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Opinião

Oito em Onze

Por Miguel Braga
19 Jan, 2023

Editorial da edição n.º 3907 do Jornal Sporting

O Sporting Clube de Portugal conquistou a Taça Hugo dos Santos 2022/2023 de basquetebol, jogando e vencendo na final a AD Ovarense por 71-79. Apesar de ainda estarmos em Janeiro, este foi o segundo troféu da presente temporada – recorde-se que a equipa liderada por Pedro Nuno Monteiro conquistou também a Supertaça em Setembro passado após vencer o SL Benfica por 89-84.

Jogada no formato final four, a Taça Hugo dos Santos teve como palco o Pavilhão Multiusos de Gondomar. O jogo da meia-final foi com o FC Porto, sendo que ao intervalo a equipa vencia por 35-47, com Travante Williams e Marcus LoVett Jr. em grande nível, com dez pontos cada. Na segunda parte, o FC Porto aumentou a pressão e conseguiu encurtar a distância pontual, estando a apenas cinco pontos de igualar o marcador. No entanto, a equipa não vacilou no capítulo da eficácia e, aproveitando os lances livres, chegou ao final do encontro com uma vitória por 84-97. Estava cumprida a primeira missão.

O jogo ficou também marcado por um jogador da equipa adversária ter ameaçado um colega de profissão com um gesto de um tiro na cabeça. O jogador em causa foi excluído da partida, mas exige-se da Federação mão pesada para este comportamento que deveria ser banido dos recintos desportivos.

No dia da final, e como equipa detentora do troféu (2021/2022), os comandados de Pedro Nuno Monteiro registaram uma entrada muito forte, assim que soou o apito inicial. Com Joshua Patton em grande destaque, o Sporting CP chegou ao intervalo a vencer por expressivos 30-47.

No terceiro quarto, logo após o intervalo, a equipa Leonina manteve-se igual a si própria: competente, focada e a lutar pelo objectivo, contra uma AD Ovarense sem grande resposta. Já no último período, o adversário tentou encurtar a distância no marcador e conseguiu estar a sete pontos, com um 69-76 no marcador. Mas, rapidamente, a eficácia dos Leões voltou a dilatar a vantagem, oferecendo uma vitória que nunca esteve em causa por 71-79.

Esta foi a segunda Taça Hugo dos Santos consecutiva do Sporting CP. E foi o oitavo troféu conquistado em 11 possíveis desde que a equipa sénior masculina da modalidade regressou ao palco maior do basquetebol nacional: “Fomos a nove finais e só perdemos uma. Esta secção está talhada para estes momentos. A direcção tem mérito porque tem escolhido as pessoas certas. A equipa teve algumas mudanças, mas continua num caminho vitorioso. Temos potencial para ganhar muito mais. Se me tivessem dito há quatro anos que ia ganhar oito títulos de 11 possíveis não ia acreditar”, afirmou o capitão Diogo Ventura. Um exemplo de superação e competência que só pode orgulhar o mundo Sportinguista. 

Imparáveis

Por Pedro Almeida Cabral
19 Jan, 2023

Mais um fim-de-semana, mais um título para o basquetebol do Sporting Clube de Portugal: a Taça Hugo dos Santos de 2022/2023! Desde 2019 que é assim. O regresso da histórica modalidade ao Clube tem sido avassalador. Conquistámos o Campeonato Nacional de 2020/2021 e não fora a pandemia a interromper a competição e creio que teríamos ganho igualmente o de 2019/2020. Também fizemos nossas as três últimas Taças de Portugal de 2019/2020, 2020/2021 e de 2021/2022. E já estamos apurados para os quartos-de-final da edição de 2022/2023, a realizar em Fevereiro próximo. Os títulos não ficaram por aqui. Arrecadámos para o Museu Sporting as Supertaças de 2021/2022 e de 2022/2023, bem como a Taça Hugo dos Santos de 2021/2022. Contas feitas, são oito títulos conquistados em 11 possíveis: apenas não conquistámos a Taça Hugo dos Santos de 2019/2020 e de 2020/2021, bem como o campeonato da época passada.

