"Antes era difícil chegar à equipa principal, eu fui um dos felizardos"
03 Jul, 2026
Parte três da grande entrevista de João Matos
Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte dois e parte quatro da entrevista.
Em termos de treinadores acabou por só ter três no Sporting CP, mas passou por várias gerações de jogadores. Mudou muita coisa dentro do balneário desde a primeira equipa até à última?
Mudou muita coisa, o que é normal, e coube-me a mim adaptar-me a essa evolução constante, que não se vive só no balneário, mas também no resto da vida. Felizmente, adaptei-me sempre muito bem e sempre tivemos excelentes balneários. Como falámos anteriormente, e como costumo dizer, acompanhei as evoluções em tudo. Há uns 18 anos, no Sporting CP, qualquer pessoa que estivesse aqui, se quisesse treinar com a equipa de futsal, treinava. Chegava ao Multidesportivo, pedia para subir, dizia que podia treinar à terça e à quarta-feira e treinava, enquanto hoje somos mega profissionais, temos analistas, somos observados em tudo, temos de responder a questionários, tomamos suplementos. É tudo diferente e, também por isso, a própria forma de estar no balneário é diferente. Com a dita velha guarda, que eu tenho no coração para a vida toda, tive momentos extra futsal que me marcaram para sempre. Também passávamos mais tempo juntos. Agora não, não só pela minha idade ser muito diferente da de muitos dos que cá estão, mas também porque dou mais privilégio à família, sou pai e tenho mais obrigações, ou porque hoje a modalidade é mais profissional.
E agora o vosso mediatismo também é muito maior, não é?
Sim, é tudo maior. Toda a nossa exposição é muito maior e requer outros cuidados, temos de ser sinceros. É a verdade e a realidade, mas as coisas são como são e cabe-nos a nós adaptarmo-nos e criarmos ligações em todas essas diferenças e evoluções que vão acontecendo.
"Temos melhores jogadores do mundo formados no Sporting CP"
Uma coisa que também mudou, para lá do que já falámos, foi o peso da formação na equipa principal do Sporting CP…
Sim, o Sporting CP tem feito um excelente trabalho e, na minha opinião, o futuro está salvaguardado por muitos anos. Antes era diferente. Eu, basicamente, durante 15 anos de sénior fui o único jogador que transitou da formação para a equipa principal e se manteve. O Gonçalo fez a formação, mas esteve emprestado; o Varela, o André Galvão, o Erick, o Neves ou o Diogo também, mas depois veio um trabalho da estrutura, pensado e organizado, e, felizmente, já mais jogadores fizeram essa transição, afirmaram-se e mantiveram-se. Isso, para mim, é muito bonito de se ver e é incrível, mas também dá para perceber o quão difícil era, lá atrás, chegar ao plantel sénior e afirmar-se. Eu fui um desses felizardos. Mas, actualmente, temos melhores jogadores do mundo formados no Sporting CP e temos uma Champions conquistada com muitos jogadores formados no Sporting CP. Além disso, continua a haver muito talento e muito potencial na nossa formação, que, eu espero, possa acrescentar valor e dar continuidade a isto. Quem sabe um dia o Sporting CP não possa ter um plantel com 12 ou 14 jogadores da formação.
E acredita que alguns deles também serão capazes de transmitir tão bem os valores do Sporting CP, como fez o João Matos?
Sim, não tenho dúvidas disso. Esta geração [irmãos Paçó, Zicky Té, Diogo…] sente muito o Sporting CP. Às vezes também é preciso pô-los com os pés na terra, porque sentem em demasia o Sporting CP e isso nem sempre é benéfico, e eles sabem disso. Já não são jovens, têm mais de 25 anos e isso no desporto já não é ser jovem, mas eu não consigo olhar para o Zicky, o Diogo ou os Paçós como não sendo jovens (risos). São jovens com maturidade, conhecimento e experiência. São extraordinários, são, realmente, extraordinários e não há dúvida nenhuma disso, mas, como todos nós, têm de continuar a crescer. Eles sabem disso, sabem que não podem estagnar, mas também têm consciência de que, de uma forma diferente, porque cada um é como é, conseguem passar os valores do Sporting CP. São jovens que têm qualidade, que já venceram muitos títulos e já venceram Ligas dos Campeões.
Leia a parte um, parte dois e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.