Your browser is out-of-date!

Update your browser to view this website correctly. Update my browser now

×

Opinião

Semana de emoções

Por Miguel Braga
07 Out, 2022

Editorial da edição n.º 3892 do Jornal Sporting

O atletismo do Sporting CP voltou a fazer história ao vencer pela primeira vez nas quatro equipas − masculinos e femininos seniores e masculinos e femininos juniores − o Campeonato Nacional de estrada, que teve lugar em Joane, Vila Nova de Famalicão. “Isto era algo que nunca tínhamos conquistado. (…) Conquistámos quatro títulos colectivos, quatro títulos muito saborosos”, afirmou um visivelmente satisfeito Paulo Reis, coordenador técnico do atletismo do Sporting CP. Também António Nogueira da Costa, coordenador do meio-fundo verde e branco, era um técnico realizado: “A estratégia delineada foi a seguida pelos atletas. Conseguimos o objectivo principal e além disso alcançámos títulos individuais. Os meus parabéns a esta instituição que é o Sporting CP, que tanto tem ajudado e contribuído para que estes títulos sejam conseguidos”. Num domingo de história, destaque também para Licínio Pimentel que se despediu em beleza de uma carreira plena: “Saio com a sensação que dei tudo o que tinha para dar. Agradecer ao Sporting CP as oportunidades que me proporcionou ao longo destes anos. Saio com um sorriso e de coração cheio, porque tive vitórias e conquistas muito importantes para mim. O Sporting CP deixa estas marcas bonitas nos atletas”. Obrigado, Leão.

Também a equipa feminina de rugby do Sporting CP continua a escrever a ouro os seus feitos, com a quarta conquista consecutiva da Supertaça, ao vencer a AEES Agrária de Coimbra por 31-10, no relvado do Estádio Nacional. Mais um motivo de orgulho para o treinador Filipe Luís: “no historial esta Supertaça representa mais um título. E é por isto que este Clube luta todos os dias e sempre em todas as modalidades. Temos o sentido de missão de continuar a vencer”, frisou no final. A todas as jogadoras e staff, um obrigado e parabéns por mais esta conquista.

De parabéns também estão o andebol e o basquetebol que garantiram o apuramento para a fase de grupos das respectivas competições europeias. O primeiro objectivo foi atingido, cabe agora a cada uma das equipas continuar a trabalhar para evoluir na Europa.

Em terras de França, sensações bem diferentes para as equipas do Sporting CP. O início da tarde foi prometedor com os jovens leões da Youth League a ganharem ao Olympique de Marseille por uns expressivos 0-6. “Já dei os parabéns a todos, por aquilo que demonstraram num contexto europeu e pela ambição que tiveram”, afirmou Filipe Çelikkaya. Para o treinador “este resultado valida a qualidade do jogador do Sporting, CP e o trabalho que é feito na Academia não só por esta equipa técnica, mas por todas as outras”. Rodrigo Ribeiro com três golos e duas assistências deixou em campo, uma vez mais, pormenores que prometem fazer a diferença no futuro. Já à noite, a equipa de Rúben Amorim acabou derrotada por 1-4 num jogo com demasiados contratempos e que teremos oportunidade de rectificar já na próxima semana quando recebermos o Olympique de Marseille no Estádio José Alvalade. Por tudo o que se passou em campo e fora dele, é essencial a resposta não só da equipa, mas também de todos os Sportinguistas. Porém, ainda antes do quarto jogo da fase de grupos da UEFA Champions League, a equipa viaja aos Açores para medir forças com o CD Santa Clara. Respeitando sempre os nossos adversários, o objectivo é claro: ganhar, ganhar e ganhar. 

