passa. A paixão permanece

Por Juvenal Carvalho
26 maio, 2022

Na minha primeira coluna de opinião, escrita para o nosso Jornal com o título “Eclectismo a Imagem de Marca do Leão”, decorria então o mês de Março do ano de 2012, e na presidência do Clube estava o Eng. Luís Godinho Lopes, de quem fui crítico da sua liderança de forma pública, factor esse que não foi impeditivo de ter sido convidado para escrever semanalmente estas linhas, a convite de Rúben Coelho, não com o intuito de me calar, porque estou e estarei sempre acima de toda e qualquer pessoa, e sempre só pelo símbolo, com os meus defeitos e virtudes − essa coisa inerente ao ser humano, mas sim para falar de Sporting desassombradamente  e, sem vaidade alguma, para abrir o coração e emprestar o conhecimento que as passagens pelo Clube me deram, aliada à emotividade Leonina que é − será sempre o meu apanágio.

E porque fui buscar estes caracteres iniciais, perguntarão alguns de vocês?  Foi mesmo pelo simples facto de que ao pensar no que haveria de ser o tema desta semana para esta coluna de opinião, rebobinei o passado e recordei essa minha primeira coluna de opinião, que a enviei então para a redacção de coração cheio.

Sim, estava nervoso, recordo perfeitamente o momento, pese a passagem de uma década no calendário. Apesar de já anteriormente ter escrito para o Jornal mais espaçadamente no tempo, a responsabilidade de tentar agradar aos leitores semanalmente e sobretudo não me tornar fastidioso, era enorme.

E o que foi essa minha primeira coluna de opinião. Foi toda ela para reportar em poucas linhas a minha vivência do nosso Sporting. Do que vivi em menino em que fugia aos pais para ir para Alvalade ver tudo − literalmente tudo −, passando para a fase adulta em que tive o privilégio de não só ter sido dirigente do basquetebol (a minha paixão), do andebol e do futebol na área da formação, como ainda presidente durante oito anos do Núcleo do Sporting de Paço de Arcos. Foi, acreditem com emoção e com um sentimento de menino embevecido a quem deram uma prenda, que ao comprar o nosso Jornal, e o começar a folhear, parece que a página da minha coluna de opinião tinha íman e a li vezes sem conta.

É tão bom que o Sporting CP me continue a despertar esta paixão, e não o abandonar nas derrotas, sobretudo. Porque de conquistas − esta semana no futsal mais uma − temos uma história repleta.

Nestes dez anos, com uma interrupção que aceitei plenamente porque as pessoas que o presidem têm toda a legitimidade para escolher quem querem para seus colaboradores, aprendi muito e continuo a escrever com a mesma alegria. De Sporting e com a alma cheia. Nestes dez anos ganhei amigos, e perdi infelizmente outros que tanto gostava e que tanto me ensinaram. Conheci muitos Sportinguistas. Tenho até o privilégio de escrever estas linhas em ano de centenário do nosso Jornal. Tudo isto ainda me faz beliscar para confirmar se é verdade. 

Até quando escreverei, não sei por não conseguir prever o futuro. O que sei é que me dá um prazer tremendo este momento semanal em que chego até vós, seja em forma de papel ou na versão digital. E com outro texto, para a semana cá estou outra vez, como na música dos Supporting. Porque gosto. Porque amo o Sporting CP. E sobretudo porque, gostando uns mais outros menos dos meus escritos, estes dez anos enriqueceram-me muito como Sportinguista, e vocês são os "culpados".

Uma breve história de fair-play

Por Miguel Braga
19 maio, 2022

Editorial da edição n.º 3872 do Jornal Sporting

Aconteceu há quase dez anos e na altura foi notícia que correu mundo. Foi em Burlada, na região de Navarra, em Espanha, durante uma corrida de 3000 metros de corta-mato. Na parte final da prova, o atleta queniano Abel Mutai seguia na frente, destacado dos demais. Atrás de si, o espanhol Iván Fernández Anaya tentava acompanhar o passo. Na última recta, pensando que já tinha cortado a meta – quando na verdade ainda faltavam 10 metros – o queniano abrandou, parando e abrindo os braços em sinal de vitória. Iván Fernández Anaya poderia ter aproveitado o deslize, continuado a correr e, assim, vencer um atleta mais completo e mais forte – no seu currículo Mutai já tinha conquistado a medalha de ouro no Campeonato do Mundo de Juniores (2005), ouro também no Campeonato Africano (2012) e bronze nos Jogos Olímpicos de Londres (2012). Mas essa não foi a decisão do atleta espanhol.

