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Opinião

Renovações no Andebol

Por Pedro Almeida Cabral
29 Dez, 2022

Depois da renovação maior do nosso treinador de futebol, Rúben Amorim, que agora ficará por Alvalade até 2026, têm-se sucedido outras renovações de técnicos e jogadores. Em todas elas, denota-se ideias claras sobre o que se pretende para o futuro do Sporting Clube de Portugal: dar condições aos plantéis para que possam lutar por todas as competições em que participam e alimentar, cada vez mais, as equipas com jovens formados no Sporting CP ou que se tenham juntado ao Clube na fase final da sua formação. Vale a pena ver algumas dessas renovações mais de perto para perceber melhor. Restrinjo-me ao andebol, ficando para outra crónica as recentes renovações noutras modalidades, como no futebol, com os casos de Dário Essugo ou de Rodrigo Ribeiro.

Salvador Salvador, o nosso capitão da equipa de andebol, ficará connosco até 2027. A formação feita no Clube conta muito. Mas creio que conta ainda mais o seu percurso desde os infantis, onde ingressou em 2014, até à equipa principal. Foi sempre em crescendo, numa evolução técnica assinalável que soube conjugar com a assunção de responsabilidades maiores no sete. Com ele, deixamos tudo em campo. 

Salvador Salvador continuará a jogar com os fantásticos irmãos Costa, também eles renovados até 2027. A dupla Costa tem brilhado na nossa equipa. Kiko Costa, lateral direito, é um prodígio do andebol nacional. Com 17 anos apenas, tem uma margem de progressão enorme e pode chegar talvez onde nenhum outro andebolista português chegou. Já Martim Costa, lateral esquerdo e central, num ano transfigurou-se e recuperou de uma fase de menos fulgor. É uma das peças fundamentais da equipa e tem também um futuro risonho por diante. Poder contar com estes dois jovens andebolistas é garantia de um excelente nível de andebol no presente e de uma equipa dominadora no futuro.

Por fim, o pivot brasileiro Edy Silva, de 24 anos, contratado por apenas um ano, prolonga agora a sua relação com o Clube. Embora tenha vindo um pouco à experiência, Edy Silva tem impressionado pelo empenho, pela técnica e pelo seu fácil entrosamento com o plantel. Uma aposta que, certamente, também será recompensada.

Estas renovações atempadas demonstram uma estratégia apurada para o andebol do Sporting CP, visão de médio e longo prazo e a certeza de que haverá muito Esforço, Dedicação e Devoção no nosso Pavilhão e nos pavilhões alheios. E quando estes três ingredientes se juntam, quase sempre temos Glória. Assim seja. 

PS: nos próximos dias também se renova o ano. Desejo a todos os atletas, técnicos e staff das nossas equipas um ano de 2023 em grande, repleto de conquistas envergando o Leão rampante. A todos os Sportinguistas, num ano que se antevê difícil, os votos para que o nosso Sporting CP nos encha de alegria como só o maior Clube do mundo consegue fazer. 

Uma mesa de campeões

Por Juvenal Carvalho
29 Dez, 2022

Existem momentos que o Sporting Clube de Portugal nos proporciona, e eu felizmente já tive a oportunidade de vivenciar alguns, que nos deixam felizes e, passadas que estão as festas natalícias, me souberam como que a um presente.

Esse momento ocorreu no passado dia 17 de Dezembro, na II Gala Albano Narciso Pereira, organizada em ano do centenário do seu nascimento pelo Núcleo do SCP do Seixal, presidido por Carlos Sevilha, com uma organização sublime e com um ambiente de elevado fervor Sportinguista. 

Ouvi falar muito do 'violino' Albano − parabéns a Alexandre Belo Ribeiro pela autoria da sua biografia, simplesmente deliciosa − pelo meu avô, e por Jesus Correia, seu companheiro de equipa de tão grandes e inolvidáveis momentos. Falavam-me ambos do homem que driblava adversários passando-lhes até por debaixo das pernas, do virtuoso como poucos, do operário que se tornou futebolista e que, vim a saber agora, através de seu filho, que comia antes dos jogos bacalhau com grão, que era como que um 'fetiche' para ganhar sobretudo ao eterno rival de Lisboa.

