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Foto Isabel Silva, Sporting CP

"Consegui conquistar tudo, aqui, por isso fui bem-sucedido"

Por Sporting CP
04 Jul, 2026

Sete temporadas de Pauleta em retrospectiva em discurso directo

Com o fim de uma história conjunta chega o seu balanço, e é isso que faz Pauleta na segunda parte da sua entrevista de despedida, depois de na primeira se ter debruçado, principalmente, sobre as emoções e os momentos da sua última época.

Sempre sorridente, o ala de 32 anos recordou como arrancou o seu percurso no Sporting CP em 2019, então como uma das revelações do Campeonato, e como foi imbuir-se na mentalidade vencedora dos Leões até ficar eternizado como um dos Tetracampeões Nacionais - feito singular no futsal nacional - entre tantos outros troféus alcançados.

O veloz esquerdino reconhece que "foi muito graças ao Sporting CP" que se tornou no jogador que é, algo que deve em grande parte a Nuno Dias e respectiva equipa técnica, considerando-os "ponto fulcral" nas conquistas, mas sobretudo na ambição sem limites dos Leões ao longo dos anos. Por tudo isso, Pauleta fez questão de deixar-lhes uma sentida e final mensagem de despedida.

 

Quando olha para trás acha que já tem a noção clara de que fez parte de algo realmente especial, isto é, de uma equipa que conseguiu um domínio sem igual a nível nacional e venceu títulos europeus, além do ambiente existente no grupo?
Tenho noção disso, mas acho que vou ter uma noção melhor quando sair. Já falei sobre isso com jogadores que saíram daqui e dizem-me isso: "só vais dar valor mesmo quando saíres". Enquanto estamos aqui e ganhamos podemos sentir que é 'mais uma', entre aspas, ficamos habituados, mas acho que só ao sair é que vou ter noção de tudo. 
Já parei para pensar nisso, claro, até porque quando vim para cá olhava para o Sporting CP como uma equipa muito forte, que ganhava sempre. Agora, eu já ganhei aqui e, por isso, quando sair é que vou dar valor de verdade a todas as conquistas. 

Vamos, então, ao seu início: a sua chegada ao Clube em 2019. Com que expectativas chegou ao então, pela primeira vez, Campeão Europeu em título?
Cheguei para ser mais um a tentar ajudar. Sabia que não ia ser fácil, porque havia aqui alguns dos melhores jogadores do mundo, mas também sabia das minhas qualidades. Além disso, os jogadores que faziam parte do 'núcleo duro' ajudaram-me a integrar-me da melhor forma.

"Quando sair é que vou dar valor de verdade a todas as conquistas"

 

E agora, que está de saída, diria que cumpriu essas expectativas iniciais?
Foram cumpridas, acho que sim. Consegui conquistar tudo aqui, no Sporting CP, por isso fui bem-sucedido. E não foi só uma vez, foram duas ou mais, nalguns casos.

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Ao mesmo tempo, esse Sporting CP de 2019/2020 vinha de perder o título de Campeão para o SL Benfica depois de um Tricampeonato. Lembra-se da mentalidade que havia nessa equipa para a nova época?
A mentalidade era ganhar. Como disse várias vezes ao longo dos anos, estamos aqui para ganhar tudo, seja qual for a competição ou o jogo. Os jogadores e os treinadores deixaram isso bem claro logo no início.

"Cheguei para ser mais um a tentar ajudar"

 

E, para si, como foi dar esse ‘salto’ também a nível mental, vindo da AD Fundão, para uma equipa que lutava por todos os títulos?
Acho que foi fácil, porque todos os jogadores jogam para ganhar, mas aqui é mais fácil fazê-lo. Eu, por exemplo, nunca tinha ganho nenhum troféu e lembro-me que ganhámos logo a Supertaça [2019].

Essa sua primeira época acabaria cancelada pela pandemia, mas a 'fome' da equipa acabaria por torná-la avassaladora e seguiram-se épocas com 'pleno' de títulos, um inédito Tetracampeonato, a sua primeira Champions... Como é que se mantêm esses níveis de ambição e de consistência?
É nos treinos, e o [Nuno] Dias é o primeiro responsável, porque não deixa nenhum jogador descansado. Podíamos ter ganho alguma coisa, mas, logo no treino a seguir, a primeira reunião com a equipa técnica é assim: "Já passou, é passado e temos já outro jogo para ganhar". Temos essa pressão, mas é uma pressão boa e da que gostamos. Fui sempre habituado a isto.

