Your browser is out-of-date!

Update your browser to view this website correctly. Update my browser now

×

Opinião

Um mal menor

Por Juvenal Carvalho
03 Nov, 2022

O futebol é realmente um desporto apaixonante e de uma volatilidade que arrebata paixões de forma completamente incrível.

Foi isso que na passada terça-feira aconteceu em Alvalade. Quando estávamos todos felizes com aquilo que parecia, ao intervalo do jogo com os alemães do Eintracht Frankfurt, o apuramento no bolso pela segunda vez consecutiva para os oitavos-de-final da UEFA Champions League, feito que seria inédito no nosso Clube, eis que, em poucos minutos, tudo mudou. Dois golos germânicos em dez minutos, e, com o Olympique de Marseille a empatar, estava dada a reviravolta total na classificação, passando o Sporting CP de primeiro para último do grupo e a saída definitiva das competições europeias.

Era a desilusão total, que seria no fim, já mesmo depois de terminado o nosso jogo, minimizada com o golo do Tottenham Hotspur FC em França, a deixar o nosso Clube nas competições europeias, via UEFA Europa League. Foi o menos mau, estando longe de ser bom, mas deixando um certo sabor menos amargo.

Na sala de imprensa - sou um fã incondicional de Rúben Amorim, para que fique claro - chamou a si o menos bom da actualidade dizendo que a presença na UEFA Europa League não salva nada e assumindo responsabilidades no momento que o futebol do nosso Clube vive. Gosto de quem assume e, sobretudo porque tenho memória, não me esqueço do já conseguido em apenas duas épocas. Brilhante, somente brilhante.

Esta época, nada, ou quase nada, tem corrido bem. Dizer o contrário não o consigo, por honestidade intelectual.

Afastados da Taça de Portugal, a 12 pontos da liderança do campeonato e com a passagem para a UEFA Europa League - o menos mau e com foros de milagre como atrás descrevi -, o momento não pode ser de baixar a guarda. Assumir os erros, e trabalhar... trabalhar muito para conseguir, jogo a jogo, começando pelo próximo sábado, subir na classificação e garantir o apuramento para a UEFA Champions League da próxima época para que ganhemos hábitos de estar nesta competição. Que o ano tem sido atípico e menos bom é óbvio. Urge ressuscitar o #ondevaiumvãotodos, apesar de não ser pela falta de entrega que as coisas não estão a correr bem.

Na lógica do título da minha coluna de opinião da semana passada, é também determinante continuar a valorizar os meninos made in Sporting, tendo todos de ter paciência para os ver crescer sustentadamente. Matéria prima existe e é factual. O apuramento para os oitavos-de-final da UEFA Youth League é disso elucidativo.

Para o ano de 2023 ainda teremos Leão na UEFA Europa League, o que, não sendo óptimo, é, repito, um mal menor. Façam-nos sonhar nessa competição.

PS - Parabéns ao ténis de mesa pela conquista de mais uma Supertaça. Ganhar é o nome do meio desta modalidade.

Influências

Por Miguel Braga
03 Nov, 2022

Editorial da edição n.º 3896 do Jornal Sporting

O Dia de Todos os Santos comemora-se, todos os anos, a 1 de Novembro. Reza a história que no século II a comunidade cristã começou a celebrar o dia para honrar todos aqueles que tinham sido martirizados e perseguidos pela sua fé. Foi nesse dia que o Sporting CP enfrentou os alemães do Eintracht Frankfurt em jogo a contar para a última e decisiva jornada da fase de grupos da UEFA Champions League.

Tal como em 2014, o afastamento da mais importante competição europeia de clubes ficou ligado a uma equipa alemã e, especialmente, a más decisões das equipas de arbitragem, com a agravante de existir, nos dias de hoje, uma ferramenta (VAR) que tem como objectivo corrigir injustiças do apito em casos concretos. Infelizmente, não foi isso que aconteceu em Alvalade na passada terça-feira.

