Futebol sem disciplina à altura
07 Abr, 2022
Existe assim um critério para todos os jogadores e existe outro exclusivamente para Nuno Santos. É este o nosso CD, é esta a disciplina que manda no futebol nacional.

UM CASO DE EXCEPÇÃO
No passado fim-de-semana, a equipa liderada por Rúben Amorim conquistou mais três pontos. Num jogo de sentido único, o Sporting CP venceu o FC Paços de Ferreira de César Peixoto com golos de Pablo Sarabia e Nuno Santos. Para a próxima jornada, frente ao CD Tondela, não podemos contar com João Palhinha que viu (mais) um cartão amarelo injusto e com Nuno Santos, castigado a pedido com um jogo de suspensão, por factos que ocorreram em Janeiro, na final da Taça da Liga que o Sporting CP venceu ao SL Benfica.
E que factos foram esses? Que levaram o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a castigar mais uma vez Nuno Santos? – recordemos que apesar das imagens televisivas terem desmentido um relatório incriminatório, o jogador foi suspenso um jogo no pós-jogo com o FC Vizela por “uso de expressões ou gestos ameaçadores ou reveladores de indignidade”. Recordemos também que o facto de as imagens mostrarem que o jogador não fez o que está no dito relatório, de nada serviu para um CD que utiliza apenas essas mesmas imagens para castigar jogadores do Sporting CP, nunca para os inocentar.
Mas voltemos a essa final da Taça da Liga. Nuno Santos insultou um jogador adversário, coisa nunca antes vista em Portugal entre jogadores, entre equipas técnicas ou mesmo entre jogadores e árbitros, nunca. Existe assim um critério para todos os jogadores e existe outro exclusivamente para Nuno Santos. É este o nosso CD, é esta a disciplina que manda no futebol nacional. O mesmo CD que se mantém em silêncio depois dos vergonhosos acontecimentos que se viveram no pós-jogo do Dragão, entre Sporting CP e o FC Porto. Elementos credenciados pelo clube em questão agrediram – e há várias imagens televisivas que o comprovam – jogadores do Sporting CP. Estádio interditado? Isso não, que ainda faltam alguns jogos para o final da Liga. E consequências imediatas? Quatro jogos de suspensão para jogadores do FC Porto – dois jogos aplicados a Pepe e outros dois a Marchesín − e seis ao Sporting CP − três a João Palhinha, dois a Bruno Tabata e um a Coates por ter sido (mal) expulso. Sim, o nosso capitão foi pisado por Taremi, que se lançou em voo angustiante, enganando o árbitro e muito possivelmente o VAR e, não bastou ter sido injustamente expulso, ainda teve de cumprir um jogo de suspensão por essa expulsão – é este o sentido de justiça e disciplina do CD da FPF.
REGRESSO ÀS ORIGENS
É o principal fundador do Clube e aquele que emprestou o seu nome ao nosso estádio. Era “um rapaz magro, esguio, de uma calma britânica” que “deve ser recordado como o maior dirigente desportivo da época, o mais esclarecido e se não pôde sonhar mais, foi, provavelmente, porque não o deixaram, senão tê-lo-ia feito”. As palavras são de Luís Augusto Costa Dias, investigador e historiador que assina – juntamente como Paulo J.S. Barata e Vasco Borges de Campos – a mais recente e completa biografia de José Alvalade. O livro que é lançado hoje e do qual o Jornal Sporting publica um excerto – além de uma excelente entrevista com um dos autores – é de leitura obrigatória para todos os que se interessam pela História do nosso Clube.
Conhecer a vida de José Holtreman Roquette é também compreender um pouco mais do que é ser Sporting e de quais são os desígnios do Clube desde a sua fundação. Na tarde em que precocemente faleceu, foram estas as palavras no vespertino jornal A Capital: “faleceu hoje o distinto sportsman José Holtreman Roquette (Alvalade) que no nosso meio tinha um lugar de destaque pelas suas excelentes qualidades de carácter (…). A sua morte é sentida com grande pesar no meio desportivo porque Alvalade animava, entusiasmava e coadjuvava todas as iniciativas cujo fim fosse o desenvolvimento de qualquer especialidade desportiva (…). Ao que consta todos os clubes de Lisboa e de fora se farão representar, prestando assim a última homenagem ao pobre moço que ao Sport tanto se dedicou”. José Alvalade morreu com apenas 33 anos.
