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Opinião

"SCP – Green Quest"

Por André Bernardo
10 Dez, 2022

Editorial da edição n.º 3901 do Jornal Sporting

Uma das siglas que mais se vulgarizou no léxico organizacional nas últimas décadas foi VUCA. O acrónimo, de origem anglo-saxónica, é significado de Volatility (Volatilidade), Uncertainty (Incerteza), Complexity (Complexidade), Ambiguity (Ambiguidade), numa referência aos quatro principais desafios da nova era em que vivemos.

Poderá por isso, à primeira vista, parecer paradoxal querer estabelecer eixos estratégicos que assegurem a perpetuidade, numa nova era pautada pelos quatro fenómenos que acima referi, em que rapidamente o dia de amanhã é diferente do dia de hoje. Porém, a única forma de lidar com a VUCA é ter guias de conduta que permitam, quer aos indivíduos quer às organizações, estarem munidos das capacidades e da resiliência necessárias para enfrentar os desafios que se vão colocando a cada momento. 

Foi esse desafio de perpetuidade, ambição de todos no Sporting CP, que internamente nos lançámos, tendo em consequência definido três Eixos Estratégicos de base – SCP − nos quais assentará a nossa Visão Estratégica para 2023-2026 (em desenvolvimento neste momento) e que apresento de seguida num breve resumo prévio. 

S - Sustentabilidade  
Tudo o que não é sustentável é insustentável. Ou seja, deixa de existir, não perdura no tempo.  O Sporting CP terá de preocupar-se em ser sustentável sempre e é por isso que este deve ser um dos nossos eixos estratégicos condutores perenes. 
Entre outras várias coisas, isto implica um compromisso interno, nas decisões directamente relacionadas com o Clube, e externo, nas que afectam o meio envolvente, entre o curto e o longo prazo. 

C - Colaboração
“Nenhum Homem é uma Ilha”. A natureza humana é social e a nossa sobrevivência enquanto espécie depende disso. As formas de colaboração podem, e vão alterar-se, ao longo do tempo, mas a necessidade de colaborar, de abordar holisticamente os desafios e soluções, entender os seus efeitos sistémicos, dependerá sempre, e cada vez mais, de uma estreita colaboração endógena e exógena. A efectividade das equipas reside em assegurar a melhor relação entre as várias partes que as constituem, porque elas são interdependentes. Somente através da optimização da colaboração asseguramos que o todo é maior que a soma das partes. 

P – Performance
Na génese da performance está algo intrínseco à natureza humana – a motivação. Ela nunca pode deixar de existir, nem a vontade permanente de sermos melhores e de melhorarmos a nossa performance em tudo o que fazemos. 

Estes três eixos já constituem actualmente a constelação guiadora do caminho que estamos a fazer e que permitirá, de geração em geração, passar o testemunho do Sporting CP. 

Em demonstração disso mesmo, ontem anunciámos que publicaremos um Relatório de Sustentabilidade esta época, com o compromisso de neutralidade carbónica e auto-suficiência energética em 50% até 2050. Estamos neste momento em fase de conclusão da avaliação técnica para a instalação de painéis fotovoltaicos no Estádio José Alvalade e no Pavilhão João Rocha, de forma a tornarem-se Unidades Produtoras de Autoconsumo (UPAC) com a respectiva criação de uma Comunidade de Energia.

Lançámos também o primeiro de três anúncios da campanha de Natal que materializa este esforço de Deixar a Nossa Marca em tudo o que fazemos. Convido todos a verem esta trilogia de filmes.  

Finalmente, hoje damos eco no Jornal ao lançamento de um novo conteúdo já anteriormente anunciado − Green Quest – que traz um novo formato, em registo documental, retratando pessoas e histórias de quem contribui positivamente para um mundo mais SCP.