A reativação do basquetebol Leonino é mesmo uma história de sucesso. Erguer uma equipa competitiva e ganhadora numa modalidade que não tem fundas raízes em Portugal seria sempre desafiante. O que só sublinha a capacidade que tivemos para construir plantéis equilibrados, instilar mentalidade ganhadora e ter confiança para os jogos decisivos.

O que vimos nesta recente conquista foi a aplicação prática do que tem sido feito. Entrámos muito bem no sábado contra o FC Porto. Ganhámos o jogo por uns tranquilos 97-84. Chegámos até a ter 15 pontos de avanço. Marcus LoVett Jr. com 25 pontos esteve impecável. Infelizmente, este jogo ficou marcado por uma lamentável cena do base do FC Porto, Teyvon Myers, que apontou uma pistola figurada com os dedos à cabeça de António Monteiro, acabando expulso. São gestos como este que não podem ter lugar no desporto. O jogo da final veio domingo, com mais uma vitória sem contestação, perante a AD Ovarense, por 79-71. Depois da Supertaça ganha em Setembro frente ao SL Benfica, foi o segundo troféu da época. A equipa vareira nunca chegou a estar perto de estar na frente no marcador. Uma entrada fulgurante, com vantagem de 13 pontos, ditou o rumo dos acontecimentos. Patton foi o MVP, com 18 pontos, nove ressaltos e seis desarmes. Na hora de receber a Taça, era visível a alegria dos nossos capitães Diogo Ventura e João Fernandes. E como gostei de os ver, eles que estão na nossa equipa desde o regresso triunfante da modalidade há quatro anos. São eles parte fundamental do esteio para ter um basquetebol tão titulado.

Palavra final para as declarações do nosso treinador, Pedro Nuno, quando referiu que a equipa parece talhada para estes grandes momentos, em que só se pode ganhar ou perder. É o retrato fiel de como temos jogado e ganho desde 2019. A época ainda tem muito para jogar, mas se tivermos esta atitude e concentração, mais conquistas virão.

Ganhar é o nosso desígnio

Por Juvenal Carvalho
19 Jan, 2023

Escrevi aqui, na coluna de opinião da semana passada, que o "meu" dérbi, aquele que faz parar o país, me tirava do sério e que tudo o que o antecedia era de ansiedade. E foi. Nada mudou no que escrevi.

O que não estava preparado era para um fim-de-semana tão intenso nas emoções vividas. Daqueles 'à Sporting', que mexem com conquistas, e elas chegaram naturalmente, passados que estão apenas quinze dias desde a entrada do ano de 2023.

Se o dérbi no futebol trouxe intensidade, imprevisibilidade, e a paixão de todo um histórico entre ambos, e com ele um empate a dois golos que não me deu a felicidade e a tal noite mal dormida a rebobinar os lances, porque gosto sempre que o Sporting CP ganhe, a verdade é que o fim-de-semana foi de emoções muito fortes. Não só para mim, mas para tantos de vós. E começou logo na sexta-feira, no futsal, com o 'João Rocha' esgotado para assistir ao melhor dérbi do mundo da modalidade que mais uma vez caiu para nós, naquela sorte que dá muito trabalho para alcançar o êxito. A sorte de ter Nuno Dias na liderança de um grupo habituado a ganhar naturalmente, quase como respira. 

A noite foi épica e o 6-4 final com o pavilhão ao rubro prenunciava um fim-de-semana muito positivo para as nossas cores.

E assim foi. No "meu" basquetebol, porque se não escondo o amor incondicional ao todo que é o Clube, menos posso deixar de referir a minha ligação afectiva de muitos anos a esta modalidade, os ares do Norte fizeram bem aos comandados de Pedro Nuno Monteiro, que somaram à conquista da Supertaça no início da época a Taça Hugo dos Santos, ao vencer respectivamente na meia-final o FC Porto (97-84) e na final a AD Ovarense (79-71). Chegou assim a conquista do oitavo troféu em onze possíveis desde o regresso em 2019. E também aqui nada é por acaso, mas sim com a marca indelével da competência. Com ele veio também a dedicatória do coordenador da secção Nuno Baião − de quem fui seu dirigente na equipa sénior ainda tão jovem − e do "capitão" Diogo Ventura − que carácter, que humildade − desta conquista a Edgar Vital, que faleceu à precisamente um ano. Onde estiver, estará feliz pelo reconhecimento. O exemplo de que ter memória é ter história. E o nosso Clube tem uma história imensa. Mas as emoções − e as conquistas −, que mesmo não estando presente acompanhei por informações de responsável da secção, não ficaram por aqui. Chegou também mais um troféu para o ténis de mesa, que depois da conquista da Supertaça no início da época, venceu a 34.ª Taça de Portugal da sua história. E que história, que marca um domínio de décadas nesta modalidade.

