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Muito mais que um treino

Por Miguel Braga *
14 Out, 2021

“No Afeganistão, não tínhamos estas condições para melhorar enquanto jogadoras. É uma grande oportunidade para nós, nem consigo explicar. Podemos ser aquilo que quisermos”. Sadaf Sharifzada sabe bem de onde escapou.

É impossível compreender o que é ter a vida assim, virada do avesso, com apenas 15 e 16 anos. É impossível ficar indiferente à realidade de dezenas de raparigas que tiveram de abandonar o país de origem, cada uma com a sua história dramática, de fuga, de reencontros e de esperança (páginas 14 e 15).

O Sporting CP recebeu de braços abertos uma selecção jovem de futebol do Afeganistão para um treino conjunto com a equipa feminina de sub-15. Em causa, muito mais do que um simples treino: “quando jogo futebol sinto‑me livre, como uma rapariga normal, igual a uma qualquer que viva noutra parte do mundo”, afirmou Sadaf Sharifzada, uma das jogadoras afegãs. Apesar dos seus apenas 16 anos, Sadaf sabe bem de onde escapou: “no Afeganistão, não tínhamos estas condições para melhorar enquanto jogadoras. É uma grande oportunidade para nós, nem consigo explicar. Podemos ser aquilo que quisermos”.

É, de facto, muito difícil compreender uma realidade onde é negada a possibilidade de sonhar às jovens, onde são e irão ser negados direitos e liberdades que julgamos universais. “Quero mostrar aos talibãs que somos tão poderosas quanto os homens e que sou mais corajosa do que aqueles que dizem que as mulheres têm de estar em casa. Quero mostrar‑lhes o meu poder”. De Lisboa para o Mundo, o poder de todas estas raparigas será um exemplo para milhares de tantas outras, cujo quotidiano foi interrompido, sem prazo para regressar a uma normalidade que se deseja que seja extensível a toda a Humanidade. Estes exemplos servem também para nos obrigar a parar e pensar nos privilégios que temos e que devemos valorizar todos os dias. A toda a comitiva do Afeganistão, o Sporting CP expressou o desejo de futura cooperação e disponibilidade para ajudar no acolhimento do grupo. Será a própria sociedade portuguesa a dar os próximos passos.

Vários Leões do Sporting CP voltaram a brilhar nos SUDS Open Euro TriGames – os Europeus para atletas com Síndrome de Down −, na natação e no ténis de mesa (página 26). Começando pelo último, João Soldado conquistou quatro medalhas, revalidando títulos e provando mais uma vez a sua condição de atleta de eleição. Já dentro de água, destaque para Diogo Matos, João Vaz, André Almeida e, especialmente, Vicente Pereira – os vários recordes nacionais, europeus e até mundiais deste quarteto, ajudaram à conquista do terceiro lugar da selecção nacional no torneio por equipas. Já o nosso Vicente Pereira foi o Michael Phelps de serviço ao conquistar sozinho, nada mais nada menos que 12 medalhas de ouro com quatro recordes mundiais e cinco recordes nacionais. Impressionante.

Por último, destaque também para a primeira grande entrevista da nova vida de João Pereira (páginas 16 a 18), antigo internacional português que na época passada sagrou-se Campeão Nacional e que agora abraçou a missão de ser treinador-adjunto da nossa equipa de sub-23: “o Sporting CP é especial porque é diferente a vários níveis”. E essa diferença é um dos motores da dimensão do Clube.

Editorial da edição n.º 3841 do Jornal Sporting

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal