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Opinião

Passo a passo…

Por Juvenal Carvalho
05 Nov, 2020

Sente-se uma boa auréola em torno do grupo de Rúben Amorim, que a cada dia vai convencendo até os mais cépticos, com a equipa a jogar com uma alegria contagiante

O bom início da nossa equipa de futebol tem devolvido aquilo que andava, infelizmente, arredio em cada um de nós. Sente-se de novo que existe esperança e que, nas inúmeras tertúlias Leoninas, se fala de futebol com muito mais alegria. Com aquela esperança tão peculiar e alusiva à nossa cor, o verde, que é imagem de marca centenária do nosso emblema.

Sei que a procissão ainda está a sair do adro, sei até que a época será longa, e que este ano, levado por esta pandemia que nos bateu à porta sem querer partir, muito poderá até ser desvirtuado pelos inúmeros surtos que assolam os atletas, e que ao Sporting CP, por exemplo, até já lhe possa ter custado, sobretudo pelas ausências de peso nos jogos que efectuou, o possível acesso à fase de grupos da Liga Europa.

Não sou de partos prematuros, porque como já referi tudo está ainda muito embrionário. Decorridas estão apenas seis jornadas. Uma coisa é certa desde o início… sente-se uma boa auréola em torno do grupo de Rúben Amorim, que a cada dia vai convencendo até os mais cépticos, com a equipa a jogar com uma alegria contagiante.

Um conjunto de aquisições bem conseguidas como Adán, Nuno Santos, Pote, Feddal e Porro, que têm sido escolhas regulares no onze, aliado aos regressos de João Mário e Palhinha, que acrescentaram “perfume” e qualidade ao meio-campo do Sporting CP, bem como ao lançamento de muitas crias do Leão vindas da formação, como Daniel Bragança – também ele regressado de um empréstimo, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Tiago Tomás e Joelson Fernandes, que estão na antecâmara do sucesso e que na época passada andavam ainda pelos sub-23, são elucidativos de que a aposta na juventude, complementada com jogadores já de créditos firmados, tem dado uma mistura explosiva e um cocktail de esperança no futuro.

Como escrevi no título desta coluna de opinião, e apesar da muita água que ainda irá correr por debaixo das pontes, uma coisa é óbvia até ao momento. Temos o direito à esperança no tal passo a passo. A pressão de jogar no Sporting CP é sempre positiva. Roma e Pavia, como naquele velho ditado, não se fizeram num dia. Sabemos até que os rivais principais têm orçamentos muito mais altos, e que não será num qualquer golpe de magia que as coisas acontecem.

Como dizia com a sua imensa sabedoria o professor Mário Moniz Pereira, ter sorte dá muito trabalho. E é indubitável que se vê trabalho e alegria para almejarmos a tal “sorte”, além de uma perceptível fome de conquista. No próximo sábado será em Guimarães, e espera-nos mais uma “batalha” dura.

A receita terá de ser a mesma. Trabalho e foco. Ambas, acredito, nos guindarão às alegrias.

Bem precisamos!

Caminho

Por Pedro Almeida Cabral
05 Nov, 2020

Estes dois últimos jogos deixam um sabor especial. Pela entrega, pelo jogo construído e pelo fito permanente na vitória, prometem mais

Deste campeonato, levamos até agora bons jogos e um futebol consistente, traduzidos em cinco vitórias e apenas um empate, contra o FC Porto. Mas estes dois últimos jogos deixam um sabor especial. Pela entrega, pelo jogo construído e pelo fito permanente na vitória, prometem mais.

Contra o Gil Vicente FC, ganhámos por três golos contra um. Não foi fácil. Linhas subidas e pressão constante cortaram as nossas linhas de passe e aprisionaram a construção Leonina. Por mais que tentasse, o Sporting CP embatia no muro gilista. Os passes não saíam, o ataque não carburava e o adepto desesperava. Na segunda parte, a mesma história. E, devido a uma má cobertura defensiva, num lance inesperado de bola parada, o Gil Vicente FC marcou o seu tento. Com as entradas de Daniel Bragança, Šporar e Tiago Tomás, o Sporting CP começou finalmente a chegar com perigo à baliza adversária. Havia de ser Šporar a marcar de cabeça numa sobra o golo do empate e, depois, Daniel Bragança numa assistência de antologia a oferecer o golo ao letal Tiago Tomás. Tudo simples, tudo eficaz, tudo certeiro. Pote fechou a contagem com um remate bem colocado.