A 'prata' dos meus amigos

Por Juvenal Carvalho
02 Dez, 2022

Um homem já idoso, que comigo se cruzou acidentalmente, mas muito sábio quanto ao Sportinguismo, disse-me um dia, numa tarde chuvosa em que eu regressava a casa de semblante triste depois de um dia menos bom da nossa equipa de futebol, em pleno Estádio José Alvalade, uma frase que guardei no tempo: ' Olha, rapaz. Não fiques triste. Porque ninguém ganha sempre, e se o Sporting ganhou, Viva o Sporting. Se o Sporting perdeu, Viva o Sporting'. Assumo que me marcou, porque então, era ainda adolescente, e nunca antes tinha ouvido algo tão profundo no que respeita à minha vivência Leonina. E com isso, pese a indelével passagem pelas marcas do tempo, sempre me revi nessa frase, que me fez perdurar até ao momento, e assim continuará para todo o sempre. 

Foi sempre esse o espírito que me norteou o Sportinguismo, e que, por mais triste − sou emocional − que fique, dou por mim a pensar que nada acaba num momento menos bom do nosso Sporting Clube de Portugal. Até porque depois dos maus momentos, como naquele velho ditado popular que diz que depois da tempestade vem a bonança, no Sporting CP vieram conquistas atrás de conquistas, que sendo o todo a soma das partes, nos faz ser hoje um Clube de dimensão planetária.

Sendo que estou a pouco tempo de receber o emblema de ouro, por causa de uma filiação que nasceu em criança, foi com especial agrado que no passado sábado vi as redes sociais serem invadidas por amigos meus a receber o emblema de prata. Com que orgulho eles partilharam aquele momento. Recuei cerca de 20 anos no tempo e veio a recordação da minha "prata leonina". Nunca me importei por quem seria entregue ou quem fosse o presidente que lá estivesse. Quis foi ali estar com a minha filha a meu lado para receber o Leão na lapela do casaco. Foi inolvidável. Por isso sei o que eles sentiram. É "apenas" um emblema de prata, mas com um simbolismo que só quem o recebeu sente. Como outros que já receberam o de ouro, ou até o de diamante. É o reconhecimento da dedicação ininterrupta ao nosso Clube. E tão garbosos que ficamos.

No meu caso, conto os dias − o tempo voa e não chega aos dedos de uma mão os anos que faltam para o meu "ouro", para lá estar, desta feita com a minha filha, mas também com a minha neta, a Leonor, também ela Associada desde o dia em que nasceu. Sei que é impossível, mas gostaria que nesse momento a entrega do meu emblema fosse feita por Francisco Stromp. Porque quem um dia já longínquo no tempo disse algo como isto: "Não é o Sporting que se orgulha do nosso valor. Nós é que que nos devemos sentir honrados de ter esta camisola vestida'", merece de mim, e de qualquer Leão, o nosso apreço. É para mim a figura mais marcante de um clube repleto de pessoas marcantes. Mas o símbolo, esse, está acima de tudo e de todos. Quando falo em todos, não é preciso ser Leão de prata, de ouro ou de diamante. Porque ser do Sporting Clube de Portugal, que como invariavelmente costumo dizer não se explica, sente-se, não é sequer necessário ser Associado. Porque o Sportinguismo não se mede, nem ninguém é mais Sportinguista que ninguém, e isto da aldeia mais recôndita ao local mais cosmopolita. 

"Ordem ou Progresso"

Por André Bernardo
02 Dez, 2022

Editorial da edição n.º 3900 do Jornal Sporting

O conhecido lema da bandeira nacional brasileira é “Ordem e Progresso” e não “Ordem ou Progresso”, como escrevi no título deste editorial. 
 
A fonte de inspiração do mesmo advém do mote da corrente filosófica positivismo: “O Amor como princípio e a Ordem por base, o Progresso por fim”. 

O motivo pelo qual a conjugação é associativa – “e” – e não adversativa – “ou” − prende-se com a crença, com a qual me identifico, de que a Ordem consiste numa condição necessária, ainda que não suficiente, para o Progresso. 

Demonstrativo do mesmo foi a elucidativa intervenção de Javier Tebas, presidente da Liga Espanhola de Futebol, na última Cimeira de Presidentes da Liga Portuguesa. 