Como a Primeira Vez

Por Pedro Almeida Cabral
29 Set, 2022

E o Leão meteu a quinta! A abrir a temporada de futsal, conquistámos pela quinta vez seguida a Supertaça de futsal, frente ao histórico rival, SL Benfica. Desde 2017 que este troféu nos pertence (embora não se tenha realizado em 2020). Nos últimos anos, o domínio do futsal do Sporting CP tem sido, nada mais nada menos, que avassalador. Além dos triunfos maiores das duas UEFA Futsal Champions League, 2019 e 2021, chegámos também ao bicampeonato nacional de 2021-2022. Temos ainda três Taças de Portugal seguidas, de 2019 a 2022 (a edição de 2021 foi cancelada) e duas Taças da Liga também uma atrás da outra, de 2021 e 2022. Este pecúlio faz com que esta Supertaça recém-conquistada seja o oitavo título a nível nacional ganho consecutivamente pelo Sporting CP. São duas temporadas seguidas a ganhar tudo a nível interno. Não é para todos. Mas é para o Sporting CP.

O jogo disputado no fim-de-semana teve muita coisa. Desde grandes golos, a belas jogadas desenhadas, passando por incerteza no resultado. Mas teve, sobretudo, um justíssimo vencedor. Golos só na segunda parte. O primeiro foi um oportuno remate de João Matos a inaugurar a contagem a nosso favor. Após o empate do SL Benfica, Erick, num livre ensaiado, subiu a parada para o segundo. E, Estebán, a espreitar uma nesga desde a nossa grande área, rematou colocado para o 3-1. Porém, o SL Benfica haveria de empatar. Já no prolongamento mais um golo para cada lado, com o nosso a ser marcado por Sokolov, num belo tiro à beira da baliza, que deixa água na boca para a época que agora começou. Este equilíbrio a quatro golos teria de ser decidido nos penáltis. Para enfrentar os marcadores benfiquistas, Bernardo Paçó saiu do banco. Logo no primeiro remate, Rocha, acusando a pressão, desperdiçou. Depois, Bernardo Paçó encheu o espaço entre os postes e não deixou Arthur e Diego Antunes concretizarem. Vitória justa para quem a mais procurou.

Qual o segredo para tanta conquista perante tão apetrechado rival? Há-de ser o trabalho sério e constante, o estudo permanente do jogo, a construção cuidada dos plantéis e, como não podia deixar de ser, o apoio entusiástico de Sócios e adeptos. Decisivo também será o trabalho do nosso treinador Nuno Dias, provavelmente o melhor treinador de futsal do mundo, que consegue, ano após ano, reinventar equipas e superar-se a cada competição. Mas talvez o ingrediente secreto seja visível nas comemorações de cada título. Bernardo Paçó, escasso instante após defender o último penálti, apontou para o símbolo do Leão rampante e sorriu. Após tantos títulos, Bernardo Paçó festejou este como se tivesse sido o primeiro. A superioridade técnica dá vitórias. Aliada ao rigor táctico resulta em títulos. Mas anos e anos a ganhar só acontecem porque nunca damos nada por ganho e atiramo-nos a cada competição como se fosse a primeira vez que entramos na quadra. Tal como Bernardo Paçó nos mostrou nas suas celebrações.

Ganhar, ganhar ou... ganhar!

Por Juvenal Carvalho
29 Set, 2022

Que dizer mais desta modalidade que já não tenha sido dito neste percurso único, em que o nosso futsal ganha troféus como respira... de forma natural? Direi que tudo já foi dito nesta saga em que ganhar, ganhar, ou ganhar é um lema de todo o sempre da sua existência.

Desta vez, para diferenciar um pouco de tudo aquilo que é recorrente, e que acaba com o inevitável 'capitão' João Matos de troféu no ar, rodeado dos seus colegas de equipa, começo pelo fim daquela que foi mais uma... apenas mais uma conquista do nosso futsal, no caso a quinta Supertaça consecutiva deste fabuloso grupo de trabalho.