No domingo, a equipa subiu de rendimento e espalhou perfume em Alvalade. Naquele que foi, provavelmente, o melhor jogo do Sporting CP em 2020, o futebol Leonino estendeu-se em todo o campo de jogo com inúmeras jogadas de ataque. Muitas mereciam melhor sorte, pois os quatro golos sem resposta são pouco aproveitamento para tanta produção. As estatísticas não mentem: 26 remates à baliza do Sporting CP contra apenas três do CD Tondela. Pote encantou com dois golos oportunos. De realçar um deles com o seu pior pé, o esquerdo, comprovando que, como ensinava Gabriel Alves, Pote pode marcar com o pé que estiver mais à mão. Claro que João Mário a titular dá outra consistência à equipa e isso notou-se. Porro também marcou, num portentoso remate de primeira de dentro da área. Mas nem só de golos vive o Leão. Palhinha é, cada vez mais, um’ monstro’ no meio-campo, desarmadilhando opositores com confiança. E, Šporar, que marcou o último golo, fez uma exibição superlativa, com a assistência para o segundo golo e movimentações permanentes.

Estas duas vitórias são apenas duas vitórias. Rúben Amorim cada vez mais se mostra sensível às dinâmicas do plantel e ao jogo jogado, sempre sem abdicar do seu modelo, que parece cada vez mais afinado. Jogo a jogo, adversário a adversário, o Sporting CP vai fazendo o seu caminho.

 

Futebol… 1.º lugar!!!!!… e Ficini!!!

Por Tito Arantes Fontes
05 Nov, 2020

Estamos isolados no 1.º lugar da Liga NOS! (...) sim, sabemos que é ainda muito cedo. Sabemos que temos de ter os “pés bem colocados no chão” e que ainda não ganhámos nada, mas também que vemos uma equipa a “crescer” e a ganhar confiança!

Esta última semana foi fértil em acontecimentos. Comecemos por um que nos dá – a todos – especial satisfação. Estamos isolados no 1.º lugar da Liga NOS! Estão decorridas seis jornadas. Só seis jornadas. Mas já seis jornadas. Pouco mais de 1/6 do campeonato. Temos um dos melhores ataques e uma das melhores defesas. O jogo de domingo contra o CD Tondela soube-nos bem! E sim, sabemos que é ainda muito cedo. Sabemos que temos de ter os “pés bem colocados no chão”! Sabemos que ainda não ganhámos nada, mas também que vemos uma equipa a “crescer” e a ganhar confiança! Um treinador que trabalha, que sabe ler o jogo e que sabe o que diz e como deve dizer. E que sabe o que quer! E que dizer dos jogadores? Empenhados, divertidos, comprometidos, lutadores… e de indiscutível qualidade! Tanto talento na nossa juventude, vindo da nossa Academia Cristiano Ronaldo! E as contratações desta época… a demonstrarem a qualidade e o acerto dessas decisões! E tudo isto “salpicado” pela experiência dos mais velhos! E ainda “polvilhado” pelo indiscutível “perfume” que brota de um jogador fabuloso como o nosso João Mário!

Sabemos que, portanto, agora já reparam em nós… sendo que nós sempre o fizemos! Nós somos Sporting! Todos! Nunca abandonámos! Nunca vergámos! Nunca cedemos! E assim iremos continuar! Na certeza que agora vamos – ainda mais – ser alvo da cobiça e da inveja torpe dos poderes ocultos do futebol português… dos “poderes bicolores”! Dos poderes de “toupeiras e de apitos”… fundados em sórdidos esquemas de influência e de permanente e total violação da verdade desportiva! Estejamos atentos! Estejamos vigilantes! Estejamos alerta! Estejamos unidos! Vamos ser atacados… preparemos a defesa para esses momentos!

No entretanto, a zelosa máquina protectora da arbitragem, não satisfeita com os espectáculos degradantes com que nos brinda todos os fins-de-semana (na sexta-feira, em Paços de Ferreira foi gritante… que vergonha, Sr. Nuno Almeida!!!), instaura processos atrás de processos aos dirigentes do Sporting CP que, corajosamente, denunciam as falcatruas de que somos vítimas! E perguntamos… e então “cadê” os outros? Cadê os outros que falam, falam, gritam, gritam… não há nada para esses? Há gente que gostaria mesmo que o 25 de Abril não existisse! Gente apologista de “totalitarismos”, que se julga acima do comum dos mortais… gente despudorada! Gente que devia levar com “grandes cartolinas encarnadas”! E ser expulsa, irradiada mesmo, do futebol português! É lerem o artigo de domingo passado de Vasco Lourenço! No Record! Um grito de alma de um “capitão de Abril”!