O líder da nossa Liga vizinha deixou bastante claro que o factor crítico de sucesso do modelo da Liga Espanhola resulta do pilar Controlo Económico*. E afirmou, sem espinhas, que sem o mesmo a centralização de direitos televisivos na Liga Portuguesa jamais terá sucesso. Segundo o próprio, o principal driver de valorização de uma Liga é a estabilidade que, por consequência, assegura a confiança necessária para atrair os investidores. 

Tratarei numa outra oportunidade de aprofundar o assunto, porque é da maior relevância e interesse, porém o tema na ordem do dia é a renovação de Rúben Amorim, que faz capa desta edição. 

A renovação do nosso carismático treinador é mais um passo relevante no estabelecimento da Ordem que o Sporting CP está a construir, e precisa de estabelecer, para poder assegurar o Progresso como meta. E ele representa também um positivismo que é a base fundamental para tudo o resto. 

É da natureza humana, tendencialmente mais hedonista, a tentação de querer o Progresso sem estabelecer a Ordem como base. Porém, como a história ensina, não há um ou outro, porque eles não são opostos, mas sim condicionais. 

Tenhamos o Amor ao Sporting como princípio, a Ordem por base e, com paciência e competência, o Progresso e a Glória serão uma constância e não um Oásis. 
 

*O Controlo Económico é o sistema implementado pela Liga Espanhola que impõe um conjunto de regras que os clubes estão obrigados a cumprir, como por exemplo o Limite de Custo do Plantel. Caracteriza-se, em sentido amplo, pela existência de um controlo à priori (ao contrário do fair play financeiro da UEFA), com o objectivo de assegurar a sustentabilidade económico-financeira dos mesmos e da Liga. 

"A memória ajuda-nos a lidar com o agora, mas também é necessária para prever o futuro"

Por André Bernardo
24 Nov, 2022

Editorial da edição n.º 3899 do Jornal Sporting

A frase acima, título deste editorial, não é da minha autoria. É uma citação de António Damásio. Tomo-a de empréstimo em homenagem ao importante passo que o Museu Sporting deu esta 2.ª feira, ao passar a integrar a Rede Portuguesa de Museus (RPM).

Somos o primeiro e único Clube credenciado para tal, sendo um motivo de enorme orgulho o certificado recebido. Ele certifica, acima de tudo, o fantástico trabalho do nosso Museu na preservação da memória colectiva do Sporting Clube de Portugal e da sua História. Cabe ao(s) Museu(s) a tarefa de representação de uma identidade colectiva, “cobrindo” o esquecimento da memória individual, construindo-a através dos registos factuais que usa como instrumentos para que as histórias que conta sejam História.

É a partir da memória que se constrói a identidade, da verosimilhança dos factos a idoneidade e, recuperando a frase de Damásio, é também ela que nos orienta o presente, mas também o futuro, através da predição, imaginação e criatividade.

O excelente trabalho do neurocirurgião português, e os avanços recentes da neurociência, permitem-nos saber hoje que a memória, e o processo de consciência e decisão humano, é construído com base na memória, em conjugação com o juízo de valor dado pelas emoções.

O Museu Sporting é, sem dúvida, um Museu de Emoções e um inestimável património cultural, agora em rede e colaboração com os seus pares.

Saibamos saborear este importante passo que hoje celebramos, conscientes de que temos muitos por dar no futuro para fazer crescer a experiência do Museu Sporting para o nível da História do clube que ele representa. O rumo de dar lugar nuclear ao nosso Museu está assumido. Teremos de ter capacidade de investir para, passo a passo, percorrer este caminho ao longo dos próximos anos.

Parabéns Museu Sporting! Parabéns Sporting CP! 

 

Como nenhum outro

Por Juvenal Carvalho
24 Nov, 2022

Dizer que o Sporting Clube de Portugal é um clube verdadeiramente ecléctico, é tão somente constatar um facto. Dizer também, e sem qualquer ponta de exagero, que o nosso Clube é igualmente aquele que maior número de medalhas e de títulos europeus, mundiais e olímpicos trouxe para o nosso país, é textualmente dizer outra realidade irrefutável. Tenho um amigo que ouvi, faz alguns anos, dizer que o Sporting CP é grande demais para um país tão pequeno. E, se para alguns pode parecer ser de alguma forma exagerada a expressão, a realidade é que basta atentar em tudo o que foi conseguido ao longo dos 116 anos da nossa História nas mais diversas modalidades, por atletas que envergam o símbolo do Leão rampante, para se chegar à conclusão que realmente somos mesmo de outro patamar, aquele patamar que só está ao alcance das instituições de excelência. 

