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Opinião

Depois do 'tri' venha o 'tetra'

Por Juvenal Carvalho
23 Jun, 2023

No momento em que escrevo este texto, porque optei por o fazer no cume da emoção via televisão, mas como se estivesse ao vivo a festejar com aqueles Leões colocados num dos topos do pavilhão do rival, e que foram completamente inexcedíveis uns autênticos heróis que estão sempre presentes, seja em que modalidade for, assisto à festa da entrega da taça de campeão nacional, que marcou o nosso 'tri' e com ele a conquista do décimo oitavo título do nosso historial.

Dizer que a palavra vitória é recorrente nesta modalidade, consubstanciado nos números, é dizer uma verdade completamente irrefutável. Tem até carácter de quase inevitável. Este título teve ainda a particularidade de ter sido conquistado no ano em que presenciei o mais genial golo desta modalidade − e já vi outros também fantásticos − da autoria de Zicky Té. O palco foi o Pavilhão João Rocha, no dia 17 de Junho de 2023, e o que todos vimos, até porque se tornou desde logo viral por todo o Mundo foi uma verdadeira obra prima do jovem e tão talentoso Leão, que deixou boquiabertos os adversários, e que fez explodir de alegria todos os Leões. Genial é pouco. Foi algo que é difícil definir. Majestático, talvez seja a melhor definição. 

Sob a liderança do "mestre" Nuno Dias − dele já disse por aqui, e não só, tudo o que haveria para dizer da sua incrível valia, e capitaneados pelo 'Rei Leão' João Matos − 39 títulos de Leão ao peito − esta conquista acabou por ser a cereja no topo do bolo de uma época que poderia ter sido ainda mais escrita a letras de ouro, já que na UEFA Futsal Champions League a "dupla" de arbitragem, de forma escandalosa, não quis ver um golo limpinho marcado já na fase derradeira do jogo da final, que nos dava o terceiro título europeu de clubes, e com isso não nos deixou ganhar em Palma de Maiorca, ante a equipa anfitriã. Um roubo, pois. 

Mas se o futsal foi campeão, agora fechados que estão os taipais desta época desportiva, mais tarde aqui farei um balanço da mesma, resta tirar ilações e melhorar o que correu menos bem. Uma coisa sei, e se gosto muito − gostamos todos − de ganhar, o Sporting CP esteve em todos os momentos altos e foi extraordinariamente competitivo nas modalidades de alta competição. No andebol perdemos o título por um simples golo, no hóquei em patins e no basquetebol estivemos nas finais do play-off. No voleibol chegados ao play-off do título ficámos em terceiro. Faltou-nos, pois, um pouco mais para sermos felizes. Não conseguimos o que queríamos, porque no Sporting CP queremos sempre mais... e o mais é ganhar, mas tenho a convicção que a época de 2023/2024, até porque confio em quem tem esse dossier, que já estará a ser definida, e a prioridade, essa, num clube como o nosso, não é o de apenas chegar às finais e ser vice-campeão nacional. Sabendo que só ganha um e que os rivais usufruem de fortes armas, o tempo é de preparar a próxima época.

Melhorar terá que ser o desígnio..., mas também aprender com o que correu menos bem, e extrair o que de positivo aconteceu. Porque mesmo quando não se ganha, nem tudo tem que estar obrigatoriamente mal. A fronteira do ganhar e do perder, muitas das vezes está nos detalhes. E esses, por isto ou por aquilo, e até, porque não, por factores anómalos à verdade desportiva, não caíram para o Sporting CP em algumas modalidades.

Agora é esperar que já amanhã seja a vez do ténis de mesa conquistar mais um título para o Museu. Até porque nesta modalidade a vitória surge como o respirar... é de forma natural.

Omne Trium Perfectum, "No hay dos sin tres"

Por André Bernardo
23 Jun, 2023

Editorial da edição n.º 3929 do Jornal Sporting

Ao longo da História foram vários os pensadores a manifestar-se que, enquanto algo que ocorre uma vez pode não voltar a acontecer, acontecendo duas, existe uma forte probabilidade de acontecer uma terceira.

