Eficácia portista trava Leões
11 Jan, 2026
Equipa B perdeu na visita ao FC Porto (2-1)
No passado domingo, a equipa B de futebol do Sporting Clube de Portugal perdeu com o FC Porto por 2-1, em jogo da 16.ª jornada da Liga Portugal 2. Num clássico sempre emotivo, que não se disputava desde 2018, os jovens Leões protagonizaram uma exibição segura durante largos períodos, mas acabaram por não conseguir evitar a reviravolta dos dragões.
Com a promessa de chuva a abater-se sobre o Estádio Luís Filipe Menezes, o primeiro sinal de algum perigo surgiu à passagem dos seis minutos. Na sequência de um lance de bola parada bem trabalhado pelos pupilos de João Gião, Rodrigo Dias cabeceou, mas ligeiramente por cima da trave portista.
A resposta do FC Porto surgiu aos nove minutos, com João Teixeira a rematar de calcanhar, com elevada nota artística mas sem força, para Francisco Silva encaixar de forma segura.
Vivo e repartido entre os dois meios-campos, o clássico jogava-se com intensidade e alternância, mas voltou a inclinar-se para o lado verde e branco aos 11 minutos. Numa jogada de insistência, Eduardo Felicíssimo apareceu à boca da baliza para cabecear com selo de golo, valendo o providencial corte de Gabriel Brás em cima da linha, a negar o primeiro tento da tarde.
O Sporting CP cresceu no jogo e, aos 19 minutos, voltou a estar muito perto de inaugurar o marcador. Num lance algo caricato, o guardião Gonçalo Ribeiro não conseguiu segurar um atraso e só por muito pouco a bola não acabou no fundo das redes.
Começava a cheirar a golo e, aos 23 minutos, José Silva teve nos pés mais uma flagrante ocasião. Sozinho, com espaço e já na pequena área, após um bom cruzamento pela esquerda, o camisola 55 precipitou-se e rematou ao lado, num lance que pedia melhor desfecho.
A insistência acabaria por dar frutos pouco depois, aos 27 minutos. E que frutos! Na ressaca de um pontapé de canto, Samuel Justo encheu o pé e - de primeira e de fora da área - disparou para um verdadeiro golaço. A bola saiu tensa, colocada, e só parou no canto superior direito da baliza de Gonçalo Ribeiro, coroando a estreia a marcar na temporada do médio de 21 anos e confirmando o ascendente Leonino na partida.
O FC Porto reagiu bem à desvantagem e três minutos depois, já sob um esperado aguaceiro, João Teixeira recebeu no meio e rematou rasteiro, também de fora da área, para uma excelente defesa de Francisco Silva. Com mais posse nesta fase, os dragões continuaram a rondar a baliza verde e branca, mas sem conseguir assustar o guarda-redes português.
Tanto que, até ao intervalo, a melhor ocasião para marcar pertenceu mesmo ao Sporting CP. Já aos 45 minutos, Rafael Nel ficou a centímetros da emenda, após um bom cruzamento vindo da direita, e por muito pouco não aumentou a vantagem.
Assim se fechou uma primeira parte marcada pela maturidade competitiva dos jovens Leões, capazes de transformar domínio em golo - mas a dever à eficácia - e de gerir com critério os momentos seguintes. Num clássico sempre equilibrado, um futebol afirmativo e um instante de inspiração individual fizeram a diferença.

Mas ainda faltavam 45 minutos e o FC Porto entrou novamente mais assertivo no encontro. Aos 48 minutos, André Miranda cruzou, com conta, peso e medida desde a direita, para a cabeça de Kauê Rodrigues, que desviou directamente para as mãos de Francisco Silva.
Os dragões acabariam por empatar na jogada seguinte. Aos 50 minutos, na sequência de uma bola parada, Dinis Rodrigues bateu um canto tenso na direita e, já na pequena área, João Teixeira saltou mais alto do que a defensiva verde e branca, repondo a igualdade no marcador.
A resposta do banco Leonino foi imediata, com João Gião a não esperar para mexer no jogo. O técnico lançou Kauã Oliveira para dar mais pujança ao meio-campo, mas os dragões consumaram mesmo a reviravolta em dez minutos de enorme fulgor ofensivo.
Aos 55 minutos, João Teixeira, endiabrado, arrancou pela direita e tocou para Dinis Rodrigues, que cruzou para a entrada da área. Gonçalo Sousa, lançado ao intervalo pelo técnico portista, rematou à meia-volta para o 2-1, sem hipótese de defesa para Francisco Silva.
Os Leões assumiram então maior iniciativa, à procura de inverter o rumo dos acontecimentos, e Rodrigo Ribeiro foi ganhando protagonismo na frente, mas sem a contundência habitual. Claramente insatisfeito, João Gião arriscou desde o banco e lançou Mauro Couto e Lucas Anjos aos 67 minutos, promovendo um ajuste táctico.
Podia ter resultado: três minutos depois, Kauã Oliveira surgiu ao segundo poste para finalizar, após a bola atravessar toda a área, mas a execução do brasileiro não foi a melhor e o golo do empate acabou por escapar.
Do outro lado, o FC Porto - a explorar bem os espaços em transição ofensiva - esteve perto de fazer o 3-1 aos 76 minutos, mas o remate de Trofim Melnichenko passou por cima da trave da baliza dos visitantes.
Num último esforço, João Gião promoveu nova dupla substituição, lançando Gabriel Silva e Rafael Besugo, e, apesar do maior controlo, o Sporting CP continuava sem conseguir criar lances claros de perigo: aos 82 minutos, Mauro Couto alvejou a baliza de Gonçalo Ribeiro, mas a bola sofreu um desvio e saiu pela linha de fundo. Na sequência do pontapé de canto, foi o FC Porto quem esteve perto de sentenciar a partida, valendo então Francisco Silva, com uma intervenção pouco ortodoxa, a negar o golo a Trofim Melnichenko.
Com o tempo a esgotar-se, o Sporting CP continuou à procura do empate, mas encontrou sempre uma linha defensiva portista bem organizada. Já em período de compensação, Rafael Besugo ainda desviou de cabeça ao lado, antes de André Miranda, na resposta, desperdiçar a última grande ocasião da partida. O apito final confirmou o triunfo dos portistas, num clássico decidido, em muito, pela eficácia de um lado e pelas oportunidades perdidas do outro.
Sporting CP: Francisco Silva, Rodrigo Ribeiro (Rafael Besugo, 78’), David Moreira, Rodrigo Dias, José Silva (Mauro Couto, 67’), Eduardo Felicíssimo (Kauã Oliveira, 51’), Paulo Cardoso, Manuel Mendonça [C] (Lucas Anjos, 67’), Rafael Nel, Lucas Taibo e Samuel Justo (Gabriel Silva, 78’). Treinador: João Gião. Disciplina: cartão amarelo para Eduardo Felicíssimo (29’), Samuel Justo (37’), Kauã Oliveira (78’) e Gabriel Silva (85’).