A talhe de foice, fica aqui o protesto vivo e veemente pelo inenarrável critério vigente de amostragem de cartões amarelos pelos árbitros que pululam nos jogos do nosso campeonato! Mantém-se a pouca vergonha! Alguns dados: o SCP é de longe o Clube com mais cartões amarelos! Temos 21 cartões para 88 faltas, um rácio de 23,9%! Compara com o “rácio vermelho” de 17,5%! Só 14 amarelos para 80 faltas! E ainda mais escandalosamente compara com o “rácio azul” de 12,5%! Uns míseros 14 amarelos para 112 faltas! Quase metade do rácio que é aplicado ao SCP!

Entretanto, noutros lugares, assistimos a coisas que quase passaram despercebidas na comunicação social… como se não fossem importantes (e ui, se fossem no SCP os programas que já teriam feito para discutir e maldizer o nosso querido Clube!)… como resultados negativos superiores a mais de 100 milhões de euros… como eleições com anunciadas “urnas em segurança” que são, afinal, transportadas do modo mais amador que é possível conceber… como sistemas informáticos eleitorais que são reconhecidamente “invadidos” por estranhos… assistimos, no fundo, a lamentáveis palhaçadas… a eleições no melhor estilo “coreano”… sem debates, sem esclarecimentos, com um canal de clube manietado e ao serviço do poder vigente… uma pobre, vil e triste palhaçada… mas, também, de “palhaços” que mais se poderia esperar… só mesmo circo e palhaçada!!!

Última palavra, uma palavra comovida para Ficini! O nosso adepto italiano, da claque da ACF Fiorentina! Mais uma condenação por homicídio imputada a um membro de claque do tal clube que diz que não tem claques… não tem, mas tem… e matam! Fica, pois, a pergunta… quantos mortos teremos de ter para que os poderes públicos se pronunciem e acabem também com esta “palhaçada”? De quantos mártires precisam? Sr. secretário de Estado do Desporto… que diz?

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

O Sonho começa aqui... a obra nasce

Por André Bernardo
29 Out, 2020

A obra nasce. O sonho torna-se realidade (...) Mais de 80% dos atletas da formação que hoje fazem parte da equipa sub-23 e Equipa B vieram do Pólo EUL

Match Point. A bola sai da raquete e bate na rede. A imagem congela e permanece a dúvida para que lado vai cair. A bola e a rede são de ténis e esta é a cena inicial do filme “Match Point” de Woody Allen. 
Há factores na vida que nós não controlamos. Às vezes a bola bate na trave, vai ao poste, desliza pela linha de golo e…
Cabe-nos sim dedicar aos factores que podemos controlar e que decidem o caminho do nosso futuro, minimizam os efeitos do Acaso e nos aproximam do nosso objectivo final. 
Escrevi no meu segundo editorial e volto a repetir que "'a melhor forma de prever o futuro é criá-lo' e o Sporting CP de amanhã será a consequência das decisões de hoje".
 
E Hoje (mais precisamente há três dias atrás) completámos a remodelação do Pólo EUL. São 11 o número de anos que passaram sem o Pólo receber uma única intervenção que não fosse paliativa para corrigir temporariamente as fissuras que deixavam entrar água e eram aparadas por baldes. 
 
O talento de cada um é obra do Acaso. Mas o motivo pelo qual escolhem o Sporting CP, permanecem, se desenvolvem aqui e se tornam os melhores é fruto de um trabalho de muita gente que o torna possível
 
O Sonho começa aqui. É a frase que podemos ver logo à entrada do “novo” Pólo EUL do Sporting CP com uma imagem de Cristiano Ronaldo quando era criança. A Academia de formação do Sporting CP começa também aqui. E é aos seis anos de idade que muitos miúdos começam a decidir o seu futuro no desporto.
O modelo que definimos para a Formação do Sporting CP assume o formato de uma pirâmide, cuja base se inicia nas Escolas Academia Sporting (EAS), Academias de Formação Sporting (AFS) e no Pólo EUL e cujo desenvolvimento vai progredindo pelos vários escalões. Esta pirâmide já inclui hoje a Equipa B que também regressou este ano e que constitui um passo fundamental nesse desenvolvimento, servindo como porta de entrada ao objectivo final: formar jogadores com ADN Sporting para a Equipa sénior principal. 
 