A sala estava cheia e o dia foi de reencontros. Com Aurélio Pereira, − obrigado "mestre" pelos elogios à minha coluna de opinião − Manuel Fernandes, Fernando Fernandes, Vasco Matos e Miguel Afonso − este fez-me até comover com os elogios de uma amizade de muitos anos proporcionada pelo nosso Clube, e pelo reconhecimento que tem pelo meu trajecto no basquetebol.

Mas seria o local onde estive, a mesa número dois com o nome de Rui Pinheiro − descansa em paz, Rui − que fez o meu dia melhor e, se é que é possível, fez ainda sentir-me mais Sportinguista. Nessa mesa estavam campeões de três modalidades diferentes. O basquetebol com Carlos Sousa − o que mais títulos tem na modalidade dos que estão vivos − e Raúl Castanheira, este último é aquele que não há brincadeira entre nós que não acabe no "roubo" de bola dele a Dale Dover, um fantástico norte-americano do FCP daquela época, numa vitória épica, além de Filipe Machado, também nosso antigo jogador que não sendo campeão nas quadras é um amigo e um campeão na sua postura sempre irrepreensível.

Quis também o destino que nessa mesa estivessem dois dos homenageados pelo Núcleo. O andebolista campeão, e natural do Seixal, Fernando Nunes, acompanhado por Vanessa, sua mulher, uma senhora que irradia simpatia e saber estar, e ainda Júlio Rendeiro, o homem que era para mim, como lhe disse, o 'cérebro' da dream team que terá sido a melhor equipa de sempre tanto do nosso Clube como do hóquei em patins mundial.

Relembrei temas e conheci, em estórias deliciosas contadas in loco, momentos por eles vividos que desconhecia. 

Falou-se com fervor do Sporting CP e da sua História imensa. Não é todos os dias que se está numa mesa com campeões de três modalidades diferentes. Outros estavam em outras mesas. Somos decididamente um clube diferente... de campeões e feito de gente de valor e com valores. 

Um Natal dos anos 70

Por Juvenal Carvalho
23 Dez, 2022

 

Quando era miúdo, apesar de oriundo de uma família com pouca cultura natalícia, e de receber oferendas familiares, dentro das possibilidades, em que altura do ano fosse, chegada  esta época, a criança que havia em mim queria sempre receber qualquer prenda relacionada com o Sporting CP. Recordo mesmo o primeiro equipamento que vesti do nosso Clube, oferecido pela minha avó Alice, na altura em que eu, como todas as crianças naquela época, esperava pela oferenda do Pai Natal vinda pela chaminé. 

Ao abrir a prenda, e quando comecei a ver a listada verde e branca tremi agarrado à minha "velhinha", com uma emoção que ainda hoje recordo. 

Era mesmo o equipamento completo, composto por camisola, calção e meias. 

Naquele tempo não havia o que hoje se designa como camisola oficial, nem o marketing era tão agressivo, ou sequer existia. Nem ligava à marca do equipamento. Para mim bastava ser 'à Sporting', para me fazer feliz. Se era Nike, Le Coq Sportif ou Puma, ou comprado na retrosaria da esquina, era perfeitamente irrelevante para a criança que havia em mim. Eu queria era sair à rua e "provocar" os meus amigos equipado a rigor. Era um Natal do início dos anos 70 do século passado que ainda hoje me está na memória, e com quanta alegria o relembro. Tanta que a partilho aqui convosco. Só me falta a avó Alice, e que saudades sinto dela.

Na quadra natalícia, transporto este momento que vivi, para milhares de crianças de hoje que amam o Sporting CP. Que com muito mais informação, e no tempo de uma enorme facilidade de chegar à compra através das diversas plataformas, e a acreditar muito menos nas ofertas do velhinho das barbas brancas, pedem aos pais e também aos avós que lhes comprem a camisola principal, o fato de treino, a camisola alternativa ou a Stromp. 

O tempo passa, os Natais somam-se uns atrás dos outros, mas no coração de milhares de crianças de todos os tempos, o amor pelo símbolo do Leão permanece inalterado. 

