As outras modalidades também sofrem pelo ciclismo
10 Ago, 2017
Pai do canoísta Emanuel Silva revela como o Sporting está sempre no pensamento
Chegados à subida do bom Jesus, em Braga, e os adeptos do Sporting-Tavira reuniam-se para ver Ezquerra na fuga do dia. Fernando Silva, pai de Emanuel Silva, destacou a vontade de vir apoiar o Sporting seja em que sítio for: "Adoro ciclismo. Para mim, ciclismo e canoagem são as modalidades mais espectaculares. Onde estiverem, eu vou. Aliás, se o Emanuel não fosse canoísta, seria ciclista. Certamente de pista porque com o 'arcaboiço' que tem, em estrada seria difícil.
Acompanhado pela neta, disse ainda acreditar numa vitória na Volta a Portugal, antes de explicar que tem dedicado a vida a acompanhar o filho: "Já fiz muito sacrifício para o acompanhar. Fui a muitos lados e sofre-se muito, mais do que no ciclismo. O segundo lugar não é mau, mas ainda faz muita falta. Há muita Volta, gostava que o Nocentini ou o Marque ganhassem a etapa. O Sporting CP é mesmo o nosso grande amor".
Emanuel Silva foi campeão nacional na semana passada. Habituado a vencer as provas nacionais, mas também no estrangeiro, Fernando realça a confiança no novo parceiro para o resultado: "Foi muito bom, um alento muito forte para o Campeonato do Mundo no final deste mês.. Tem um colega novo, o David Varela, e fazem uma dupla fantástica. O que é certo é que o Emanuel é grande porque nunca desmoraliza com os fracassos".

Ainda em Braga, José Carlos Oliveira, de 60 anos, referiu a satisfação pelo crescimento do projecto Sporting-Tavira, já depois da paixão de ver o regresso em 2016: "Venho todos os anos à Volta a Portugal. O Sporting esteve muitos anos sem participar. Sempre gostei do Clube desde pequeno. Adoro o verde e o símbolo. Gosto da marca Peugeot só por causa do leão. Sinto que o Sporting CP está muito mais forte este ano. Vê-se pela força do colectivo", adiantou o residente de Caldas das Taipas, Guimarães, que ainda foi ao Alto do Viso ver a passagem na contagem de 1.ª categoria. Joaquim Agostinho foi a sua grande referência no ciclismo nacional: "Tenho muitas memórias dele e senti-me tão triste com a sua morte como se de um familiar se tratasse. Recordo-me das suas vitórias, não só na Volta a Portugal como também na Volta a França.
No Alto do Viso, perto de Celorico de Basto, mais adeptos leoninos a darem força ao trabalho colectivo do Sporting-Tavira, empenhado em dificultar a tarefa aos competidores na subida de 1.ª categoria.
Frederico Figueiredo não se adiantou muito, mas realçou a dificuldade da ascensão e a habitual dificuldade para que todos consigam disputar o triunfo: "É sempre complicada esta subida. Temos de entrar sempre bem colocados. Este paralelo, os últimos 300 metros com uma curva difícil... onde o Rinaldo acabou por ser fechado. Não sou eu que tenho de interpretar isso, são os comissários. Foi uma chegada complicada, já vimos um incidente aqui com o Joni Brandão. Com a ajuda do Fábio, do Ezquerra e do Luís Fernandes deixámos o Rinaldo bem colocado. Ele esteve na discussão. Estamos na discussão da Volta e, de certa forma, estaremos até ao fim. Falta uma vitória para alegrar os Sportinguistas e Tavirenses".
O galego subiu agora ao quinto posto, estando apenas a um de Alejandro Marque que, ao chegar em oitavo, permanece no quarto posto, a 35 segundos de Alarcón, nono na tirada. O ciclista da W52-FC Porto recuperou assim 10 dos 11 segundos cedidos no prólogo de Lisboa. Frederico Figueiredo foi o terceiro melhor do Sporting-Tavira, finalizando em 15.º, a apenas sete segundos de Veloso. García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) reduziu as distâncias para o pódio, agora a 37 segundos. Daniel Mestre, Efapel, voltou a ficar no pódio de uma tirada, com o terceiro lugar.
Os 179,6 km de prova ficaram marcados por uma fuga de três ciclistas. Luís Afonso (LA Alumínios-Metalusa BlackJack), Mikel Bizkarra (Euskadi Basque Country-Murias) e Yann Guyot (Armée de Terre) foram caçados na forte perseguição até Viana do Castelo. Os últimos cinco km eram os mais duros, muito devido ao empedrado e não tanto à complicação da subida (4/5 média de inclinação).
A sexta etapa liga Braga a Fafe num percurso de 182,2 km. A comitiva enfrenta uns derradeiros 50 quilómetros de grande dificuldade. A subida ao alto do Viso (8,2 km a 6,9 por cento de inclinação média) antecede a primeira passagem pela meta. Após essa passagem, o pelotão - ou o que dele restar - dirige-se para o troço de terra do Salto da Pedra Sentada, uma subida de segunda categoria. Segue-se uma descida exigente, a curta subida de quarta categoria de Golães e o desfecho, no habitual empedrado ascendente do centro de Fafe.
Alejandro Marque desceu ao quarto posto da geral individual, mas esclareceu que a estratégia passava por seguir na roda de Gustavo Veloso: “A Senhora da Graça é sempre uma chegada difícil. A minha opção foi de seguir a roda do Gustavo Veloso e consegui terminar com o mesmo tempo do que ele e manter a vantagem”.
O pelotão iniciou a ascensão de 8.200 quilómetros, com inclinação média de 7,7%, ainda a um minto e 50 segundos da fuga, mas rapidamente diminuiu diferenças para Filipe Cardoso, o mais combativo do dia, e Txoperena. Hélder Ferreira seria o último a ser alcançado. A W52-FC Porto assumiu as despesas da perseguição e, em cinco quilómetros, anulou o esforço dos fugitivos, deixando a discussão da etapa para os favoritos à camisola amarela, mesmo à passagem da marca que assinalava os três quilómetros para a meta.
O elevado ritmo deixou Rui Sousa (RP Boavista) fora das contas da etapa, ainda a quatro quilómetros, num pelotão que foi sendo drasticamente reduzido ao longo do tempo. Nocentini e Marque seguiram no grupo de 10 que formava a liderança. Sérgio Paulinho ficou mais distante quando Amaro Antunes acelerou para levar Gustavo Veloso na roda. Um bluff para simular o que viria a seguir. Rinaldo Nocentini seguiu na traseira do camisola amarela, Alarcón, já depois de Marque descair no grupo.
Apesar da força e da concretização da etapa azul e branca, o Sporting-Tavira mantém segundo e quarto posto da geral individual.