Quando em 2012 iniciei uma nova etapa profissional em Madrid, aterrei com o Europeu de futebol a decorrer e ao ritmo de uma música-hino da selecção espanhola com o título “No hay dos sin tres” (1). Nuestros hermanos viriam a ganhar o Europeu ao ritmo desta música e do seu futebol tiki-taka, completando uma tríade seguida de títulos: Europeu (2008), Mundial (2010) e Europeu (2012).

Lembro-me de ler na altura que a expressão “não há duas sem três” teria origem na escola pitagórica, tendo como base a ideia de que a manifestação de uma dualidade não está completa até que se some um terceiro elemento. Isto simboliza-se recorrentemente no pitagorismo sob o triângulo. 

Nesta quarta-feira o Sporting CP deixou Pitágoras orgulhoso, ganhando o terceiro jogo ao SL Benfica para se sagrar Tricampeão de futsal. E, mais importante, deixou todos os Sportinguistas orgulhosos, não apenas pela(s) conquista(s) em si, mas pelo trajecto ímpar de constância que esta modalidade tem registado na última década. Assim, são já 18 títulos de Campeão Nacional, três consecutivos − desde 2020/2021 −; um percurso brilhante ao qual se somam ainda duas Champions League em 2018/2019 e 2020/2021.

Muitos parabéns ao Nuno Dias, à sua equipa técnica e aos vários jogadores (grande parte da formação do Sporting CP), que têm perfumado as quadras de futsal por onde passam, tornando-as o principal palco da modalidade internacionalmente.

Não poderia deixar de destacar o golo de Zicky Té no penúltimo jogo, uma verdadeira homenagem pitagórica, com dois catetos ao quadrado a ultrapassarem jogador e guarda-redes do adversário, para selar um golo de autor. Tal como referi acerca do golo de Pedro Gonçalves, num anterior editorial, para pôr em modo repeat.

Nesta quarta-feira o futsal do Sporting CP confirmou empiricamente que Omne Trium Perfectum (“Toda a Trindade é perfeita”).

Saudações Triplamente Leoninas!

(1) Canção da selecção espanhola no Euro 2012, cantada por David Bisbal e o duo Cali & El Dandee.

Saber ganhar... ou talvez não

Por Juvenal Carvalho
15 Jun, 2023

Fico sempre muito feliz quando o Sporting Clube de Portugal ganha. Gosto tanto de viver esses momentos de plena felicidade, como aconteceu no passado fim-de-semana, com a conquista da Taça de Portugal de andebol masculino e com a obtenção do título nacional de ténis de mesa feminino.

 

A minha felicidade é, contudo, sempre muito mais interior do que aquela que acabo por a exteriorizar. Cada um tem a sua forma de ser e de estar.

E se fiquei contente com estas conquistas, obviamente que, sabendo que ninguém ganha sempre, não gosto nada de perder contra ninguém, quanto mais ante o eterno rival. Como já aqui o disse, e sabem os que me são mais próximos, fico mesmo com uma descomunal azia. E isso aconteceu no basquetebol. Mas aquilo que sucedeu após o jogo, em que claramente o adversário venceu bem, provocou-me sobretudo repulsa e fez-me lembrar os meus saudosos pais que me ensinaram a estar no desporto. Não participar na entrega do troféu de campeão que era da sua pertença e não estar presente na entrega das medalhas ao finalista vencido e aos árbitros, não só me causou estupefacção, como até a mais profunda indignação. Quem apregoa a moral de que "as vitórias não são contra ninguém" deveria de ser coerente. E, mesmo que achem que lhes assiste alguma razão, deveriam sobretudo respeitar quem estava no Pavilhão, e tinham lá adeptos seus, bem como o Sporting Clube de Portugal, que era o anfitrião do espectáculo que decidia o título. Era o mínimo exigível. Quem não respeita não merece ser respeitado. Saber ganhar é tão ou mais importante do que saber perder. E isso, como terreno tenho defeitos, até por ser condição humana, um que não tenho é que prezo-me de saber ganhar e de saber perder, e como na tristeza da derrota fiquei feliz ao ver os Sportinguistas a aplaudirem a nossa equipa, no rescaldo de uma época em que conquistámos a Supertaça e a Taça Hugo dos Santos, estivemos na final four da Taça de Portugal e ainda fomos vice-campeões nacionais.

