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Opinião

A nossa Campeã

Por Miguel Braga
18 Ago, 2022

Editorial da edição n.º 3885 do Jornal Sporting

Auriol Dongmo é sinónimo de vitórias, recordes e medalhas. Assim foi, mais uma vez, em Munique, por ocasião dos Campeonatos da Europa de atletismo. Nem uma lesão no braço a impediu de conquistar a prata e de bater o recorde nacional ao ar livre a escassos 18 centímetros da marca dos 20 metros: "Queria a medalha de ouro, mas, devido a esta lesão, não consegui dar mais de mim. Agradeço a Deus pelo que consegui hoje, mas queria mesmo lançar mais longe e vencer".

Ainda nos Camarões, Auriol Dongmo gostava de praticar andebol em criança. Um dia, porém, uma competição de lançamento do peso na sua escola, trocou-lhe as prioridades: "Fui lá, lancei nove metros e ganhei uma medalha de bronze", recordou em entrevista ao Jornal Sporting em 2020. Mas não se pense que foi amor à primeira vista: "Para mim, naquela altura, o lançamento do peso era para os homens e não para as mulheres. Não gostei logo".

Anos mais tarde, foi a fé, por Fátima, e as circunstâncias do seu país natal que lhe despertaram uma curiosidade lusa. Apesar de ter um convite para ir para um Clube francês, acabou por preferir encontrar-se com o Sporting CP e rumar a Leiria para treinar com Paulo Reis. "A primeira coisa que fiz quando cheguei a Portugal foi ir a Fátima directamente do aeroporto. Fiquei muito feliz. (…) Quando cá cheguei, o meu recorde pessoal era 17,92 metros. Fui a um meeting no Brasil e o meu treinador foi comigo a Fátima. Comecei a rezar e a pedir a ajuda. No Brasil, bati o meu recorde pessoal com 18,37 metros. Quando consegui os 19,27 metros aqui, em Leiria, a Ana Lopes [nota: ama do filho] foi com o meu filho a Fátima". Este ano, recorde-se, Auriol conseguiu 20,43 metros, o que lhe garantiu o título mundial em pista coberta, em Belgrado.

Sabemos que agora, na sua cabeça, está o próximo meeting, a próxima competição, os próximos campeonatos. Com uma humildade desconcertante, esta campeã quer continuar a fazer história pelo Sporting CP e pelo nosso país. Só podemos estar enormemente agradecidos por ter encontrado em Portugal o porto de abrigo que a faz brilhar.

O Sporting CP despediu-se esta semana de Matheus Nunes, que rumou à Premier League e ao Wolverhampton WFC de Bruno Lage. 101 jogos de Leão ao peito, um Campeonato, uma Supertaça, duas Taças da Liga, oito golos marcados e nove assistências, contando já com oito internacionalizações e um golo marcado pela selecção nacional. Uma venda dolorosa do ponto de vista desportivo, mas indispensável para a sustentabilidade do Clube.

Ainda há dois anos, a garantia dada pelo presidente Frederico Varandas de que Matheus sozinho pagaria o investimento feito no treinador, foi recebido com cepticismo pelo mundo do futebol. Agora, é certo e sabido que o miúdo que servia bolos na pastelaria na Ericeira e corria pelo GDU Ericeirense transformou-se num craque. Que tenha toda a sorte do mundo nos próximos capítulos.

Aquela madrugada de 1984

Por Juvenal Carvalho
18 Ago, 2022

Passaram já 38 anos. Dizer que me lembro como se fosse ontem, seria um manifesto exagero, muito embora me interrogue como passaram tão rapidamente quase quatro décadas, num Mundo em que tanto mudou, em que regimes autocráticos caíram, em que a tecnologia mudou o Mundo, em que até os States foram alvo de um ataque sem precedentes às Torres Gémeas, e mesmo no Sporting Clube de Portugal de hoje já tanto se alterou em relação a esse tempo, menos naquilo que é o seu ADN, em que está implícita a cultura ganhadora que vem dos primórdios da nossa existência.