"Eu não merecia ganhar", afirmou então Fernández Anaya. "Fiz o que tinha a fazer. Ele foi o vencedor legítimo. Criou uma distância que eu não poderia ter fechado se ele não tivesse cometido um erro. Assim que vi que ele estava a parar, eu sabia que não o ia ultrapassar". E assim foi. Fernández Anaya parou ao lado de Mutai e através de gestos explicou que o queniano tinha de continuar, tendo sempre o cuidado de ficar atrás dele. Curiosamente, o próprio treinador do atleta espanhol mostrou-se surpreendido com a decisão do seu pupilo, confessando que não teria tido a coragem para não ganhar. Já Fernández Anaya nunca se arrependeu: "Acho que ganhei mais nome fazendo o que fiz do que se tivesse vencido. E isso é muito importante, porque hoje, da forma que as coisas estão em todos os círculos, no futebol, na sociedade, na política, onde parece que vale tudo, um gesto de honestidade cai sempre bem."

Diz-se que a primeira referência à expressão “fair-play” pode ser encontrada na peça King John (1597) de William Shakespeare. Mas foi só a partir de 1800 que o fair-play ganhou razão de ser com o liberalismo burguês inglês e com o nascimento da chamada Indústria do Desporto. Quase 100 anos depois, foi Pierre de Coubertin que voltou a dar novo impulso a esta forma de estar na vida e na prática desportiva: "O mais importante na vida não é a vitória, mas a luta; o essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem". Sobre a mesma temática, Jean D’Ormesson, membro do Comité Internacional do Fair-Play, afirmou: "A moral manifesta-se com mais sinceridade durante o jogo. (...) O fair-play permite-nos declarar que o desporto não se deve tornar numa manifestação de brutalidade. O fair-play ajuda o desporto a transformar-se num pilar da civilização. O desporto não é destruir, humilhar e quebrar o adversário; trata-se de jogar com o adversário para que ele possa empregar todas as suas habilidades humanas".

Num país onde há quem desvalorize o fair-play e defenda que vale tudo para ganhar, recordemos que o Desporto continua a ser um instrumento de excelência para acolher e dignificar os valores morais da sociedade.

Balanço

Por Pedro Almeida Cabral
19 maio, 2022

Fechado o campeonato e arrumada a classificação, é tempo de balanço para o futebol do Sporting Clube de Portugal. Ficam dois títulos nacionais em quatro possíveis, a Supertaça e a Taça da Liga. Conseguimos alcançar os oitavos-de-final da Champions, onde só havíamos chegado por uma outra vez. No campeonato, um firme segundo lugar, com 85 pontos, igualando os pontos da época passada, em que fomos campeões. Ainda assim, nesta época Rúben Amorim conseguiu chegar às 27 vitórias no campeonato, igualando o melhor registo, da época 2015/2016. Aliás, segundo a página PlaymakerStats, foi a época de sempre com mais vitórias do Sporting CP: 39 em 53 jogos, com aproveitamento de 74%. Sinais de uma temporada bem preparada, jogada com elevado nível competitivo e bem próxima de conquistar os títulos nacionais que faltaram.

Como salientou Rúben Amorim, o segundo lugar sabe a pouco. Sobretudo ao recordar alguns episódios insólitos (mas não inéditos) deste campeonato, como os mal ajuizados lances no clássico jogado contra o FC Porto em Fevereiro, que acabaram por influenciar decisivamente o desfecho da prova. Mas também deve ver-se o segundo lugar em perspectiva. Como já escrevi aqui, a última vez que jogámos como campeões e terminámos o campeonato seguinte em segundo lugar foi em 1971, há mais de 50 anos. Quer isto dizer que depois de conquistado o campeonato, tendemos a jogar pior, ficando invariavelmente longe do bicampeonato que nos foge há décadas. Não foi o que sucedeu agora. O que denota uma inversão assinalável da forma como jogamos quando somos campeões e que pode ser decisiva para alcançarmos novas conquistas.

Falar de números e estatísticas não pode fazer esquecer as nossas figuras do campeonato. Podia falar do imperial Coates, do crescimento de Gonçalo Inácio, do imprevisível Porro, da revelação Ugarte, do prometedor Daniel Bragança, do impetuoso Nuno Santos, ou da certeza de Edwards. Mas creio que Sarabia merece linhas à parte. Chegou emprestado, jogou motivado e encantou tudo e todos. Não é habitual um emprestado deixar tantas saudades em Alvalade. Mas também não é habitual um jogador a prazo jogar de forma tão entusiasta e empenhada. Daí que tenha merecido a sentida homenagem no último jogo da equipa.