Para qualquer pessoa que conheça, minimamente, as regras do jogo existiram vários erros de arbitragem, um com influência mais do que directa no resultado. Em Portugal, os especialistas foram unânimes em considerar que o lance do penálti, que muda o desenrolar do jogo, foi precedido de falta atacante. A título de exemplo, o ex-árbitro Duarte Gomes, em A Bola, escreveu que “o pontapé de penálti assinalado a favor do Eintracht Frankfurt resultou num grave erro da equipa de arbitragem (com responsabilidade maior para o VAR); Kamada não saltou na vertical, mas sobre as costas de Coates, carregando-o ilegalmente com a anca e braço. A falta, nas imagens, foi evidente”. No Record, Jorge Faustino também não teve dúvidas: “penálti mal sancionado!”. Já no podcast ‘Sem Falta’ do Observador, o ex-árbitro Pedro Henriques foi arrasador: "Nota 2, muito negativa, talvez das mais baixas que dei até hoje", por causa de uma “arbitragem desastrosa” com “impacto claro no resultado”. Destacando não só o “erro grosseiro” no penálti de Coates como um “segundo amarelo por mostrar” a um jogador do Eintracht Frankfurt.

Ao minuto 76, Trincão tem um arrancada pela direita e, já perto da área adversária, é travado grosseiramente por Jakic – porém, Slavko Vinčić, o mal-afamado juiz da partida, optou por fazer vista grossa e perdoar a expulsão ao jogador da equipa alemã. A estas más decisões, adicionaria apenas mais uma, novamente com os mesmo protagonistas, Vinčić e Jakic, relembrando a diferente intransigência demonstrada com o amarelo mostrado a Paulinho (por não ter assinalado a falta evidente que o jogador sofreu e do consequente protesto resultou a sanção disciplinar para o avançado Leonino). Logo aos sete minutos, Jakic travou Arthur numa daquelas jogadas caracterizadas como “ataque prometedor”: falta assinalada e cartão amarelo correspondente. Depois, o jogador croata protestou veemente e mais próximo do árbitro, motivando assobios das bancadas, mas não motivando Vinčić a tomar mais qualquer medida.

Vários jogadores reagiram ao resultado menos bom e deixaram uma palavra de união e força para regressar às vitórias já no próximo sábado, frente ao Vitória SC. Um desses exemplos foi Pedro Porro: “Ser de um clube não é só nas vitórias, mas também nos momentos menos bons. Ninguém disse que seria fácil, mas estamos juntos e continuamos sempre a honrar o Clube e o símbolo que temos no peito. Sempre foi e sempre será pelo Sporting CP”. Que ninguém duvide.

Raça de Leão

Por Pedro Almeida Cabral
28 Out, 2022

As grandes equipas não se vêem quando ganham. As equipas que admiramos são aquelas que perante a adversidade lutam e deixam tudo em campo. O que mais tenho apreciado no nosso treinador é, justamente, essa capacidade de contornar obstáculos e, contra expectativas derrotistas, fazer regressar o bom futebol ao nosso onze. A seguir a um jogo azarado que nos custou a eliminação da Taça de Portugal e após dois jogos desafortunados contra uma equipa que todos subavaliaram, o Olympique de Marseille, poder-se-ia pensar que não haveria reacção. Mas não.

No sábado passado, recebemos o Casa Pia AC, e o que vimos foi um jogo à Sporting Clube de Portugal. Na primeira parte, embora tenha havido um turbilhão de oportunidades claras de golo, foram os gansos, como são conhecidos, que encostaram a bola nas nossas redes. Um golo fortuito e demasiado castigador para o futebol que estávamos a produzir. A segunda parte contou outra história. Rúben Amorim leu o jogo magistralmente e percebeu que Paulinho poderia ser a referência que faltava na grande área adversária. Dito e feito: em 120 segundos demos a volta, com uma cabeçada à ponta de lança de Paulinho e um portentoso remate de Nuno Santos. Escassos minutos depois, o penálti de Pote fechou a contagem. Nunca com Rúben Amorim se tinham marcado três golos tão rapidamente. Foi um Sporting CP de raiva que calou crítica avulsa e sem fundamento, até de alguns sectores do Estádio que, pela forma como assobiaram a equipa na primeira parte, mais pareciam desejar outro resultado.