Foi precisamente no dia 12 de Agosto de 1984 que o desporto português teve a sua primeira medalha de ouro Olímpica. O palco foi a cidade norte-americana de Los Angeles, e o feito foi conseguido pelo campeão dos campeões, o nosso Carlos Lopes. A particularidade maior desse feito, foi não só a medalha de ouro daquele atleta invulgar, com uma capacidade ainda hoje nunca vista que pôs os portugueses espalhados pelo Mundo em êxtase, como ainda o recorde Olímpico da maratona, que haveria de perdurar no tempo 24 anos.

Dessa madrugada, do então teenager que havia em mim, e na ausência dos meus pais, que se encontravam de férias, recordo o nervoso miudinho, mas sobretudo o momento em que Carlos Lopes entra no estádio destacado e já não lhe fugia o ouro. Pulei, gritei, chorei de alegria até. Tinha então um gato siamês que me acompanhava quase desde bebé, o Kimba, e a recordação é de ele - sim, parece mentira - se pendurar literalmente na televisão a ver o 'nosso' Carlos Lopes a cortar a meta.

Foi esse, depois das vitórias do Sporting no Campeonato Nacional de futebol de 1980 e 1982, juntamente com a conquista da Taça dos Campeões Europeus de hóquei em patins em 1977, os meus momentos mais marcantes do meu Sportinguismo na fase de adolescente. Apenas superado pelo dia em que pelas mãos de meu pai, e acompanhado do Sr. Olímpio, o Sócio proponente - tempos em que existia essa obrigação para se ser Associado do Sporting CP -, entrei pela secretaria do antigo estádio e me fiz sócio em menino, que me faz ser hoje tão garbosamente o número 4375-0.

Quis o destino que depois de 1984, e de rejubilar com o feito do grande campeão Carlos Lopes, tivesse tido o prazer de o conhecer pessoalmente, e a cada momento em que estive com ele recordar-me daquela madrugada de 1984, entre tantos outros feitos com a camisola das quinas ou com o Leão rampante ao peito.

Ele, para mim, é o campeão maior de um clube que é o meu - nosso - feito de uma história de campeões e de figuras gradas do desporto português e até internacional. Já se ganhou tanta coisa, a tanta tarde e noite de glória assisti ao vivo ou através da televisão, mas a efeméride do dia 12 de Agosto de 1984 fez-me rebobinar as memórias... e que belas elas foram.

Obrigado ao Carlos Lopes, esse Leão viseense, mais propriamente de Vildemoinhos, de uma têmpera como ninguém, e que para ele ganhar, naquele jeito tão peculiar e franzino, era como respirar, fazia-o naturalmente.

São momentos como este que me faz repetir vezes sem conta que ser Sportinguista não se explica, sente-se.

Obrigado, Sporting Clube de Portugal. Obrigado, Carlos Alberto de Sousa Lopes!

Representação máxima

Por Miguel Braga
11 Ago, 2022

Editorial da edição n.º 3884 do Jornal Sporting

Munique, na Alemanha, vai ser o palco dos próximos Campeonatos da Europa de Atletismo, de 15 a 22 de Agosto. Naquela que é a maior delegação de sempre de Portugal nesta competição – a comitiva nacional terá 43 atletas –, o Sporting CP também se vai apresentar na máxima força, com a maior representação de sempre do Clube nuns Europeus de atletismo, com um total de 24 atletas: a 20 portugueses, juntam-se três ucranianos e uma do Reino Unido.As nossas maiores esperanças para um lugar no pódio são Patrícia Mamona – este será o seu sexto Europeu -, Auriol Dongmo – que se estreará na competição – e o veterano João Vieira, o português no activo com mais participações na competição. Aos três e aos demais, toda a sorte do Mundo e, se possível, algumas medalhas.