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O Pauleta foi parte activa no Tetracampeonato - algo nunca antes feito no futsal nacional - e deixou a sua marca de forma recorrente com golos em vários jogos das finais, em especial no de 2022/2023. Para si foi o mais marcante dessa série de títulos?
[Pára para pensar] Talvez, sim, fui o melhor jogador das finais. [Essa distinção] Está lá em casa num armário (risos). Mas todas as conquistas são importantes, para mim. Festejar todos juntos, em equipa, é o que levo.

"[Sobre a dinâmica de vitória atingida] Nuno Dias é o primeiro responsável, porque não deixa nenhum jogador descansado (…) Com ele é sempre mais, mais, mais"

 

Foram anos de muitos títulos, sem dúvida, mas acredito que tenham sido de muita aprendizagem, também. São Pauletas muito diferentes aquele que entrou aqui e, agora, aquele que sai?
Claro que sim. Cheguei aqui como se fosse uma criança e saio um homem. Melhorei tacticamente, aprendi muito, chorei, sorri... Saio totalmente diferente.

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Por outro lado, um aspecto que foi constante, diria, foi a forma como na quadra sempre se destacou a levar a equipa para a frente com a sua velocidade. O míster Nuno Dias alguma vez tentou pôr-lhe mais 'travão' nisso?
Queria mais, mais, sempre. Com o Dias é sempre mais, mais, mais. Incentivou-me sempre a ir para a frente.

Chegou aqui como uma das revelações do Campeonato e é no Sporting CP que se torna um habitual nas opções da selecção nacional, onde acaba por ganhar um Mundial (2021) e um Europeu (2022). O que é que isso diz da sua evolução e da importância do Sporting CP na sua carreira?
Foi muito graças ao Sporting CP que me tornei o jogador que sou. Mais uma vez, muito graças à equipa técnica, porque sem eles e sem jogar não iria à selecção. Por isso, foi também graças a eles que consegui chegar a esses títulos por Portugal.

E como foi trabalhar diariamente às ordens dessa equipa técnica?
Ele [Nuno Dias] diz que chamarem-lhe chato é um elogio. É a pessoa mais chata do mundo, mas isso é bom, porque nunca nos deixa relaxados. É um ponto fulcral nas nossas conquistas. Esse trabalho diário ajudou-nos bastante e acho que eles vão ser eternos aqui. A equipa vai continuar a ganhar, porque eles são muito exigentes.

"Ele [Nuno Dias] diz que chamarem-lhe chato é um elogio"

 

Sete temporadas, 17 títulos, 268 jogos e 125 golos marcados. São números que o deixam totalmente satisfeito?
Eu queria mais, claro, nunca podemos ficar satisfeitos com o que temos. Mas saio feliz com esses números, muito contente.

Daqui a muitos anos, quando se recordarem estas grandes equipas do Sporting CP de que fez parte, como gostaria que se lembrassem do Pauleta?
Uma pessoa alegre, o resto é o resto. Dos títulos o Museu Sporting fala por si. Fora da quadra tentei falar sempre, com todo o respeito, com as pessoas que me abordassem. Acho que isso também é importante e que levo. Mais tarde, as pessoas vão falar dos títulos, mas acho que o que fica também é a pessoa que fomos.

"Foi muito graças ao Sporting CP que me tornei o jogador que sou"

 

E aos Sportinguistas, o que lhes diz no momento da despedida?
Continuem a apoiar o Sporting CP, porque aqui está-se sempre mais perto de ganhar.
E gostava de deixar, ainda, uma mensagem a mais três pessoas: Nuno Dias, 'Casca' [alcunha do adjunto Paulo Luís] e também ao Filipe [Rodrigues]. Agradeço-lhes do fundo do coração as pessoas que foram para mim, por como me ajudaram a ser a pessoa e o jogador em que me tornei. Um muito obrigado a eles, e ao Rodrigo [Pais de Almeida] também, porque antes foi meu treinador e deixava-me sair [dos treinos] para ir trabalhar à noite (risos). E ajudou-me, também, quando cheguei ao Sporting CP, por isso muito obrigado.

 

OS NÚMEROS DE PAULETA NO SPORTING CP:

7 temporadas (desde 2019/2020)
268 jogos
125 golos
2 UEFA Futsal Champions League (2020/2021 e 2025/2026)
4 Campeonatos Nacionais (2020/2021, 2021/2022, 2022/2023 e 2023/2024)
3 Taças de Portugal (2019/2020, 2021/2022 e 2024/2025)
4 Supertaças (2019, 2021, 2022 e 2025)
4 Taças da Liga (2020/2021, 2021/2022, 2023/2024, 2024/2025)