Mas o que me leva a escrever semanalmente neste espaço não é de factores colaterais ao desporto. É mesmo sobre desporto.

E aí, que bom foi assistir no sábado, na meia-final da final four da Taça de Portugal, a um jogo estratosférico de andebol entre o Sporting CP e o FC Porto, ao qual arrisco a dizer ao nível do que melhor se vê pela Europa. Caiu para nós após prolongamento, com todo o mérito. O mérito de quem quis mais e acreditou até ao último segundo. O mérito de quem valoriza o trabalho, como é o caso de Ricardo Costa e sua equipa técnica. O mérito de quem merecia mais no Campeonato e trabalhou muito para obter esta conquista - a nossa 17.ª Taça de Portugal, que seria confirmada na final ante o CS Marítimo (30-29).

Mas os êxitos não ficaram por aqui. Também o ténis de mesa feminino foi feliz em terras transmontanas e, sob o comando técnico de Marco Rodrigues e com um plantel formado por Galia Dvorak, Anna Hursey, Patrícia Santos, Juliana Silva e Diana Gomes, de lá saiu com o seu 15.º título de campeão nacional, que era pertença do CTM Mirandela. Foi também ele um título decidido com sangue, suor e lágrimas apenas no último jogo, e que jogo ele foi, que acabou com a vitória da nossa Galia Dvorak sobre a opositora Inês Matos e com ela a respectiva posse do título nacional para as nossas Leoas chegado apenas na ‘negra’. Estamos de parabéns, e o Museu Sporting mais rico.

Agora mais títulos estão por decidir. São os de hóquei em patins e de futsal, já em andamento nas respectivas finais dos play-offs, e a do ténis de mesa masculino, com a final a começar no próximo sábado, na Madeira, frente ao CD São Roque. Mais modalidades estarão a ver chegar os grandes momentos. Recordo por exemplo o atletismo masculino e feminino na pista, depois dos títulos nacionais em pista coberta.

Que venham mais conquistas. E sabendo ganhar. Que é tão ou mais importante do que saber perder.

Arbitragem – nova vida?

Por Tito Arantes Fontes
15 Jun, 2023

Finalmente - e sim, é mesmo caso para dizer finalmente - a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) surpreendeu-nos pela positiva! Dizemo-lo sem qualquer ironia ou sarcasmo. Tudo porque desta feita a FPF tomou uma boa, positiva e - assim queremos pensar - feliz iniciativa. Fê-lo na passada semana, através de um comunicado no dia 6 de Junho no qual anunciou a criação de um “grupo de trabalho” para estudar o tema global da arbitragem em Portugal, com impacto tremendo e inevitável foco, nomeadamente, ao nível das competições profissionais de futebol.

O propósito da FPF é louvável, sendo que o anunciado é a criação do tal “grupo de trabalho” para estudar a alteração das principais normas que regulam a gestão da função arbitragem. A presidir ao Grupo de Trabalho estará José Fontelas Gomes, actual presidente do Conselho de Arbitragem, que já realizou a primeira reunião de trabalho.

Consta do comunicado divulgado que a FPF propõe que se avance em Portugal para um modelo de organização da arbitragem, designadamente nas competições profissionais, que contemple uma entidade externa.

É - ou melhor dito - será uma revolução total no sector da arbitragem nacional. Designadamente porque a entidade gestora da mesma “sai” da esfera da FPF para se autonomizar e tornar independente da FPF. Significa isto que - pela primeira vez na história do futebol nacional - a arbitragem poderá ficar “fora” do controle directo da FPF, desde logo ficando imune às pressões e equilíbrios a que o normal jogo eleitoral para os órgãos sociais da FPF sempre, naturalmente, obriga e inelutavelmente continuaria a obrigar.