No fim da época, fica a sensação de termos jogado melhor que na anterior. Fomos sempre merecedores de ter envergado o símbolo de campeão, o que não é pouco. Virá uma nova época e uma nova oportunidade de escrevermos a História que interessa: a nossa História.

Esta é para ti!

Por Juvenal Carvalho
19 maio, 2022

Hoje, e porque pelo menos 'vamos ter que levar contigo mais uma época', decidi aproveitar este espaço que o nosso Jornal me concede semana após semana, para usar todos os caracteres exclusivamente sobre ti.

Primeiro, desculpa o trato de "tu". Não nos conhecemos pessoalmente, nem como se diz naquele velho ditado, andámos sequer na escola juntos, mas crê que será com o máximo respeito entre alguém que já passou dos cinquenta, que sou eu, para um jovem de sucesso, e que sabe estar no desporto e na vida como poucos, que és tu.

Crê que desde que chegaste, e não tinha de ti particular conhecimento que não o de teres jogado no nosso eterno rival e treinado o Casa Pia e o Sporting de Braga, onde comecei a perceber que tinhas "coisas".

Aquando da tua apresentação − obrigado ao presidente Frederico Varandas e ao director desportivo Hugo Viana pela aposta − e com aquele "e se correr bem", numa fase em que encontraste o Sporting CP numa luta quase fratricida, − nós somos assim, mas quando toca a unir temos uma força tremenda, que comecei a achar que eras tu o tal. O tal que vinha para chegar, ver e vencer. Não foste unânime, ninguém o é nesta vida, e no desporto isso então não existe. Vieste até com a "espada" do valor da tua contratação e de teres vindo do "outro lado da segunda circular". Sabias bem para onde vinhas, e tens não só o mérito de arriscar na tua carreira, como a de acreditares intrinsecamente nas tuas capacidades.

Desde o início que me fascinaste. Começou essencialmente pela tua postura. Ouço cada abordagem tua aos jogos como se de um verdadeiro jogo se tratasse. Confesso-te que nunca antes o havia feito, tens um não sei quê de diferente. Também na comunicação és Enorme. Conseguiste fazer de nós felizes porque sabes ganhar e também perder. Os campeões, e tu és na plenitude tanto no futebol como na forma de estar na vida, são assim. Tens também uma enorme cultura de responsabilização. És um líder inato, daqueles que nasceu com esse dom, além de seres um estudioso do jogo como poucos. As tuas desculpas não são esfarrapadas porque nunca as usas. As tuas são feitas de trabalho e de transpiração, com o foco no “nós” sempre em detrimento do “eu”. O teu grupo de trabalho é um todo, uma muralha verdadeiramente inexpugnável, feita do tal #ondevaiumvãotodos. Ganhaste até ao momento quatro troféus, com o Campeonato Nacional 2020/2021 como a cereja no topo do bolo. Fizeste nesse momento felizes milhões de Sportinguistas espalhados pelo Mundo. A cada vitória, e tantas elas são, o teu foco é o treino seguinte. Sei que tudo isto para ti, sendo orgulho também é passado, nessa tua luta incessante por teres um Sporting CP maior a cada dia.

Também sabes que a Glória é efémera, e no futebol essa é por vezes colocada em causa a cada jogo. Já o disseste várias vezes, naquele teu jeito tão peculiar. Sabes os caminhos que pisas e eu − como tantos e tantos mais − acredito plenamente no teu sucesso. Na continuidade do teu sucesso.  Porque afinal nasceste com aquele dom de que são feitos os ganhadores. A "nota zero" que deste ao "teu" Sporting na conferência de imprensa da antevisão ao jogo com o Santa Clara, pela razão de não ter ganho o Campeonato Nacional desta época foi feita de exigência de quem quer ganhar sempre. Porque no teu íntimo sei que a tua avaliação ao teu grupo de trabalho é muito positiva. Afinal sabes que os teus meninos disputam cada bola como se fosse a última, e que fizeram até os mesmos pontos da época em que fomos campeões (85). Gosto da tua sapiência e acredito em ti até ao fim sem fazer futurologia. Adorava que fosses uma espécie de Arsène Wenger do Sporting, porque sou um especial fã da tua pessoa. Mas vou contigo no jogo a jogo que tu tantas vezes utilizas. Também eu sou mais um dos todos que vão contigo. E quero que saibas que não sou ingrato e estarei contigo sempre. Mas também sou irracional porque o amor pelo nosso Clube me tira do sério, e por vezes te faço críticas, gritando sozinho que devias mudar a táctica, que devias usar este jogador no lugar de outro, ou até mudares de táctica. Também eu sou um "treinador". Mas tu és o TREINADOR. E felizmente no "meu" Sporting Clube de Portugal. Desculpa este abuso do trato por tu. Desculpa aquele lado em que me armo em "treinador" e te critico, mas o que conta é o essencial. Sou um teu particular fã. Isso sou. Um dia quando, e se for possível, gostaria de ser como tu. Porque tu és diferente. És especial. És o meu "Special One". És o Rúben Amorim!