Quero, ainda é cedo, porque a Leonor, a minha neta, tem apenas 16 meses de vida, fazer o papel da minha avó Alice e comprar-lhe uma prenda alusiva ao nosso Sporting CP. Para depois lhe contar o que sucedeu comigo. Sonho para já com o momento. Quantos pais, mães, avôs e avós de hoje já sentiram o mesmo momento que eu. Muitos, seguramente. Estamos no Natal, época em que as famílias se reúnem, e quantas crianças vão, por esse país fora, e não só, abrir as prendas e uma delas será seguramente a camisola "verde-e-branca", que fruto da evolução dos tempos, pode ser com o seu nome e número, ou ao invés colocar o do seu ídolo do momento estampado nas costas. Arrisco que muitas. Porque o Sporting CP é o deles e o nosso grande amor.

Que tenham um feliz Natal, com o desejo de muita felicidade, paz e amor para todos vós. 

Saudações Leoninas! 

Futebol

Por Pedro Almeida Cabral
22 Dez, 2022

Depois de passar com distinção a fase de grupos da Taça da Liga, o Sporting Clube de Portugal arrumou de forma esclarecedora a questão do acesso à final a quatro da competição, onde chegamos pela sexta vez consecutiva. Ao golear o SC Braga por 5-0, com todos os tentos marcados na primeira parte, confirmámos o que os três jogos da fase de grupos, vencidos por um total de 13-0, já haviam insinuado. A equipa joga mais solta e desinibida, as rotinas estão mais acertadas e há um fio de jogo que termina directamente em golos.

Aliás, não é por acaso que metemos a quinta vitória seguida, que é a melhor série de jogos em 2022. Aos três jogos da Taça da Liga, acrescem as duas vitórias para o campeonato, no início de Novembro, perante o Vitória SC e o FC Famalicão. No total, nestes cinco jogos, marcámos 23 golos e sofremos apenas um. Neste último desafio, frente ao SC Braga jogou-se belo futebol no nosso Estádio. As alas estiveram venenosas, com Porro e Nuno Santos a galgarem os seus corredores, a dar muita profundidade ao jogo. Em conjunto, tiveram intervenção em três dos golos. Edwards, jogou como gosta, com espaço para manobrar e fazer valer os desequilíbrios que o caracterizam. Arrancou dois penáltis e converteu um. Trincão está a subir de forma a golos vistos. Não só assistiu Paulinho para o 2-0, como marcou de forma exemplar o 4-0. Demonstrando que rende bem mais variando de lado e descaindo para o meio, esteve endiabrado a baralhar as marcações bracarenses. Finalmente, Paulinho parece ter deixado para trás uma fase menos concretizadora. Fundamental no primeiro golo, marcou o segundo e construiu sozinho, numa arrancada do meio-campo, uma jogada que merecia melhor sorte. Saiu com a ovação que merece para quem marcou seis golos nos últimos quatro jogos.

Parece, portanto, que o Sporting CP aproveitou plenamente a pausa forçada pelo Mundial e soube reconstruir uma forma de jogar que andava mais sumida. Só que pensar que em futebol tudo muda repentinamente é desconhecer que nada acontece por passes de magia. A subida de forma da equipa resulta do trabalho sustentado que Rúben Amorim vem fazendo nos últimos anos, bem como das melhorias das condições de trabalho na Academia. O futebol bem jogado nunca surge da sorte ou da inspiração, mas sempre do esforço contínuo, da dedicação abnegada e da devoção ao trabalho. Quando falamos de futebol, é disto que nunca nos podemos esquecer.    

Deixar a Marca

Por Miguel Braga
22 Dez, 2022

Editorial da edição n.º 3903 do Jornal Sporting

Numa noite de chuva intensa e de avisos da Proteção Civil, o Sporting CP fez uma primeira parte a roçar a perfeição, deixando a sua Marca: cinco golos sem resposta – ainda para mais a uma equipa que ainda não tinha sofrido qualquer golo nesta competição; sexta presença consecutiva numa final four da Taça da Liga; primeira equipa a vencer três vezes na mesma edição da prova com diferença de cinco ou mais golos; melhor série de vitórias da equipa em 2022, com seis seguidas e o parcial de 23 golos marcados e apenas um sofrido. Agora falta mais um jogo para fechar o ano e logo em Janeiro, mais para o final, o Sporting CP terá oportunidade de defender o seu título de vencedor da Taça da Liga.

