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“O longo prazo não é simplesmente a soma dos curtos prazos”

Por André Bernardo
15 Set, 2022

Editorial da edição n.º 3889 do Jornal Sporting

Em 1980, Ronald Reagan, à data candidato pela primeira vez à presidência dos Estados Unidos da América, imortalizou a pergunta “estão melhor do que estavam há quatro anos?”, que viria a ter um impacto determinante no resultado das eleições.

Decorriam as disputadas eleições para a presidência norte-americana quando, a 28 de Outubro, no último debate antes da votação, e na sua derradeira intervenção, o ex-actor se dirigiu na televisão à audiência com esta pergunta.

Jimmy Carter era então o presidente e candidato para renovar o seu mandato, com as sondagens a anunciarem uma renhida contenda.
Por curiosidade, esse período tem, do ponto de vista económico, algumas semelhanças com a actualidade no que concerne a uma inflação crescente, preços dos combustíveis com subida de 30% em menos de um ano e estagflação.

A resposta do povo americano à pergunta de Reagan, em forma de voto, viria a ser um estrondoso ‘não’, o que asseguraria a derrota de Carter e a primeira presidência a Ronald Reagan.

A famosa tirada entraria desde então para o pódio das mais célebres frases de campanhas por ser considerada o momento crítico que desempata a eleição.

Vale a pena ver, ou rever, esta intervenção, sendo que, na minha opinião, uma segunda pergunta mais importante ficou por fazer: “Estamos mais bem preparados para os próximos quatro anos?”.

Extrapolando a mesma questão original ao universo do Sporting CP, e aproveitando o destaque que nesta edição damos aos resultados publicados pela SAD: “Está o Sporting melhor do que estava há quatro anos?”.

Eu responderia: “Não. Estamos muito melhor”. A mesma lógica aplica-se à segunda pergunta.. Não estamos apenas melhor que há quatro anos, estamos muito mais bem preparados para os próximos quatro anos, o que nos deixa em melhor situação do que estivemos nos últimos 20.

Não estamos apenas, ou pontualmente, melhor porque acedemos aos oitavos-de-final da UEFA Champions League em 2021/2022 ou porque ganhámos com propriedade os dois primeiros jogos da actual edição da UEFA Champions League, mas acima de tudo porque conseguimos fazê-lo de forma sustentável e sustentada, sem hipotecar o nosso futuro.
Os bons resultados são consequência do sucesso de uma estratégia semeada em 2018, que agora dá frutos, assente numa estrutura base. Resultam igualmente de um processo de transformação do Clube que está em curso. Os factores aleatórios conjunturais nem sempre permitem que assim seja, mas não devem nunca nublar a objectividade da análise a cada momento, nem muito menos afectar a consistência do trajecto definido.  

Os pés continuam, assim, assentes na terra. Falta caminho por percorrer, com solavancos e curvas inevitáveis, mas sempre tendo presente que o futuro é determinado pelas acções que tomamos hoje, e que “o longo prazo não é simplesmente a soma dos curtos prazos”*.

Saudações Leoninas

*citação de Peter Drucker. A versão completa é: “Tens de produzir resultados no curto prazo. Mas também resultados no longo prazo. E o longo prazo não é simplesmente a soma dos curtos prazos”.