A remodelação do Pólo EUL é mais uma etapa decisiva na implementação e consolidação dos dois pilares da nossa visão estratégica - Pessoas e Estrutura – e que recordo aqui, resgatando-as do documento “Regresso ao Futuro”:
 
1. Pessoas
a. O principal activo dos Sporting CP são os seus atletas e colaboradores. Eles constituem a base para que a organização consiga assegurar os demais objectivos;
b. Captar e desenvolver os melhores talentos no plano desportivo e operacional, através de um processo holístico de transformação organizacional interna.
 
2. Estrutura:
a. O rendimento das Pessoas é, em grande parte, resultado das condições de espaço e equipamento que as mesmas têm para trabalhar;
b. É fundamental que os espaços de trabalho de atletas e colaboradores sejam modernizados no sentido de proporcionarem novas formas de trabalho e relacionamento. 
 
A obra nasce. O sonho torna-se realidade e Nuno Mendes, Tiago Tomás, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Daniel Bragança e Joelson são exemplos de jogadores que começaram precisamente no Pólo EUL. Mais de 80% dos atletas da formação que hoje fazem parte da equipa sub-23 e Equipa B vieram do Pólo. 
O “novo” Pólo EUL foi idealizado pela equipa de Filipe Vedor que merece uma palavra de destaque, de parabéns e agradecimento pelo trabalho que desempenham todos os dias. 
 
Tipping Point é o título do livro de Malcolm Gladwell e refere-se “ao momento de ponto de inflexão no qual uma série de pequenas alterações se torna significativo o suficiente para causar uma alteração muito maior e importante”*.
 
As rodas da engrenagem da Formação do Sporting CP acabam de fazer um Match Point no projecto de recuperação que se iniciou em Setembro de 2018 e que representa a nosso ver um eixo fundamental para um modelo desportivo sustentável e sustentado. 
 
O rumo está traçado, o primeiro jogo e mais difícil está ganho, agora é continuar o caminho. 
 
* Definição de Oxford Language Dictionary. O autor no livro define este momento como o que despoleta o fenómeno viral das epidemiologias sociais

Editorial da edição n.º 3791 do Jornal Sporting

Os Mandamentos do Sporting CP

Por Miguel Braga*
29 Out, 2020

Compreender os desejos de Salazar Carreira, é compreender a forma como desde a nossa fundação o Clube tem sido vivido e projectado por aqueles que o transformaram naquilo que ele é: “um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa”

Fará em 2024, 100 anos desde que Salazar Carreira escreveu os dez mandamentos do Sporting Clube de Portugal. Figura ímpar do Clube e do desporto português, foi responsável, entre outros feitos que poderá ler na página quatro do nosso Jornal, pelas listas que fazem parte do ADN da nossa camisola. Compreender os desejos de Salazar Carreira, é compreender a forma como desde a nossa fundação o Clube tem sido vivido e projectado por aqueles que o transformaram naquilo que ele é: “um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa”.

1.º Ostenta sempre na lapela o emblema do Sporting como afirmação concreta das tuas aspirações desportivas;

2.º Presta ao teu Clube o teu auxílio desportivo sempre que ele to exija. Seja qual for o teu mérito não tens o direito de o regatear;

3.º Quando envergares a camisola verde e branca lembra-te que a colectividade te honra, distinguindo-te como seu representante. Faz, portanto, quanto possas para merecer a distinção conferida;

4.º Nunca digas mal do que não possas fazer melhor; a crítica é fácil, mas prejudica quando imerecida e perdes o direito moral de falar se não puderes realizar aquilo que amesquinhas;

5.º Lembra-te que Directores são sete e coisas a dirigir mais que mil; exige àqueles o cumprimento do dever, mas moral e praticamente presta o teu incondicional apoio a quem trabalha para o bem de uma coisa que é tanto tua como sua;

6.º Nunca em público amesquinhes os actos de quem represente o teu Clube; roupa suja lava-se em família e o teu dever é criar em toda a parte, pelas tuas palavras e pelos teus actos, um ambiente favorável ao Sporting, enaltecendo-o;