Ao longo do mês de Dezembro, o Sporting CP deixou a sua Marca em várias acções promovidas pela Fundação Sporting. Um total de 14 iniciativas que envolveram diferentes instituições e um número alargado de pessoas com diferentes necessidades. Destaque natural para as três acções mais visíveis e que fizeram parte da campanha de Natal do Sporting CP: a equipa feminina de futebol do Clube visitou a ala dos internamentos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa; Rúben Amorim e vários jogadores do plantel do Sporting CP jogaram futsal com jovens e crianças do Casalinho da Ajuda, em Lisboa, no âmbito do projecto Ajuda 2020 – E7G; os capitães das modalidades de Pavilhão juntaram-se para fazer uma visita à Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa.

Além das acções anteriores, o Sporting CP deixou a sua Marca no Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, no Centro Social da Musgueira, no Centro de Artes e Formação do Bairro da Cruz Vermelha, no Centro Educativo Navarro de Paiva e também na SOL − Associação de Apoio às Crianças Infectadas pelo Vírus da Sida e Suas Famílias. Aqui, a comitiva Leonina foi liderada pelo presidente Frederico Varandas e contou com a presença de Rúben Amorim e Hugo Viana.

“É uma alegria e uma grande satisfação ver a felicidade destas crianças ao verem-nos e proporcionar-lhes esta alegria”, afirmou o presidente do Clube. “Já o disse muitas vezes, e volto a dizer, o Sporting CP é um clube diferente, mas não podemos apenas dizê-lo temos de o demonstrar”.

Quem o demonstrou foi Hugo Viana, para quem “ver a alegria destas crianças e adolescentes enche-nos o coração. Saímos daqui com o coração cheio e, com certeza, o nosso Natal também será diferente”. Além do director desportivo, também Rúben Amorim foi impactado por esta visita: “a nós ajuda-nos a relativizar alguns problemas que nós achamos que temos no futebol. Somos uns felizardos e ficamos felizes por ajudarmos quem precisa”. E assim, o Sporting CP deixa a sua Marca.

Rumo aos quartos

Por Miguel Braga
15 Dez, 2022

Editorial da edição n.º 3902 do Jornal Sporting

O Sporting Clube de Portugal venceu esta semana, sem apelo nem agravo, o CS Marítimo por 5-0, em jogo a contar para a terceira jornada do Grupo B da Taça da Liga. Foi um encontro de sentido único no qual nos adiantámos no marcador ainda não tinha acabado o primeiro minuto da partida. “Obviamente ajudou o jogo”, confirmou o treinador na flash interview. “Quando marcamos um golo, torna-se tudo mais fácil e ficamos confortáveis”.

Esta foi também a quinta vitória seguida da equipa de Rúben Amorim, assinando por isso a melhor série da presente época – com destaque para os últimos três jogos, com uma diferença de golos de 13-0. Mesmo assim, o treinador quer a equipa com os pés bem assentes na terra: “Foi um jogo difícil para o CS Marítimo que, para além da saída do treinador, já não tinha ambições na Taça. Portanto, é ter noção do contexto”.

Se o primeiro golo foi marcado aos 40 segundos de jogo, o terceiro entrou aos 31 minutos, os três da autoria de Paulinho. Para se ter uma ideia do feito, há 22 anos que um jogador do Clube não fazia um hat-trick na primeira parte de um jogo. O último a fazê-lo foi Beto Acosta, na época 2000/2001, frente ao Vitória SC. Quanto a jogadores portugueses, a marca é de Litos, na longínqua época de 1988/1989, com três golos marcados ao SR Almancilense, em jogo a contar para a Taça de Portugal.

Este desafio assinalou o centésimo jogo de Pedro Gonçalves de Leão ao peito. Apesar de ontem não ter contribuído directamente para o resultado, em 100 jogos pelo Sporting CP, marcou 46 golos e fez 18 assistências, ou seja, em 64% dos encontros Pote foi sempre significado da bola bater nas redes. Que continue assim, é o desejo de todos os Sportinguistas.

Destaque também para estreia de Mateus Fernandes como titular. Depois de ter marcado já no final de Novembro pela primeira vez pela equipa principal, estreou-se agora em Dezembro no onze inicial, finalizando o ano como mais uma opção ao serviço de Rúben Amorim.

O próximo jogo é já no início da próxima semana frente ao SC Braga. “É um jogo completamente diferente, com uma equipa que é difícil de parar, no sentido em que são muitos objectivos no jogo”, disse também Rúben Amorim. “Tivemos muitas dificuldades no primeiro jogo contra eles. Estamos melhores, mas o SC Braga também tem vindo a fazer uma grande Liga”, finalizou.