E para perceber da grandiosidade da marca Sporting, basta apenas mediar o tempo que separa uma edição da outra do nosso Jornal, e percebemos o quão enorme é o nosso Clube. De Sófia, a capital da Bulgária, a Antalya, na Turquia, passando por Cernache e pelos milhares que no passado domingo pintaram de verde e branco as ruas de Lisboa em mais uma edição da Corrida Sporting, foram alcançadas conquistas mundiais, europeias e nacionais por parte de atletas Leoninos em modalidades diferentes. Feito gigantesco, só ao alcance do Sporting CP, sem com isso estar a menorizar nada nem ninguém. Apenas para constatar uma realidade baseada em factos. 

E para sustentar os factos, aqui vai a prova dos mesmos: André Santos sagrou-se, na cidade turca de Antalya,  campeão da Europa de kickboxing da WAKO na categoria de low kick -67kg, o quarteto leonino de ginástica de trampolins formado por Diogo Abreu, Lucas Santos, Pedro Ferreira e Ruben Tavares, foi a Sófia, a capital da Bulgária sagrar-se campeão do Mundo da especialidade e o judo Leonino, treinado pelo mestre Pedro Soares, conseguiu o feito de alcançar o nono título masculino do seu historial no decorrer dos últimos dez anos, num trabalho soberbo, não só ao nível da competição como da formação, provando a sustentabilidade do mesmo, aliada à capacidade de quem nos orienta. A par disso a manhã de domingo assistiu a mais um sucesso da Corrida Sporting, no caso a décima, com a cidade de Lisboa a ficar pintada de verde e branco com milhares de Sportinguistas a aderirem, uns competindo e outros por pura diversão, a convergirem no essencial, a demonstração do fervor Leonino. A prova de que o Sporting CP está vivo e bem vivo. Como repetidamente digo, ninguém ganha em tudo nem sempre, mas o nosso Clube ganha muito, não só aqui, como também além-fronteiras, numa demonstração cabal de que somos eclécticos à escala planetária. Indesmentivelmente diferentes. Como nenhum outro.

PS - Deixo aqui um obrigado ao meu amigo Pedro Coutinho, uma referência da nossa natação, por no sábado passado, e em "directo", me ter informado os resultados da competição do judo. Deixo só a última mensagem dele: 'Já está. Somos Campeões'.

Sportinguismo

Por Pedro Almeida Cabral
24 Nov, 2022

Por estes dias, participei na Thinking Football Summit, evento promovido pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional sobre o mundo do futebol. A mim, coube-me falar da vivência dos Sócios do Sporting Clube de Portugal. Num painel animado por representantes de outros clubes, surgiu uma pergunta que tantas vezes nos baila na mente. Porque é que somos Sócios e adeptos de um clube não de outro?

No meu caso, como já escrevi aqui algumas vezes, a questão tem resposta fácil. Tinha eu cinco anos quando me perguntaram de que clube eu era. Reflecti e disse, sem hesitar, que era do Sporting CP. Não liguei às constantes investidas do meu pai para seguir o que fazia o SL Benfica. Simplesmente, decidi ser do Sporting CP porque me pareceu ser o clube de que gostaria de ser. Havia algo no verde e branco que era mais atraente face a outras cores. Ainda não sabia bem o que era, mas associava, inocentemente, ao nosso Clube mais autenticidade e genuinidade no desporto. Passado pouco tempo, pedi com insistência aos meus pais que me fizessem Sócio porque queria pertencer plenamente ao Clube. Acedendo aos meus desejos, embora com pai contrariado, pelos meus dez anos, lá me fizeram Sócio do Sporting CP. Passei a assistir aos jogos quando podia. Perdi a conta às vezes que viajei pelo país a acompanhar o Clube, quer para assistir a jogos de futebol, quer às inúmeras modalidades em que competimos.