E porque falo de começar pelo fim? Pelo simples facto de ver os jogadores − quase todos, dos mais velhos aos mais novos já ganharam tudo a nível nacional e internacional de Leão ao peito − a festejarem como se aquele fosse o seu primeiro troféu da carreira. A mesma alegria contagiante de sempre, a provar que nada do sucesso é por acaso. Nesta modalidade, o processo de integração dos novos é também natural. Parece que sempre foram da casa. É assim, tem sido sempre assim.

E ainda neste começo pelo fim, que lindo foi ver Bernardo Paçó, que acabaria por ser o herói dos heróis, a apontar para o símbolo, aquele que nos arrebata a todos, depois de defender o último pontapé de penalidade marcado pelo eterno rival. O do Leão rampante. Aquele que com Esforço, Dedicação e Devoção abre por si só o caminho para a Glória.

Ver Nuno Dias, com os olhos a brilhar dizer que estava a festejar este título como se fosse o primeiro, porque adora ganhar, ver todos os jogadores festejarem no fim do jogo como se aquela taça fosse o primeiro 'brinquedo' da sua vida.

Ver ainda o vogal do Conselho Directivo para a área das modalidades, Miguel Afonso, ser completamente arrebatador no discurso, como só ele, − e isto são palavras de quem como eu com ele priva há mais de três décadas, bem como com sua família − num elogio ao treinador Nuno Dias e ao grupo de trabalho que foi, por tão envolvente, viral nas redes sociais. Foi mesmo emocionante, ouvi-lo dizer que são horas, são dias, são semanas, são meses, são anos de um trabalho fantástico desta equipa, num discurso que teve ainda recados assertivos para quem tenta desvalorizar, sem o conseguir, este grupo de trabalho, que é 'só' a base da selecção nacional que ganhou tudo − literalmente tudo − que havia para ganhar. Foi também comovente, porque saiu de dentro de todo o grupo de trabalho, como grito emocional, a dedicatória deste troféu ao fisioterapeuta Andrew Durães, a passar por um momento muito complicado da sua vida.

É neste #ondevaiumvãotodos num mote transversal às modalidades do Clube, que o Sporting Clube de Portugal se distingue. Daqui, deste espaço, que tenho o privilégio de escrever, digo também eu. Força, Andrew. Quero ver-te a erguer o próximo troféu. Sim, ele vai aparecer em breve. Porque a conquista é o ADN do nosso Clube, e tu − desculpa o trato − tens que estar no meio da próxima festa.

Passada mais esta conquista, já no próximo fim de semana, vai iniciar-se mais um Campeonato Nacional, com a recepção no 'João Rocha' ao Eléctrico FC. Será com respeito por esse opositor, como aliás por todos os outros, que confio seja o início de mais uma caminhada para outra época plena de sucesso. Foi assim pelo fim, mas sabendo que nesta modalidade − e não só − existe sempre um princípio, um meio e um fim. Este, invariavelmente ganhador!

Dia de Sporting

Por Miguel Braga
14 Out, 2022

Editorial da edição n.º 3893 do Jornal Sporting

Realiza-se amanhã, dia 15 de Outubro, a Assembleia Geral Comum Ordinária do Clube, tendo os Sócios como ponto único dos trabalhos a “apreciação e votação do Relatório de Gestão e Contas do Sporting Clube de Portugal, respeitantes ao exercício de 1 de Julho de 2021 a 30 de Junho de 2022”.

Os números apresentados neste Relatório são reflexo da reestruturação financeira levada a cabo nos últimos anos, tendo o Clube atingindo um dos seus melhores resultados de sempre, com um lucro de mais de 13 milhões de euros e alcançado um dos seus grandes objectivos estratégicos: a recompra dos VMOC e a recuperação da maioria do capital da SAD. Nas páginas 16 e 17 desta edição poderá encontrar uma síntese do Relatório e Contas do Clube 2021/2022.