Arrancou no passado fim-de-semana o campeonato nacional de futebol, com a difícil deslocação ao Estádio Municipal de Braga. Apesar da (boa) exibição e de vários sinais positivos, a equipa de Rúben Amorim acabou por consentir o empate a dois minutos do fim do tempo regulamentar. Resultado final: 3-3, com golos de Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Marcus Edwards. Uma palavra para o segundo golo: além da arrancada ainda perto da nossa grande área de Matheus Nunes, passando por vários jogadores adversários e acabando com um centro com conta, peso e medida, destaque para a finalização de Nuno Santos, fazendo lembrar os remates de Rui Jordão no Campeonato Europeu de 1984 contra a França de Michel Platini. Dentro de dois dias, a equipa terá oportunidade de conseguir voltar às vitórias, frente ao Rio Ave FC.

A semana ficou também marcada pelo adeus de Bruno Tabata ao Sporting CP e a Portugal. É obrigatório, para todos os sportinguistas, ver a sua última entrevista de Leão ao peito na Sporting TV: a emoção com que fala e se despede do Clube é contagiante e motivo de orgulho. Pelos títulos, pelo profissionalismo e boa disposição, um enorme obrigado a Bruno Ramos, conhecido no mundo do futebol como Tabata.

Se uns partem, outros chegam cheios de ilusão. É o caso de Anton Sokolov, no futsal, que foi apresentado no início da semana: “Conheço bem os outros jogadores. Defrontámo-nos ao serviço dos clubes e das selecções nacionais”, afirmou o ala/pivô russo, para concluir: “Deram-me as boas vindas e já me adicionaram ao chat do grupo. Estão contentes por fazer parte da equipa. Quanto ao Nuno Dias, é um dos melhores treinadores do Mundo, um especialista de alto nível. Espero evoluir sob a gestão técnica dele”. Os sócios e adeptos Leoninos esperam pelo arranque das competições para verem ao vivo e a cores essa evolução. Já o regresso aos treinos está marcado para o início da próxima semana.

Não se explica, sente-se!

Por Juvenal Carvalho
11 Ago, 2022

No passado sábado, estava eu na estação ferroviária de Campanhã, na cidade do Porto, onde me fui encontrar com o meu amigo Guedes, um Leão que muito sabe da história do Sporting Clube de Portugal, que tem muitos anos de Associativismo, de quem muito gosto humanamente, e toca o telefone. Do outro lado estava o Orlando Mendes, um antigo atleta das lutas amadoras e funcionário do nosso Clube há muitos anos. A notícia era triste. Ou o chamado dois em um no que toca à tristeza. Falou-me no meu bom amigo António Maia – desculpa, Maia, porque ainda não fui buscar aquela garrafa de vinho que tens para mim - que está a passar por uma fase difícil da sua existência em termos de saúde, e na morte nesse mesmo dia de Joaquim Vieira, um nosso antigo atleta Olímpico das lutas amadoras. 

Passado umas horas, ainda mal refeito, do choque, liguei eu para o Orlando e a conversa fluiu, com a história do Sporting CP - ele sabe-a como quase ninguém e viveu-a in loco - a ser tema de fundo, mas sobretudo de momentos por ambos vividos no nosso Clube.

As lutas amadoras, com Luís Grilo, os irmãos Eduardo e Fernando Ardisson e ainda o António Maia, bem como o antigo director da modalidade, o enorme jornalista e Leão Vítor Cândido - obrigado, Vítor, pelo que representas e pelo que nos ensinas Sporting CP na televisão do Clube, e sobretudo por seres uma enciclopédia viva do nosso Clube como, tentando descobrir outros, e existem vários que tanto sabem, só encontro em Mário Casquilho, um Senhor por quem me curvo sempre respeitosamente - foram o tema mais falado.