E, na quarta-feira, o jogo grande da champions contra o Tottenham FC. O Sporting CP entrou destemido e com vontade de vencer, não se amedrontando pelo facto de a equipa inglesa seguir em terceiro na competitiva Premier League. Esta atitude em campo deu frutos tinha ainda decorrido pouco tempo de jogo. Edwards, com um remate surpresa, aproveitou o espaço disponível e corporizou a vantagem Leonina. A resistência durou quase até ao fim. Não fosse um pequeno deslize defensivo e teríamos saído de Londres com os merecidos três pontos. Destaque para a linha mais recuada, com Adán, Inácio, Coates e Matheus Reis a fazerem um grande jogo. E Ugarte e Paulinho a mostrarem a sua extrema importância no esquema táctico de Amorim. O empate a um golo faz com que só dependamos de nós para seguir em frente na prova.

Foi esta a raça de Leão que tivemos nestes dois jogos, deixando uma fase menos boa para trás. E é esta a raça de Leão que vamos mostrar nos próximos dois. Primeiro, contra o FC Arouca já amanhã e, depois, na terça-feira para o derradeiro desafio da fase de grupos da UEFA Champions League. A nós, Sócios e adeptos, só nos cabe apoiar esta equipa que, estou certo, vai continuar a reerguer-se e a lutar até ao fim por todos os títulos que ainda pode ganhar.

Continuar a sonhar

Por Miguel Braga
28 Out, 2022

Editorial da edição n.º 3895 do Jornal Sporting

Depois da vitória frente ao Casa Pia AC por 3-1, o Sporting Clube de Portugal tinha pela frente a difícil deslocação a Londres para enfrentar o actual terceiro classificado da Premier League e super poderoso Tottenham Hotspur FC, casa de estrelas como Harry Kane, Son Heung-min, Ivan Perišić, Rodrigo Bentacur, Hugo Lloris, ente tantos outros.

O palco para o jogo foi aquele que é considerado por muitos como o mais moderno e melhor estádio da actualidade, o Tottenham Hotspur Stadium, inaugurado em 2019, substituindo o histórico White Hart Lane e que custou mais de 1000 milhões de euros. Só no local conseguimos perceber a dimensão faraónica da construção, a preocupação com todos os detalhes e apreciar a verdadeira dimensão da experiência. Tal como disse na altura da inauguração o então treinador dos spurs Maurício Pochettino, todos os que lá forem “para assistir futebol vão sentir que é o melhor estádio do mundo. Os jogadores têm uma estrutura de qualidade, os balneários. Os adeptos vão ter o melhor lugar para ver o jogo, para passar o tempo com as famílias, e para nós, o mesmo. Para todos os envolvidos no jogo será o melhor lugar do mundo. O que me impressionou muito é que podemos sentir a atenção aos detalhes e o amor. Tem de ser perfeito e está perfeito. É por isso que estamos tão impressionados com o estádio”. E tem muita razão.

E estava cheio. De um lado, uma imponente bancada a sul com 17 mil ingleses, e do outro, cerca de três mil portugueses que foram incansáveis no apoio à equipa e se fizeram ouvir a plenos pulmões, elevando o nome do Sporting CP em terras de Sua Majestade. Edwards marcou primeiro, Bentacur reduziu na segunda parte e o nosso coração voltou à vida quando o VAR anulou o golo a Kane por fora de jogo aos 95 minutos. A missão estava cumprida.

Dentro de campo, os nossos jogadores foram enormes, conquistando um precioso ponto além dos elogios de Rúben Amorim: “Ponto importante para nós, que merecíamos. O Tottenham Hotspur FC foi melhor na segunda parte e empurrou-nos completamente para trás. A nossa equipa está bastante cansada, há jogadores com uma grande sequência de jogos, foram uns heróis”.