Ao contrário do que tem vindo a ser hábito, esta Assembleia Geral não se realizará, como as últimas, em dia de jogo. Quis a vontade do sorteio da Taça de Portugal que o Sporting CP tivesse neste fim-de-semana (mais) uma deslocação ao norte do País para jogar frente ao Varzim SC. Assim, não haverá jogo, mas não faltarão razões para que os nossos Sócios vivam, de outra forma, um dia de Sporting e de associativismo.

Na página 14 deste Jornal Sporting poderá ficar a saber tudo o que está a ser preparado para quem visitar Alvalade no sábado: a presença do Jubas na Loja Verde, sessões de autógrafos e a selfie da praxe com vários atletas das nossas modalidades – de Maiara Niehues a Patrícia Mamona, passando por antigas glórias como Domingos Castro −, exposição de alguns troféus conquistados nos últimos anos, o sempre energético open day de trampolins e mais uma ou outra surpresa. Sábado é um dia que se quer de verde e branco e de Leão ao peito, desejando a presença dos nossos Sócios para a votação do Relatório e Contas do Clube.

7 em 10

Por Miguel Braga
22 Set, 2022

Editorial da edição n.º 3890 do Jornal Sporting

Com a vitória na Supertaça, o Sporting CP conquistou o sétimo título em dez possíveis desde que o basquetebol sénior masculino regressou ao Clube: uma Liga (2020/2021) três Taças de Portugal (2019/2020, 2020/2021 e 2021/2022) duas Supertaças (2021 e 2022) e uma Taça Hugo dos Santos (2021/2022). Uma história de sucesso escrita a verde e branco com o último capítulo dedicado a uma vitória frente ao eterno rival por cinco pontos de diferença (84-89) no Palácio dos Desportos Helena Sentieiro, em Torres Novas.

Foi um domínio praticamente absoluto com uma excelente demonstração da qualidade da equipa agora liderada por Pedro Nuno Monteiro. Depois de ter ganho a Supertaça como jogador em 1993 pela AD Ovarense, Pedro Nuno Monteiro junta agora a conquista também como treinador, naquele que é o seu segundo título nestas funções: venceu também a Taça de Portugal em 2017/2018 quando liderava o Illiabum Clube. Uma outra curiosidade é que Pedro Nuno Monteiro foi treinado pelo professor Luís Magalhães, o primeiro treinador da equipa desde o regresso a Alvalade.

De salientar também a integração dos novos reforços da equipa neste jogo: Marcus LoVett Jr. (22 pontos), Ivica Radić (18 pontos), Isaiah Armwood (11 pontos) e DJ Fenner (sete pontos) estiveram, de facto, muito bem. Destaque também para os veteranos Travante Williams e Diogo Ventura, com dez e 12 pontos, respectivamente. LoVett Jr. foi considerado o MVP da partida.

Depois da primeira conquista da temporada, a equipa promete agora entrar com a mesma dedicação em todos os jogos e lutar como Leões por todos os títulos nacionais. Na época passada, a equipa conseguiu fazer história na FIBA Europe Cup, chegando aos quartos-de-final da competição, feito que nunca tinha sido alcançado por uma equipa portuguesa. No final do mês, iremos disputar a qualificação para a fase de grupos, no Kosovo, com o primeiro jogo a ser contra o vencedor do KB Trepça (Kosovo) vs. BG Göttingen (Alemanha). Que continuem a escrever a verde e branco a história do regresso da equipa sénior masculina ao Sporting CP é o desejo de todos nós.

Nota final de destaque para o judo do Sporting CP e em especial para Pedro Soares. O treinador foi convidado pela União Europeia de Judo (EJU) a fazer parte da sua Comissão de Treinadores. Um reconhecimento por uma vida dedicada à modalidade e aos títulos que tem conquistado, tanto como atleta como treinador. Um verdadeiro campeão fazedor de campeões.