O SPORTING CP - e muito bem! - já se pronunciou favoravelmente a esta iniciativa da FPF. Já antes, aliás, o Presidente Frederico Varandas tinha defendido uma “reforma profunda” na arbitragem, defendendo uma “classe de árbitros realmente independente”.

Claro que esta estrutural alteração não será fácil nem de decidir, nem de implantar. São, na verdade, de antever escolhos e dificuldades de vário tipo que seguramente surgirão. Aliás, velhos “Velhos do Restelo” (passe a expressão) já se começaram a colocar em “bicos dos pés” para criticar a FPF pela “ousadia” que teve em avançar com a sua nova proposta, ainda por cima porque o fez sem a mesma estar já e previamente “autorizada” pelo actual “poder” … emblemática nesse sentido a incompreensível posição do presidente da ANTF, José Pereira de seu nome, o tal que - até ser derrotado pelas decisões dos próprios órgãos da FPF! - tanto pugnou, há uns dois anos, pela punição de Rúben Amorim! É que José Pereira crítica o facto da proposta aparecer sem terem sido ouvidos os sócios da FPF, sendo que a FPF apresenta a proposta para ela ser debatida pelos sócios! Toda a gente percebeu! Mas José Pereira não… não quis perceber… assim dando o mote para as dificuldades que aí virão. Felizmente que, em contraponto, vários outros actores com assento na FPF, nomeadamente na sua assembleia geral, já se vieram posicionar de forma aberta como favoráveis ao desafio lançado pela FPF para a reflexão e o debate. É o caso da APAF, através de Luciano Gomes, respectivo presidente, e da própria Liga, via também o seu presidente Pedro Proença.

Aguardemos, pois, os novos capítulos deste “novo caminho” que se poderá abrir à arbitragem nacional. Continuar como está será sempre perpetuar “mais do mesmo”. E isso é - como bem sabemos e apesar da FPF sublinhar “diplomaticamente” no seu comunicado a evolução positiva da arbitragem nacional nos últimos anos - mau, muito mau mesmo! Independentizar pode, com efeito, vir a ser caminho viável, muito interessante e positivo, como já sucedeu noutros países, desde logo por exemplo Inglaterra.

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

P.S. - Na próxima semana voltamos às nossas queridas modalidades! Estamos na luta no futsal e no hóquei em patins, empatados a um jogo para cada lado em ambos os casos. Perdemos a final no basquetebol (ai a influência maldita daquele “último cesto” do nosso opositor no primeiro jogo da final!). Ganhámos galhardamente a Taça de Portugal em andebol… e vão 17! E no ténis de mesa somos campeões nacionais em femininos!

É nossa!

Por Pedro Almeida Cabral
15 Jun, 2023

É nossa a Taça de Portugal de andebol desta época! Um triunfo mais do que merecido numa prova em que defrontámos o SL Benfica, o FC Porto e, na final, o CS Marítimo. Foi a 17.ª Taça de Portugal para o Clube, repetindo a conquista do ano passado. Somos a equipa dominadora desta prova, deixando bem longe o ABC de Braga com 12 títulos e o FC Porto com nove. É uma conquista que tem sempre um sabor especial, pois fomos os primeiros a ganhar esta Taça, em 1972, na idade de ouro do andebol do Clube.

Após termos eliminado o SL Benfica nos quartos de final, por uns esclarecedores 34-30, rumámos à Madeira para o embate contra o FC Porto na meia-final, com os olhos postos na outra meia-final, entre o CS Marítimo e o Póvoa AC. O jogo contra os portistas foi o que é, actualmente, o melhor e mais disputado jogo de andebol entre equipas portuguesas. Vitória nossa após prolongamento por 39-38. Do lado do FC Porto, um andebol mais físico, mais experiente, com uma aposta consistente no 7x6, abdicando do guarda-redes no ataque. Do nosso lado, uma defesa vigorosa e a sociedade familiar irmãos Costa a facturar, em conjunto, 22 golos. O equilíbrio pautou a segunda parte, que terminou empatada., No prolongamento veio ao de cima não só uma maior concentração Leonina no ataque, mas também uma defesa que soube não sofrer nos momentos finais.