Como eu tenho a minha história, todos os Sócios e adeptos terão a sua. Cada uma é individual e irrepetível. É essa relação intensa que se estabeleceu a dado momento das nossas vidas com o Clube que é insubstituível. Simplesmente, não poderíamos não ser do Sporting CP. Conscientemente ou não acabámos por ser do clube cuja história mais se confunde com a história do desporto em Portugal. É o Sporting Clube de Portugal que marcou decisivamente a maneira de praticar desporto em Portugal na primeira metade do século passado. E que ainda hoje marca a diferença com pioneirismo e visão em tantas áreas, desde a formação à vivência do Clube. O que mais nos distingue é que no Sporting CP a prática desportiva é encarada como um desafio aos nossos próprios limites, sem antagonismos gratuitos nem bolsas de ódios. É disto que é feito o Sporting CP. E não de lutas bacocas contra fantasmas ou de gabarolices hegemónicas. Por isso, se tivesse cinco anos novamente, responderia da mesma maneira. Tal como tantos Sócios e adeptos pelo país e pelo mundo fora que se orgulham tanto ou mais do que eu de pertencer ao Sporting CP.

Somos um clube interclassista

Por Juvenal Carvalho
17 Nov, 2022

Dizem-me amigos mais chegados, principalmente os afectos a outras cores, que o Sporting CP é um clube elitista, e que sendo eu de bairro − orgulhosamente de bairro − não entendem a razão pela qual sou Sportinguista.Pois bem, essa coisa das elites é real. Como a expressão popular dos clubes serem tantas vezes aferidas pelo ADN dos mesmos. 

Mas estes mesmos amigos chegados, não que não tenham razão ao acharem o nosso Clube mais virado para as elites, isso faz parte de uma História que não se apaga, basta ver quem, a 1 de Julho de 1906, fundou este clube que os então jovens, e maioritariamente elitistas da época, o quiseram grande, tão grande como os maiores da Europa, também tem o outro lado. O daqueles que não sabem na realidade a verdadeira força motriz do Sporting Clube de Portugal. 

E essa é sustentada por uma legião  imensa de adeptos espalhada pelo Mundo que resiste a ventos e tempestades e que nas vitórias se percebe que é completamente à margem de extractos sociais porque qual fenómeno que nem os rivais entendem, resistimos estoicamente até a anos de insucessos que, se acontecesse ao clube deles, provavelmente não existiriam, pelo menos nestes moldes, e que quando ganhamos enchemos as ruas das cidades, vilas e aldeias do país, e não só, de lés a lés, com ricos e pobres, e de que raça ou orientação sexual forem, a festejar e a exteriorizar uma paixão infinita pelo Leão rampante.

E este fenómeno, que é bem real, e que surpreende tudo e todos, não vive só de coisas maravilhosas.

Sendo eu a favor da pluralidade de opiniões, e acima de tudo acho que nada existe sem massa crítica, e que ninguém está acima das mesmas críticas, leio pelas redes sociais, que mesmo que não representem um universo muito relevante, a discussões pouco agradáveis entre Sportinguistas. Não que a discussão não seja importante, e delas não nasçam até questões muito válidas. E eu sou, e disso nunca abdicarei, intransigentemente da opinião de que acima do Sporting ninguém está, o símbolo primeiro que todo e cada um de nós. Porque todos passamos. Dos dirigentes aos treinadores, dos jogadores ao mais incógnito dos adeptos...fica o Clube.

Por sermos um Clube enorme e desde as classes mais abastadas às menos, da mais intelectual à mais rudimentar, todos somos importantes para elevar mais alto o nome do Sporting CP. Somos inequivocamente das elites. É essa a nossa marca de sempre. Somos também um clube de matriz popular. Somos sobretudo um Clube único e de uma grandiosidade sem paralelo, com uma História que fala por si. E que História... Feita pelas elites e pelo povo. O povo Sportinguista! 