Os Guardiões

Por Pedro Almeida Cabral
22 Set, 2022

Foi no passado fim-de-semana que se escreveu mais uma página de ouro na longa História do basquetebol Leonino. Conquistámos com garbo e inteiro merecimento a Supertaça, derrotando o SL Benfica por 89-84. Ao jogo já lá vamos. Deixo primeiro três curiosidades que enaltecem o feito. Foi a primeira vez que o Sporting CP conquistou duas vezes seguidas este troféu, juntando-se a SL Benfica e a FC Porto, que também já o tinham feito. A segunda curiosidade é que em 36 edições da Supertaça de basquetebol esta é apenas a oitava vez que a prova é ganha pelo vencedor da Taça de Portugal frente ao vencedor do campeonato. Por último, embora não menos importante, em duas presenças na Supertaça, duas vitórias, com plena eficácia. Tendo em conta que a equipa sénior masculina só regressou ao Clube em 2019, 24 anos depois da extinção em 1995, é caso para dizer que o Sporting CP teve um regresso de Leão.

O dérbi foi o que se espera de um Sporting CP vs. SL Benfica. A turma encarnada gozava do natural favoritismo que acompanha a equipa que se sagra campeã nacional. Porém, talvez o adversário não contasse com tamanha compostura defensiva da nossa parte. Nem com o superior aproveitamento Sportinguista em momento decisivo: imediatamente antes de fechar a primeira parte, alcançámos vantagem de 11 pontos. Na ponta final, foi LoVett Jr. que marcou sete dos últimos dez pontos em pouco menos de três minutos, impedindo veleidades benfiquistas, o que lhe valeu ser o MVP e o melhor marcador do encontro, com 22 pontos. Mas nem só do base norte-americano se fez esta vitória. Travante Williams, Diogo Ventura e Ivica Radić souberam dar a consistência necessária para segurar firmemente este triunfo.

Desde que voltámos a ter equipa sénior masculina de basquetebol, em 2019, já enriquecemos o palmarés do Clube com um campeonato, três Taças de Portugal, duas Supertaças e uma Taça Hugo dos Santos. O mérito é dos cincos que vestiram a verde e branca, dos dois treinadores, Luís Magalhães e Pedro Nuno, de toda a secção, da estrutura directiva e de todos os Sócios e adeptos que acompanham e dão força ao basquetebol do Sporting CP. Mas permitam-me também destacar os que sonharam e concretizaram o regresso da equipa tão amada pelos Sportinguistas há escassos três anos. Só verdadeiros guardiões da essência Sportinguista podiam compreender a importância deste retorno. O Clube será sempre amanhã aquilo que fizermos dele hoje. E ao fazer regressar o basquetebol sénior masculino, fizemos também regressar a alegria deste e de tantos outros títulos. 

Talhados para ganhar

Por Juvenal Carvalho
22 Set, 2022

Existem projectos que nasceram para ser ganhadores. Se fosse uma película cinematográfica alusiva ao basquetebol do Sporting Clube de Portugal, um título como “Talhados para Ganhar” seria perfeitamente adequado à realidade.

Depois do reaparecimento em 2019, passados que estavam 24 anos de uma ausência que eu, enquanto então dirigente da modalidade, senti profundamente pela negativa, o regresso viria em boa hora e alicerçado em conhecimento e rigor.

Desde o ano do regresso, vão no tempo apenas três anos desde o arranque, não do basquetebol no seu todo, porque esse regressou em 2012 pela formação, mas da equipa sénior, estão no museu sete dos dez títulos possíveis de conquistar, e sem queixumes, como por exemplo o aparecimento do COVID-19 nos ter impedido de ganhar o  campeonato de 2019/2020, e as lesões de jogadores determinantes no momento das grandes decisões, como no campeonato passado, quem sabe estaríamos a falar de ainda mais conquistas.