7.º Cada novo Sócio que proponhas é um elo mais que acrescentas à cadeia poderosa do Sporting: quanto mais forem os amigos menos incomodam os inimigos;

8.º Quando o Sporting disputa a vitória em campo, o teu silêncio é um crime; nunca insultes o adversário, mas incita os teus fazendo-lhes sentir o apoio moral da tua presença;

9.º Mesmo nos transes mais dolorosos conserva inabalável a fé nos destinos do Clube. O Sporting não pode retrogradar porque por ele pulsam em todo Portugal alguns milhares de corações;

10.º Quando os homens do Sporting triunfam em qualquer competição dizes sorridente: “Ganhámos!” Pelo teu procedimento justifica a palavra.

Foram escritos há quase 100 anos, mas conservam em si os desígnios do nosso Clube. Que nos sirvam de exemplo.

 

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

Lendas

Por Juvenal Carvalho
29 Out, 2020

A variedade das nossas lendas é a prova provada não só da grandiosidade do Sporting CP, como da diversidade em forma de eclectismo

A cada edição daquele que é o mais antigo jornal de clubes da Europa, é sempre com especial gula que leio a muito bem conseguida e sempre interessante, no sentido histórico, temática sobre as Lendas do Sporting Clube de Portugal.

Sim, poucos clubes se podem orgulhar de ter tantas lendas, referências, ídolos, aquilo que cada um de nós lhes quisermos chamar, que fazem com que o símbolo do Leão rampante se orgulhe das suas figuras míticas, que fizeram com esforço, dedicação e devoção, a glória da história mais bela do desporto português.

A variedade das nossas lendas é a prova provada não só da grandiosidade do Sporting CP, como da diversidade em forma de eclectismo.

As lendas são obrigatoriamente atletas ou dirigentes com um passado que nos faz curvar perante eles. Nisto de escolher nomes é sempre difícil, pese o consenso que só o nome lenda acarreta.

Sei pela História do SCP, que sempre a devorei a cada passo, de quase tudo, modalidade por modalidade. De nome por nome. Até por ordem cronológica. Sou mesmo um consumidor compulsivo de tudo o que diga respeito aos 114 anos de uma História sem paralelo.

As minhas lendas maiores serão para a eternidade os fundadores. Sim, aqueles que parecia arrojado, mas foi superiormente concretizado, nos quiseram grandes, tão grandes como os maiores da Europa. Foram eles – obrigado por tudo – que estiveram na génese de toda esta História. Uma História com inúmeras lendas de um Clube que tem um Museu de conquistas que orgulha e comove qualquer Sportinguista.

Somos mesmo, como ouvi em tempos um Leão já entrado na idade dizer, um clube grande demais para um país tão pequeno.

A mim, em criança, marcado pela geração de Vítor Damas, Manuel Fernandes, Rui Jordão, Carlos Lopes, Fernando Mamede, Joaquim Agostinho, António Livramento, eram sobretudo estes que me “forravam” as paredes do quarto. Eram eles as minhas referências, ídolos, lendas, o que for que lhes quisermos chamar.

Esta semana, no nosso jornal, a lenda é Salazar Carreira. E que Leão imenso ele foi. Daqueles que ler o que representou é simplesmente arrebatador.

Anteriormente foram outras. Tantas outras irão ainda ser referidas doravante nestas páginas.

Adaptando uma música de Fausto: Atrás das lendas vêm lendas... e outras lendas hão-de vir.

Somos enormes. Somos o Sporting Clube de Portugal!

Futebol... banido por bandidos!!!

Por Tito Arantes Fontes
29 Out, 2020

(…) Bem esteve o presidente Frederico Varandas quando logo após o jogo com o FCP denunciou os “poderes bicolores” instituídos que defraudam e despudoradamente actuam, sempre em favor da mesma dupla, seja ela encarnada ou azul

Estamos na ressaca do escândalo de arbitragem do último clássico, no qual o nosso Sporting CP foi espoliado de forma inenarrável por uma vergonhosa arbitragem do débil Luís Godinho “superiormente” comandado por um “ferrari” que dá pelo nome de Tiago Martins. Dois nomes para recordar! Desde logo porque ambos ainda têm muitos anos... não para “espalhar magia”, mas – muito pelo contrário e isso sim – para falsear as competições que apitam e prejudicar o SCP, o seu ódio de estimação! É bom, por isso, termos sempre presente os nomes de quem persiste em violar de modo flagrante a verdade desportiva!