Caminho

Por Pedro Almeida Cabral
17 Nov, 2022

Um caminho faz-se passo a passo. Sempre com os olhos postos no destino. Sabendo que haverá curvas, contracurvas, subidas e descidas. São os acidentes da caminhada que nos desafiam a dar o nosso melhor. Se assim não fosse, não era um caminho, mas um passeio. No domingo passado, talvez tenha parecido que percorremos uma distância pequena, vencendo de forma clara o FC Famalicão por 1-2. Mas foi algo mais. Finalmente, ganhámos aos famalicenses, o que ainda não tinha acontecido desde que os minhotos subiram à Primeira Liga. Contabilizávamos uma derrota, ainda com Silas, e dois empates. Amorim, pouco dado a malapatas e bloqueios, só desta vez, à terceira, os derrotou. Regressámos a uma sequência de vitórias e Trincão voltou a marcar no campeonato, após longa ausência. Detalhes com pouca importância, dirão alguns. Passos do caminho rumo a mais vitórias, respondo eu.

Entrou bem o Sporting Clube de Portugal, confirmando a subida de forma dos últimos dois jogos. Reagindo às palavras de incentivo de Rúben Amorim (que fez uma antevisão do jogo fantástica, defendendo o plantel), Trincão esbanjou classe e discernimento. Acutilante, soube construir com perigo e acerto no passe. Pote também se destacou. Procurou assistir para golo quando havia esse espaço e marcou o penálti que selou a vitória. Morita cresce de forma segura. Cada vez mais confiante, vai aumentando a cada jogo o número de recuperações de bola. Na defesa, tudo a regressar à normalidade, com reacção vigorosa ao assédio final do FC Famalicão. Uma vitória justa que parece só mais uma vitória. Mas que permite chegar à pausa do Mundial em crescendo e que fará toda a diferença para o retomar do campeonato em Dezembro.  

PS: A selecção é a selecção. Algumas escolhas geram dúvidas. O que acaba por ser normal. Até pela enorme variedade de talento que o seleccionador nacional tem à sua disposição. Porém, há omissões que não se entendem. A ausência de chamada à selecção de um jogador como Gonçalo Inácio é da ordem do misterioso. Titularíssimo da equipa do Sporting CP, com quase 100 jogos, fundamental no título de campeão de 2021, preponderante na boa campanha que fizemos na temporada passada, será possível que não mereça ser, ao menos, internacional e experimentado uma vez por Fernando Santos? Já nem falo da convocatória para o Mundial, que seria absolutamente justa.

Umas palavras, duas medidas

Por Miguel Braga
17 Nov, 2022

Editorial da edição n.º 3898 do Jornal Sporting

Foi conhecida esta semana a decisão do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol em relação aos processos disciplinares instaurados contra Pepe, Coates, Matheus Reis e Nuno Santos relativos ao jogo no Estádio do Dragão a contar para a terceira jornada da Liga Portugal – a título de curiosidade temporal, estamos já na 13.ª.

Argumentou o CD no sentido do arquivamento imediato dos processos disciplinares a Pepe, Coates e Matheus Reis com base no argumento de que os lances em causa foram observados e avaliados pelos elementos da equipa de arbitragem, pelo que o CD não dispõe de poderes para sobre eles se pronunciar. 

Relativamente a Nuno Santos, que foi o único jogador contra quem foi estranhamente deduzida acusação pela Comissão de Instrutores da Liga, foi absolvido por falta de elementos suficientes nos autos para condenar o jogador.

Recordando a acção do lance que envolveu Pepe e Matheus Reis, “ocorrida entre os minutos 38:31 a 38:38 do referido jogo e que envolveu o jogador da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, Képler Laveran de Lima Ferreira e o jogador da Sporting SAD, Matheus Reis Lima, nomeadamente as expressões dirigidas pelo jogador Képler Laveran de Lima Ferreira”, a Comissão de Instrutores da Liga questionou os elementos da equipa de arbitragem (i) se o lance foi por eles avaliado em toda a sua extensão e (ii) se o lance foi analisado ao abrigo do protocolo VAR.