Já na final, perante o CS Marítimo, nova vitória por 30-29, num jogo muito disputado até ao fim. Mais uma vez, Kiko e Martim Costa renderam grande parte dos nossos golos, mais concretamente, 17. Com uma equipa esgotada pelo jogo da véspera, o esforço teve de ser redobrado. Afinal, este CS Marítimo deu boas indicações ao longo da época e sabíamos que nunca iria facilitar, muito menos, numa final. O jogo acabou por ser bem controlado pelo Sporting CP que conquistou, naturalmente, a Taça.

Fecha-se a época com a sensação de que com um pouco mais de acerto poderíamos ter sido campeões. É que a meia-final trouxe à lembrança o jogo decisivo do campeonato, em casa deste mesmo FC Porto, quando a vitória nos escapou por muito pouco. O nosso treinador Ricardo Costa, numa recente entrevista ao Record, fala de como a equipa cresceu esta época e de como na próxima esse crescimento vai fazer ainda mais efeito. Mas o que mais gostei foi quando questionado sobre o projecto disse que o projecto do Sporting CP é ganhar títulos. Já leva duas Taças de Portugal e, a continuar assim, mais virão.

Faces da mesma moeda

Por André Bernardo
15 Jun, 2023

Editorial da edição n.º 3928 do Jornal Sporting

“Esta competição é uma moeda, mas estava escrito nas estrelas, ela pertence-nos”. A frase é de Pep Guardiola em declarações após a vitória na UEFA Champions League.

Aproprio-me da citação para estendê-la às vitórias do Sporting CP na Taça de Portugal de andebol e no Campeonato de ténis de mesa feminino a que damos hoje destaque na capa.

A probabilidade de Glória numa competição desportiva não é equivalente ao atirar de uma moeda ao ar, nem muito menos se trata de um jogo de sorte ou azar. A análise mais comum é ver qual a face que saiu da moeda em termos de resultado, vitória ou derrota, e a partir dela fazer uma análise. As vitórias e as moedas têm em comum, porém, o facto de terem duas faces que fazem parte de uma entidade só, em várias dimensões.

A primeira face é a dos factores que controlamos, muitas vezes subvalorizados ou enviesadamente interpretados pelo resultado final.  Também referiu Guardiola que, não tivesse o guarda-redes do Manchester City FC defendido um dos lances de perigo do FC Internazionale Milano e certamente surgiriam várias interpretações diferente sobre os méritos do trabalho realizado.

No final do dia, mesmo fazendo tudo bem, às vezes a bola bate na trave e entra, outras não.

Giannis Antetokounmpo, actual estrela da NBA dos Milwaukee Bucks, teve recentemente uma brilhante resposta a um jornalista a este propósito, após a derrota da sua equipa nos play-offs, utilizando inclusive o percurso da lenda Michael Jordan como exemplo, que merece a pena ser revisitada*.

A outra face da moeda é a dos factores que não controlamos, que são vários, como por exemplo algum tipo de lesões ou influências de decisões de arbitragem (favoráveis ou desfavoráveis).  Anteontem, no segundo jogo da final de futsal, análises técnicas à parte, isso foi bem notório, tendo até um verdadeiro ippon a Zicky Té passado despercebido.

A propósito, saltando para o futebol, e tal como já manifestado pelo Sporting CP em comunicado, é de louvar a proposta da Federação Portuguesa de Futebol para um modelo de organização da arbitragem independente.

Noutra dimensão, a mesma moeda tem também o lado invisível de todo o trabalho de preparação, motivação, disciplina, e detalhe por trás do caminho até à vitória. Muitas vezes pouco enaltecido na hora do diagnóstico final.