Seguem-se agora FC Arouca e Eintracht Frankfurt, em mais dois jogos que são essenciais para o Clube. O treinador apenas lamenta que não tenhamos conseguido pontuar com os franceses do Olympique de Marseille, mas encara de frente os desafios dos próximos dias: “Demos dois jogos de borla, o que custa um pouco. Bastava um ponto a mais e seria melhor, mas estamos vivos e quando estamos vivos conseguimos fazer coisas boas. Precisamos agora do apoio em Arouca e depois logo pensamos na Champions”. O mote está dado: a equipa precisa do apoio de todos, primeiro no norte do país, depois em nossa casa, frente aos alemães de Frankfurt, no último e derradeiro jogo da fase de grupos da UEFA Champions League. Que a equipa continue a fazer sonhar os nossos Sócios e adeptos, é o desejo de todos. Que assim seja.

Os meninos 'made in Sporting'

Por Juvenal Carvalho
28 Out, 2022

Londres, quarta-feira, 26 de Outubro de 2022. 

Lembro esta data e local, não que o futebol jovem não tenha inúmeras datas marcantes, porque o Sporting Clube de Portugal tem dado ao longo da sua História tantos e tantos talentos ao mundo de futebol, que nem deveria constituir novidade alguma.

É até recorrente falar do nosso Clube e logo vir à baila o excelente trabalho, que é não só reconhecido pelos nossos rivais, que não o podem escamotear, bem como pelo scouting espalhado pelo mundo, que está atento ao desabrochar dos meninos da nossa 'cantera'. Será até um caso raro a descoberta de tanto talento... talento esse que já deu dois melhores do mundo, Luís Figo e Cristiano Ronaldo, bem como muitos outros que atingiram igualmente o estrelato. Falar de Sporting CP é mesmo falar de uma "maternidade" de talentos sem fim.

E falei de Londres, porque na passada quarta-feira foi uma tarde/noite em que, como no fado de Carlos do Carmo, 'Os Putos', eles pareciam um bando de pardais à solta rumo à ribalta.

O meu almoço foi a degustar o talento da nossa equipa que participa na Youth League, e que assegurou, com uma vitória (1-2) a passagem à fase seguinte, desta competição, mas sobretudo porque se vê trabalho de casa e carradas de talento. De Diego Calai, na baliza, passando pela defesa e pelo meio-campo, onde Marco Cruz com dois 'mísseis' foi o homem do jogo, e ainda pelo ataque, onde ver Afonso Moreira faz-me voltar ao passado em que formámos extremos de classe. Como ver ainda Rodrigo Ribeiro − ambos com apenas 17 anos − me faz ter a esperança que está ali um 'matador' em embrião. Foi, e já que estou num paralelismo musical, recordo Chico Buarque, no seu 'Foi bonita a festa, pá'. 

E essa festa, feita de talento e esperança no futuro da formação, teve continuidade pela noite dentro.  Também poderiam ter jogado na Youth League, mas feitos meninos crescidos, saltaram mesmo para a Champions League pela mão de Rúben Amorim, que mesmo ante o poderoso Tottenham, e num ambiente frenético como só em Inglaterra, não teve medo de apostar neles durante o jogo, tirando jogadores consagrados. Falo de Flávio Nazinho, Mateus Fernandes e Issahaku Fatawu − este uma 'pérola' ganesa descoberta recentemente em África. 

Jogaram mesmo como gente grande, como o poderiam ter feito também Dário Essugo, que esteve no banco, bem como o catalão José Marsà.

Se na Youth League está resolvido, mas o objectivo é manter a liderança do grupo para chegar directamente aos oitavos-de-final, nos mais velhos, mas igualmente repleto de meninos, o objectivo é igual. Os mesmos 'oitavos'. 

Temos de continuar a formar e a criar hábitos de presença na 'montra' do futebol do Velho Continente. E se conseguirmos condimentar isso com a nossa 'cantera', com os tais meninos 'made in Sporting', o brilho é ainda maior. Uma coisa tenho a certeza, o caminho é com estes, e com o despontar de outros. É esta a nossa matriz desde há muitos anos. Claro que complementada com experiência, para que eles cresçam mais sustentadamente. Que na próxima terça-feira estejamos todos muito felizes. Bem o merecemos. Nós acreditamos em vocês. Nos bons, como também nos tempos estranhos que serviram de título à minha coluna de opinião da semana passada.  