“THE LAST WALTZ”… MANDELA… e até já!!!

Por Tito Arantes Fontes
19 maio, 2022

Acabou a época futebolística. Para o SPORTING acabou. E para a esmagadora maioria dos adeptos de futebol nacional ela terminou mesmo. A festa do Jamor, coitada, para toda essa mole imensa de gente é, assim, “adiada” para a próxima época!

Tempo, pois, de fazer balanço da época que findou. O SPORTING conquistou nesta época de 2021/2022 dois títulos, dois troféus: a Supertaça e a Taça da Liga. Acresce ainda que lutou galhardamente nas meias-finais da Taça de Portugal. E no Campeonato Nacional classificou-se destacadamente em segundo lugar, que como se sabe dá acesso directo e por mérito próprio à Champions League! Ou seja, do ponto de vista desportivo foi uma época que demonstra bem a qualidade do trabalho feito e a continuação e consolidação do bom evoluir do futebol do SPORTING. E do ponto de vista económico temos de considerar cumpridos os objectivos de qualificação do Clube para a prova milionária. Ainda assim, confessamos e como dissemos nesta mesma coluna há já umas largas semanas, teríamos gostado mesmo muito de conquistar e comemorar o bicampeonato! E − como decorre do facto de termos idêntico número de pontos neste campeonato e comparativamente no último − estivemos perto… muito perto… e, por isso, outros tanto se encarniçaram, tanto se preocuparam… tanto nos atacaram!

É tempo também para olhar para a próxima temporada. Entramos agora no habitual frenesim das entradas e saídas de jogadores, das respectivas transferências, dos empréstimos dos mesmos… do nosso lado sabemos quem já contratámos (St. Juste), com quem já renovámos (Porro), a quem já promovemos (Rodrigo Ribeiro), a quem já emprestámos (TT), com quem queremos contar na próxima época (Coates e a imensa maioria do actual plantel do SPORTING!). Sabemos que continuaremos a ter e a manter uma equipa profissional muito competitiva, comprometida e empenhada! Uma equipa na qual depositamos muita esperança! Acrescida esperança! Mantemos − e ainda bem! − Rúben Amorim e a sua equipa técnica como treinadores do Clube. Temos, pois, tudo para atacar bem, muito bem mesmo, a nova época… com as nossas esperanças intactas na reconquista do campeonato! Venha ele! Mais cedo que tarde… venha lá o novo Campeonato Nacional!

Última nota, para enfatizar tema central no desporto que, sem dúvida nenhuma, é a luta contra o racismo e a xenofobia! O SPORTING dá manifestamente cartas e todo o tipo de lições nessa matéria! Basta lembrar o único presidente de etnia africana de qualquer um dos três grandes clubes portugueses: Manuel Nazareth nos idos anos 70 – há 50 anos, ainda antes do 25 de Abril − no SPORTING! E − por todos − basta também lembrar Nelson Mandela! Sócio de Mérito do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!

Recordemos, a propósito, o que Nelson Mandela nos disse… e que tanta e tanta reflexão deve merecer:  “O desporto tem o poder de mudar o mundo… tem o poder de inspirar. Tem o poder de unir um povo como poucas outras coisas podem fazê-lo. Fala aos jovens numa linguagem que eles entendem. O desporto pode criar esperança onde antes só havia desespero. É mais poderoso do que os governos em romper as barreiras raciais.”