Mas porque, e sem vaidade, também eu vivi por dentro horas a fio no nosso Clube, alguns outros nomes vieram à baila. Falámos do grande fotojornalista António Capela, tanta ironia naquele talento inusitado para a arte de fotografar; do Vítor Ferrari, o único Leão de uma família que tinha no também saudoso Nuno Ferrari, seu irmão gémeo, o eterno rival no coração, do Fernando Cunha, do Viegas, o motorista do nosso futebol, do Honório Vieira, do Cardoso, da Dona Olinda e do Sr. Miguel, os pais da Luísa Rodrigues, a funcionária que literalmente nasceu dentro do estádio onde viveu parte significativa da sua juventude, do Jorge Sousa, da Eugénia da secretaria, da Alda, da Amália, do Neto, do Vítor Sério, da Paula Polido, que trabalha hoje no Museu, das antigas telefonistas da Porta 10-A, a D. Sofia e a D. Lurdes, do Guimarães, porteiro da 10-A, da D. Leonor Roque, do Jornal, do Tó que é hoje funcionário e que começou no Leo Burger, na central do antigo estádio, e de tantos e tantos outros funcionários do 'nosso tempo', bem como a troca de fotos com antigos atletas na casa do eterno Presidente João Rocha.

Aquele que foi um telefonema inicial sob o signo da tristeza, serviu também, e na tentativa de afogar as mágoas, para recordar. E que recordações vivemos. O Sporting CP foi - é, e continuará a ser - um elo que nos unirá ad eternum.

Disse um dia António Oliveira que 'Por cada Leão que cair, outro se levantará'. Já partiram tantos e tão significativos e o Sporting CP continua vivo e de saúde. Outros ainda irão nascer e dar continuidade a esta história, hoje com 116 anos, que não tem paralelo.

É tão bom recordar momentos vividos na nossa "casa". Ser do Sporting CP é tanto isto. Amigos para uma vida. Uma paixão eterna pelo símbolo.

VAR em inglês

Por Miguel Braga
04 Ago, 2022

Editorial da edição n.º 3883 do Jornal Sporting

Nem dois meses depois do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol ter rejeitado as propostas do Sporting Clube de Portugal para que os áudios do VAR fossem públicos, argumentando que “as normas propostas afiguram-se ilegais, naturalmente face à Lei, e inadmissíveis face às orientações vinculativas do IFAB e da FIFA”, a Premier League fez saber publicamente que pretende que as conversas entre os árbitros e o VAR estejam disponíveis para o mundo no final de cada jogo, através da plataforma do YouTube.

Recordemos, que entre outras considerações, o CA afirmou também sobre o mesmo assunto que “a comunidade desportiva que regula esta matéria é inequívoca ao determinar a impossibilidade de ceder estas gravações e que a aprovação de normas do género das propostas iria implicar violação do protocolo VAR, com as consequências daí advenientes”. Por outro lado, para Richard Masters, Chief Executive da Premier League, as razões que se prendem com o anúncio assentam, imagine-se, por uma maior transparência sobre as decisões tomadas pelos árbitros, não menosprezando o carácter didáctico da medida. Ou seja, quem quer transparência não se esconde atrás da opacidade dos regulamentos, nem de narrativas tendenciosas.

Não foi apenas o CA a estar contra a disponibilização pública dos áudios do VAR: SL Benfica e FC Porto também votaram contra as propostas Leoninas, dizendo-se a favor das mesmas, mas utilizando argumentos etéreos para justificar a oposição através do voto contra. Enquanto que em Inglaterra luta-se para mudar e melhorar o futebol, em Portugal faz-se um esforço tremendo para que fique sempre tudo na mesma. A não mudança protege quem manda e o poder instalado, instalado quer ficar.

Em Dezembro de 2020, o Sporting CP trouxe este assunto para a praça pública, com a realização do webinar internacional “VAR Future Challenges”, desafiando os responsáveis do futebol português a serem pioneiros sobre a matéria. Desde então muito se tem falado sobre o assunto, mas a tal vontade de mudar verdadeiramente o status quo das últimas décadas do futebol nacional continua fechada a sete chaves. O que é pena.