Tempos estranhos

Por Juvenal Carvalho
20 Out, 2022

Escrevi aqui neste mesmo espaço a semana passada, após o jogo menos conseguido com o Marselha, entre outros, numa época completamente atípica, em que somámos a sexta derrota oficial em pouco mais de dois meses de competição, que o momento era de reflectir..., mas de tocar a unir.

E que o próximo jogo era para a Taça de Portugal, e que teríamos de o ganhar para darmos a volta por cima.

Pois bem, nada disso aconteceu. Antes pelo contrário. Ouvi a conferência de imprensa no pós-jogo de Rúben Amorim, que estava visivelmente agastado − como qualquer Sportinguista que se preze − e retive a afirmação de que não estamos a conseguir resolver os problemas dentro do próprio jogo, e falou ainda da nossa incapacidade latente para marcar golos, e para decidir bem, e que a culpa é dele. Gosto de quem assume, e gosto genuinamente do nosso treinador, essencialmente porque é alguém que, se mais provas precisasse em apenas duas épocas já ganhou quatro troféus, e um deles o Campeonato Nacional de 2020/21, depois de 19 anos de jejum, e a História não só não se apaga, como consigo ver ainda a luz ao fundo do túnel nesta época.

Com todo o respeito pelo Varzim SC, este histórico do futebol português está no terceiro escalão, e não é normal, longe disso, o Sporting CP ser eliminado desta forma. Dizer isto é tão óbvio que nem a minha condição de colunista do nosso jornal o inibe. Seria até falta de honestidade intelectual da minha parte, porque só sei escrever do nosso Clube emocionalmente, aligeirar este problema que o próprio treinador o assume.

Na vida a glória é tantas vezes efémera. No futebol essa é quase a cada jogada, quanto muito a cada jogo. Vivemos nas últimas duas épocas momentos particularmente felizes. Não sou favorável ao célebre ditado que o passado é museu. Não, esse não se apaga, e tivemos momentos fantásticos a fazer mesmo esquecer que infelizmente, nas últimas décadas, havíamos ganho muito menos do que o desejaríamos. Épocas houve em que os rivais falavam do nosso Natal de forma jocosa. Mas o registo tem sempre que ser mais o do passado recente, e acredito muito na volta por cima, e nunca o de voltar a tempos que queremos esquecer.

Ninguém, nem o Conselho Directivo nem o treinador, podem aligeirar − e não o irão fazer − o momento que é francamente negativo. Claro que algo está mal. Claro que não podemos, nem devemos fazer o papel de avestruz e enterrar a cabeça na areia. Ou mesmo querer tapar o sol com a peneira.

Sei que o grupo de trabalho está animicamente em baixo. É claro e notório. Quem mais do que eles quer dar a volta por cima. Quem mais do que eles deseja as vitórias.

Estará nas mãos − neste caso pés ou cabeça − deles, mas também de quem nos lidera, tanto na parte directiva como técnica, arranjar soluções em conjunto e ultrapassar este momento. Não quero(emos) voltar às décadas menos ganhadoras. Elas existiram. Por tudo isto, só podemos reagir… ou reagir. Já no próximo sábado, porque o tempo urge. E porque a esperança é verde, não pode morrer. Depois da tempestade terá que vir a bonança.

PS - Pior ainda foi ouvir no jogo de futsal do passado domingo, repetida e criminosamente, os adeptos do rival − claro que não todos, nem a sua maioria − a continuar a imitar os sons do very light da nossa tão triste recordação no Jamor em 1996. Ainda pior que qualquer derrota em campo. Até quando? O crime compensa?

Aprovação clara de “resultados históricos”

Por Miguel Braga
20 Out, 2022

Editorial da edição n.º 3894 do Jornal Sporting

Foram pouco mais de 1250 Sócios que se deslocaram no passado fim-de-semana ao Pavilhão João Rocha para a Assembleia Geral (AG) comum ordinária do Sporting Clube de Portugal. Em causa, a apreciação e votação do Relatório de Gestão e Contas do Sporting Clube de Portugal, respeitantes ao exercício de 1 de Julho de 2021 a 30 de Junho de 2022, elaborado pelo Conselho Directivo e acompanhado do Relatório e Parecer do Conselho Fiscal e Disciplinar.