Estão assim conquistados os primeiros troféus de modalidades colectivas em 2023, sendo que no plano individual também o êxito esteve na ordem do dia, com o nosso marchador João Vieira a sagrar-se campeão nacional na prova de 35km estrada. Outros chegarão. Será incontornável. Afinal, é este o nosso desígnio e tantas vezes com a superação a ser o registo. O registo que nos leva a tantos êxitos.

O "meu" dérbi

Por Juvenal Carvalho
12 Jan, 2023

Existem momentos que nem a inesperada derrota na Madeira, apesar da tristeza que a mesma me provocou, como sempre que as coisas nos correm menos bem, em que abrimos o coração, e são esses momentos, na irracionalidade do futebol, que nos fazem também ser “irracionais”. Sim, o meu rival de sempre, e que funciona como que um “ódio” de estimação será sempre o SL Benfica. Como costumo dizer entre amigos Sportinguistas, gosto que eles percam, até nos treinos. É assim que vejo hoje, e se ainda não me passou até agora, decerto que me ficará para todo o sempre, o meu sentimento pelo rival... o nosso eterno rival. 

Desde muito criança, e os meus amigos estão muito acima de que clube forem, porque os amigos de sempre não têm clube, ideologia política ou crença religiosa que me afaste deles, que sempre vi o rival com pouca simpatia. Aquela antipatia derivada de ser o clube que, passem os anos que passarem será o eterno rival − inimigo é outra coisa.   

E porque esta semana iremos ao Estádio da Luz, vou, como disse no início deste texto, abrir o coração. É o momento, e já vivi tantos, até porque desde cedo me apaixonei pelo Sporting CP, que estranhamente fico nervoso e diferente na semana que o antecede.  

É uma semana que, independentemente da classificação do momento, e desde que me conheço, até que chegue a hora do jogo, o meu pensamento está no pontapé de saída. Como que uma sensação estranha me invade. Procuro não ler muito sobre o mesmo, evito até ver espaços televisivos, onde tantos opinam, que me levem a ele antes da sua realização. 

Parece-me mesmo que os dias são maiores e que nunca mais chega o momento de a bola começar a rolar. Chegado o momento, seja ao vivo ou pela televisão, estou completamente fora do registo. Sofro desmedidamente. Nem sei se digo palavrões ou se o meu léxico durante os 90 minutos é o meu estado normal em modo dérbi. Sou, pois, um irracional, que só vê faltas contra o adversário, penáltis a cada queda na área do adversário, etc.

Esta semana estou, pois, estranhamente nervoso. E assumo que quero ganhar os jogos todos, e a todos, sabendo que isso não é possível, mas o dérbi é o meu jogo de todos os tempos. Aquele que me tira do sério. Aquele que se ganhar não consigo dormir a rebobinar os grandes momentos. Aquele que se perder fico com um humor pouco recomendável. 

E isto é jogo após jogo. Ano após ano. Será assim ad eternum. Só volto à normalidade no dia seguinte. Que este seja mal dormido pela excitação da vitória.

Decididamente, são o meu rival, sendo que o desporto não é uma guerra. "Guerra" são aqueles 90 minutos!

PS - Partiu Ferenc Mészáros e com ele tanto da minha memória de adolescente. Que guarda-redes. Que classe. Que campeão. Até sempre, magiar do cabelo comprido e do bigode farfalhudo. 