Enquanto nos entretemos com os fait divers de Verão e discursos futebolísticos saídos de um manual de guerrilha dos anos 80, a mudança vai acontecendo nesse mundo fora: em França, por exemplo, já se fala de um possível apoio da Federação Francesa de Futebol à proposta da Amazon Prime de introduzir microfones no equipamento dos árbitros; na Alemanha, num particular entre o 1. FC Köln e o AC Milan, a equipa alemã incorporou uma bodycam em dois jogadores, permitindo aos adeptos uma visão e experiência únicas sobre o terreno de jogo; e agora, os ingleses e esta proposta dos áudios do VAR serem públicos. Um dia quando verdadeiramente quisermos mudar para melhor o futebol português, exemplos de fora não faltarão.

Indomáveis

Por Pedro Almeida Cabral
04 Ago, 2022

Foi neste último fim-de-semana que se realizaram os Campeonatos Nacionais de Clubes em atletismo. Já se sabe que os crónicos candidatos à vitória são o Sporting Clube de Portugal e o SL Benfica. Em femininos, há mais de um quarto de século que o domínio do Sporting CP é avassalador: desde 1995, apenas não vencemos em 2010. Este ano cumprimos a tradição, ao ganhar pela décima segunda vez consecutiva. Já em masculinos, ainda não foi desta que retomámos o nosso lugar, pois somos, de longe, o clube com mais títulos, 48 face aos 34 do SL Benfica. A verdade é que a história podia bem ter sido outra: só perdemos para o SL Benfica através do critério de desempate.

Em femininos, larga vitória Leonina. A diferença para o segundo lugar do pódio foi significativa. Fizemos 157 pontos, deixando bem para trás o Juventude Vidigalense, com 109. Algumas conquistas adivinhavam-se. É o caso de Auriol Dongmo com 18,65 metros no lançamento do peso, Evelise Veiga no salto em comprimento, com 6,22 metros, Patrícia Mamona com 14,04 metros no triplo salto ou de Vera Barbosa nos 400 metros barreiras, que fez 56’’87. Merecem igualmente destaque Olímpia Barbosa nos 100 metros barreiras com 13’’32 e Anabela Neto, com a melhor marca nacional do ano no salto em altura, 1,83 metros. Foram, no total, 14 triunfos que mantiveram a tradição da prova ser ganha pelo clube com mais histórico no atletismo português, o Sporting CP.

Já em masculinos, a competição foi emocionante e o desfecho esteve em aberto até ao fim. Tanto o Sporting CP como o SL Benfica fizeram os mesmos 147 pontos. No desempate, contaram as vitórias individuais, em que estávamos em desvantagem. Estivemos muito perto de sermos campeões. Menção para Andriy Protsenko, atleta ucraniano que, recentemente, fugiu do seu país devido à invasão russa e que saltou à altura de 2,15 metros, após os estrondosos 2,33 m que lhe valeram o bronze nos recentes Campeonatos do Mundo. João Coelho nos 400 metros, com 46’’86, e Rúben Amaral, nos 5000 metros, com 14’15’’01 marcaram os Campeonatos pelas suas vitórias no limite em corridas extremamente disputadas. Bastava algumas provas terem corrido um pouco melhor, como os 3000 metros ou o lançamento do disco, que teríamos feito a dupla conquista dos Campeonatos, que há muito nos escapa. No final, fica a sensação que já faltou muito mais para os indomáveis Leões tornarem a fazer o pleno no atletismo nacional.

Vençam por nós

Por Juvenal Carvalho
04 Ago, 2022

Terminada que está a preparação para a nova época, e afinadas que estão as estratégias para uma temporada que queremos de sucesso, eis que Rúben Amorim e os rapazes de verde e branco têm já no próximo domingo, e com a cidade de Braga como palco, o seu primeiro acto oficial, e naquele que será um início particularmente difícil, o mote só pode ser este: Ganhar, ou ganhar... respeitando sempre a grande valia do nosso opositor, porque é esta a génese do nosso Clube, e também porque se sente no ar um Sporting CP estruturado e capaz.

Não tenho mesmo dúvidas, sendo que não quero entrar na área da futurologia, que esta época foi bem preparada - pese o mercado só fechar no próximo dia 31 de Agosto e ainda estarem em equação possíveis entradas e saídas - e quando se trabalha com assertividade, e sobretudo com um secretismo de registar, o caminho para o êxito estará seguramente mais próximo.