Os Sócios voltaram a demonstrar o seu apoio à estratégia seguida pelo Clube (aprovação com 81,16% de votos a favor), mas ficou também demonstrado que o formato para as últimas Assembleias Gerais – de coincidirem com o dia de jogo da equipa de futebol – tem os resultados que se pretende: uma maior e mais activa participação dos Associados do Sporting CP. Foi isso mesmo que afirmou João Palma, presidente da Mesa da Assembleia Geral: “Mesmo que não tenha sido em dia de jogo, estamos satisfeitos com a afluência dos Sócios, gostaríamos que fosse maior e apelámos a que venham. Achamos que participar na vida associativa do Clube é uma demonstração de força, de riqueza associativa e de vivacidade do Sporting CP. Portanto, aqui fica o apelo para que, quem não veio hoje, venha numa próxima, porque é um prazer tê-los cá e poder esclarecê-los consoante os temas em discussão”. Convido à leitura da página 7, onde João Pedro Silva, secretário da Mesa da Assembleia Geral do Clube desvenda um estudo sobre os diferentes formatos, afluência e presença dos Sócios em dia de AG.

Antes do início da AG, o presidente Frederico Varandas congratulou-se com os melhores resultados de sempre apresentados no Relatório de Gestão e Contas – lucro de 13,6 milhões de euros − da História do Clube: “Apresentámos resultados históricos. Desde 2010 que pairava uma nuvem cinzenta de uma possível perda [da maioria] da SAD, em que o Clube teria de entregá-la aos bancos em 2026. Propusemos evitar isso desde 2018 e fizemo-lo antes do tempo. É uma grande vitória e a principal razão para este resultado”. E aproveitou para reforçar a estratégia que tem seguido desde 2018: “Não existe sucesso desportivo sem sucesso financeiro. Os relatórios e contas das SAD dos três ‘grandes’ são públicos, auditados e obrigatórios. Basta irem ver se existe algum desinvestimento do Sporting CP. Pelo contrário. Agora, essa doutrina de que o Sporting CP desinveste na parte desportiva para apostar na parte financeira é pura patetice".

Existem poucas palavras para descrever os feitos dos verdadeiros Leões Vicente Pereira, João Vaz, Diogo Matos e André Almeida no 10.º Campeonato do Mundo de natação adaptada e natação artística DSISO (Organização Internacional de Natação para Síndrome Down). A competição ainda vai a meio, e a tripla Leonina já conquistou o título de Campeão do Mundo em pelo menos uma prova, com um total de 16 medalhas das 20 que Portugal tem, até ao momento. Quando acreditamos, a superação não tem limites. Um exemplo.

Hora de reflectir... mas de tocar a unir

Por Juvenal Carvalho
14 Out, 2022

O rótulo de passar de bestiais a bestas é, desde sempre, recorrente no desporto, bem como o contrário. Afinal, sempre assim foi, não é de agora, e isso, porque o jogo é vivido intensamente a cada momento, até apimenta a clubite. Porque a paixão é tantas vezes irracional.

E é esta a verdade para a grande maioria dos adeptos, porque eles − eu também − o vivem sempre com a lógica da paixão, e onde tantas vezes prolifera o emocional, o que não tem, de forma alguma, de ser minimamente condenável. 

É assim de todo o sempre. Assim será no futuro. É tanto isto que faz mover a paixão pelo Clube.

Eu, que não sou o pior dos pessimistas, e que tendo a ser calmo, também falo sozinho, dou palmadas nas cadeiras, chamo até nomes quando as coisas não correm bem, no fundo sou apenas mais um dos "irracionais" na vivência do nosso Sporting CP.

E se era em mais jovem, assim continuo. É sinal que o meu Sportinguismo continua exacerbado e imaculado.

Gosto de ver o nosso Clube, como todos vocês, ganhar sempre. É isso que nos move e é nisso que a cada jogo, independente da modalidade ou do adversário, acreditamos.