Assistimos igualmente no pós-jogo à articulada tentativa dos comentadores desportivos do costume em tentarem esforçadamente “limpar” e justificar os actos de lesa-SCP que foram praticados. Ignóbil! Em contraponto, algum comentário merece elogio, nomeadamente o daqueles que – analisando a justeza do penálti, a evidência da anterior justificada expulsão do Zaidu e a infâmia da ilegal intervenção – defenderam a seriedade da competição da Liga e a sua verdade desportiva!

Bem esteve o presidente Frederico Varandas quando logo após o jogo com o FCP denunciou os “poderes bicolores” instituídos que defraudam e despudoradamente actuam, sempre em favor da mesma dupla, seja ela encarnada ou azul! Verde é que não é! Nem nunca foi!

O chamado “papa” azul” sentiu-se e – qual falsa virgem geriátrica – não gostou do que ouviu. Vai daí deu uma entrevista televisiva no decurso da qual se permitiu tecer comentários capciosos e falsos sobre a vida do SCP! Falou de assuntos e de matérias que só à massa associativa do SCP dizem respeito! Pelo meu lado é claro: não lhe admito a desfaçatez! Na idade dele há muitos que começam a arrepender-se do mal que fizeram... e há outros – como é notoriamente o caso – que insistem em não perceber que o seu tempo já foi, já passou... que já ninguém tem paciência para tanta indecência, para tanta “escuta”, para tanta desfaçatez! O mundo mudou, mas ele ainda não percebeu...

Na sequência – e muito bem – o presidente do SCP disse, com coragem, com firmeza, o que há muito esse senhor deveria ter já ouvido: “um bandido é sempre um bandido”!

É uma frase que fica para a história! Ao fim de décadas, temos finalmente um presidente que disse publicamente o que todos há muito dizemos entre nós! Obrigado, Frederico!

Sucede que as “falsas e ingénuas carpideiras” do costume não gostaram... as mesmas carpideiras que há décadas toleram caladinhas todo o tipo de actuações e de desmandos comandados quer pelo “papa azul”, quer pelo seu homónimo “toupeira” de encarnado!

A verdade é que esta gente tem de ser definitivamente desmascarada! Este futebol terceiro-mundista tem de terminar! Sob pena de termos um “futebol banido”... perdido... por culpa dos bandidos que há décadas o conspurcam e dele se alimentam!!!!

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

P.S. – Bela vitória nos Açores! Amanhã com o Gil Vicente FC, em Alvalade, queremos outra [artigo escrito no dia anterior ao jogo]! E depois no domingo com o CD Tondela outra mais! Temos equipa!

De pequenino joga o Leão

Por Pedro Almeida Cabral
29 Out, 2020

Ver que o Pólo EUL tem condições recentemente melhoradas é merecedor de elogio. Trata-se de um trabalho invisível, porém fundamental para que o Sporting CP continue a reter e a acompanhar talentos desde tenras idades

Cresci num mundo que já não existe. Em plena Lisboa, jogava-se futebol na rua de manhã à noite. Qualquer estrada ou beco servia. De pedras e postes de electricidade, faziam-se balizas. De remates desajeitados, grandes golos. E de acasos geográficos, embates titânicos, como a rua de cima contra a rua de baixo. Todos os dias giravam à volta da bola e chegados a uma idade maior (pelos 12 anos que, nesses tempos, já era considerável), vinha a vontade de ir aos treinos do Sporting CP tentar a sorte. Afinal, não era assim tão longe de onde morávamos. 

Lá íamos, muito animados por poder treinar com bolas oficiais e tentar reproduzir, movimento por movimento, aquela célebre jogada que deu um golo que levantou toda a rua. Claro que nada corria como esperado. Mas a emoção de ir ao campo pelado de Alvalade, ao lado do antigo estádio, e fazer um treino orientado era inesquecível. Ensaiar desmarcações, bater penáltis, calçar chuteiras velhas e levar para casa as pernas escalavradas da terra batida do pelado tinha um encanto sem igual. Infelizmente, no que a mim diz respeito, o futebol não estava ainda preparado para uma visão técnica tão apurada. Pior para o futebol, obviamente.  