Mas as que contam são estas: um Campeonato Nacional, três Taças de Portugal, duas Supertaças e uma Taça Hugo dos Santos. Também a formação, após o regresso já esteve em várias final four e já conquistou dois títulos nacionais em sub-14 masculino. Quando as coisas são alicerçadas em conhecimento e competência, o caminho para o sucesso é sempre muito mais estreito.

Começou com Luís Magalhães o projecto ganhador. Agora chegou o legado de Pedro Nuno, que afinou pelo mesmo diapasão, sob o signo da vitória. Do início do projecto estão Diogo Ventura − enorme “capitão” −, João Fernandes, Diogo Araújo e o “mágico” Travante Williams. Inevitavelmente saíram uns e outros entraram e este ano foram vários os que vieram acrescentar qualidade aquela que já era muita qualidade anterior. Sábado passado, Torres Novas assistiu a um Leão rampante que não se assustou com o orçamento do rival, nem com anunciados favoritismos. Que desde cedo se impôs e que foi buscar forças ao baú quando no período derradeiro teve que tocar a unir para garantir o troféu. 

Foi assim uma entrada com o pé direito, com as próximas “batalhas” a passar pelo início do Campeonato Nacional, bem como o apuramento para a fase de grupos da FIBA Europe CUP. 

O ADN do Sporting CP é ganhar, sabendo nós que ninguém consegue ganhar em tudo. Falando das modalidades de pavilhão, e sem fazer futurologia, as primeiras impressões mostram um Leão que quer conquistas e que se apresenta competitivo em todas. Ganhar ou perder, poderão ser os detalhes a resolver. Com todos juntos e a fazermos do "João Rocha" uma muralha inexpugnável feita de um apoio incessante, o sucesso será mais fácil. 

Somos um clube ecléctico. É essa a nossa matriz de sempre e a marca do sucesso de que o nosso Museu se orgulha. 

No basquetebol a primeira conquista já está. Vamos à procura de mais em todas as modalidades!

Aquele passe do Mészáros

Por Juvenal Carvalho
15 Set, 2022

O passar da idade traz com ele marcas que são indeléveis. Entre elas o termos tido oportunidade de vivenciar situações tão marcantes, e felizmente tão ganhadoras, que o passar dos anos nos fazem avivar recordações de uma história marcante e inequivocamente bela.

No passado domingo à noite, em telefonema com um amigo - o Pedro Fonseca, homem dos desportos de combate e Leão tremendo que também serviu o nosso Clube  - daqueles que como que por telepatia nos entendemos e que quando falamos de coisas do passado, e que quando um começa a querer abordar determinado momento, o outro, porque também o viveu ao vivo, e embora então ainda não nos conhecíamos, sabe do que está a falar.

E o ter memória, sobretudo de referências tão marcantes do nosso clube, é claramente algo que nos faz felizes.

E o que me leva a escrever esta coluna de opinião começou com uma conversa sobre Vítor Damas, aquele guarda-redes que marcou a minha geração - e a dele - e sua forma felina e espectacular com que defendia as nossas redes. Falámos que ele, mas também Manuel Fernandes, Rui Jordão, Joaquim Agostinho, Carlos Lopes, António Livramento, Fernando Mamede, e outros, nos "forravam" as paredes dos quartos enquanto adolescentes.

De Vítor Damas falámos sobretudo da 'pinta' de guarda-redes e das suas valências morfológicas e de presença na baliza, anormais para a época, e de jogos atrás de jogos em que foi tão determinante e em que tirou golos atrás de golos aos adversários.