Mészáros

Por Pedro Almeida Cabral
12 Jan, 2023

Custa sempre quando um ídolo desaparece. Ainda para mais, quem tanto nos fez sonhar. Partiu há dias Ferenc Mészáros, o antigo guarda-redes internacional húngaro do Sporting Clube de Portugal, campeão em 1982. Numa altura em que não se exigia aos guardiões que fossem muito altos, Mészáros media apenas 1,83m. Tinha, porém, outros atributos para compensar. O “Leão de Budapeste”, como ficou conhecido, era exímio na reposição da bola em jogo. Num excelente livro sobre a histórica época de 1981-1982, intitulado Big Mal e Companhia, da autoria do Sportinguista Gonçalo Pereira Rosa, ficamos a saber como Malcolm Allison exigia este movimento, que foi uma imagem de marca. Lá ia a bola rápida para Freire ou Oliveira, os extremos do Sporting CP nesse ano de dobradinha. Mas Mészáros fazia mais. Com elegância, defendia bolas impossíveis, saltando a distâncias consideráveis. Desde a saída de Damas, ocorrida anos antes, que a baliza Sportinguista tinha ficado órfã de classe na defesa das redes. Foi o húngaro que finalmente esteve à altura e acabou por ser fundamental na campanha dessa época, que ainda rendeu a Supertaça no início da época seguinte.

Para mim, Mészáros é apenas uma memória muito enevoada, porque era muito miúdo e o Sporting CP chegava-me aos soluços, quando o meu pai não estava entretido a puxar-me para outro clube lisboeta. Porém, recordo bem a sua figura característica, com bigode e farto cabelo a condizer. Dessa equipa inesquecível, onde o trio mais conhecido eram Manuel Fernandes, Jordão e Oliveira, não podiam faltar na defesa Carlos Xavier, Eurico e Mário Jorge, bem como os médios Nogueira e Ademar. Sabemos bem o que custa ser campeão em Portugal pelo Sporting CP. Por isso, cada vez que relembro um campeonato que presenciei, fica um orgulho Leonino que não desparece.  

PS: No último fim-de-semana, a derrota na Madeira perante o CS Marítimo ficou marcada por lances com influência no resultado. Ao minuto 50, não foi assinalado um claríssimo penálti sobre Pedro Porro. Não podem restar dúvidas quando se vê Léo Pereira a empurrar pelas costas o jogador Leonino. Não bastasse o empurrão, houve também um toque com o pé esquerdo no tornozelo do espanhol. Infelizmente, para o Sporting CP, um erro parece nunca vir só. Logo a seguir, ao minuto 51, nova falta por assinalar, com os mesmos protagonistas. É certo que foi fora da grande área maritimista. Porém, teria de resultar em livre directo e cartão amarelo. Nada foi assinalado. O jogo seguiu e acabou como se sabe. Os anos passam, os campeonatos jogam-se e, mesmo com VAR, há erros clamorosamente reincidentes contra o Clube. Merecíamos mais.

Em nome do atletismo

Por Miguel Braga
12 Jan, 2023

Editorial da edição n.º 3906 do Jornal Sporting

O nome do professor Mário Moniz Pereira é indissociável da história do atletismo português. Figura incontornável do Sporting CP, elevou a modalidade e o desporto nacional a patamares nunca antes vistos. Um dia confessou: “Uma vez perguntaram-me o meu objectivo número um e eu disse: ‘que um dia um atleta treinado por mim vá aos Jogos Olímpicos ganhar a medalha de ouro e que eu ouça o hino português ouvido em toda a parte do Mundo.’ Responderam que era maluco, mas disse que ia tentar. Demorou 39 anos.”

O homem que afirmou que “a sorte dá muito trabalho” teve uma vida dedicada ao desporto. Ainda há pouco tempo, fiquei a saber que o professor Moniz Pereira também teve mão na fundação do CDUL (Centro Desportivo Universitário de Lisboa), ao lado do Eng. Vasco Pinto de Magalhães e de outros nomes como Serafim Cordeiro Marques, Dr. António Sá Lima, Prof. José Eduardo Berrado Santos, Prof. Joaquim da Calça e Pina e Dr. Ruy Sanches da Gama. E foi no CDUL que através do rugby que tive a passagem de valores transversais a estes homens do desporto: lealdade, integridade, honestidade, respeito e paixão.

O professor Moniz Pereira acreditava no trabalho e na dedicação individual em prol do objectivo final: “Só há uma coisa comum a todos os métodos de treino: treinar todos os dias. Treino todos os dias com quaisquer condições atmosféricas. Num terramoto? Se isso acontecesse, só tínhamos de correr sempre para baixo, em direcção ao centro da terra”.