Nem só da condição de Sócio ou adepto vive o Sporting CP. As memórias do jogador de futebol que podíamos ter sido acompanham-nos uma vida. Tudo mudou desde as minhas futeboladas de rua. Agora, os treinos dos mais jovens já não começam ao lado do estádio, mas sim no Pólo EUL, na Cidade Universitária, onde se iniciam muitos dos nossos actuais jogadores da formação. Actualmente, temos lá cerca de 150 jogadores, que têm uma formação de raiz, completa e variada, que procura também passar os valores de integridade do Sporting CP. É isso que explica que tantos que se iniciam aqui cheguem mais longe e estejam na equipa B, na equipa sub-23 e até na equipa principal.

Ver que o Pólo EUL tem condições recentemente melhoradas é merecedor de elogio. Trata-se de um trabalho invisível, porém fundamental para que o Sporting CP continue a reter e a acompanhar talentos desde tenras idades. É sempre um gosto passar por lá e ver Leõezinhos de verde e branco a dar os primeiros pontapés em bolas oficiais e saber que, hoje em dia, as condições de evolução dos miúdos são bem melhores do que as que havia no meu tempo. Quem sabe se os próximos Nuno Mendes, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Joelson ou Tiago Tomás não estão já lá a treinar!

 

Diferenças que fazem a Diferença

Por André Bernardo
22 Out, 2020

A introdução da tecnologia, nomeadamente a adopção do VAR, marcaram uma verdadeira revolução positiva no futebol (…) Mas como quase todas as soluções, elas trazem consigo novos desafios e necessitam de evolução

Em 1975, Muhammad Ali e Joe Frazier enfrentavam-se pela 3.ª vez no “Philippines Coliseum”*, no combate que ficaria conhecido para a história como “The Thrilla in Manila”. 
Diluído pelo mediatismo do combate, reconhecido como um dos maiores eventos desportivos de que há memória e que bateu o recorde de audiência televisa de mil milhões de espectadores, ficou a polémica que envolveu a escolha do árbitro para esta luta.

O motivo é que no 2.º combate entre ambos o árbitro Tony Perez viria a ter uma grande influência na luta, primeiro ao terminar o 2.º round 20 segundos antes do tempo, prejudicando Ali, e posteriormente favorecendo este último ao não impedir a sua estratégia ilegal de clinch durante o combate. É impossível prever qual teria sido o desfecho do combate, mas certamente o desenrolar do mesmo teria sido muito diferente. 

São pequenas diferenças que podem fazer uma grande diferença no desfecho final. 

A introdução da tecnologia, nomeadamente a adopção do videoárbitro (VAR), marcaram uma verdadeira revolução positiva no futebol, permitindo à equipa de arbitragem o suporte da tecnologia nas decisões mais complicadas. Mas como quase todas as soluções, elas trazem consigo novos desafios e necessitam de evolução.

O caminho da verdade desportiva faz-se caminhando e o passo seguinte do VAR deveria ser a possibilidade de audição das decisões da equipa de arbitragem. É aliás um modelo já amplamente testado com sucesso no râguebi e que protege os árbitros. 
Será um pequeno passo para o VAR, mas um grande passo para a transparência no futebol

Neste caminho existem sempre os “velhos do restelo” e os apregoadores de uma “falácia ludita”, saudosos de um passado sem tecnologia. Os avanços tecnológicos trazem sempre vencedores e perdedores. 
Com a audição das conversas com o VAR vence a transparência e a verdade desportiva, perde quem sempre temeu aquilo que ainda hoje, graças também ao avanço tecnológico dos motores de pesquisa de internet, se pode “escutar”, e que marca como cada uma ficará para a História. 

A possibilidade de audição do VAR teria facilitado muito o entendimento das decisões do jogo do passado domingo contra o FC Porto.

Em 1976, um ano após “The Trilla in Manila”, em Portugal, o boxe do Sporting CP construía a sua História pelas melhores razões com a conquista do Campeonato Nacional com cinco títulos individuais, derrotando precisamente o FC Porto. O vencedor da categoria “Galos” foi João Miguel, conhecido como Paquito, destaque de capa da edição de hoje do Jornal Sporting, e o nosso actual treinador da modalidade no Clube. 

Detentor de um registo impressionante de 245 vitórias em 250 combates e dez vezes campeão nacional, uma das “maiores tareias da sua vida” (palavras do próprio) acabaria por resultar numa das suas poucas derrotas em virtude de uma arbitragem politizada que daria a vitória ao seu adversário polaco na antiga República Democrática Alemã (RDA). 