Vítor Damas foi o primeiro guarda-redes de que me recordo . Ouvi falar de outros mágicos anteriores como Azevedo - que o meu pai me contou por mais do que uma vez ter defendido com um braço partido um jogo ante o nosso eterno rival -, de Carlos Gomes e de Joaquim Carvalho. O último, felizmente ainda tive o privilégio de com ele me ter cruzado no futebol juvenil do nosso clube. Todos eles foram mágicos. Assumo que sempre fui fã dos últimos a ser batidos, esse lugar tão ingrato mas tão determinante de guarda-redes. No futebol como no andebol, recordo António Bessone Basto e Carlos Silva; no hóquei em patins António Ramalhete e António Chambel; no futsal José Belo e João Benedito - não que outros, ou até mesmo os actuais nestas modalidades não sejam também fantásticos, mas porque estou apenas a falar de vivenciar tempos passados.

Para culminar a tal conversa de domingo à noite, o tema foi acabar num húngaro que também ficou na história, e também ele guarda-redes.
Falámos de Ferenc Mészáros e da forma como, tanto com as mãos como com os pés colocava a bola nos colegas de forma cirúrgica, olhando para um lado e colocando-a no outro. Era sublime. Como sublime foi o momento que nos recordámos de um jogo da época de 1981/82 em que num desses passes, em jogo no Estoril que nos deu o título de campeão nacional, Ferenc Mészáros isolou Rui Jordão e este marcou um golo em que a bola só tocou nos dois, num momento mágico.

Um momento que nos fez muito felizes ainda tão meninos e que ambos vimos ao vivo. E que passados quarenta anos voltámos a recordar como se fosse ao vivo ainda.

O tempo passa mas não se apaga. Por isso, me repito tanta vez. Ser do Sporting CP não se explica, sente-se.

Aconteceu Sporting

Por Pedro Almeida Cabral
15 Set, 2022

Veio aventurada a tarde da última terça-feira. Estádio repleto, adeptos entusiasmados, equipa motivada, técnico esclarecido e entendimento perfeito do jogo deram um merecidíssimo triunfo ao Sporting Clube de Portugal perante o Tottenham Hotspur FC, que ainda não tinha perdido nenhum jogo nesta temporada. Bem mais do que a mera conquista dos três pontos na fase de grupos da UEFA Champions League, esta vitória é uma vitória de quem sabe que o Sporting CP só pode entrar em campo – em qualquer campo – para ganhar. Não importa, sequer, que o adversário seja, como é o Tottenham Hotspur FC, de outro campeonato. É que a equipa inglesa está avaliada em mais de 600 milhões de euros, sensivelmente o triplo da avaliação da nossa.

Porém, os euros não correm em campo, nem treinam jogadores. A razão pela qual o futebol é o deporto mais popular do mundo é que em futebol tudo pode acontecer. Sobretudo, quando joga este Sporting CP, com a faca nos dentes e olhos fixados nas redes adversárias. Entrámos disciplinados, cientes de que o embate com a equipa inglesa que anda pelo topo da Premier League e tem jogadores como Son, Kane e Richarlison iria exigir paciência e sofrimento. E lá fomos, formosos e seguros, envolvendo o Tottenham Hotspur FC numa corrente defensiva que agrilhoava os ataques adversários. Na primeira parte, esta estratégia resultou em cheio, a permitir lançar ataques venenosos por parte dos Leões. Será sempre lembrada aquela jogada de Edwards, que fintou toda a linha defensiva inglesa, com Perišić a ficar a ver a bola passar por duas vezes, e só falhou o golo devido ao braço direito de Lloris que, in extremis, desviou para canto.

A segunda parte contou outra história. O jogo ficou mais aberto. Sucederam-se oportunidades para os dois lados. Mas havia algo nos jogadores do Sporting CP que fazia querer seguir o jogo atentamente. Misto de confiança e vontade. Parte de crença, parte de inconformismo. A astúcia de Rúben Amorim fez o resto. Raras vezes se viram substituições tão acertadas. Paulinho, entrado aos 76´, mostrou que sabe usar bem a cabeça e desviou oportunamente para o primeiro golo, no último minuto do tempo regulamentar. Já Arthur Gomes, aos 90´+2, na primeira vez que vestia a verde e branca, no primeiro jogo que entrou, na primeira vez que tocou a bola, fintou com arte e engenho Emerson e marcou o segundo golo, levando Alvalade ao delírio.