Era, de facto, um homem de métodos, mas alguém que também ganhava tempo para conversar e sentir a vida. Lembro-me de assistir a longas conversas entre o próprio e o meu pai (um apaixonado pelo Sporting CP e pelo atletismo) sobre meetings, sonhos e conquistas do Clube, fosse depois do recorde do mundo de Fernando Mamede, do ouro alcançado por Carlos Lopes ou das batalhas do corta-mato que na altura seguia religiosamente através da televisão.

Além do Sporting CP e do desporto, o meu pai e o prof. Moniz Pereira tinham também outras paixões em comum: a língua portuguesa e a música. Aliás, no seu currículo, o prof. Moniz Pereira foi autor de mais de 130 temas, como compositor e letrista, tendo sido cantado por nomes como Deolinda e Celeste Rodrigues, Maria da Fé, Tony de Matos, Camané, Carlos do Carmo ou… João Braga.

No próximo dia 22 de Janeiro, terá lugar na Expocentro, em Pombal, o Meeting de Atletismo Prof. Moniz Pereira, com organização do Sporting CP, com provas de 60 metros barreiras, salto com vara, salto em altura, salto em comprimento, lançamento do peso, 60 metros, 400 metros e 1500 metros, com início marcado para as 17h00.

Nota final: partiu um dos meus primeiros heróis de verde e branco, Ferenc Mészáros, guarda-redes campeão e um homem que deixa saudades dentro e fora do campo. Até sempre.

Que 2023 seja 'à Sporting'

Por Juvenal Carvalho
05 Jan, 2023

Terminado que está 2022, um ano que no plano social foi marcado, entre outros factores, por uma ignóbil guerra na Europa, entre outras guerras que se arrastam no tempo, embora com menor mediatismo por outros locais do globo, e ainda por uma crise económica sem precedentes, com os portugueses a sentirem com estrondo na carteira o efeito da mesma, o tempo tem - é obrigatório - de ser o de reagir às adversidades.

Chegada que foi a hora de nos despedirmos do ano velho, que, como disse atrás, pouco de abonatório trouxe à grande maioria de nós, coube-nos pedir um ano de 2023 francamente melhor, aproveitando aqui para parafrasear Luísa Semedo, professora e cronista do jornal Público, numa crónica ainda recente naquela publicação em que termina a mesma dizendo:  “A esperança é a última a morrer, aprendi como Sportinguista”.

E em cada um de nós, que trazemos o Leão no coração, chegada que foi a altura das doze passas e de abrir o champanhe, pedimos naturalmente um ano fantástico para o nosso Clube, momento intrínseco à nossa condição, a de ter essa infinita esperança. E nestes pedidos, até tivemos também o direito de aliar o sonho. O sonho de muitas conquistas nacionais e internacionais. Afinal foi o Sporting Clube de Portugal que nos habituou a este sonho transformado inúmeras vezes em realidade. Ganhar é, desde 1906, o nosso desígnio, sabendo nós que só ganha um em cada competição.

Mas de 2022 para o ano que agora está a iniciar, faz sentido pedir conquistas nacionais e internacionais. Ter pelo menos a ambição de lutar por elas. Do futebol às modalidades. Logo no início do ano começam testes de fogo no plano internacional, do futebol ao voleibol, do andebol ao hóquei em patins passando pelo atletismo, pelo ténis de mesa e pelo futsal. É caso para dizer de tanto Sporting CP que todos nós poderemos desfrutar. Direi, sem ponta de exagero, com foros de inigualável.

Também no plano nacional, e pela amostra do que foi disputado até agora, é legítimo ter aspirações, porque parece claro que estamos na luta em todas as decisões que irão chegar mais lá para o meio do ano de 2023. E ninguém irá regatear esforços para que o nosso Museu fique ainda mais emoldurado. Essa convicção que tenho será seguramente partilhada por cada um de vós. E teremos que ser todos juntos no apoio incessante que é tão característico do nosso Clube. Faço também daqui o apelo para que este ano leve mais gente aos pavilhões e aos estádios onde estiver o símbolo do Leão rampante.

Termino com o desejo de que tenham um excelente 2023 extensivo à restante família, e que seja mais um ano de conquistas... 'à Sporting'.