Depois do jogo com o CS Marítimo ter sido realizado à porta fechada devido às condições meteorológicas e aos avisos das autoridades na cidade de Lisboa, esperam-se bancadas com vida no jogo com o SC Braga. E cheias, de preferência. Que assim seja.

 

Eles falam, falam. Sucesso é outra coisa

Por Juvenal Carvalho
15 Dez, 2022

Hoje, porque por mais que queira calar aquilo que me invade a alma, não consigo.

E não consigo porque para mim, que ainda por cima tive o privilégio de durante três anos ter trabalhado no futebol juvenil do Sporting Clube de Portugal. Ainda não existia a Academia e os treinos eram tantas vezes nos pelados do Encarnação, da Torre e de outros locais, sei o quanto aqueles meninos de ontem e homens de hoje, uns inevitavelmente com mais sucesso do que outros, lutaram para subir a corda da vida a pulso, privando-se até de estar com a família, que muitas das vezes tão distante estava geograficamente.

De diferentes proveniências e até de extractos sociais díspares, todos tiveram para mim um denominador em comum. Eram como que uns 'filhos' que tive o grato privilégio de ver crescer e que as redes sociais, tantas vezes nefastas, mas que neste caso em particular, me ajudaram a reencontrar, alguns ainda a jogar, outros que não chegaram a seniores, mas todos eles homens que beberam ensinamentos da grande escola Leonina, onde conheci senhores como Juca, Mário Lino, Hilário da Conceição, Joaquim Carvalho, Manuel Ferrão, José Manuel Torcato, Aurélio Pereira, Rui Palhares, Alexandre Paiva, Nuno Naré, Luís Dias, e tantos outros, até no anonimato, que tudo fizeram para que nada lhes faltasse.

E voltando ao início deste texto, não consigo calar aquilo que me invade a alma, não pelas críticas de teor desportivo, porque as opiniões de cada um são perfeitamente legítimas, desde que não enviesadas. É mesmo porque sendo Cristiano Ronaldo, que nunca conseguirei dissociar do nosso Clube, um dos que vi crescer naqueles corredores da porta da maratona do antigo estádio, e aquele que mais deu ao país, com cinco Bolas de Ouro, recordes atrás de recordes batidos, milhões e milhões de seguidores pelos quatro cantos do Mundo, que é até, e perdoem-me os que isto vos possa parecer exagerado, maior do que o país, tem sido completamente humilhado por um certo sector da área media e não só. Aqueles que tiveram só decisões acertadas no seu processo de vida, aqueles que nunca falharam um passe ou um penálti, aqueles que tudo sabem e decidem acertadamente desde que nasceram. São os infalíveis.

Mas na realidade, por mais que lhes custe, e a alguns até lhes custa muito que o maior de todos os tempos do futebol português tenha sido formado no Sporting CP, podem continuar a destilar fel, inveja e verborreia sobre CR7, porque ele está no topo dos topos há duas décadas. Já jogou nos melhores clubes do Mundo e foi formado numa escola altamente reconhecida a nível mundial, que também alguns profetas a tentam omitir. Já ganhou quase tudo individual e colectivamente. Estes são os factos. E sim, como humano, também comete erros. É inerente à condição do ser humano. Já os que nunca cometem erros, para além de muitos deles terem pouco de humanismo, não passam de avençados para difamar e viverão sempre fechados na sua mediocridade e inveja. Será incontornável. E ainda vão ter que o aturar. É a vida. A vida dele... feita de conquistas! 

PS - Morreu no passado dia 12 Hermínio Barreto. Com a sua morte partiu uma Lenda do Sporting CP e do basquetebol português. Homem de um conhecimento e de uma bondade infinita. Até sempre, Professor.