A MARCA DO LEÃO
No andebol, o Sporting CP quase fez história na Alemanha, perdendo por apenas um golo contra o todo poderoso SC Magdeburg (já depois de ter empatado na primeira mão no Pavilhão João Rocha). O jogo, infelizmente, acabou por ficar marcado por decisões polémicas dos árbitros nos momentos decisivos. Isto num encontro onde Francisco e Martim Costa foram os melhores marcadores dos Leões com 50% dos golos totais da equipa, deixando a sua marca na EHF.
Quem também continua a deixar a sua marca no Desporto Mundial é Jorge Fonseca. O judoca conquistou a sua terceira medalha de ouro em 2022 – depois do Open de Praga e do Grande Prix de Portugal – no Grand Slam de Antália, na Turquia. Com esta vitória, Fonseca volta ao lugar “que lhe pertence”, ou seja, regressa à liderança do ranking mundial de judo na categoria -100Kg, estando invencível há 14 combates. É obra.
Editorial da edição n.º 3866 do Jornal Sporting
Há exactamente 100 anos nascia o mais antigo jornal de clube do Mundo. Foi a 31 de Março de 1922 que se começou a publicar o Boletim do Sporting Club de Portugal, mais tarde transformado em Jornal. Os grandes clubes como o Sporting CP não são grandes por obra e graça do acaso. São grandes porque tiveram Sócios, dirigentes, simpatizantes e adeptos que viram muito para além de si próprios e souberam criar algo capaz de resistir décadas à impiedosa passagem do tempo. É assim que dos grandes clubes portugueses somos o mais antigo (mau grado umas interpretações forçadas que aí andam dos rivais). E também que o caríssimo leitor tem hoje a oportunidade de ler um número do Jornal Sporting que descende em linha recta do que foi publicado há um século, numa autêntica comunhão Sportinguista que atravessou mudanças de regime, guerras e sucessivas gerações.
Que bonita "Razão de Ser", como no tão bem conseguido título da primeira edição, é ter o privilégio de escrever para o Jornal Sporting e lembrar, na pessoa de José Serrano, o primeiro director em 1922, bem como de André Bernardo, director à data de hoje, tantos outros Leões que por aqui passaram. E muito maior é o privilégio, e sobretudo o orgulho indescritível, quando essa coluna de opinião coincide com a celebração da passagem dos 100 anos do Jornal que leio, peregrinamente, desde menino. É mesmo algo que, explicado assim por palavras, me faz sentir, já em fase adulta e madura, como que um menino feliz. Daqueles meninos que abre um "brinquedo" e lhe saem lágrimas misturadas com um enorme sorriso. Daqueles meninos que recuam no tempo e recordam momentos em que na casa do Sr. Brito, um Leão de todos os tempos, era "obrigado" a nele ler tudo. A saber tudo sobre o nosso Sporting CP.
Fundado em 31 de Março de 1922, o Jornal Sporting sai hoje para as bancas com o n.º 3865! Um número que poderia ser indiferente, ser só mais um número, mas não… este número corresponde ao perfazer do primeiro centenário da vida deste portentoso meio de comunicação do SPORTING CP! São 100 anos de vida! Ou seja… temos, portanto, um Jornal centenário! E isso é verdadeiramente fantástico e espectacular! Desde logo, porque − como se sabe e vem sempre escrito na capa de todas as edições − o Jornal Sporting é O MAIS ANTIGO JORNAL DE CLUBE DO MUNDO! Começou por ser um Boletim e evoluiu com o passar dos tempos para Jornal! Atracção maior nas bancas de jornais, veículo de ligação entre a massa Associativa e adepta do SPORTING CP! É − tenho de confessar − o único jornal de cariz desportivo que merece a minha atenção, o meu carinho, a minha leitura… e isso deve-se tão só ao facto de pautar a sua linha editorial por ter informação actualizada e credível, bem escrita, Leoninamente interessante!