Algumas moedas ganham também valor simbólico. A conquista do andebol ganha o número 17 da colecção existente no Museu, conferido por um especial simbolismo de revivalismo de termos sido os primeiros a conquistá-la em 1972.

Não sei se estava escrito nas estrelas mas, vitórias à parte, as boas sensações destas modalidades que vinham de trás materializaram-se “justamente” no presente, e deixam bons augúrios para o futuro.

Marcas para a vida

Por Juvenal Carvalho
07 Jun, 2023

Se existe factor pelo qual o Sporting Clube de Portugal se tem distinguido ao longo dos tempos, é por deixar marcas que ficam para a vida nos profissionais que passam pelo nosso Clube. E falo desde portugueses a estrangeiros, e seja em que modalidade for. 

Entre os jogadores portugueses, e pela experiência própria de ter vivenciado como dirigente esse conhecimento, são vários os que, não sendo sportinguistas de berço, e chegando adeptos de outros clubes a Alvalade, saem com o Sporting CP no coração e com um orgulho infinito de ter servido o Clube e o símbolo do Leão rampante, que um dia foi também usado por Francisco Stromp, entre tantas outras figuras gradas do desporto português e internacional. 

E é esta fidelidade para uma vida, unida pelo símbolo do Leão, que nos torna um clube marcante pela diferença. De tantos episódios que poderia lembrar, de jogadores que por mais afastado que vá sendo o seu tempo a representar o nosso símbolo, cada vez que a ele se referem é sempre marcado pela saudade e pelo trato que receberam. E poderia, como disse, falar de tantos. 

Mas hoje, até por ser tema actual, lembro a forma apaixonada como Carlos Ruesga, uma enorme referência do andebol mundial − que privilégio tivemos que tenha representado o nosso símbolo durante sete anos − ao despedir-se do Clube se referiu a ele como sendo o seu, de que garbosamente ostentou nas redes sociais o seu número de associado, a quem declarou mesmo amor eterno. Para nós, Sportinguistas, a reciprocidade é latente e foi provada na bonita homenagem a ele prestada antes de se iniciar o jogo com o nosso eterno rival no 'João Rocha', com as claques a entoarem cânticos dedicados a ele, que além de títulos ganhos − ainda pode conquistar mais um no próximo fim-de-semana, nos honrou com a sua presença tantos anos em Alvalade. Marcou golos como só ele. Fez assistências para golo com uma chancela tão sua. Espalhou classe por onde passou. Um jogador muito respeitado por todos. Já sinto saudades dele e ainda não abandonou. Um privilégio não só ser nosso jogador, como a forma sentida como a nós se referiu na despedida. Será para sempre um dos nossos.

E por falar em nossos. E estes são do berço. Que bonita a forma como o Sporting CP dedicou o Dia dos Irmãos nas redes sociais, ilustrando-o com uma foto dos irmãos Bernardo e Tomás Paçó, ainda bem meninos, equipados com as nossas cores em festejo Leonino.

Tanto 'à Sporting' foi também a homenagem que o Clube, porque tem memória, fez a Pedro Cary, no final do jogo da meia-final do play-off ante o Leões de Porto Salvo. Saber reconhecer é nobre. E esse é o nosso apanágio. Obrigado por tudo, Pedro Cary, foram épicos, feitos de conquistas e valores humanos, os nove anos e 386 jogos de Leão ao peito. 

É tanto por isto que primamos pela diferença. Somos um Clube que deixa marcas para a vida! 

Eterno Capitão

Por André Bernardo
07 Jun, 2023

Editorial da edição n.º 3927 do Jornal Sporting

 

O aclamado filme Clube dos Poetas Mortos eternizou a cena em que um grupo de alunos se coloca de pé, cada um em cima da sua mesa da sala de aula, em homenagem e agradecimento ao seu professor, Mr. Keating (protagonizado pelo actor Robin Williams), proferindo a exclamação “O Captain! My Captain”.