PS - Morreram dois Leões de juba bem alta e amigos pessoais de muitos anos. Até sempre, António Maia, antigo atleta e funcionário do Sporting CP, e José Alvarez, uma figura marcante da vida do Jornal Sporting. O Clube fica muito mais pobre sem vocês. Descansem em paz!

Nuno Dias

Por Pedro Almeida Cabral
05 Jan, 2023

Tal como o Sporting Clube de Portugal não existe sem os seus Sócios, as conquistas desportivas nunca existem sem o trabalho de muita gente. O sucesso não resulta nunca de um homem ou de uma mulher só. Por trás de cada atleta, de cada equipa, de cada secção, está o trabalho, muitas vezes invisível, de um conjunto de pessoas unido pela mesma causa comum. Causa essa que, no Sporting CP, consiste no Esforço, na Dedicação e na Devoção pelo Clube. Sabendo sempre que a Glória não surge em último por acaso. É porque tem de ser antecedida do resto.

Por ter esta compreensão do desporto enquanto fenómeno coletivo, não gosto de destacar singularmente alguém ao serviço do Sporting CP. Há, porém, notórias exceções. São aqueles que pela força das suas convicções, pela constância da sua visão e pela intensidade da ligação ao Clube, marcam uma era. É o caso do nosso treinador de futsal. Tendo começado há 11 anos no Sporting CP, nem por um momento se afrouxou a ligação. Além de ter ganho tudo o que havia para ganhar, Nuno Dias tem sabido reinventar-se e acompanhar a evolução da modalidade. Os sucessivos títulos, em crescendo, são disso prova. Os números falam por si: mais de 30 troféus, entre os quais duas UEFA Futsal Champions League, sete Ligas, seis Taças de Portugal, sete Supertaças e quatro Taças da Liga. A melhor época terá sido a de 2020/2021, quando fizemos um inédito quadruplete: UEFA Futsal Champions League, Liga, Taça e Taça da Liga. Recordo que nesse ano a Supertaça não se disputou. Nessa temporada, sofremos apenas uma única derrota, sendo a melhor época de sempre do futsal do Sporting CP. Convém lembrar que Nuno Dias não trabalha sozinho. Paulo Luís, o seu infatigável treinador-adjunto, acompanha-o desde 2012 e tem sempre sabido cumprir com igual mestria o seu ofício. E eu não me esqueço, e os Sportinguistas também não, quando orientou a equipa em 2017/2018 nos últimos dois jogos da fase final, que nos valeram o ansiado tricampeonato.

Este percurso, eivado de Sportinguismo, não poderia acabar. Há muito que penso que Nuno Dias ainda tem muito para dar ao Sporting CP. Ou não fosse, actualmente, o melhor técnico de futsal do mundo. A sua recente renovação até 2027, anunciada com muito humor nas redes sociais do Clube, é ter a certeza de que vamos ter uma equipa a lutar para ganhar todas as competições, nacionais e europeias, com a mesma garra que vimos na última década. Só temos de fazer a nossa parte e continuar a brindar o míster com o nosso Sportinguismo no Pavilhão João Rocha!

A galeria dos 300

Por Miguel Braga
05 Jan, 2023

Editorial da edição n.º 3905 do Jornal Sporting

Sebastián Coates é o 20.º jogador na história do Sporting CP a atingir a marca dos 300 jogos pela equipa principal de futebol. Um feito que pertence a jogadores que marcaram o Clube, os Sócios e os adeptos durante largos anos de dedicação à causa Leonina dentro das quatro linhas.

São eles*: Hilário, defesa (D), 475 jogos; Rui Patrício, guarda-redes (GR), 467; Vítor Damas, GR, 444; Manuel Fernandes, avançado (A), 433; Azevedo, GR, 408; Oceano, médio (M), 401; José Carlos, D, 353; Manuel Marques, M, 352; Pedro Barbosa, M, 342; Anderson Polga, D, 342; Adolfo Mourão, A, 339; Manuel Vasques, A, 336; Carlos Xavier, M, 334; Fernando Peyroteo, A, 325; Marinho, A, 323; Albano, A, 318; Beto, D, 315; Liedson, A, 313; Travassos, A, 310. E por último, El Capitán, que fez o seu 300.º jogo na vitória por 3-0 frente ao FC Paços de Ferreira.