Estas palavras, estes sábios ensinamentos, estão gravados numa grande lápide que se encontra no átrio de entrada da sede do Comité Olímpico Português, na Ajuda, em Lisboa… e pena que de tantos que tanto falam sobre racismo nem uma só palavra sobre estes extraordinários ensinamentos tenha alguma vez surgido… elucidativo e demonstrador do vazio de ideias e de conhecimentos de tantos desses “oráculos de última hora”! Deviam ler, deviam reflectir, deviam actuar de acordo com Nelson Mandela! No caminho da paz, no verdadeiro caminho do desporto… do salutar desporto, da salutar competição!

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

P.s. A temporada acabou e este vosso escriba vai, finalmente e após quase quatro anos, aproveitar para também gozar umas semanas de férias. Esta coluna é, assim, suspensa já a partir da próxima semana. Voltarei… e, por isso, deixo aqui só um…  “até já, Leões!”.

Mais um triplo para o basquetebol

Por Miguel Braga
12 maio, 2022

Editorial da edição n.º 3871 do Jornal Sporting

Foi no último domingo, em Albufeira, que o Sporting CP conquistou mais uma Taça de Portugal  de basquetebol (a oitava no palmarés do Clube) ao vencer o SL Benfica por 79-75, num jogo que teve muita emoção até ao fim. Desde que a modalidade foi reactivada em 2019, o Clube já venceu um Campeonato Nacional, três Taças de Portugal, uma Taça Hugo dos Santos e uma Supertaça, traduzindo-se esta hegemonia em seis troféus conquistados em oito possíveis. “Temos uma camisola muito pesada e temos de a respeitar por todos os adeptos, que são a nossa força”, afirmou, no final, o capitão Diogo Ventura.

Na presente época, o Sporting CP é a única equipa que tem a possibilidade de vencer “tudo” em território nacional. Daí também a garantia deixada por António Paulo, treinador-adjunto da equipa: “Vamos saborear o momento, mas no próximo treino já vamos pensar na primeira ronda dos play-offs”. Este é o espírito dos conquistadores: nunca satisfeitos e com os olhos fixos no próximo objectivo.

Depois de no ano passado ter sido considerado o MVP das finais da Liga pela Federação Portuguesa de Basquetebol, Travante Williams voltou a ser eleito o homem do jogo e da competição: “Sinto-me muito bem e feliz com a equipa, são eles que me põem neste patamar. Boas energias, trabalhar duro e manter-nos insaciáveis”, são os desejos do jogador norte-americano. Que os seus desejos se concretizem é a vontade de todo e qualquer Leão.

No próximo fim-de-semana, realiza-se a derradeira jornada da Liga Portugal, em jogo marcado para sábado à noite frente ao CD Santa Clara. A equipa dos Açores surpreendeu os Leões de Rúben Amorim na primeira volta e por isso mesmo a equipa tem o objectivo claro da conquista dos três pontos. Se atingirmos essa meta, o Sporting CP conseguirá a proeza de repetir os mesmos pontos da época anterior em que nos sagrámos campeões nacionais − o que não deixa de ser um facto assinalável.

Com o segundo lugar e o acesso garantido à fase de grupos da Liga dos Campeões, será um dia de festa e o dia em que os Sócios e adeptos se despedem de Pablo Sarabia, o espanhol que chegou por empréstimo do PSG e que vai deixar saudades. Obrigado, Pablo – é o sentimento da nação Sportinguista. Por falar em agradecimentos: Zou Feddal chegou ao Sporting CP desconhecido de muitos, mas os Sportinguistas nunca irão esquecer um dos seus campeões, a sua garra e dedicação. A Feddal também o nosso sentido obrigado.

No passado fim-de-semana, o Clube assinalou mais um Dia do Leão (7 de Maio), cerimónia instituída em 2011. Um dia de homenagem às vítimas que perderam a vida na queda do varandim do antigo Estádio José Alvalade, antes de um Sporting CP vs. FC Porto, jogado precisamente a 7 de Maio de 1995. É um momento em que se recorda também o adepto que faleceu ao ser atingido por um very light, na final da Taça de Portugal, num Sporting CP vs. SL Benfica (18 de Maio de 1996), e a todos os que viveram e faleceram de Leão ao peito. “É de louvar o facto de o Clube recordar esta data pois o mais importante do Sporting CP são os Sócios”, afirmou Rui Vicente, um dos sobreviventes da queda. Sentimento partilhado por outro sobrevivente, António Dionísio: “É bom sentirmos o apoio do Clube e gosto que os Sócios não sejam esquecidos, não só aqueles que faleceram, mas também os que continuam cá”.

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