Em frente

Por Pedro Almeida Cabral
15 Dez, 2022

O Sporting Clube de Portugal passou com distinção a fase de grupos da Taça da Liga. Numa altura em que havia quem questionasse o empenho da equipa, esta respondeu de forma esclarecedora. Foram três vitórias em três jogos, com 13 golos marcados e zero golos sofridos. Os adversários não eram acessíveis e não se creia que facilitaram. O Rio Ave FC segue tranquilo na tabela classificativa da Primeira Liga e o SC Farense está bem colocado para regressar ao escalão principal do futebol português. Somente o CS Marítimo aparenta estar mais frágil, seguindo nos últimos lugares da Primeira Liga. Porém, o mais relevante é que nestes três jogos foram visíveis novos entrosamentos, começou a revelar-se um jovem que muito promete acrescentar ao nosso meio-campo e parece em curso uma bem-sucedida recuperação de um jogador que não tem tido boa fortuna. Por partes. 

Paulinho está em crescendo. Mais solto, mais livre e mais leve, o avançado atravessa um bom momento de forma. Os três golos marcados contra o CS Marítimo ainda na primeira parte poderiam ser apenas golos. Mas foram um pouco mais do que isso. Surgiram nos três primeiros remates de Paulinho e resultaram de desmarcações inteligentes. É este confiante Paulinho que irá marcar decisivamente o que resta da época, estou certo. No mesmo desafio, Mateus Fernandes, que foi titular, justificou as palavras elogiosas que Rúben Amorim tem utilizado a seu respeito. Posicionou-se no meio-campo Leonino com maturidade e acerto. Não fugiu do jogo e ainda teve um grande passe para o quarto golo, apontado por Porro. A crescer assim, em breve será mais vezes titular. Por fim, uma palavra para Jovane Cabral. Fustigado por lesões e por algumas incertezas que rodeiam o seu percurso, jogou de início com a sua força habitual, embora num papel um pouco diferente, construindo (com sucesso) mais do que rematando. Com esta presença em campo, é uma mais-valia importante para o nosso 11. Seguem-se os quartos de final da competição, contra o SC Braga, na próxima segunda-feira. Todos seremos poucos para apoiar a equipa no nosso Estádio e seguirmos em frente!     

PS: Não podia deixar de assinalar o recente falecimento de um dos nomes maiores do basquetebol Leonino, Hermínio Barreto. Mais do que o jogador, que contou e muito para a conquista do título de campeão nacional de basquetebol do Sporting CP de 1959/60, foi também um técnico decisivo na construção das equipas Sportinguistas que dominaram o basquetebol nacional no final dos anos 70 e início dos anos 80 do século passado. Reconhecido como estudioso da modalidade, foi igualmente um Sportinguista dedicado e devoto a quem muito devemos.

Respeitem-nos, sff

Por Juvenal Carvalho
10 Dez, 2022

Gosto pouco de injustiças, sobretudo quando as mesmas mexem com o nosso símbolo, e que ninguém julgue que esta minha coluna de opinião de hoje é movida por qualquer sintoma de azia ou de frustração. Antes pelo contrário. É só mesmo pelo motivo com que iniciei este meu escrito: Porque detesto injustiças.

E quando me refiro a injustiças, e na era dos opinion makers, que são cada vez mais a falar de cátedra de futebol em horário nobre televisivo, mesmo que do fenómeno pouco entendam, e onde são ditas as maiores barbaridades a valorizar uns, em função da tonalidade das lentes, em detrimento de outros, e onde como Sportinguista me sinto ofendido com o que ouço, e também com o que leio.

Estou, sempre estive, acima do meu apoio à selecção nacional em função da convocatória de qualquer seleccionador, seja de que modalidade for, levar ou não atletas do Sporting CP. Gosto mesmo, e genuinamente − quem me conhece bem pode atestar o que digo − da selecção do meu país. O que já não consigo, porque não gosto de ser comido de cebolada, é tolerar as maiores barbaridades, como ironias em relação ao facto do nosso Clube não levar atletas ao Mundial do Catar, e a ter "orgasmos" com a formação dos rivais, quando, por mais que esperneiem e tentem passar para o exterior as suas leituras enviesadas e até maldosas, não conseguem apagar a história. 

E se é discutível a justiça ou a falta dela de não levar jogadores do Sporting CP ao Mundial, já não tolero que se omita a história ou que, como atrás referi, movidos por lentes rubras, digam as maiores barbaridades, sobretudo sobre o papel formativo dos clubes.

Para que conste, e se for preciso esclarecer os arautos da sapiência, aconselho-os a visitar o museu, como um dia um presidente do nosso Clube fez a um presidente de um clube adversário que na sua pequenez se sentia um 'gigante' quando fazia paralelismos com o nosso Clube. Foi lá e percebeu a realidade, vergado pelos números.