Algumas curiosidades do grupo: o pódio dos maiores goleadores pertence a Peyroteo com 524 golos de Leão a peito, o que dá a sempre impressionante média de 1,61 golos por jogo; Manuel Fernandes facturou 258 vezes; Manuel Vasques marcou 214. A título de nota, atrás deste trio e fora dos grupo dos jogadores com mais de 300 jogos pelo Clube, estão Manuel Soeiro, com 207 golos marcados, e Rui Jordão, com 184.

Dos defesas do grupo dos 20, Coates, além de ser o único em actividade, é já o maior goleador com 28 tiros certeiros, destronando Beto e a sua marca de 25 golos.

Tive o prazer de ver jogar metade destes jogadores. Os outros dez, foram-me apresentados por histórias contadas pelos mais velhos desde que me lembro. Alguns exemplos: do Hilário como “o melhor lateral-esquerdo de sempre”, da “máquina de fazer golos” chamada Peyroteo ou do “Zé da Europa”, o Travassos, e da garantia que muitas vezes ouvi que “foi dos melhores jogadores portugueses de sempre”. Tenho também o privilégio de já ter conhecido alguns que, como adepto, já idolatrei no relvado, e que fazem parte do coração da família Sportinguista. Esse coração está agora maior e tem um novo membro nascido no Uruguai.

A forma como a equipa e o staff celebraram em pleno relvado a marca de Coates é prova da admiração e respeito por um dos melhores defesas de sempre de Leão ao Peito. Também por isso, nas páginas deste Jornal Sporting entrevistámos o nosso capitão, El Patrón, Sebastián Coates, o homem que lidera a equipa dentro de campo e que é um exemplo fora dele. Obrigado, Seba, pelos 300 e que venham os próximos!

*1: NOTA: Todos os dados foram retirados do site zerozero.pt.

2022 em revista

Por Miguel Braga
29 Dez, 2022

Editorial da edição n.º 3904 do Jornal Sporting

Estamos nos últimos dias de 2022, um ano marcado por vários acontecimentos e conquistas no mundo verde e branco. Nas páginas deste Jornal encontra um resumo das highlights de 2022 e nos próximos dias também teremos nas redes sociais do Clube, um vídeo resumo com todas as conquistas.

Recordemos que o Sporting CP entrou em 2022 a ganhar, com a conquista, ainda em Janeiro, da Taça de Portugal pelo ténis de mesa, da Taça Hugo dos Santos pelo basquetebol e da Taça da Liga pela equipa liderada por Rúben Amorim. Nesse mesmo mês, Jorge Fonseca foi condecorado pelo presidente da República pela conquista da medalha de bronze na categoria de -100kg nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e venceu o Grand Prix de Portugal, prova do circuito mundial da International Judo Federation. No atletismo, Mariana Bento foi campeã nacional de provas combinadas de sub-23 com recorde pessoal e Jane Karla Gögel (do desporto adaptado) ficou em primeiro lugar na ronda de qualificação da Taça do Mundo de tiro com arco indoor. No primeiro mês do ano que agora termina, o futsal do Sporting CP foi eleito Melhor Clube do Mundo, Nuno Dias o melhor treinador, Guitta o melhor guarda-redes e Zicky melhor jovem jogador do mundo nos FutsalPlanet Awards 2021. E ainda estávamos em Janeiro.

Precisaria de mais algumas páginas para resumir as conquistas do Clube nos meses que se seguiram: só em Fevereiro, conquistámos o primeiro lugar seniores masculinos, o segundo lugar sub-20 e estafeta mista na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo; Diogo Abreu e Pedro Ferreira ficaram em terceiro lugar no trampolim sincronizado na Taça do Mundo de Baku; fomos Campeões nacionais sub-20 de atletismo, Campeões nacionais sub-14 de basquetebol, a equipa feminina de atletismo venceu o Campeonato Nacional de Clubes em pista coberta e Vânia Silva sagrou-se Campeã da Europa master do lançamento do martelo, no escalão W40, com a marca de 56,70 metros. Além de várias conquistas nos Campeonatos de Portugal em pista coberta, Auriol Dongmo fez a melhor marca mundial do ano no lançamento do peso e vencemos a Taça da Liga de futsal.