Na quarta-feira, confesso que esperava mais. Não o dizer seria contra a minha forma de estar. Fez-me até lembrar a Lei de Murphy a forma como decorreu a parte inicial do jogo, e não só, com os franceses. A repetir o ocorrido na semana anterior em terras gaulesas.

Escrevo ainda esta coluna de opinião a quente, logo triste com esta exibição, como com qualquer outra derrota do nosso Clube. Detesto ter este sentimento − pouco antes havia tido também no basquetebol − mas quero encontrar motivos para tentar ver coisas positivas numa derrota. Não quero passar paninhos quentes, mas quero acreditar em dias melhores. Será um chavão dizer que dias melhores virão? Que seja, mas eu acredito nisso.

Será outro chavão dizer que temos que levantar a cabeça? Que seja, mas tenho a profunda convicção que os rapazes assim o farão. Uma coisa sei e não é chavão algum. Quando as coisas correm menos bem, poderia até escrever sobre História Leonina − uma 'praia' que gosto tanto de abordar − e não dos resultados desportivos. Mas não. Apesar da minha 'irracionalidade', gosto demais do Sporting Clube de Portugal para o abandonar ou fugir do assunto nos maus momentos. Afinal, recordo-me tanto das palavras de um grande Leão, já falecido, que tantas vezes me dizia: 'Somos do Sporting porque o amamos. Não pelos resultados do futebol. Porque se assim fosse não o seríamos'. Já agora, e para terminar, tentando ver algum positivismo num momento em que reafirmo estar a escrever a quente, e naturalmente desanimado. Ainda estamos em todas as disputas possíveis. Domingo há jogo para a Taça de Portugal, e é para ganhar.

A hora é de reflectir, mas sobretudo, e obrigatoriamente, de ter que tocar a unir.    

Em todos os momentos

Por Juvenal Carvalho
07 Out, 2022

Numa semana em que tantos motivos tivemos para sorrir, não só no plano nacional, mas também internacional, com o basquetebol e o andebol a conseguirem o apuramento para a fase de grupos das competições europeias onde estão inseridos, com o râguebi feminino a conquistar a sua quarta Supertaça consecutiva, e ainda com o atletismo, nos dois géneros, a trazer para o Museu os títulos nacionais de estrada, os momentos menos bons também aconteceram. Isto do desporto tem coisas de difícil explicação. Claro que falo do jogo da Champions League em Marselha. Quando Trincão marcou cedo e Pote, pouco depois, poderia ter ampliado o marcador, estava no ar mais uma tarde que cairia para o Leão, mas eis que em pouco tempo, sendo isto um jogo colectivo onde os erros serão para serem assumidos por todos, Antonio Adán, um guarda-redes fantástico, e porque tenho memória lhe agradeço tanto, esteve num dia não. Foi até expulso ao minuto 23. Essa condição de ser humano e errar é intrínseca a todos. E ele é humano e um profissional de excelência. Que como humano jamais esquecerá este dia menos bom. Mas que terá que ser com o apoio de todos, como o fez, e com que propriedade, o nosso treinador ao afirmar na Conferência de Imprensa no pós-jogo 'não preciso dizer nada ao Adán, ele já nos salvou tantas vezes'. Afinal tem estado em várias conquistas com mãos de ferro. Estarei sempre ao lado dele, como aliás de todos os outros. Ser do Sporting é estar em todos os momentos. E afinal, mesmo com este percalço, ainda estamos na liderança do grupo ao virar para a segunda volta.

Logo, desistir é para os fracos. E desses não reza a história neste grupo de trabalho de Rúben Amorim. Quarta-feira estaremos todos unos e indivisíveis. Só assim podemos seguir em frente. E eu, acredito muito que vamos seguir. 