Das centenas de jogos que tive o prazer de ver nosso Estádio, este foi dos que mais apreciei. E não foi só pela vitória. Foi, acima de tudo, porque aconteceu o Sporting CP que por tantos e tantos anos ansiámos, sem temores nem receios, só e só com o pensamento na vitória, não importando a dimensão ou o nome do adversário. É este o Sporting CP que queremos e merecemos e que, estou certo, ainda vamos ver muitas vezes esta época.

“O longo prazo não é simplesmente a soma dos curtos prazos”

Por André Bernardo
15 Set, 2022

Editorial da edição n.º 3889 do Jornal Sporting

Em 1980, Ronald Reagan, à data candidato pela primeira vez à presidência dos Estados Unidos da América, imortalizou a pergunta “estão melhor do que estavam há quatro anos?”, que viria a ter um impacto determinante no resultado das eleições.

Decorriam as disputadas eleições para a presidência norte-americana quando, a 28 de Outubro, no último debate antes da votação, e na sua derradeira intervenção, o ex-actor se dirigiu na televisão à audiência com esta pergunta.

Jimmy Carter era então o presidente e candidato para renovar o seu mandato, com as sondagens a anunciarem uma renhida contenda.
Por curiosidade, esse período tem, do ponto de vista económico, algumas semelhanças com a actualidade no que concerne a uma inflação crescente, preços dos combustíveis com subida de 30% em menos de um ano e estagflação.

A resposta do povo americano à pergunta de Reagan, em forma de voto, viria a ser um estrondoso ‘não’, o que asseguraria a derrota de Carter e a primeira presidência a Ronald Reagan.

A famosa tirada entraria desde então para o pódio das mais célebres frases de campanhas por ser considerada o momento crítico que desempata a eleição.

Vale a pena ver, ou rever, esta intervenção, sendo que, na minha opinião, uma segunda pergunta mais importante ficou por fazer: “Estamos mais bem preparados para os próximos quatro anos?”.

Extrapolando a mesma questão original ao universo do Sporting CP, e aproveitando o destaque que nesta edição damos aos resultados publicados pela SAD: “Está o Sporting melhor do que estava há quatro anos?”.

Eu responderia: “Não. Estamos muito melhor”. A mesma lógica aplica-se à segunda pergunta.. Não estamos apenas melhor que há quatro anos, estamos muito mais bem preparados para os próximos quatro anos, o que nos deixa em melhor situação do que estivemos nos últimos 20.

Não estamos apenas, ou pontualmente, melhor porque acedemos aos oitavos-de-final da UEFA Champions League em 2021/2022 ou porque ganhámos com propriedade os dois primeiros jogos da actual edição da UEFA Champions League, mas acima de tudo porque conseguimos fazê-lo de forma sustentável e sustentada, sem hipotecar o nosso futuro.
Os bons resultados são consequência do sucesso de uma estratégia semeada em 2018, que agora dá frutos, assente numa estrutura base. Resultam igualmente de um processo de transformação do Clube que está em curso. Os factores aleatórios conjunturais nem sempre permitem que assim seja, mas não devem nunca nublar a objectividade da análise a cada momento, nem muito menos afectar a consistência do trajecto definido.  

Os pés continuam, assim, assentes na terra. Falta caminho por percorrer, com solavancos e curvas inevitáveis, mas sempre tendo presente que o futuro é determinado pelas acções que tomamos hoje, e que “o longo prazo não é simplesmente a soma dos curtos prazos”*.

Saudações Leoninas

*citação de Peter Drucker. A versão completa é: “Tens de produzir resultados no curto prazo. Mas também resultados no longo prazo. E o longo prazo não é simplesmente a soma dos curtos prazos”.

Páginas

Subscreva RSS - Opinião