Tendo como saídas relevantes até ao momento João Virgínia, Feddal, Palhinha e Sarabia, todas elas com cambiantes e razões diferentes, as mesmas foram colmatadas com entradas interessantes e todas elas para colmatar com ganho os abandonos. Para isso entraram o guarda-redes uruguaio Franco Israel (Juventus FC), o defesa-central neerlandês Jeremiah St. Juste (1. FSV Mainz 05), o médio japonês Morita (CD Santa Clara) e os avançados portugueses Rochinha (Vitória SC) e Francisco Trincão (FC Barcelona). Resta pois aguardar que a entrada seja de Leão e a saída igualmente de Leão e não de sendeiro, como diz aquele adágio popular.

Uma coisa tenho a mais profunda convicção, e esta é de que os nossos Associados e adeptos estarão ao lado deste grupo de trabalho, e que onde eles estiverem, será às suas cavalitas e cavalgando a onda verde que os acompanhará de norte a sul e ilhas, que os catapultará para o sucesso que todos queremos real.

Lutar pela conquista do Campeonato, da  Taça de Portugal e da Taça da Liga, e fazer uma honrosa participação na Liga dos Campeões, é um objectivo não só possível, como será importante para continuarmos a ser vistos como cada vez mais consolidados no panorama do futebol português, e começarmos a ser mais respeitados além-fronteiras até porque, entre muitos outros, somos o clube que formou Paulo Futre, Luís Figo e Cristiano Ronaldo e isso é motivo bastante para aferir do alto prestígio do nosso Clube além-fronteiras.

Está então dado o mote. Agora resta aguardar que a bola role e com ela venha um Leão de juba alta pronto a dar alegrias a milhares e milhares de Leões espalhados um pouco por todo o Mundo. Provem que são capazes. Nós faremos o resto. Ao vosso lado até ao fim.

Pequenas mudanças que fazem grandes diferenças

Por Miguel Braga
28 Jul, 2022

Editorial da edição n.º 3882 do Jornal Sporting

O Sporting Clube de Portugal joga este fim-de-semana, no Algarve, o último jogo de preparação para a época 2022/2023 frente ao Wolverhampton WFC de Bruno Lage. Já se passaram mais de 30 dias desde que os jogadores, equipa técnica e staff regressaram ao trabalho, primeiro em Alcochete, depois no Algarve. Antes desse regresso, o Sporting CP tinha assegurado duas contratações internacionais: Fatawu Issahaku e Jeremiah St. Juste; seguiram-se Hidemasa Morita, Franco Israel, Rochinha e Francisco Trincão, que integrou a equipa durante o estágio realizado em Lagos, no Cascade Wellness Resort, quartel general dos pupilos de Rúben Amorim pelo terceiro ano consecutivo.

Depois do jogo frente ao Sevilla FC a contar para a décima edição do Troféu Cinco Violinos (1-1 no tempo regulamentar e 5-6 no desempate por pontapés de penálti), o treinador estava satisfeito com o trabalho desenvolvido ao longo das últimas semanas: “Tem sido uma pré-época muito proveitosa. (…) Ainda temos tempo para melhorar até ao início do campeonato. (…) A maioria dos novos jogadores são jogadores que jogam em Portugal e por isso a adaptação é mais fácil. Vejo com bons olhos a nossa próxima época. (…) Têm sido jogos de elevada intensidade e isso é bom para prepará-los para aquilo que vamos apanhar. Cada vez estamos mais preparados e temos mais equipa. Estamos no bom caminho”.