Mas como referi na entrada desta coluna de opinião, o Sporting CP é mais do que futebol, e a Europa também se rendeu ao poderio do Leão. No basquetebol, na FIBA Europe CUP ao derrotar, respectivamente, os alemães do BG Göttingen (84-83) e os belgas do Antwerp Giants (98-85), assegurando a presença na fase de grupos, e no andebol, ao afastar os dinamarqueses do Bjerringbro-Silkeborg com um agregado nas duas mãos (61-55), também continuam em prova. Em breve entrarão em acção o futsal, o voleibol, o hóquei em patins e o ténis de mesa. O objetivo é aumentar o número de 42 conquistas. E porque somos Sporting Clube de Portugal, tudo o que não seja sonhar com isso é pensar pequeno. Afinal, o nosso ADN é o de conquistas. E são possíveis. Claro que são!

Para o fim deixo a modalidade colectiva e individual que mais conquistas deu ao nosso Clube. Claro que falo no atletismo. Se em jeito de rescaldo de uma época agora terminada, no feminino, da pista ao crosse, passando pela estrada, foi alcançado o pleno de conquistas, no masculino está, quero acreditar, para breve o regresso aos títulos na pista, este ano já esteve por um fio, sendo que no crosse só um erro vergonhoso da organização nos impediu de ser campeões nacionais, e na estrada fomos mesmo campeões no passado domingo.

Falar de atletismo é falar de toda uma história de conquistas. Como nenhum outro.

Leõezinhos

Por Pedro Almeida Cabral
07 Out, 2022

De olhos fixos no presente, temos também de prestar atenção ao que será o futuro. Pode ser que tenhamos tido esta semana um vislumbre da próxima geração de talento a chegar à equipa sénior. A folgada vitória dos juniores do Sporting Clube de Portugal na Youth League, por seis golos sem resposta do Olympique de Marseille, deixa-nos a imaginar o que poderá ser a evolução de alguns destes Leõezinhos. É certo que esta competição tem características muito próprias. Os modelos de formação variam de país para país e os jogos nem sempre têm um ritmo competitivo aproximado ao escalão principal. Ainda assim, talento é talento. Quando existe em proporções generosas, há possibilidade de explodir. Mas vamos ao jogo.

Após um início mais físico em que os franceses ameaçaram e falharam inacreditavelmente um golo certo, a superioridade técnica Leonina impôs-se com naturalidade. Um fabuloso trabalho na ponta esquerda de Afono Moreira, que partiu os rins a um defesa gaulês, culminou com um toque subtil de Rodrigo Ribeiro que inaugurou o marcador. Seria novamente o ponta-de-lança Rodrigo Ribeiro a ser decisivo, com uma assistência para Samuel Justo, que marcou o segundo. Logo de seguida, o inevitável Rodrigo Ribeiro com um passe de calcanhar assistiu Mateus Fernandes para o terceiro. Na segunda parte, mais do mesmo. O Sporting CP não tirou o pé do acelerador e seguiu a grande velocidade, com mais três golos. O quarto teria novamente a assinatura de Rodrigo Ribeiro, numa cabeçada oportuna. Bem como o quinto golo, igualmente de cabeça. Aqui chegados, é tempo de balanço. O jovem jogador Sportinguista esteve, portanto, nos cinco golos, marcando três e assistindo para dois, não desperdiçando oportunidades. Segue na terceira posição dos melhores marcadores da prova e deixa belíssimas indicações que tem asas para voar mais alto. O resto do desafio ainda teve história. Houve tempo para mais um golo, desta feita de Afonso Moreira, com um remate colocado na grande área marselhesa. O jovem extremo a coroar também uma excelente exibição, iniciada com a magnífica assistência do primeiro golo. Porém, nem só de atacantes vive esta equipa. O nosso guarda-redes, Diego Callai, defendeu um penálti, deixando as nossas redes imaculadas numa tarde perfeita. 

Seguimos em primeiro no nosso grupo com duas vitórias e um empate. Embora esteja ao nosso alcance, a qualificação não está garantida. Até agora, ficam sinais encorajadores de que podemos chegar longe na competição. Da nossa parte, devemos acompanhar, incentivar e apoiar estes Leõezinhos. Estou certo de que alguns deles irão dar-nos a satisfação de jogarem pela equipa principal no Estádio, sob ovação geral. E aí poderemos lembrar-nos como tudo começou, em jogos como este.  

Páginas

Subscreva RSS - Opinião