É nesse mesmo espírito que lançamos a edição limitada da camisola de Manuel Fernandes e que escrevo este editorial.

Nascido em Sarilhos Pequenos, o oráculo determinou que estava destinado a dar grandes sarilhos a todos aqueles que lhe tentassem tirar a bola dos pés.  Não quis o destino, mas sim o próprio que vestisse a listada verde e branca de Leão ao peito. Quando jogava na CUF, ao intervalo dos jogos, a sua grande preocupação era o resultado do jogo do Sporting Clube de Portugal.

Conseguiu concretizar o seu sonho de jogar de Leão ao peito e, com ele, permitir vários sonhos a muitos mais.

Manuel Fernandes é uma lenda viva e um arquétipo de Sportinguista. Carimbou de golos e estilo o seu passaporte para o pódio das memórias. Tornou “jogos maiores que campeonatos”*. Porém, maior ainda que o seu talento, tem a sua maneira de ser, que carimba o seu passaporte para o Olimpo. Tenho tido a oportunidade e o privilégio de desfrutar da sua companhia e de testemunhar a sua genuína simplicidade, generosidade, boa disposição e amor pelo Sporting CP. Transportava o número 9 nas costas que, por coincidência ou não, em numerologia representa o altruísmo. É uma excelente pessoa. Muito provavelmente também por isso se tenha tornado Capitão, mas certamente por isso Eterno.

Obrigado Manuel Fernandes, o nosso Eterno Capitão.    

*referência à citação de Manuel Fernandes relativa à vitória de 7-1 sobre o SL Benfica em que marcou quatro golos.

  

Manel

Por Pedro Almeida Cabral
06 Jun, 2023

Em tempos que parecem já passados, corria desabridamente pelas redes sociais um chavão orgulhoso e vazio que parecia tornar obrigatório ao adepto Sportinguista não ter ídolos. Era o tristemente famoso “zero ídolos”. Os inconscientes que lançaram esta moda apagavam alegremente mais de um século de paixão clubística. Um clube sem ídolos não é um clube, é um amontoado de Sócios. Felizmente, o centenário Sporting Clube de Portugal tem uma imensa galeria de ídolos que resiste facilmente a estas efémeras modas. Um dos ídolos que mais contribuiu para a mística Leonina foi Manuel Fernandes, o nosso Manel.

Todos os que cresceram nos anos 80 se recordam da esguia e morena figura a marcar golos em catadupa. A facilidade com que fugia às marcações e metia a bola na baliza era assombrosa. Em 12 temporadas de Leão ao peito, ofereceu-nos 257 golos marcados em 433 jogos oficiais. É, até hoje, o segundo melhor marcador da história do Clube, atrás de Peyroteo. Foi largamente responsável pela conquista de dois Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal, duas Supertaças (uma como treinador) e pela inesquecível tarde em que ganhámos 7-1 ao SL Benfica, em Dezembro de 1986. Como se tudo isto não bastasse, o seu amor ao Clube e o seu intenso Sportinguismo pautaram toda a sua carreira desportiva. Preferiu sempre o Sporting CP a rivais e marcou uma forma de estar no Clube que muito nos orgulha. Se há um ídolo vivo que devemos ter é ele.

Por isso, todas as homenagens que lhe podemos prestar são poucas. Foi com muita alegria e alguma comoção que vi Manuel Fernandes ser homenageado onde merece ser homenageado: em campo. No último dérbi, perante o SL Benfica, o nosso eterno Capitão desceu das bancadas para ouvir uma merecida ovação, que não se ficou pelos nossos Sócios e adeptos, contagiando também os rivais. E como todas as homenagens são poucas, o Clube disponibilizou recentemente uma camisola oficial com o seu nome. É assim que um Clube honra o seu passado e que assegura que tem um futuro. Sem memória nunca seremos nada. Agora que Manuel Fernandes recupera de uma operação, desejamos todos que o nosso Manel recupere rapidamente e nos brinde novamente com o seu sorriso de Leão matreiro, como quem marca mais um golo num Estádio José Alvalade em festa.