Fomos, também, ouvindo de alguns jogadores palavras que reflectem o estado de espírito com que a nossa equipa vai encarar os próximos desafios. O capitão Sebastián Coates lembrou que o “grupo é espectacular”, enquanto Antonio Adán frisou a fácil adaptação dos reforços: “É sempre boa. Há um grupo muito bom e os jogadores integram-se rápido”. A união e espírito de entreajuda no balneário têm sido marca distintiva desta equipa, e que o diga Rochinha, acabado de chegar e já inteirado desta máxima: “Acaba por ser fácil trabalhar com este plantel. Parece que já aqui estou há mais tempo”. São indicadores positivos que nos fazem ansiar pelo início das competições oficiais, que arrancam dia 7 de Agosto frente ao SC Braga.

Aconteceu no passado fim-de-semana a Assembleia Geral Comum Ordinária do Sporting CP, onde foi votado e aprovado o orçamento dos rendimentos, gastos e investimentos do Clube para 2022/2023. Foram mais de 2500 Sócios que quiseram dizer presente, cujos votos se dividiram entre 78,71% a favor, 20,60% contra e 0,69% de votos brancos ou nulos. Além da própria participação e aprovação, destaque para a forma elevada e esclarecedora com que se processaram os trabalhos, ou nas palavras do presidente da Mesa da Assembleia Geral, João Palma, a forma “ordeira e educada” com que tudo se passou. Vários foram os Sócios que interpelaram o Conselho Directivo e as respostas chegaram pela voz do presidente Frederico Varandas ou de Francisco Zenha e André Bernardo, num diálogo cordial entre Associados e Direcção. Quando assim é quem ganha é o Sporting CP. “Penso que o Sporting CP de hoje não é o mesmo de há uns anos e isso é observável pelo cidadão comum”, disse, no final, João Palma. De facto, não é o mesmo, e está melhor.

Reforços no Andebol

Por Pedro Almeida Cabral
28 Jul, 2022

Da época passada do nosso andebol ficou, sobretudo, a saborosa e inesquecível conquista da Taça de Portugal contra o FC Porto. Ganhámos por 36-35 no final de dois prolongamentos, fazendo o treinador do FC Porto, o sueco Magnus Andersson, perder o primeiro troféu desde que está em Portugal. No campeonato, estivemos perto do primeiro lugar, com exibições muito convincentes perante o FC Porto, deixando a sensação de que, com um pouco mais de acerto, poderíamos recuperar o título de campeão, que nos foge desde 2018. É também por essa razão que os reforços para a nova época podem ser essenciais.

Chegaram quatro novos jogadores, com percurso assinalável e credenciais bastantes. De trás para a frente, temos o guarda-redes argentino Leo Maciel. Com mais de 1,90m, o experiente guardião vem de uma época no FC Barcelona em que se sagrou campeão espanhol e europeu. Internacional pela selecção sul americana, destacou-se no clube espanhol anterior, o Cuenca, onde jogou quatro épocas. Com a partida do esloveno Skok, espera-se que traga mais consistência à baliza Leonina e que proporcione crescimento ao nosso guarda-redes Manuel Gaspar, formado no Sporting CP. Outra contratação sonante é o pivô polaco Patryk Walczak, que ingressa no Sporting CP após dois anos de alto nível no clube macedónio RK Vardar. Com destreza a defender e a atacar, impõe-se facilmente no duelo a dois, melhorando substancialmente as soluções para esta posição no nosso sete. Tem tudo para ser uma das figuras do campeonato. O terceiro reforço é o ponta esquerda Étienne Mocquais. O francês, campeão mundial de sub-21 em 2015, vem dar concorrência ao outro ponta esquerda, o espanhol Josep Folqués. Dado que o jogo do Sporting CP tendeu a explorar pouco o lado esquerdo do ataque, espera-se uma melhoria de eficácia ofensiva. Por fim, fará também parte da nossa equipa o brasileiro Edy Silva, como terceiro pivô. Embora não apontando à titularidade, poderá fazer o seu caminho nos próximos anos.

Se falei dos jogadores novos, há também que contar com os reforços que já se encontram no plantel. Não é descabido dizer que Francisco Costa, de apenas 17 anos, e Martim Costa, de 19, após um ano no Sporting CP, poderão jogar e fazer jogar ainda mais. Aliás, foi visível a contínua subida de rendimento no Europeu sub-20, em que Portugal perdeu a final com a Espanha. Os irmãos Costa fizeram parte da equipa ideal do torneio e Francisco Costa foi mesmo o melhor marcador, com uns assombrosos 58 golos.