A estes, que falam do brilho da formação dos nossos adversários − que inquestionavelmente terão o seu mérito − esquecem-se do papel de todo o sempre do Sporting CP ao formar "só" dois melhores do Mundo como Luís Figo e Cristiano Ronaldo, bem como tantos outros, esquecendo até que no único troféu conquistado pela selecção a nível sénior foram baptizados de "Aurélios" os atletas da nossa "cantera", que tão determinantes foram nesse êxito. 

E não estou rigorosamente a falar de passado. Tantos desses fazem ainda furor por essa Europa fora. Valorizem nos outros o que tem que ser valorizado. Não me incomoda. Muito mais me incomoda que se omita, propositada ou selectivamente, aquele que é o clube que mais e melhor tem fornecido jogadores à selecção nacional. E esse é, desde há muitos anos, o Sporting Clube de Portugal. Para alguns deles deixo-lhes aqui uma nota.  A História não se apaga. Digam o que quiserem. Porque a realidade verga-os pelas evidências. Tenham respeito. Claro que não generalizo, mas este escrito é endereçado a vários. Uns nem sei como se chamam, por irrelevantes, só sei o que dizem. E o que dizem é, além de ridículo, desrespeitoso para um clube como o nosso, que é reconhecido no exterior, e não por acaso, como um dos que mais e melhor forma a nível mundial. As mentiras repetidas muitas vezes não passam a ser verdade. Para que conste.  

Diferentes

Por Pedro Almeida Cabral
10 Dez, 2022

Muitas vezes se diz que o Sporting Clube de Portugal é um clube diferente. Embora não se saiba bem em que consiste essa diferença. Fala-se numa maior cultura desportiva dos Sportinguistas. O que tem fundamento. Quando um dia se fizer uma verdadeira História do desporto em Portugal, será evidente aquilo que vou escrevendo por aqui: a História do futebol e de muitas outras modalidades em Portugal confunde-se com a História do Sporting CP. O desporto português tem raízes fundas no Clube. Daí que não surpreenda que tantos Sportinguistas acompanhem mais do que uma modalidade e conheçam detalhadamente o percurso de vários atletas.

Há quem justifique a diferença com o maior apego dos Sócios e adeptos ao Clube. Há uns anos, um estudo conduzido pela Universidade Europeia concluiu que os adeptos do Sporting CP eram os mais comprometidos com o clube, acima dos adeptos do SL Benfica e do FC Porto. Quem conhece o panorama desportivo nacional sabe bem que os nossos Sócios e adeptos acompanham infatigavelmente a realidade Sportinguista em todas as horas, na derrota e na vitória. O que nem sempre sucede nos outros clubes. 

Talvez a tão apregoada diferença do Sporting CP resida afinal em algo mais simples. Numa entrevista levada a cabo pelo jornal Record há umas semanas, o nosso treinador de hóquei em patins, Alejandro Domínguez, deu conta do que está a ser o seu trabalho no Sporting CP. Como é sabido, Domínguez treinou o SL Benfica por três épocas. Foi com curiosidade que perguntaram ao argentino que diferenças havia entre os dois clubes. Sem ponta de provocação e com sinceridade, Domínguez respondeu que no Sporting CP havia bem mais familiaridade entre todos, ao contrário do rival, onde as relações eram mais distantes. 

Pode parecer que se trata de um mero detalhe. Mas não. Há no Sporting uma vitalidade única. Quem treina ou joga no Clube não esquece e fica adepto do Sporting CP para o resto da vida. É frequente treinadores, atletas, seccionistas, diretores e adeptos travarem relações que perduram para além das circunstâncias efémeras de um jogo ou de um campeonato. Em vez de megalomanias de invencibilidades eternas ou de descabidas proclamações de afirmação política, o Sporting CP nasceu e vive ainda hoje saudavelmente o desporto como uma oportunidade para todos, sem “distinção de forças”, como afirmava José Alvalade, querendo dizer que o desporto é de todos e para todos. É esta forma de sentir o Clube que forja os laços de proximidade de que fala Domínguez e que nunca se desviou do ideal centenário que fundou o Clube. No fundo, é simples: somos diferentes porque somos Sporting CP.

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