Sabemos agora que a estas perguntas os árbitros do jogo unanimemente responderam que o “lance” referido, em que Pepe apelidou o seu colega de profissão de “filho da p***”, foi analisado em toda a sua extensão, incluindo, imagine-se, ao abrigo do protocolo VAR.

Também devemos recordar, que foi este mesmo CD que no início do ano decidiu “julgar procedente a acusação” contra Nuno Santos, por alegados insultos a outro jogador, condenando-o a um jogo de suspensão e multa. 

Como tal, a equipa de arbitragem (VAR incluído) viu, sabia e nada fez sobre o facto de Pepe ter repetido o alegado insulto a Matheus Reis que já serviu para condenar um jogador do Sporting CP no passado. O CD idem idem, aspas aspas. Lamentável. 

Editorial da edição n.º 3898 do Jornal Sporting

Um leão genuíno

Por Juvenal Carvalho
10 Nov, 2022

Ter memória é apanágio do Sporting Clube de Portugal. Até porque, diz-se naquela imensa sabedoria popular, que quem não tem memória não tem história. E quem, como eu, sem que seja mais Sportinguista que ninguém, porque isso não se mede, gosto não só de ter memória, como de ser justo para quem o merece, decidi escrever sobre alguém que tanto deu de si ao Clube no quase anonimato, até porque nunca quis as luzes da ribalta. 
A página número 28 da anterior edição do nosso Jornal, na lógica do ter memória e do ser justo para quem o merece, despertou em mim um motivo extra para escrever. 

E faço-o hoje sobre o Marcelo Garcia, um amigo de décadas, com quem felizmente me cruzei no nosso andebol, e sei bem da sua imensa paixão pelo seu/nosso Clube, que o sente como respira, de forma natural.

O Marcelo, homem que sempre foi de extravasar emoções como ninguém, daqueles que não verga, como um verdadeiro Leão, é o exemplo vivo de que o Sporting tem memória. Esta ida do Marcelo Garcia, acompanhado da sua linda neta Margarida, numa passagem de Sportinguismo de geração em geração, ao Centro de Memórias do Museu Sporting para doar uma bola do andebol juvenil − como ele se entregou de forma altruísta e verdadeira à modalidade − e um stick do "mago" António Livramento do ano da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus em 1976/77, com uma história deliciosa − aconselho a leitura pela forma como o adquiriu, e que quem o conhece bem, e serão muitos, rebobinam o filme e dizem: 'Realmente só tu, Marcelo!'

E este só tu, Marcelo, é porque realmente só ele mesmo. O Sporting CP é por ele vivido e sentido a cada poro. Como só quem o conhece sabe. Que sempre deu tudo de si ao Clube sem nada receber, que não a amizade e o reconhecimento dos atletas e treinadores − tantos − que consigo se cruzaram, e que pelo mérito ao reconhecimento do seu trabalho foi galardoado com o Prémio Stromp no ano do centenário do nosso Clube, o que tanto, mas tanto, o mereceu. Se calhar apenas pecou por tardio, mas valeu pelo simbolismo da data.

Estas minhas palavras neste espaço são porque merece. A sua doação ao nosso Museu é à sua escala. Pelo Sporting CP, tudo. Sem interesse algum que não a paixão eterna.

Com ele lembro tantos outros que como ele, e porque são seus amigos também, deram muito de si ao símbolo. 
Falo do Zeca, do Frade, do Paradela, do Cantarinha, do Edgar, do Adérito, do Estevão, do Gonzaga, do Ferrão, do Coutinho, do Atanásio, do Honório, e de tantos, tantos outros, que não escrevendo o seu nome por limitações de espaço, deram e fizeram tanto ao Clube como os citados.

Esquecer Homens como o Marcelo Garcia, seria apagar a História. E essa não se apaga. Ele, como vários outros − levava as bolas para casa, os equipamentos, era de noite, de dia, de madrugada. A cada chamada dizia presente. O Museu, já de si tão valioso, ficou ainda mais rico. Obrigado por seres quem és. Genuíno. Um verdadeiro Leão!

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