Agora é tempo de trabalho. Como sempre, o mês de Agosto é dedicado a estágio e a jogos de preparação. Competição a doer será logo em Setembro, em Serpa, com a final a quatro da Supertaça. Jogamos contra o CF Os Belenenses e, em caso de vitória, defrontamos na final o FC Porto ou o SL Benfica. Será o primeiro teste competitivo de uma equipa que tem muito para oferecer aos Sportinguistas na nova época.

O caminho faz-se caminhando

Por Juvenal Carvalho
28 Jul, 2022

Sou dos que vejo as pré-épocas longe do resultado, mas sim como uma forma de serem afinadas estratégias físicas e técnicas, sendo que a próxima época vai ser não só longa, como todas as outras, mas sobretudo completamente atípica, em função da realização do Campeonato do Mundo de 2022, no Qatar e que, com a interrupção da prova entre Novembro e Janeiro será logo algo que, sendo obviamente para todos,  inverte o rumo lógico da preparação de uma época desportiva, isto apenas como mera opinião do curioso que sou eu, que não me lembro de algo parecido ter acontecido.

Já vivi euforias de grandes resultados de pré-época, em que tudo parecia bem e a pergunta entre os mais optimistas era por quantos íamos ganhar, para que mal a bola rolasse a sério, depressa viria a depressão. Como já vivi o seu contrário, em que nos interrogávamos incrédulos do insucesso, para num ápice tudo mudar. É esta a beleza do jogo, e sobretudo da irracionalidade dos adeptos, que sem ela não teria, afinal, tanta graça
No que me diz respeito, e também sou irracional sobretudo quando o nosso Clube entra em equação, mas sou essencialmente dos que acreditam no trabalho sustentado e sinto neste momento que, sem fazer futurologia, o Sporting CP está no trilho certo no que toca ao futebol, bem como ao restante universo do clube, sabendo-se que a perfeição não existe.

Existe um Troféu de pré-época que gosto particularmente de ganhar, e esse, pelo simbolismo, é o 'Cinco Violinos'. O mesmo acontece nas modalidades quando é disputado o Troféu Stromp. No passado domingo, quando o promissor jovem ganês Fatawu Issahaku falhou a grande penalidade que levou o Troféu para Sevilha fiquei triste, sobretudo porque os nossos mágicos 'Cinco Violinos', onde estivessem queriam muito esta vitória.
Mas também sei, repetindo-me, e sem que as desculpas façam parte do meu léxico, e até sou dos que primo pela exigência que a grandeza do nosso Clube me ensinou a ter, que os resultados não são neste momento nada determinantes, antes pelo contrário.

O trabalho de Rúben Amorim faz com que, e depois de duas épocas consecutivas em que conseguimos um título de campeão nacional, a que juntamos duas Taças da Liga e uma Supertaça, nos faça ter esperança no futuro imediato e não só. Além disso, ano após ano teremos que crescer desportiva e financeiramente com a presença na Liga dos Campeões a ser vital para esse efeito. Temos hoje jogadores de rivais a querer ingressar nas nossas equipas jovens porque acreditam no trabalho que está a ser feito na Academia Cristiano Ronaldo. Temos, portanto, que confiar no futuro. E o futuro passa pela aposta na formação, complementada com jogadores cuja montra da Champions nos pode trazer por apelativos que nos tornamos.

Até dia 7 de Agosto em Braga, quando abrem as hostilidades, temos cerca de duas semanas para afinar estratégias rumo ao sucesso que tanto desejamos. O #ondevaiumvãotodos terá que continuar a fazer escola. Nada se conquista sem aquela sorte que dá muito trabalho, parafraseando o eterno professor Mário Moniz Pereira.

O caminho faz-se caminhando, como propositadamente chamei para título desta coluna de opinião.

Nós acreditamos em vocês!

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