Seguiram-se muitas conquistas, ao longo dos meses, fruto do trabalho árduo dos atletas, dos treinadores, do staff e de toda uma estrutura que acompanha e apoia aqueles que dão tudo pelo Sporting CP. Só em Março, entre várias outras, Patrícia Mamona conquistou o primeiro lugar no triplo salto do meeting de Paris e Lorène Bazolo bateu o recorde nacional dos 60 metros, numa marca fixada há 24 anos. Já Auriol Dongmo garantiu a medalha de ouro no peso, com 19,68 metros, no primeiro dia da Taça da Europa de Lançamentos e fez a melhor marca mundial do ano com 20,43 metros, conquistando a medalha de ouro no Campeonato do Mundo em pista coberta.

Em Abril, Teresa Bonvalot venceu o Caparica Surf Fest e a Joaquim Chaves Saúde Porto Pro, conquistámos a Taça de Portugal com o rugby feminino e a natação venceu o Campeonato Nacional de Clubes em feminino e masculino pela primeira vez na mesma época. Em Maio, foi a vez de vencer a Taça de Portugal com o basquetebol, o futsal e a equipa de futebol feminino; o voleibol feminino também conquistou a Taça Federação e a ginástica arrecadou inúmeros títulos nacionais − trampolins: 11 ouros, quatro pratas e cinco bronzes; acrobática: seis ouros, duas pratas e um bronze; e teamgym: oito ouros e um bronze.

Nos meses de Verão, o Esforço, a Dedicação e a Devoção de muitos resultaram na Glória do Clube: em Junho, o ténis de mesa foi Campeão Nacional pela sétima vez consecutiva, o andebol venceu a Taça de Portugal e fomos bicampeões no futsal; em Julho, a natação adaptada sagrou-se campeã nacional por equipas com os nossos atletas a baterem recordes: Vicente Pereira com o recorde do mundo em 50 metros mariposa e 100 metros livres e Diogo Matos alcançou o recorde do mundo em 100 metros bruços e o recorde da europa em 200 metros estilos. Isto no mesmo mês em que André Santos conquistou o título mundial Wako Pro K1, no Pavilhão João Rocha; já em Agosto, o futsal venceu o Record International Master Futsal, Jorge Fonseca conquistou a medalha de ouro e João Fernando a medalha de bronze na Taça da Europa de Seniores de Coimbra. Já Auriol Dongmo foi vice-campeã da Europa no lançamento do peso dos Europeus ao ar livre de Munique e Andriy Protsenko, no salto em altura, foi terceiro na mesma competição.

No mês de Setembro, vencemos pela segunda vez consecutiva a Supertaça de basquetebol e conquistámos a Supertaça de futsal, sendo que Henrique Cruz sagrou-se Campeão Nacional em X30, a classe rainha do karting nacional, e João Costa venceu a medalha de ouro em pistola 50 metros no Campeonato Europeu realizado em Wrocław.

Já em Outubro, o atletismo fez o pleno histórico ao vencer colectivamente em todas as categorias dos Campeonatos Nacionais de Estrada, conquistámos a Supertaça de rugby feminino e voltámos a dar cartas no Campeonato Mundial de natação adaptada; fomos Campeões nacionais de paintball e arrecadámos nove medalhas no IKC 2022 – International Kempo Championship (com três medalhas de ouro e seis medalhas de prata).

No primeiro dia de Novembro, vencemos a Supertaça de ténis de mesa pela oitava vez consecutiva. Depois, o judo sagrou-se Campeão Nacional por equipas pela nona vez em dez edições, a ginástica Leonina esteve em grande plano no Campeonato do Mundo e o paintball venceu a primeira edição da Taça de Portugal.

Neste mês de Dezembro, Teresa Bonvalot terminou o Haleiwa Challenger em terceiro lugar e conquistámos sete medalhas no Campeonato Nacional de judo em seniores e absolutos. No boxe, Ayrton Luz venceu o Algarve Box Cup, na categoria de 63,5 kg e Tiago Abiodun (ténis de mesa) é vice-campeão do mundo de pares mistos em sub-15, com a espanhola Maria Berzosa.

De fora deste pequeno resumo estão vários feitos que não serão esquecidos pelo Clube. A todos, o nosso profundo obrigado. Com a certeza de que 2023 será um ano de novas conquistas, feitos e recordes com as cores do Sporting CP.

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