Modalidades - Junho das Decisões… e Pote!!!

Por Tito Arantes Fontes
07 Jun, 2023

Estamos já em Junho, o mês dos play-off e/ ou das final four de várias das modalidades ditas “amadoras” ou melhor de pavilhão.

Vamos ter um mês cheio, com presença nas decisões de campeão de modalidades como o basquetebol, o hóquei em patins e o futsal. Em todas estas modalidades vamos ter como adversário os nossos vizinhos do outro lado da Segunda Circular. E nós estamos em todas essas finais para ganhar!

Basquetebol − já se iniciou neste domingo a “final à melhor de cinco”; perdemos por um ponto no primeiro jogo na Luz, mesmo ao cair do pano e num lance em que os árbitros parece que se esqueceram da fundamental regra dos “passos”; hoje (3.ª feira, dia em que escrevo) temos o segundo jogo em casa do nosso adversário… é para ganhar! A equipa já demonstrou que tem tudo para levar o título nacional para Alvalade! É aí, no nosso Museu, que o queremos!

Hóquei em Patins – já estamos há mais de uma semana qualificados para a final, tendo estado a aguardar o outro opositor; vai ser outra “final à melhor de cinco”, na qual temos tudo para levar de vencida o nosso adversário, sempre o mesmo eterno rival! Esta nossa equipa já nos demonstrou toda a sua raça e valor, ultrapassando momentos e situações de dificuldade imensa! Sabemos que podemos contar com esse esforço, essa dedicação e essa devoção… sim, queremos a Glória de mais este título em Alvalade!

Futsal − ficámos ontem a saber qual o nosso opositor na “final à melhor de cinco”. Houve “mosquitos por cordas” nesse último jogo da meia final em Braga para definir o nosso opositor; esperemos que esses comportamentos sejam banidos dos jogos da final! Sabemos que temos uma grande equipa, com enormes jogadores, comandados pelo nosso “eterno” Nuno Dias! Temos a esperança de sempre e uma fé imensa nesta grande Team! Rumo à vitória! O título deve ficar, tem de ficar onde está… pois, em Alvalade, em lugar de destaque no nosso Museu!

Andebol − bem sei, o campeonato já foi, por um “minúsculo” ponto, resultado de um mísero golo, no final de um jogo…, mas agora temos a final four da Taça de Portugal! Este fim-de-semana, no Funchal! Esta equipa merece! E nós, SCP, também! Estamos juntos, queremos essa Taça em Alvalade!

Nestas quatro “fases finais” destas modalidades há um único clube que está sempre presente: o SPORTING! É o corolário do indiscutível poder do Leão! É a força do Eclectismo Sportinguista! É a demonstração da razão do SPORTING ser a Maior Potência Desportiva portuguesa!

Vejo, contudo, de vez em quando e de modo tímido, mas mentiroso, alguma gente por em causa o número de títulos do SCP em todas as modalidades… são mais de 22 mil… o número assusta-os e, portanto, resolvem fugir dele, negando a sua realidade e até reconhecendo que nem se querem dar ao trabalho de os comentar! Elucidativo! E demonstrador de como hoje se pratica a “fuga à realidade”!

Ilustrativo desta realidade avassaladora é o facto − e é facto, mesmo! − de o SCP ter bem mais títulos colectivos europeus e/ou mundiais em todas as modalidades do que o somatório dos seus dois principais rivais! O SCP tem 42 títulos europeus e/ou mundiais e o somatório desses seus competidores nem chega aos 30! Elucidativo!

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

P.s. O golaço do Pote no Emirates contra o Arsenal foi considerado pela UEFA o golo do ano na Liga Europa! A caminho, pois, do Prémio Puskas! Entretanto, por cá, há quem nisso nem tenha reparado e há quem continue a persistir na injustiça de “proibir” um jogador desse nível e craveira de ser chamado à Selecção! Parabéns, Pote! Quem gosta de futebol sabe bem o inquestionável valor que tu tens!

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