É mera coincidência do acaso, mas em 2012, no mesmo ano em que Paquito seria justamente galardoado com um prémio Stromp, é quando o documentário “Searching for Sugar Man” ganha o prémio Academy Award 2012, que conta a história do músico Sixto Díaz Rodriguez.

São duas histórias que não se cruzam, mas há duas semanas enquanto estava a mostrar o nosso multidesportivo aos donos de uma escola internacional interessados em fazer uma parceria com o Sporting CP, fomos dar a conhecer o ginásio do boxe. Tinha nesse momento terminado uma aula e apresentámos o treinador João Miguel e demos a conhecer a lenda Paquito aos visitantes (estrangeiros) que ficaram impressionados. 
E a intersecção com Sixto Rodriguez está na simplicidade do homem e na grandeza da lenda. Felizmente, e ao contrário de Sugar Man, não precisamos de “procurar Paquito”. Hoje prestamos a homenagem a uma lenda viva do Sporting Clube de Portugal e do boxe português que soube defender a verde e branca nos ringues, respeitando as regras e com a dignidade do Leão que tinha ao peito.

* O Araneta Coliseum foi rebaptizado temporariamente para o efeito.

Editorial da edição n.º 3790 do Jornal Sporting

Dualidades e outras coisas

Por Miguel Braga*
22 Out, 2020

A introdução do VAR foi uma medida benéfica na luta pela transparência do futebol e como tal precisamos de protegê-la e apetrechá-la de mais instrumentos que ajudem à compreensão de determinadas decisões e à clarificação dos processos

O terramoto provocado pela dualidade de critérios do primeiro clássico da época, teve réplicas ao longo de toda a semana. A presença do árbitro Pedro Azevedo na Sporting TV contribuiu para esclarecer algumas almas menos iluminadas e relembrar a outros que as regras existem e que devem ser iguais para todos. O FC Porto teve mesmo a particularidade de ter um jogador que deveria ter visto dois cartões vermelhos – primeiro por entrada grosseira e perigosa sobre Pedro Porro, depois por fazer penálti; o internacional sub-21 espanhol teve, inclusivamente, de fazer tratamentos nos dias seguintes – e que, mesmo assim, acabou por fazer a totalidade do jogo. É obra. O mantra repetido até à exaustão que uns jogam nos limites mina a capacidade de decisão sobre lances que não podem ser considerados normais no futebol, sobre atitudes que confundem propositadamente agressividade com violência. É, por vezes, uma linha ténue que separa os conceitos, mas é uma linha que existe e que não deve, nem deveria, ser menosprezada. Como a linha da decência, ultrapassada por um ou outro comentador azul e branco, que chegaram mesmo a dizer que Pedro Gonçalves deveria ter visto o cartão amarelo no famigerado lance com Zaidu, por simulação. Só mesmo a falta de vergonha permite comentários públicos assim.

Para meditar sobre estas dualidades que têm marcado a história do Futebol português nos últimos anos, recordo a entrevista de Tomislav Ivković à Tribuna do Expresso, guarda-redes que defendeu as nossas balizas – e dois penáltis do Maradona – nos finais dos anos 80 e princípio dos anos 90. À pergunta se se sentia o domínio do FC Porto, Ivković foi peremptório: “Ohhh, naqueles tempos… Era na Europa toda: cada país tinha o seu FC Porto. O comportamento dos árbitros e dos dirigentes era diferente quando se tratava do FC Porto”. Continuando: “posso dizer que o Pinto da Costa e o Reinaldo Teles eram as pessoas a que toda a gente queria agradar. Porquê? Porque havia a ideia de que eles podiam ajudar quando fosse preciso. Faziam-se bonzinhos, queriam ficar perante eles”.

Heródoto afirmou ser necessário “pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”. Continuar a fingir que nada se passou no passado servirá o presente de alguns, mas não ajudará o futuro do futebol português. A introdução do videoárbitro (VAR) foi uma medida benéfica na luta pela transparência do futebol nacional e como tal precisamos de proteger a figura do VAR e apetrechá-la de mais instrumentos que ajudem à compreensão de determinadas decisões e à clarificação dos processos. Não queremos regras diferentes, exigimos sim, critérios idênticos.

 

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

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